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A nossa
entrevistada do mês é dirigente espírita da região serrana
do Rio de Janeiro e a escolhemos para a entrevista em razão da
sua mediunidade de vidência. O tema sempre desperta interesse
dos estudiosos da doutrina, bem como do público espírita em
geral. Procuramos na entrevista abordar os aspectos científicos,
doutrinários e sociais do fenômeno.
P: - Com
que idade e como foi a sua iniciação na doutrina espírita?
R:
- Eu estava com 29 anos e passava por uma crise pessoal que me
abalou muito emocionalmente e através de uma amiga que era
espírita, resolvi acompanhá-la à Casa Espírita que freqüentava
em busca de um pouco de paz e repostas. Nunca mais faltei a
nenhuma reunião, pois a doutrina espírita com a sua clareza me
cativou.
P: - Como e
quando iniciou a manifestação dessa faculdade mediúnica?
R:
- Já como tarefeira, iniciei a educação mediúnica e cerca de
alguns meses, no máximo um ano, já surgiam algumas vidências
durante o exercício.
P: -
Ocorreram problemas ou benefícios na sua vida pessoal em razão
da sua capacidade de “enxergar” o mundo dito invisível?
R:
- Não me lembro de ter tido problemas com isso e nem também
benefícios na minha vida pessoal, pois na maioria absoluta dos
episódios, eles ocorrem enquanto estou trabalhando na Casa
Espírita.
P: - Kardec
no Livro dos Médiuns classifica a manifestação da vidência no
médium de duas formas: normal e em estado sonambúlico, embora
reconheça que existe uma gradação entre uma e outra. Como você
se colocaria em relação ao exposto?
R:
- Sem a menor duvida, no meu caso em estado normal, pois a minha
mediunidade de vidência ocorre sem alteração do meu estado de
consciência, não ocorrendo o desprendimento sonambúlico.
P: -
Sabendo que não são os olhos do corpo físico, mas sim o espírito
que vê o mundo invisível, você poderia afirmar que no seu caso
de vidência ocorre o fenômeno do desdobramento quando essa
mediunidade se manifesta? Ocorrem sensações diferentes das
normais durante essa ocorrência?
R:
- Praticamente já respondi a esta pergunta na questão anterior,
mas para reforçar direi que não ocorrem absolutamente sensações
anormais, porém é necessário que haja da minha parte uma
concentração e o pensamento focado no trabalho que está sendo
realizado.
P: - Também
no Livro dos Médiuns, Kardec afirma que a faculdade de ver os
espíritos pode ser desenvolvida, mas não se deve forçá-la. O
seu trabalho dentro de um Centro Espírita conjugado ao estudo da
doutrina tem implicado no desenvolvimento da sua vidência?
R:
- Muito boa pergunta. Não tenho a menor dúvida que o meu
trabalho, a experiência, o estudo e a dedicação de alguns anos
possibilitam e aumentam este potencial. No surgimento da
faculdade, os eventos eram esporádicos e não tão claros como
hoje se apresentam. Com certeza foi desenvolvida e aprimorada.
P: - Edgard
Armond em seu livro Mediunidade chama a vidência de visão
hiperfísica e a divide em vidência ambiente ou local, vidência
no espaço e vidência no tempo. A primeira se opera no ambiente
em que se encontra o médium. A vidência no espaço é a aquela na
qual o médium vê cenas em pontos distantes do local em que se
encontra. Na última, o médium vê cenas de fatos já ocorridos ou
que vão ocorrer. Quais são as suas observações sobre o exposto e
como você se vê dentro desse sistema proposto por Armond?
R:
- Acho que posso me enquadrar em todos os tipos citados, mas com
raras exceções nas do tipo que antecipam um acontecimento, porém
já ocorreram uns dois ou três episódios que eu me recorde.
