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Vitor
Ronaldo Costa é militante espírita, conferencista e
escritor espírita.
P: - Como é
considerada pela Doutrina Espírita a questão do aborto
provocado?
R:
- De acordo com o item 358 de O Livro dos Espíritos, existe
sempre um crime quando transgredimos a lei de Deus. A gravidade
de um atentado à vida humana não pode ser medida pelo tamanho da
vítima. Há crime sempre que se interrompe a vida de um embrião
de alguns milímetros ou de um ser adulto com 1,90 m de altura,
porquanto em ambas as circunstâncias, o espírito terá anulada a
existência, tendo que recomeçá-la em outra oportunidade.
P: - Quando
uma mulher já praticou o aborto e, com o esclarecimento da
Doutrina Espírita, arrependeu-se profundamente e deseja
ardentemente ter um filho, mas é solteira e já passa dos 35, é
lícito fazer inseminação artificial?
R:
- O arrependimento sincero é sem dúvida o primeiro passo no
caminho da reabilitação moral, qualquer que seja a falta
cometida. Desejar um filho é uma aspiração natural do sexo
feminino e no caso da mulher não ser casada ou não manter
relações sexuais com um parceiro fixo, creio mais lógico e
simples a adoção de uma criança. Caso esta alternativa não lhe
seja possível, resta a esperança da inseminação artificial, hoje
em dia, um notável recurso da medicina moderna, se bem que mais
dispendiosa e ainda cercada de algumas implicações éticas. Porém
da minha parte, não vejo impedimento algum, pois além de ser uma
via reencarnatória alternativa, a mulher poderá curtir uma
gravidez desejada e igual as outras, interagindo desde o início
em bases amoráveis com o seu futuro filhinho.
P: - Quando
o Espírito é mais elevado, ele tem mais liberdade em relação ao
feto, ou seja, sua ligação é mais flexível, correto? Neste caso
ele também sente as dores de um aborto provocado?
R:
- Em tal situação seria compreensível pensar-se mais em dor
moral do que física. A tristeza sentida pela entidade
reencarnante, a decepção para com aquela que deveria
recepcioná-lo no mundo dos vivos na qualidade de mãe, certamente
contribuiriam para aumentar o seu constrangimento.
P: - O fato
de uma mulher não poder ter um filho por problemas físicos nesta
encarnação será conseqüência de aborto praticado em alguma vida
anterior?
R:
- É possível
pensar-se nesta relação de causa e efeito se subordinarmos
todos os acontecimentos terrenos ao ascendente espiritual.
Porém, do ponto de vista médico existem certos obstáculos
orgânicos que uma vez identificados pela medicina e devidamente
removidos, permitem uma gestação normal. Agora, o cuidado que os
reencarnacionistas devem ter é evitar buscar no "karma" a
explicação teórica para tudo o que os incomoda. Isto seria a
super valorização dos vários "complexos de culpa" dos quais
precisamos nos libertar. A própria existência constitui-se um
desafio a ser vencido com denodo, disposição, trabalho honesto e
respeito às leis morais da vida, caso contrário, alimentaremos
uma interminável "neurose cármica" que certamente interferirá em
nossa disposição de luta e alegria de viver.
P: - Existe
atualmente algumas pessoas influentes no Brasil e no mundo que
estão fazendo protestos e passeatas em favor do aborto. Se isso
se tornar muito forte e der chance de ser aprovada a lei a favor
do aborto, a espiritualidade interferiria para que isso não
chegasse a acontecer ou a lei seria mesmo aprovada, por causa do
livre arbítrio do povo?
R:
- O livre arbítrio é uma lei cósmica criada por Deus e posta a
serviço dos seres inteligentes com a finalidade de facultar-lhes
o exercício da liberdade com responsabilidade. O mundo
espiritual jamais interferiria em decisões decorrentes da
vontade da maioria encarnada, mesmo que tais decisões se
revelassem reconhecidamente desastrosas. Além do mais, as
conseqüências de uma postura equivocada serão devidamente
identificadas mais adiante por todos aqueles que a consentiram.
O sofrimento corretivo sob a forma de expiações educativas
habitualmente se encarrega de restabelecer a ordem cósmica com o
passar dos tempos. Assim tem acontecido com os altos e baixos
experimentados pela humanidade terrena no decorrer de sua
trajetória evolutiva.
