|
Carlos Campetti é
jornalista e funcionário licenciado do Banco do Brasil. No
momento está trabalhando nos Estados Unidos. O nosso
entrevistado nasceu em lar espírita. Iniciou leitura de livros
espíritas ao nove anos! Iniciou atividades no movimento espírita
no interior do Estado de São Paulo em 1975. De 1982 a 1992 foi
diretor da Federação Espírita Brasileira, período no qual
colaborou em atividades administrativas e doutrinárias na FEB e
no movimento espírita. Como expositor espírita teve oportunidade
de falar em centros espíritas, encontros, seminários, cursos e
congressos no Brasil e exterior, inclusive em Portugal e na
Espanha. Carlos ministra seminários e cursos para Formação e
Reciclagem de Evangelizadores da Infância e da Juventude, de
Coordenadores do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, de
Passes, Mediunidade, de Preparação de Trabalhadores para Centros
Espíritas, Expositores da Doutrina, Liderança, entre outros.
Morou no Uruguai e Espanha e atualmente reside em Los Angeles
(EUA). É membro do Conselho Superior da Federação Espírita
Brasileira.
P: -
Quantos grupos espíritas existem nos Estados Unidos da América
do Norte?
R:
- Contam-se 50 grupos, dentre os quais 17 estão legalizados e 12
estão afiliados ao Conselho Espírita.
P: - Como
se organiza, nos EUA, o movimento espírita?
R:
- Como o movimento
ainda é jovem e está em organização, os centros espíritas
afiliam-se diretamente ao Conselho Espírita, com sede em
Washington. Na Flórida existe uma Federação Espírita, anterior à
criação do próprio Conselho. Lá os grupos podem se afiliar
também àquela Instituição, que por sua vez, também é adesa ao
Conselho.
P: - Esses
grupos compreendem a importância de Allan Kardec?
R:
- Sim, esses grupos estão conscientes a respeito da codificação
do Espiritismo e procuram pautar suas atividades nos princípios
básicos compilados por Allan Kardec, com base nos ensinos da
espiritualidade superior.
P: - Que
tipo de atividades desenvolvem?
R:
- As atividades variam de grupo para grupo, mas têm em comum o
respeito à codificação do Espiritismo. Todos mantêm reuniões
públicas e passes. A maioria reserva dias para o estudo de O
Evangelho Segundo o Espiritismo e O Livro dos Espíritos. Alguns
mantêm estudos da mediunidade, reuniões mediúnicas, estudo
sistematizado da Doutrina Espírita, evangelização para crianças
e jovens, trabalhos de assistência a necessitados, entre outras.
Há centros que mantêm livraria e/ou biblioteca para empréstimo
de livros.
Observa-se
interesse na expansão das atividades no sentido de abranger todo
o potencial em cada grupo. Assim, aqueles que ainda não
desenvolvem, estão pensando em iniciar trabalhos de forma a
disponibilizar, desde o atendimento fraterno, passando pelas
reuniões públicas, reuniões de estudo da mediunidade, reuniões
mediúnicas, estudo sistematizado, evangelização infanto-juvenil,
trabalhos de assistência e promoção social até a preparação de
passistas, expositores, enfim, de trabalhadores do centro
espírita. O Conselho Espírita dos Estados Unidos da América vem
desempenhando papel cada vez mais importante nessa tarefa de
preparação dos centros para o legítimo exercício e cumprimento
do seu papel junto às comunidades onde se situam.
P: As
associações norte-americanas são receptivas ao apoio que lhes
podes dar?
R:
- Sim. Recentemente fizemos uma viagem, para realização de
palestras, promovida pelo Conselho Espírita, juntamente com
instituições de Atlanta, Washington, New York, Boston,
Connecticut, New Jersey e três grupos da grande Miami. Há, em
andamento, planos para outras atividades a serem realizadas
depois de Congresso Norte-Americano que ocorrerá em outubro em
Miami.
P: - Que
atividades tens desenvolvido nos EUA?
