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O nosso
entrevistado do mês é o expositor e médium espírita Pedro
Vieira. Colabora com o centenário Centro Espírita Cristófilos e
com o Centro Espírita Léon Denis, no Rio de Janeiro, além de
algumas outras casas.
P: - O Que
é exatamente TCI?
R:
- A sigla TCI significa "Transcomunicação Instrumental".
O termo
"Transcomunicação" foi criado na década de 1980 pelo Prof.
Ernest Senkowski, buscando a junção de dois vocábulos:
"Comunicação" e "Transcedente", ou seja, uma comunicação que
transcenda o mundo em que vivemos, físico. No entendimento
espiritualista, uma comunicação com o mundo dos Espíritos.
O termo
"Instrumental" mostra o meio por que essa Transcomunicação é
conseguida: aparelhos, instrumentos.
De uma forma geral
podemos dizer que TCI responde pela "comunicação com o
mundo espiritual utilizando-se como meios aparelhos (normalmente
eletro-eletrônicos)".
P: - Qual
sua relação com o espiritismo e por que há tanta controvérsia
sobre TCI e Espiritismo?
R:
- Sou expositor e médium espírita e colaboro com o centenário
Centro Espírita Cristófilos e com o Centro Espírita Léon Denis,
no Rio de Janeiro, além de algumas outras casas. Ademais, possuo
profundo respeito e gratidão pela figura do Sr. Prof. Allan
Kardec, o codificador, trazendo ao mundo a mensagem dos
Espíritos de maneira tão límpida e clara. A Doutrina Espírita é,
para mim, a filosofia de vida que, embasada pelo conhecimento
científico, leva o homem à melhora de si mesmo, na reforma
moral, íntima e pessoal, na direção de Deus.
A TCI é um
fenômeno que, como a mediunidade como conhecemos, não é restrita
ou pertencente a nenhuma crença ou filosofia. A mediunidade
existe desde que existem homens. A TCI existe desde que existem
homens e aparelhos. A relação entre TCI e Espiritismo, portanto,
não é inata, ela requer uma aproximação, que só será feita pelo
estudo, da mesma forma que o Sr. Prof. Allan Kardec fez com as
mesas girantes - que também não estavam presas a qualquer
filosofia em particular.
Verificamos,
entretanto que, de maneira profundamente clara, o Espiritismo
possui em si equacionado o modo de funcionamento do Plano
Espiritual e, mais do que isso, o conhecimento do próprio homem
como ser moral, que dá à mediunidade, automaticamente, o caráter
de meio de evolução e não de dom, de finalidade da vida. É,
portanto, de fundamental importância na desmistificação e, por
outro lado, no entendimento do próprio fenômeno, que acontecerá
- como fato inconteste - com ou sem a sua participação.
Quanto à
controvérsia, pessoalmente, nunca a presenciei. Todos os
espíritas que considero sérios, com décadas de experiência, em
cargos de direção de federativas ou respeitáveis trabalhos de
divulgação doutrinária, cujas ações correspondem às palavras,
demonstram a tranqüilidade necessária para o entendimento e o
lido com o fenômeno: nem a negação sistemática - típica de um
medo injustificável; nem a empolgação descontrolada - típica da
ignorância.
P: - Há
pesquisas científicas sérias que os relaciona? Quais e onde?
R:
- Os grupos que têm se dedicado ao estudo da TCI normalmente são
espiritualistas em geral. Alguns grupos espíritas também têm se
dedicado a isso, porém muitas vezes carecendo de posicionamentos
técnicos que o possam guiar.
No início de 2002
no Centro Espírita Cristófilos, formou-se um grupo hoje com 5
engenheiros eletrônicos (mestrandos e doutorandos), 2 técnicos
de eletrônica, 1 estudante de física, 1 engenheiro civil e 3
pessoas na equipe de apoio: Grupo Espírita de Pesquisas
Eletrônicas Cristófilos (GEPEC). Trata-se de um grupo espírita
que reúne pesquisadores seríssimos da área da eletrônica, que
realizaram seminários de estudo dos fenômenos perispirituais
para então, no início desse ano, montando laboratório próprio,
se dedicarem à prática científica da TCI. Nosso objetivo é que
esse tipo de iniciativa possa se multiplicar pelas casas
espíritas de todo o Brasil e do mundo.