P: - Foi
aprovada pelo órgão de saúde dos Estados Unidos uma pílula que
acaba com a gravidez logo no início. Este órgão americano é
muito bem conceituado e provavelmente chegará ao Brasil, por
meios ilegais, tal pílula. Qual o impacto desta decisão no
mundo? Como será que as pessoas envolvidas neste tipo de decisão
poderão resgatar seus erros no futuro?
R:
- Infelizmente, o impacto de tal decisão será desastroso. A
pílula abortiva é fruto de uma ciência materialista
descompromissada para com a ética divina. Os cientistas que se
desviaram do caminho do bem e optaram pela destruição da vida,
concretizando engenhos atômicos ou produzindo drogas abortivas
capazes de impedirem as reencarnações, certamente prestarão
contas de seus atos indevidos ao tribunal de suas próprias
consciências.
P: - É
considerado aborto o fato de uma mulher casada que deveria
receber em seu lar um filho e não o tem porque não lhe interessa
ser mãe e o evita através de pílulas anticoncepcionais?
R:
- O aborto provocado presume a expulsão uterina de um embrião
através de manobras intempestivas e voluntárias consentidas pela
gestante. O uso de contraceptivos orais, ao contrário, evita a
gravidez sem que se cometa um atentado à vida. As pílulas
anticoncepcionais, quando utilizadas indiscriminadamente pela
mulher casada, com o intuito de jamais engravidar, poderão
contribuir para adiar os reencontros previamente programados no
plano espiritual. Em alguns casais que assim procedem,
observa-se a exaltação do egoísmo e a predisposição à uma vida
fútil voltada exclusivamente para os prazeres mundanos. São
desacertos voluntários a serem devidamente corrigidos em
próximas incursões reencarnatórias.
P: - Em
qualquer circunstância o aborto será sempre um crime, porém o
que dizer do aborto quando a gestação ocorre em uma jovem
iniciando a adolescência como fruto de violento estupro, se
entendermos que o crime de estupro não é programável na
reencarnação? E no caso de risco de vida comprovado para a
gestante?
R:
- Particularmente não encaro como crime o aborto praticado em
caso de
risco de vida para a paciente. Veremos algo sobre a questão mais
adiante. Mas fixando-me no alvo da presente questão, eu diria da
dificuldade de se avaliar se o estupro é ou não uma condição
cármica, não obstante concordar que a gravidez resultante seja
uma questão séria e delicada a ser resolvida com juízo e bom
senso. Qualquer justificativa transcendental que se busque para
o estupro cairá sempre no terreno das hipóteses e em nada
auxiliará. São casos em que só a própria vítima, após avaliar os
prós e os contras, poderá tomar uma decisão. Todavia, um detalhe
precisa ser destacado. A interrupção da gravidez na
eventualidade do estupro não deixa de se configurar em uma
contravenção, pois se um espírito foi encaminhado é porque o
mundo maior estava alerta e permitiu a ligação da alma
reencarnante com o embrião; isto se partirmos do pressuposto que
nada acontece à revelia de Deus. O aborto consentido em
decorrência de um estupro, em princípio, contempla duas
condições humanas imediatistas: 1- Visa a penalizar o espírito
reencarnante e não o executor do ato;
2- É programado no calor das emoções desequilibradas, muito mais
por revolta, ódio e orgulho ferido do que por uma atitude
sensata.
Outras questões de
ordem espirituais poderiam vir à baila no caso de uma gravidez
por estupro, vejamos: poderia tratar-se de um espírito afinizado
com a futura mamãe e não de um inimigo do pretérito; e, poderia
o reencarnante ter chegado ao regaço materno por meio de tão
traumático mecanismo, cuja razão só venha a ser conhecida,
quando a própria mamãe retornar à pátria espiritual.
A opção pela
interrupção da gravidez também não isentará o campo mental
materno de resguardar remorsos e arrependimentos futuros. A
prática clínica tem comprovado este detalhe. A imprensa já
divulgou em reportagem um certo número de crianças fruto de
estupros, alguns anos depois, ao lado dos seus familiares. O
surpreendente é que nenhuma das mulheres envolvidas havia se
arrependido de ter levado avante a gestação, pelo contrário.