Para melhor
entendimento, eu explico: Tanto pode ser o espírito que se
apresenta numa reunião, como, às vezes, é possível que sejam
fatos passados registrados em sua memória ou de outros espíritos
ligados a ele. Também, em alguns casos, é possível a percepção
de eventos que estão ocorrendo não necessariamente no ambiente
da nossa reunião na Casa Espírita. Ás vezes posso visualizar as
lembranças restritas de encarnados, referentes a vidas
anteriores que até ele mesmo nem suspeita. Importa considerar
que é a Espiritualidade Superior quem permite e favorece as
vidências, sempre com fins úteis e amorosos.
P: – Como
você avalia a importância dessa faculdade para o seu trabalho
como participante e dirigente no movimento espírita? E na sua
vida pessoal?
R:
- Avalio que auxilia bastante o trabalho nas reuniões de
Educação Mediúnica, de Desobsessão e de Tratamento Espiritual
principalmente. Aprendo muito com estas experiências e procuro
interpretar esta capacidade como uma ferramenta de auxílio e
aprimoramento pessoal e uma maneira de auxiliar almas sofredoras
e necessitadas, sempre respeitando as diretrizes da doutrina
espírita e o bom senso.
Na minha vida
pessoal, não considero que interfira significativamente, já, que
como falei, as vidências ocorrem quando estou em trabalho.
Raríssimas vezes tenho vidências aleatórias no meu dia-a-dia.
P: – Como
devem ser transmitidas as informações obtidas através dessa
vidência dentro de uma Casa Espírita para os assistentes? E para
os trabalhadores da casa? Como você avalia a conveniência? Quais
os benefícios e contra indicações?
R:
- Isso é uma questão importantíssima. Deve ser evitado e, mais
uma vez, bom senso para quando for divulgá-las.
Em particular, eu
procuro não divulgar nenhuma vidência que não seja com o
propósito de instruir e exemplificar. Quando cito algum exemplo
para uma assistência, já refleti anteriormente se não estará
comprometendo alguém ou sendo desnecessária. Procuro sempre
dizer que foi um médium vidente da reunião, sem indicar que
tenha sido por meu intermédio. Tomo este cuidado para que as
pessoas não me vejam como alguém especial, vidente ou vaidosa; o
que poderia comprometer o conteúdo do ensinamento.
Para os tarefeiros
da Casa Espírita, em reuniões mais restritas, sinto-me mais a
vontade, mas também só narro o que o meu “amigo”, o bom senso,
permite.
Entendo que o
único benefício é o exemplo e o esclarecimento sincero e
dedicado. Qualquer coisa contrária é curiosidade tola e vaidade
do médium.
Considero contra
indicado tudo nesse sentido e sem uma reflexão anterior.
P: - Você
poderia citar uma ocorrência marcante do ponto de vista positivo
e uma negativa?
R:
- A mais marcante até hoje foi quando eu vi pela primeira vez
minha mentora, a irmã Teresa. Eu supunha ser meu protetor um
espírito masculino e sempre mantive essa idéia. Certa vez, na
reunião mediúnica, fizemos um exemplo que poderia nos levar a
perceber o mentor. Então eu estava predisposta a, se fosse ver
alguma coisa, seria um homem. Percebi uma luminosidade muito
bela, vinda de um vitral colorido, numa magnífica catedral e vi
uma irmã de caridade segurando uma braçada de rosas. Ela era
linda e disse chamar-se Teresa, oferecendo-me as rosas e
identificando-se como sendo o espírito que cuidava de mim. Não
preciso dizer o quanto chorei e nunca mais esqueci aquela cena
tão linda e rica de luzes e cores.
A negativa, que
muito me marcou, foi um episódio de uma vida passada,
visualizado de forma espontânea e em diversas ocasiões, onde
pude perceber uma decisão equivocada que me gerou e ainda gera,
lembranças doloridas.
P: – Alguma
recomendação ou conselho para um médium vidente que esteja em
início de desenvolvimento dessa faculdade?
R:
- Estude muito e ame trabalhar no bem. Tenha discrição, bom
senso e ore. Não se antecipe, nem force acontecimentos. Deixe a
espiritualidade bondosa conduzir sua faculdade mediúnica. Não
espere grandes feitos, mas dê aquilo que você julgue ser o seu
melhor. Ore, ore muito e vigie.
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