A história da TCI,
entretanto, possui referências a diversos grupos seríssimos, não
espíritas, que contribuíram sobremaneira para a pesquisa do
fenômeno. A respeito desse assunto, recomendamos fortemente a
consulta ao livro do Sr. Hernani Guimarães Andrade intitulado:
"A Transcomunicação Através dos Tempos", da FE Editora.
P: - A
comunicação pode ocorrer através da internet? Já houve casos
assim?
R:
- Sim, pode e já houve casos confirmados. Há, entretanto, de se
compreender a mesma manifestação exterior ocorrendo por
diferentes meios:
- Por um computador ligado à Internet ter seu teclado
pressionado num fenômeno de efeitos físicos comum.
- Por um computador ligado à Internet ter os pulsos elétricos
relativos ao teclado ativados num fenômeno de efeito físico
elétrico.
- Por um computador ligado à Internet ter os pulsos elétricos da
linha telefônica ativados por um fenômeno de efeito físico
elétrico.
- Por um computador intermediário da Internet, sendo a
comunicação efetivamente transmitida pela Internet.
- Diretamente na máquina do usuário, dando a impressão de que
foi recebida pela Internet (em qualquer dos níveis do próprio
computador).
A experiência tem
nos mostrado, entretanto, que normalmente os fenômenos de TCI
pela Internet visam atender a alguém que esteja necessitado e os
Espíritos nunca se identificam como desencarnados, já que não é
esse seu objetivo.
Podemos dizer,
portanto, que esse fenômeno tem sido até mesmo comum, como meio
de um contato direto da equipe orientadora espiritual em relação
aos trabalhos sérios que visam o consolo e a divulgação da
palavra de Jesus, espíritas ou não, através da Internet.
P: -
Transcomunicação Instrumental é uma prática espírita?
R:
- Será ... se seguir os critérios da ciência espírita que diz
que nenhuma pesquisa espírita se justifica por si só, só se
justifica como meio de auxiliar o ser humano a se tornar melhor,
conhecendo-se como Espírito, numa acepção moral. Nesse caso
contará com todo o arcabouço doutrinário que o Espiritismo
oferece.
Não será ... se
cair no campo da curiosidade ou da experimentação simples.
P: - O que
se tem de concreto sobre Transcomunicação Instrumental hoje? Há
cientistas de fato trabalhando nisso ou somente curiosos?
R:
- Há cientistas trabalhando no assunto, mas a grande maioria,
realmente, é de curiosos, que traz espaço de análise, mas não
validade científica aos resultados. Do ponto de vista da ciência
qualquer resultado obtido fora do rigor do método científico é
inválido, embora possa ser válido para outras finalidades.
De concreto temos
diversos resultados em diversos países do mundo, inclusive
demonstrações ao vivo. Centenas de milhares de vozes gravadas,
vídeos, casos de positiva comprovação da identidade do Espírito,
etc. A documentação é vasta, embora nem sempre simples de ser
encontrada, pelo que temos visto e nem sempre seja devidamente
analisada, sob o critério científico e mesmo espírita, conforme
fez com as mensagens dos Espíritos o Sr. Prof. Allan Kardec.
P: - O
Padre Quevedo está oferecendo 10000 dólares para quem conseguir
um fenômeno de transcomunicação estando a 50 metros dos
aparelhos. Por que nenhum transcomunicador aparece?
R:
- Uma certa vez um senhor inquiriu o Sr. Prof. Allan Kardec
sobre tema semelhante, pedindo a ele provas sobre os fenômenos,
mas não sob o ar do pesquisador, mas do negador. A sábia
resposta do mestre de Lyon foi: "Desde o momento em que a sua
razão se recusa a admitir o que nós consideramos como
incontestável, é que o senhor a considera superior a de todas as
pessoas que não partilham de sua opinião. Não duvido da sua
capacidade e não tenho a pretensão de colocar minha inteligência
acima da sua; admita, pois, que eu me engane, já que é a razão
que lhe diz; e não se fala mais no assunto". Resposta que
poderia ser facilmente dada a todos aqueles que buscam nos
fenômenos espirituais não um ambiente sincero de suas pesquisas,
mas meios de, torcendo os fatos a seu bel prazer, já ter por
objetivo negá-los. Nem a ciência séria nem o Espiritismo podem
se dar ao luxo de perder o seu tempo com essas criaturas.