Apesar de lastimarem a forma como tudo aconteceu, demonstravam
apego, amor e carinho pelos seus filhos, ou seja, outra
disposição de espírito bem mais afetiva, em relação aos
pequeninos. Logo, eu não posso decidir aqui por uma conduta
uniforme. O grau de amadurecimento e de formação moral,
educacional e religiosa da criatura vitimada e de seus
familiares certamente ditará a conduta mais consentânea com os
reclamos do coração. Entretanto ressaltamos uma outra questão:
uma insanidade jamais deve ser paga com outra insanidade mais
grave. Seria penalizar com a morte um bebê, muitas vezes,
saudável e que poderia se tornar amado e bem quisto no dia de
amanhã. Enfim, diante do exposto, cada qual avalie o seu próprio
coração e defina posição diante do problema proposto. Em tempo:
toda gestação que realmente ofereça risco de vida para a
gestante pode ser interrompida, pois " É preferível sacrificar o
ser que não existe ao ser que existe". Isto está exposto na
questão 359 de O Livro dos Espíritos.
P: - Como
podemos ajudar de forma eficaz irmãos que nos procuram com
culpas imensas assolando-lhes os espíritos por terem cometido
aborto no passado?
R: - A terra é um planeta de provações e expiações, portanto
habitado por
seres de mediana evolução. Todos somos espíritos comprometidos
e, se possível fosse recordar o passado, nos chocaríamos com os
delitos e crimes bárbaros praticados por nós mesmos. Ninguém
pode considerar-se puro, pois seria uma presunção pueril.
Parece-nos que a melhor maneira de ajudar a quem se sente
culpado é convidá-lo ao uso do bom senso e tentar enfatizar que
qualquer procedimento de reconstrução espiritual implica na
mobilização da boa-vontade.
Digamos então que
o esforço do auto-soerguimento passa por três etapas:
1- Conscientização do erro cometido. Isto porque ninguém se
julga devedor se não admitir a própria culpa.
2- Arrependimento sincero acompanhado do pedido de perdão a
Deus. Atitude sensata porque Ele é o Senhor da Vida. A
reconstrução íntima da moral implica no arrependimento sincero
do delito cometido e na aceitação das conseqüências posteriores,
sem que haja blasfêmia nem revolta.
3- Empenho no trabalho reparador. Ninguém se livra do sabor
amargo do fruto colhido se não se dispuser a reparar o prejuízo
imposto aos outros pela semeadura incorreta no passado. Pois
bem. O remorso deve ser substituído pelo desejo de auxiliar ao
semelhante, especialmente, as crianças carentes albergadas em
orfanatos. O trabalho assistencial traz dupla vantagem, senão
vejamos: evita a ociosidade mental e colabora decisivamente para
o engrandecimento espiritual do ser, autêntica maneira de se
retomar a caminhada evolutiva. Além disso, reforçaríamos um
lembrete: a adoção é sempre a melhor das medidas redentoras.
P: - Uma
mãe fez um aborto há 24 anos e depois disso nunca mais teve
saúde, estando desenganada pelos médicos por conta de um câncer
no colo do útero que lhe trouxe grande sofrimento. Apesar de
estar livre desta doença, outras seqüelas apareceram,
trazendo-lhe osteoporose e osteomielite (pelo tratamento com
radioterapia). A dúvida, finalmente, é em relação a este destino
que a mãe está vivendo. Será que ela já não sofreu bastante ou o
que ela poderia fazer para reparar este erro ainda nesta vida?
R:
- O problema particular desta criatura está sendo colocado de
forma a supervalorizar o fato de 24 anos atrás. O sentimento de
culpa não trabalhado devidamente por ela própria assumiu um
papel de destaque, ao ponto de incriminar os transtornos
clínicos de hoje como possíveis formas de resgate cármico.
Habitualmente, osteoporose, neoplasia maligna, osteomielite e
outras enfermidades mais acometem milhares de criaturas no mundo
sem que as mesmas tenham se envolvido com abortos. Parece-me que
se criou um ponto de fixação obsessiva em torno do assunto,
levando os familiares a se penalizarem do "destino que ela está
vivendo..." Quem somos nós para julgar se alguém já sofreu
bastante, se em verdade, desconhecemos o seu passado
reencarnatório?
Além de tudo, não
olvidemos que sofrimentos do presente podem estar associados a
problemas seculares, logo, o correto seria cultivar a resignação
operante e assumir, enquanto em vida, uma atitude combativa,
semelhante a que foi comentada na questão anterior. Uma boa
terapêutica psicológica ao lado de um melhor entendimento das
verdades espíritas certamente contribuiriam para melhorar as
condições de seu psiquismo na reencarnação atual.