R:
- Antes de nossa mudança para cá, tivemos a oportunidade de
visitar algumas vezes os EUA para participação em encontros e
congressos, promoção de palestras e seminários. Na atual fase,
além de palestras, temos visitado alguns grupos da Califórnia e
estamos planejando, com eles e com o Conselho Espírita, a
realização de seminários para preparação de trabalhadores para
centros espíritas, com desdobramentos posteriores para diversas
áreas como da exposição espírita, passes, mediunidade, relações
interpessoais e liderança no movimento espírita. Estamos
ajudando, também, a formação de mais um grupo espírita para a
área de Los Angeles ou cercanias, onde, por enquanto, só existem
dois.
P: - Há
alguma estória interessante que nos queiras oferecer nessa tua
experiência?
R:
- Não propriamente estória. Mas temos observado, com boas
expectativas, o esforço de alguns grupos de hispano-falantes,
provenientes de diversos países, e de brasileiros para implantar
nos Estados Unidos da América um movimento espírita que possa
atender às características e necessidades do povo americano.
Esse esforço é louvável e merece todo apoio, pois de nada
adianta estar como imigrante, ainda que temporário, em algum
país promovendo movimentos que ignoram as peculiaridades do povo
anfitrião. Ao mesmo tempo, esses grupos mantêm-se atentos às
necessidades do grande número de imigrantes que continua
chegando aos Estados Unidos da América e precisa prosseguir no
estudo e na prática da Doutrina Espírita. Muitas dessas pessoas
não sabem ainda falar o inglês.
P: - Quais
as maiores dificuldades que aí encontram e quais as melhores
soluções que têm encontrado?
R:
- Apontarei três: a) A barreira do idioma. Mesmo que uma pessoa
tenha estudado o inglês, ao chegar nos Estados Unidos,
geralmente, precisa de uma adaptação. Conversar com as pessoas é
uma coisa. Fazer palestras para o público é outra bem diferente.
É preciso um domínio do idioma que só o tempo e a vivência podem
proporcionar, salvo raras exceções. A solução é uma dedicação
constante para a superação desse obstáculo.
b) Pouca
conscientização, por parte dos grupos, quanto à importância e,
mais que isso, dificuldade de visualização prática do que é
possível e preciso fazer em relação à unificação do movimento. A
maioria das associações estão em formação ou foram
recém-criadas. O Conselho Espírita dos Estados Unidos da América
do Norte vem trabalhando a questão mediante encontros,
seminários e distribuição de folhetos em inglês, português e
espanhol. Dois programas estão em andamento: um para
Identificação de Novos Expositores Espíritas em Território
Americano e outro para Preparação e Aperfeiçoamento de
Expositores Espíritas. Para o futuro, planeja a realização de
seminários para Preparação de Trabalhadores de Centros
Espíritas, quando será criada a oportunidade para análise e
aprofundamento do tema da unificação do movimento, além de
cursos de Preparação e Reciclagem de Evangelizadores Espíritas
para a Infância e a Juventude e Coordenadores do Estudo
Sistematizado da Doutrina Espírita, entre outros.
c) A escassez de
livros espíritas em inglês. Outro grave dificultador, talvez o
maior deles, para a divulgação do Espiritismo nos Estados Unidos
da América. Aqui é preciso, praticamente, reiniciar o trabalho.
Há muitos livros sobre temas correlacionados com o Espiritismo,
mas raros tratam do assunto com a profundidade que a Doutrina
requer. O povo americano lê muito, mas se o livro não for
escrito de forma agradável, de maneira que prenda a atenção do
leitor, ele é simplesmente ignorado. Apesar da grande quantidade
de médiuns e de os fenômenos, para a fase atual da história,
terem partido daqui, os americanos e os ingleses não conseguiram
extrair do fato um corpo doutrinário que pudesse dar sustentação
a um movimento. O movimento espírita americano necessita
urgentemente de Kardec para se solidificar e ganhar o respeito
da sociedade que ainda não compreende a filosofia expressada
pelos Espíritos superiores na Codificação: "Dai de graça o que
de graça recebestes". Para isso faz-se imprescindível um
trabalho social perseverante, que produza frutos dentro dos
lares angustiados pelo excesso de tudo o que é material e
carente da visão clara de que a vida continua, de como ela
continua, de quais são as conseqüências dessa continuidade.
Observo que logo deverão começar a aparecer livros escritos por
espíritas em inglês dirigidos e adequados ao povo americano.
Alguns deles deverão atingir o objetivo, facilitando a esse povo
o acesso à obra magnífica dos espíritos superiores contida na
codificação feita por Allan Kardec.
|