Quanto a eventuais
propostas monetárias, elas são de responsabilidade de quem as
oferece. O Espiritismo nos mostra que, da mesma forma que a
verdade é trazida pelos Espíritos gratuitamente, ela não se
coloca sob a forma de mercadoria de qualquer tipo ("De graça
recebestes, de graça dai"), sendo, portanto, papel sem valor do
ponto de vista da espiritualidade superior, qualquer remuneração
como atrativo. A única coisa que atrai os Espíritos Superiores é
a sinceridade de coração, não a quantidade de dólares ou reais.
Por último, temos
a considerar que são centenas e centenas de pesquisadores
reconhecidamente sérios no mundo acadêmico, das mais diversas
áreas do conhecimento humano, aos quais dedicaram toda a sua
vida, que se dedicam a estudar seriamente os fenômenos
espíritas. Se a razão e a lógica admitem que sejam todos esses
homens de incontestável inteligência facilmente enganados por
algo tão "óbvio e facilmente explicado" ou que essas pessoas
sejam capazes de dispor de seu tempo para brincadeiras, então
essa razão não está ainda amadurecida para sondar o mundo
espiritual.
Como disse o Sr.
Prof. Allan Kardec: "Portanto, sejamos breves, eu lhe peço,
porque não tenho tempo a perder em considerações sem objetivo".
As citações acima estão no livro: "O que é o Espiritismo", de
autoria do Sr. Prof. Allan Kardec, Parte I, Capítulo I: "O
Crítico".
P: - Por
que nenhum transcomunicador aparece para o James Randi e prova
os fenômenos paranormais? Aí poderia doar o dinheiro para a
caridade.
R:
- A verdadeira caridade é aquela que se faz com a dedicação do
próprio tempo. A dedicação à Transcomunicação Instrumental visa
não só o desenvolvimento de técnicas contundentes de modelagem
do canal plano espiritual para plano físico, como da utilização
dessa comunicação no consolo dos corações que sofrem e das
mentes que padecem na dúvida e que manifestam desejo de buscar
uma resposta.
Se o dinheiro de
qualquer pessoas poderia ser empenhado na caridade, é deles a
responsabilidade de retê-lo para finalidades pessoais, não
nossa.
Com a Justiça
Divina cada um se acertará a seu tempo. O Espiritismo poderia e
pode, a todo instante, sendo um coração sincero e desarmado que
busque sinceramente convencer-se e não uma negação sistemática,
e de graça, como ensinou Jesus, se colocar à disposição deles.
Ao turno dos
pesquisadores sérios, preferem dedicar-se como sempre
trabalharam: de maneira séria, sem marketing ou estardalhaços,
típicos da
embalagem bela que esconde o recheio vazio.
O homem, por ser ganancioso, se choca com a filosofia que mostra
que o
dinheiro só sofre atração irresistível para quem dele depende.
P: - Padre
Landell de Moura foi o primeiro transcomunicador?
R:
- Numa consideração literal de TCI, verificamos que Moisés foi o
primeiro transcomunicador que a História tem notícias, quando
utilizou a Arca da Aliança construída com dois querubins
(instrumento) para a comunicação com Javé. Está em Êxodo, 25: "E
ali virei a ti, e de cima do propiciatório, do meio dos dois
querubins que estão sobre a arca do testemunho, falarei contigo
a respeito de tudo o que eu te ordenar no tocante aos filhos de
Israel."
Padre Landell de
Moura já em 1893 conseguiu transmitir voz, sendo considerado o
primeiro comunicador, no sentido eletrônico. Relatos demonstram
que, juntamente com suas experiências, teria também recebido e
estudado a Transcomunicação Instrumental. Então, do ponto de
vista da instrumentação eletrônica, podemos sim afirmar que ele
foi o primeiro transcomunicador.