P: -
Pode-se dizer que um espírito que sofre o aborto está resgatando
uma falta que tenha cometido no passado? O aborto pode ser para
o espírito reencarnante uma prova ou expiação?
R:
- O comentário desta pergunta baseia-se nos ensinamentos
kardequianos.
Penso que, em
alguns casos, isto pode perfeitamente acontecer. Aliás, em O
Livro dos Espíritos, identificamos uma questão sugestiva que nos
fala de prova para o espírito reencarnante.
"355 - Existe,
como indica a Ciência, crianças que desde o seio materno não são
viáveis? Com que fim isso ocorre? Isso ocorre com freqüência;
Deus o permite como prova, seja para os pais, seja para o
Espírito destinado a reencarnar."
P: - Quais
as conseqüências da concordância do pai na realização do aborto?
R:
- Ele é tão ou mais culpado que a mulher, especialmente no caso
em que a sua influência sobre a vontade feminina tenha sido
exercida pelo direito da força.
P: -
Abortos involuntários, complicações no parto, como posso
entender estes acontecimentos? O espírito pode estar rejeitando
sua missão terrena?
R:
- A rejeição reencarnatória é uma possibilidade levada em conta
pelo modelo espírita. A outra ocorreria por injunções cármicas
da própria gestante.
No entanto, existe
um terceiro fator, muito mais comum do que se pensa e
freqüentemente identificado em reuniões mediúnicas: trata-se da
obsessão
espiritual. Inimigos do pretérito podem interferir na gestação
motivados pelo desejo de vingança. Conta-se entre esta categoria
de desafetos espíritos que foram rejeitados em passado longínquo
ou recente, por meio do aborto; espíritos que se sentiram
afetivamente traídos no pretérito pela atual gestante e que
lançam mão de todos os artifícios imagináveis para que a mulher
não encontre a felicidade com o seu atual companheiro e assim
por diante. São modelos obsessivos passíveis de serem corrigidos
mediante a aplicação da desobsessão espírita. É muito
comum, em grande número de casos, após a conclusão do tratamento
espiritual observar que as próximas gestações evoluem
normalmente.
P: - Quando
um espírito sofre o aborto ele retorna ao mundo espiritual na
forma de um feto ou isto depende do seu grau de evolução?
R:
- Certamente ele retorna à espiritualidade com a forma
perispiritual contraída. Some-se ao fato, o estado de revolta ou
de decepção experimentada em virtude do intenso trauma
psico-emocional e das profundas cicatrizes psicológicas
registradas no campo mental da entidade. Diante deste quadro
admitimos que a retomada de sua forma anterior demore o tempo
correspondente ao refazimento da mente em estado de conturbação.
Durante este período, o espírito permanece em sono e submetido à
terapêutica magnética instituída pelos espíritos socorristas,
médicos e enfermeiros do astral, conforme aprendemos na
literatura mediúnica patrocinada por André Luiz.
P: - O fato
de uma pessoa não ter engravidado até agora e já estar com 39
anos, pode ser uma escolha de prova (a de não ter filhos para
cuidar dos filhos do coração nessa encarnação), pode ser uma
expiação (por algum motivo que desconhecemos) ou, a mais grave,
pode ser por ter feito muitos abortos ou apenas um aborto, mas o
suficiente para marcar profundamente o perispírito?
R:
- Se a esterilidade decorre de decisão pré-reencarnatória, nada
a comentar. As outras hipóteses, no entanto, por envolverem
atentados às leis morais da vida, implicam em conseqüências mais
ou menos doridas implícitas no processo corretivo a que todos
estamos sujeitos. Dependendo do interesse da criatura em
apressar a sua própria evolução por meio do trabalho reparador
no campo do bem, os quadros de sofrimento poderão ser
minimizados, pois o amor fraternal a serviço dos semelhantes
"cobre uma multidão de pecados." Não olvidemos a presença da
misericórdia divina a favor de nossas vidas. Penso que se não
fosse a realidade de um Pai de infinita misericórdia, a carga de
sofrimento curtida pela humanidade rebelde seria tão intensa que
poucos a suportariam.
P: - Como o
Espiritismo vê as tentativas de legalização do aborto no Brasil?
É possível que realmente aconteça a interrupção de uma vida em
benefício de outra (no caso, aborto necessário). Como fica a
situação daquele que a interrompeu (médico) e daquela que estava
gerando (mãe) perante o Espiritismo?
