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Richard
Simonetti, funcionário aposentado do Banco do Brasil, residente
em Bauru, SP. É orador, jornalista e escritor espírita,
ocupando atualmente o cargo de presidente do Centro Espírita
"Amor e Caridade". Livros publicados: "Quem Tem
Medo da Morte?", "Uma Razão Para Viver",
"Atravessando a Rua", entre outros.
P: -
Amo um
homem que me ama. Porém sou casada e ele também. Ambos temos
filhos. Haverá inconveniente em nos unirmos, considerando que me
sinto uma mulher adulta e capaz de assumir essa
responsabilidade?
R: -
Não parece. Quem admite desfazer dois lares para realizar-se
afetivamente estagia na imaturidade. Qualquer pessoa que tenha o
siso sabe que é impossível edificar a própria felicidade sobre
infelicidade alheia.
P:
- Estou me relacionando com um homem casado. Tentei várias vezes
terminar, mas gosto muito dele e ele de mim. Não consigo me
sentir culpada por isso.
R: -
Isso é grave. Existindo o sentimento de culpa, a consciência de
que se está fazendo algo indevido, nem tudo está perdido.
Podemos mudar de rumo. Quando nos acomodamos ao erro, sob
inspiração do egoísmo, podemos permanecer por largo tempo no
desvio, até que venham as rudes lições da dor, a mestra
infalível.
P:
– O que deve fazer uma pessoa que ama e não é correspondida?
R: -
Cuidar da vida. Alimentar ilusões em torno de alguém que não
corresponde às nossas expectativas é marcar passo na jornada
humana, sofrendo inutilmente. A idéia de que não se pode ser
feliz sem um amor correspondido exprime um equívoco cometido por
pessoas que ainda não compreenderam que o amor à vida é a grande
fonte de felicidade.
P:
– Há dois anos sofri uma desilusão e não consegui mais me
encontrar. Por que isso acontece?
R: -
Por que você está convivendo com um cadáver. Em princípio a
desilusão é algo positivo. Significa que estávamos iludidos. É a
morte da ilusão. O problema é que as pessoas costumam guardar
esse cadáver no armário. É horrível! Cheira mal! Melhor cuidar
da vida, sem alimentar fantasias…
P:
– Tive um
namorado que amei muito. Ele desencarnou antes do casamento.
Hoje sou casada com outro. É possível a convivência com dois
amores?
R: -
Devemos ser monógamos no amor romântico e polígamos no amor
fraterno. O primeiro é um compartimento fechado, estreito, onde
não é aconselhável conviverem mais de duas pessoas. O amor
fraterno é um universo – cabem filhos, pais, irmãos, amigos,
colegas, ex-namorados… Não raro eles se confundem no processo
reencarnatório. O filho de hoje pode ser o namorado querido de
ontem, ensaiando estágios mais nobres de afetividade, nos
domínios do amor.
P:
– Duas pessoas que se amam e renunciam ao amor nesta encarnação
para não causar sofrimento a alguém, poderão ser felizes e
realizarem o amor numa próxima?
R: - O
amor verdadeiro, envolvendo a comunhão as almas, tem cunho de
perenidade. No desdobramento das experiências reencarnatórias
podem ficar transitoriamente separadas, por força de seus
compromissos, mas sempre retornarão ao convívio, estreitando
laços de afetividade.
P:
– Sou uma mulher jovem e amo um homem casado. Devo abrir-me com
ele demonstrando como o amo? Sinto que é o homem de minha
vida...
R: -
Para que? Para tentá-lo? Para confundi-lo e comprometer-se? É
preciso cuidado. Quando nos entregamos a devaneios é fácil nos
envolvermos com fantasias amorosas, que podem causar sérios
embaraços a nós mesmos e a outras pessoas.
P:
– Se após uma amizade de longos anos nasce uma atração entre o
homem e a mulher, pode surgir o amor?
R: -
Não há nenhum problema, desde que ambos estejam "livres e
desimpedidos". Desejável que o relacionamento comece com uma
grande amizade, a melhor forma de amor. Que venha depois o
envolvimento passional, o contato físico, o desejo de
acasalamento. Quando essa sinalização é invertida pode dar tudo
errado. Empolgação primeiro, tédio e insatisfação depois, quando
a pessoa verifica que o parceiro não é exatamente o que
procurava.
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