P: -
Gostaria de saber qual o tipo de preparação que é feita para que
haja o estabelecimento da Transcomunicação Instrumental? O
fenômeno da TCI, somente possui uma comprovação empírica, ou já
existem equipamentos eletrônicos patenteados, que possibilitem a
ocorrência da TCI? Qual a contribuição da TCI para a Doutrina
Espírita, no que concerne à aceitação por parte da comunidade
científica em relação ao intercâmbio do mundo
material/espiritual?
R:
- Por partes:
Do ponto de vista espírita e pelas informações que temos dos
Espíritos, o posicionamento mental dos participantes influi de
maneira decisiva nos resultados que se obtém nos experimentos. O
ambiente espiritual equilibrado também. Além disso, há a
preparação técnica, que não podemos descrever aqui por absoluta
falta de espaço.
Há alguns
aparelhos patenteados, mas a TCI não se restringe ao plano
material. Portanto, um aparelho estático pode não levar em
consideração as variáveis específicas do ambiente psíquico, do
grupo encarnado e desencarnado, etc. Por isso é difícil afirmar
que algum aparelho funcione em todos os casos. O que temos
tentado fazer é modelar o problema primeiro para depois
analisá-lo.
A TCI vem, nas
palavras de Divaldo Pereira Franco, "reconfirmar os postulados
doutrinários", como a mediunidade colocou as informações dos
Espíritos patentes até hoje, só que de uma forma mais ampla.
A preparação, no
sentido amplo, passa pela preparação interior, no campo da
própria consciência, para permitir-se, de alguma forma, ser
digno das comunicações dos amigos espirituais. "Onde dois ou
mais de vocês estiverem reunidos em meu nome, aí eu estarei",
nos disse Jesus.
P: - Vozes
de animais também aparecem nas gravações?
R:
- Há alguns relatos nesse sentido, sim, mas sobre eles não temos
maiores informações.
P: - Por
que vocês não pedem para esses espíritos se materializarem e
filmam, conseguindo assim uma prova de vida após a morte?
R:
- Isso já foi feito diversas vezes, relatado, mantém-se até
museus com os resultados de tais sessões. Quem não se lembra de
Kate King e das exaustivas experiências de Sir William Crookes
na Inglaterra para a Sociedade Dialética de Londres? Quem não se
recorda das incontestáveis materializações promovidas pelo
médium Peixotinho, tão vastamente documentadas e estudadas?
Entendemos que a
fé não é um processo de comprovação externa, mas decorrente de
um processo de busca interior, no qual a "prova" é completamente
secundária. A dureza dos corações, motivada pelo orgulho, fez
até com que Espíritos passassem por Jesus e conseguissem não
crer nele. Quem somos nós para nos considerarmos mais que o
Mestre?
Trabalhamos nos
colocando à disposição de quem queira dialogar. Eis a postura de
quem entende que cada um tem o seu tempo. "Tu creste, Tomé,
porque viste, felizes os que crêem sem ter visto", nos disse
Jesus.
P: - Nestes
fenômenos da TCI, ocorreram alguns casos em que houve um diálogo
entre encarnado e desencarnado?
R:
- Sim. Comunicações bidirecionais. Perfeitamente. Algumas
gravações se
dão em tempo real, onde é possível dialogar com os Espíritos,
dando mais uma evidência de que eles nos escutam e é conosco que
falam. São, portanto, inteligências e não "vozes perdidas no
éter".
P: - A
maioria dos pesquisadores da TCI são espíritas? Quais são a
maioria?
R:
- A maioria das pessoas que se interessa pela Transcomunicação
Instrumental são chamados "transcomunicadores": interessados
práticos, que recomendam a prática como forma de se obter uma
comunicação. Cabe ressaltar que esse posicionamento se distancia
totalmente do pesquisador, que trata a questão sob o ponto de
vista não da reprodução pura e simples do fenômeno, mas de seu
entendimento, desde o ponto de vista técnico até o ponto de
vista espiritual.
Quanto à maioria
dos pesquisadores, não saberia responder ao certo.
P: - Como
se dá este fenômeno? É necessária a presença do Médium?
R:
- Sim, sempre. Todo fenômeno de efeitos físicos, como é o caso
da Transcomunicação Instrumental, requer a presença de um
médium, doador de ectoplasma. Por que, então, algumas pessoas e
mesmo alguns Espíritos dizem o contrário?