R:
- Os espíritas, por serem conhecedores de causa, aguardam com
certa preocupação o desenrolar das tentativas de
descriminalização do aborto no
Brasil. O mesmo acontece com os demais cristãos filiados a
outros credos religiosos, assim como os judeus, mulçumanos e
adeptos de outras confissões religiosas que não admitem a
liberação do aborto por motivos fúteis e eugênicos. É preciso
que se diga que grande percentagem da coletividade não o deseja
no Brasil. Este movimento é fruto de uma minoria ativista,
visivelmente assessorada pelas "sombras", mas que consegue
influenciar os meios de comunicação de massa e influenciar
alguns políticos descompromissados com a ética evangélica e
sempre preocupados em auferir vantagens materiais. Quanto a
questão do aborto praticado com a finalidade de salvar a vida de
uma gestante de alto risco já foi comentada em quesito anterior.
Apenas para complementar as últimas interrogações deste item 16,
acredito, com toda a isenção de ânimo, que o bom-senso
demonstrado pelo Espírito de Verdade ao acenar com a
possibilidade de intervenção médica nestes casos
especialíssimos, seja a conduta mais acertada e que o médico e a
gestante estejam isentos de reflexos cármicos negativos.
P: - Tenho
amigas que praticaram aborto quando jovens, ambas por
interferência de terceiros (uma o pai a "obrigou", tinha só 14
anos e a outra o marido, tinha 18 anos). Ambas hoje sofrem com a
impossibilidade de ter filhos. Qual é o grau de responsabilidade
delas? E como posso ajudar com alguma palavra a aliviar a dor
das mesmas?
R:
- É preciso entender que todo delito possui agravantes e
atenuantes. Perante Deus, se a criatura demonstra boa índole e
tenha sido forçada contra sua vontade, os atenuantes minimizarão
o fato e permitirão a gradual ascensão do ser desejoso de
auto-aprimorar-se. Se eram jovens quando o fato aconteceu, elas
dispõem pela frente de toda a reencarnação para trabalharem a
favor do bem. As que não conseguirem engravidar poderão adotar
crianças abandonadas ou apelar para a inseminação artificial,
pois quase sempre Deus permite que os espíritos queridos cheguem
às nossas mãos através de manobras bem urdidas pelo mundo
espiritual. Basta que a criatura demonstre boa vontade. Conviver
com a lembrança do fato lamentável em nada vai adiantar. Melhor
seria arregaçar as mangas e partir para a luta existencial,
repletas de otimismo, alegria e disposição de bem servir.
Atentemos para o fato de que todos carregamos pesados fardos do
passado e, que se por ventura nos confiássemos ao desespero ou à
depressão, este mundo não passaria de imenso e autêntico
manicômio espacial. No entanto, deve-se reconhecer a existência
de muita gente boa, honesta e trabalhadora, apesar dos delitos
perpetrados anteriormente. Por isso, o ideal seria que
aprendêssemos a passar uma esponja no pretérito e despertássemos
o nosso lado bom, trabalhando arduamente com o objetivo de
edificar a pureza de nossos corações.
P: -
Deve-se tratar do assunto aborto em reuniões públicas? Qual o
melhor enfoque a ser dado, já que na platéia muitas vezes estão
pessoas que já praticaram tal ato?
R:
- A questão do aborto deve sempre ser ventilada em reuniões
públicas ou não. Tudo depende da maneira como se aborda a
temática. Evite-se por todos os modos o emprego presunçoso do
"dedinho" moralista, jamais apele-se para as acusações
desumanas, as reprimendas desnecessárias e as ameaças cármicas,
como se nós outros estivéssemos isentos de imperfeições. Seria
útil preparar a sociedade para participar de mutirões e
movimentos esclarecedores sobre a momentosa questão, de modo que
os políticos sentissem a força dos que trabalham em prol da
valorização da vida. O chamamento para o bem deve ser efetivado
em qualquer ambiente, sem temores e sem que nos sintamos
diminuídos, pois estamos a serviço do Mestre Amado e nada deve
deter a nossa vibração. Tudo isto pode ser levado a cabo com o
devido respeito ao próximo e boa dose de estímulo aos que nos
escutam. A verdade ao ser disseminada, às vezes, constrange
alguns, mas, se ela não for destacada, estaremos pecando por
omissão. E neste sentido, a vida de Jesus é o exemplo maior para
o cristão consciente do papel que lhe compete perante a
comunidade planetária.
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