Numa conta
simples, verificamos que a energia necessária, por exemplo, para
se modular uma onda em AM é da ordem de 1e-6 W, enquanto a
necessária para se erguer uma mesa de 10Kg a 1m de altura em 10s
é de 1 W, ou seja, a energia necessária para a TCI é pelo menos
1 MILHÃO de vezes menor que a necessária para os fenômenos de
mesas girantes da época do Sr. Allan Kardec. Além disso O Livro
dos Espíritos nos mostra que, sendo a eletricidade uma forma
mais sutil de matéria, a qualidade do ectoplasma também
provavelmente deva ser mais etérea, requerendo menor ainda
desprendimento do perispírito do médium.
Uma pessoa,
portanto, que nem de longe é um médium de efeitos físicos para
materializações, efeitos de levitação e mesmo curas pode ser
mais do que suficiente para um fenômeno de TCI, daí a TCI ser
muito mais simples de se obter, desse ponto de vista, que os
outros fenômenos.
Num efeito
comparativo, dizem, portanto, que a TCI não é um efeito físico
comum, já que a abundância de médium é tanta que é praticamente
impossível conseguir reunir um grupo sem um deles.
Mas o estudo o
Espiritismo mostra que não é quantitativamente, mas
qualitativamente que se sabe dessa necessidade: sendo o Espírito
um ser imaterial, para agir sobre a matéria, necessita de um
fluido que lhe sirva de intermediário, que deve ser cedido por
um médium. O Espiritismo esclareceu isso há quase 150 anos
atrás.
P: - Em
quais países as pesquisas no campo da TCI está mais adiantada,
mais desenvolvida?
R:
- Luxemburgo, com
o casal Jules e Maggy Harsch-Fischbach; Alemanha e Brasil, com
diversos grupos.
P: - Quais
são os maiores cientistas, na história e atualmente, envolvidos
com a TCI?
R:
- Muitos. Friedrich Juergerson, Konstantine Raudive, George
William Meek (juntamente com o médium William John O'Neil),
Hernani Guimarães Andrade e Clóvis Nunes - esses dois últimos no
Brasil - para citar alguns. A contribuição de vários outros é
profundíssima e a análise do livro: "A Transcomunicação através
dos tempos", de autoria do Sr. Hernani Guimarães Andrade, poderá
esclarecê-lo melhor sobre o papel que cada um teve e tem no
desenvolvimento da TCI.
P: -
Segundo certos parapsicólogos, estes fenômenos são resultados do
inconsciente do sensitivo e/ou dos assistentes. E que, se o
sensitivo estiver mais de 50 metros de distância, este fenômeno
não ocorre. A minha pergunta: isto é verdade? ou até que ponto
isto é verdadeiro?
R:
- Não é verdadeiro. Segundo São Luís em O Livro dos Médiuns a
presença do médium no local é o mais comum, mas nem sempre é
necessária. Experimentos diversos foram feitos em situações de
muito maior distância que essa, coroados de sucesso.
P: - Quais
os instrumentos são usados pelos os espíritos nestas
comunicações? Qual o mais utilizado por eles?
R:
- As comunicações mais freqüentes se dão por meio de rádios e de
gravadores, entretanto há relatos e documentos de comunicações
recebidas por: fax, televisão, telefone, computador (imagens,
sons, texto, etc), além de por aparelhos especialmente
desenvolvidos com essa finalidade, como foi o caso dos Spiricoms
Mark I a Mark IV, desenvolvidos pela equipe do Sr. George W.
Meek na década de 1980.
P: - A
maioria dos pesquisadores da TCI, acreditam ou não acreditam,
que os espíritos estejam por detrás destes acontecimentos?
R:
- Pelo fato de os
próprios comunicantes se identificarem como Espíritos, acreditam
em sua maior parte. Entretanto verificamos que, como não se
tratam, também, em sua maior parte, os comunicantes de Espíritos
Superiores, ao contrário, possuem também acanhado conhecimento
sobre os processos da vida espiritual, passando não raro seu
ponto de vista pessoal sobre a realidade em que vivem, numa
visão muitas vezes reducionista.
Isso ocasiona uma
noção de "Espírito" muitas vezes longe da sublimidade, coerência
e direção dada pelos Espíritos responsáveis pela Codificação
Espírita.
Por tudo isso
recomendamos com fortíssimo empenho a leitura de O Livro dos
Espíritos e de O Livro dos Médiuns pelo menos, antes da busca de
informações de outras fontes espirituais.
Acreditamos que os
Espíritos que hoje se comunicam pela TCI têm importante papel
desbravador, como tinham os Espíritos que giravam as mesas há
150 anos atrás, abrindo caminho para a busca da compreensão,
beneficiando-se e permitindo que, com a técnica apurada, no
futuro, espíritos mais esclarecidos a utilizem para suas
comunicações.
"Não creiais em
todos os Espíritos, mas experimentai primeiro se eles vêm de
Deus", nos disse João Evangelista.
P: - O que
falta para que estes fatos sejam considerados como provas
comprobatórias da imortalidade da alma? Que dia poderá ser?
R:
- Decerto que a aplicação de método científico no estudo da TCI,
com a
assinatura de pesquisadores de comprovada seriedade, que é o que
buscamos por exemplo no GEPEC, auxiliará na crença desses
fenômenos, do ponto de vista científico. Um processo que
utilizará as críticas como realimentação para novos
experimentos, quando forem expostos à comunidade científica.
A generalidade dos
fatos e sua multiplicação têm sido estrondosa, também
contribuindo para que o senso comum aceite a existência e
sobrevivência do Espírito, realizando grande papel no processo
de modificação do paradigma do mundo do materialismo ao
espiritualismo.
Mas somente pelo
coração sincero - e por isso os mais simples foram os que
seguiram Jesus - poder-se-á aceitá-los não no sentido exterior,
mas interior, verificando que os Espíritos se comunicam com uma
finalidade: lembrar ao homem que ele é filho de Deus e que Deus
pede dele amor, paciência, compreensão e paz, para que a mente e
o coração possam evoluir em busca da felicidade.
P: - Quando
surgiu a TCI? Será que foi desde o momento em que houve
máquinas, instrumentos para isso?
R:
- Pergunta respondida em (9).
P: - Qual é
o mais recente, o mais moderno meio de comunicação da TCI,
atualmente?
R:
- Têm-se obtido muitas comunicações por meio de computadores
(mais moderno?), em forma de fotos, som e textos, que comprovam
não só a existência como a identidade positiva dos Espíritos.
Temos visto,
entretanto, em muitos casos que, por falta de uma equipe técnica
especializada de técnicos e engenheiros da área, a aparelhagem
eletrônica tem sido somente utilizada e não estudada ou
melhorada. Dessa forma, podemos dizer que a melhor adaptação vem
do Plano Espiritual. No Plano Físico poderíamos também, com
maior dedicação, facilitar essa comunicação e, aí sim, a nosso
ver, poderíamos chamar, a despeito do que diz a tecnologia
material, essas pesquisas, no sentido da TCI, de "modernas".
P: - Em que
estão trabalhando, atualmente, os pesquisadores da TCI, para a
comprovação da veracidade destes fenômenos?
R:
- Temos notícias de pesquisas feitas por profissionais da área
de processamento de sinais na análise dos dados colhidos,
emitindo laudos e auxiliando na busca de indícios em gravações
em áudio.
Nossas notícias,
no campo da pesquisa, encerram-se por aí.
P: - Como
podemos adquirir videos, DVD's em que mostram as imagens do
mundo espiritual e de espíritos desencarnados?
R:
- O material disponível, conforme afirmamos acima, ainda
encontra-se muito descentralizado e sem catalogação
suficientemente feita para uma busca mais apurada. Entretanto
recomendamos como bom repositório desses arquivos o site:
http://www.worlditc.org.
Brevemente o GEPEC
estará lançando um site que conterá apontadores para vários
desses repositórios e grupos, ordenados por gênero, data, com
matérias, transparências e palestras. Aguarde.
P: - A TCI
tem que ser feita no centro espírita ou em qualquer lugar?
R:
- Depende do que se deseja.
A Casa Espírita é o local onde tem-se ambiente espiritual
preparado para atividades dessa ordem, contando com orientação
segura, proteção fluídica e aparelhagem mediúnica que facilitam
sobremaneira o trabalho, inclusive auxiliando-o. Se seu desejo é
desenvolver um trabalho que utilize o conhecimento espírita,
respaldado por esse mesmo conhecimento, realizar pesquisas
sérias eventualmente com o auxílio dos próprios Espíritos, por
meio da mediunidade, certamente a Casa Espírita é o local ideal.
Se, entretanto,
tem seu desejo voltado para a simples experimentação, sem se
importar com o fato de ser enganado por estar isolado,
vinculando-se apenas ao empirismo, qualquer lugar lhe servirá,
já que sempre haverá Espíritos dispostos a comunicar-se.
O GEPEC preferiu a
primeira alternativa.
P: - Qual a
causa das imagens não saírem tão nítidas? Existem imagens bem
nítidas?
R:
- Falta de aparelhagem específica.
Falta de estudos que permitam conhecer a influência mental sobre
o ruído gerado pelos aparelhos.
Falta de médiuns educados para esse tipo de trabalho.
Falta de ambiente espiritual equilibrado.
Por isso entendemos que a pesquisa espírita séria, realizada por
especialistas em ambiente preparado para tanto, suprirá essas
dificuldades, que dificilmente seriam supridas por empirismos de
origem pessoal, movidos pela curiosidade.
Há imagens mais nítidas e menos nítidas, vozes mais claras e
menos claras, tudo dependendo dos fatores acima estarem mais ou
menos ajustados.
P: - Qual o
maior tempo de duração das imagens? Qual a média?
R:
- Na televisão, questão de décimos de segundos a poucos
segundos, normalmente, até que a energia ectoplasmática
necessária para impressionar o fósforo ativado se esgote.
Variável segundo os parâmetros citados na resposta anterior.
P: - Os
grandes cientistas da Europa e dos Estados Unidos realizam a TCI
onde, num laboratório, num Centro Espírita ou em casa mesmo? E
aqui no Brasil?
R:
- Em todos os lugares. Normalmente montam laboratórios em sua
própria
casa. Cabe ressaltar que são, em sua maioria, pesquisadores não
espíritas.
Aqui no Brasil há
uma multiplicidade de formas.
Algumas pessoas
indicam que se deve realizar gravações buscando a TCI na própria
casa. Somos franca e abertamente contrários a essa indicação aos
espíritas, que indica, por si só, um desconhecimento não só do
processo como da finalidade das comunicações espirituais. Alguns
casos de obsessão iniciaram-se por conta dessa prática, a nosso
ver, irresponsável, quando parte de um espírita.
P: - Tem
algum cientista oriental comprometido com a TCI?
R:
- Desconhecemos.
P: - Há
alguma informação de como são as atividades do espíritos nos
fenômenos da TCI? Eles, os espíritos, filmam, no mundo
espiritual, com "câmeras" fluídicas e enviam para nós
encarnados? É isso?
R:
- Sim, há. Esse tipo de questão é de fundamental importância
para o entendimento do fenômeno em si e demonstra que quem a fez
é realmente um pesquisador. Se mais pessoas buscassem as
respostas a essas questões, seja pelo estudo próprio, pelo
debate construtivo ou pelas informações dos Espíritos, a TCI
estaria num grau muito mais adiantado do que se encontra hoje,
fugindo à simples experimentação.
Os Espíritos nos informaram que para ocorrer o fenômeno da TCI
são necessários:
(1) Doador ou doadores de fluido vital (médiuns de efeitos
físicos).
(2) Aparelhagem no plano físico capaz de receber as
comunicações.
(3) Aparelhagem no plano espiritual capaz de processar as
mensagens de maneira a fazer a conexão com os aparelhos físicos.
No Plano Espiritual há aparelhos, portanto, específicos para
cada tipo de comunicação que desejam. No caso perguntado das
imagens, as informações que temos são de que elas são formadas
no Plano Espiritual, como uma tela estática, uma foto, num
aparelho deles, e então é esse aparelho que, utilizando-se da
energia vital dos médiuns presentes, é capaz de influenciar os
aparelhos físicos, no caso a televisão, imprimindo diretamente
sobre o fósforo ativado da tela e não sobre o tubo de raios
catódicos, essa imagem, mais ou menos perfeita de acordo com os
fatores já anteriormente abordados.
P: - Qual a
imagens ou mensagem da TCI que mais marcou, que mais chamou a
atenção do senhor?
R:
- Em termos de nitidez de áudio, uma mensagem telefônica
recebida por
George William Meek vinda de Konstantine Raudive na década de
1980.
Em termos de
multiplicidade de equipamentos as imagens da menina Anne Guigne
recebidas por Adolf Holmes em 1983. Enviou pelo computador e
pela
televisão a mesma fotografia.
Em termos de
comprovação da identidade espiritual, a recente e nítida
mensagem obtida pelo Sr. Clóvis Nunes e um grupo de médiuns no
Congresso Espírita da Bahia, em Novembro/2002, enviada pelo
Espírito Astrogildo da Silva, juntamente com a recebida
diretamente no computador por Mark Macy, enviada para seu esposo
pela Sra. Jeannete Meek, dando detalhes pessoais de fatos da
vida de ambos, de desconhecimento de todos do grupo.
Em termos de
fenômeno, as experimentadas pessoalmente por mim, uma via
telefone celular, onde o Espírito repetia incessantemente o meu
nome e outra aparecida no fósforo de uma televisão quebrada com
a identidade do recém-desencarnado primo do dono da casa para
comprovar sua sobrevivência, num recado para a família.
Enfim, em cada
área da pesquisa há mensagens que deixam suas marcas.
Somente com essa
busca conseguiremos detê-las no sentido de entendê-las e poder
explorá-las em toda a sua magnitude e significação.
P: - O que
são spiricom e vidicom?
R:
- Spiricom, de "Spirit" + "Communication". Nome inventado pelo
Sr. George William Meek para designar os aparelhos projetados
por sua equipe (apelidados de Mark I, Mark II, Mark III e Mark
IV, em ordem de desenvolvimento) buscando o contato com o Plano
Espiritual. Somente o Mark IV e com a presença do médium William
John O'Neil funcionou, mas com qualidade ainda muito ruim.
Vidicom, de "Video"
+ "Communication". Nome inventado pelo casal Jules e Maggy
Harsch-Fischbach, de Luxemburgo, orientados pelo Espírito
“Técnico”, na década de 1980. Consiste em uma montagem de
aparelhos já existentes, com uma câmera filmando uma televisão
"fora de canal". Algumas modificações foram feitas a esse
sistema por exemplo pelo Sr. Adolf Holmes, que usou um esquema
de vidicom realimentado, aumentando a qualidade das captações.
P: - Há
realmente diálogos pelo telefone, entre um encarnado e um
desencarnado?
R:
- Sim e o pioneiro no Brasil, então completamente cético e mesmo
descrente de Deus, foi Coelho Neto. O Jornal do Brasil, edição
de 07/06/1923, relata que ele havia declarado uma comunicação
também por telefone entre sua filha Júlia e a neta, quando ele
próprio teria podido ouvir pela extensão do aparelho.
Coelho Neto depois
disso iniciou seus estudos espíritas.
Os contatos por
telefone têm sido freqüentes e normalmente possuem melhor
audibilidade que por gravadores ou rádio.
Nós mesmos já
pudemos presenciar um desses contatos, espontâneos.
P: - Quais
os espíritos famosos já comunicaram pela TCI?
R:
- Não entendemos o
sentido da expressão "espíritos famosos".
P: - Existe
alguma imagem registrada do umbral?
R:
Desconhecemos, mas convém lembrar que isso é possível, desde que
o domínio sobre a técnica nenhuma relação tem com a
superioridade moral dos comunicantes.
P: - Por
que as vozes na comunicação é difícil de se compreender? Como é
feita exatamente a comunicação quando utilizado um aparelho de
telefone com uma extensão por iniciativa de um encarnado?
R:
- Sabe-se que os Espíritos não são nem vivem em espaços
tridimensionais. São seres N-dimensionais que, para manterem
contato com nós, encarnados, procuram meios de se fazerem
entender em nossa acanhada terceira dimensão espacial.
Há uma ponte natural entre esses mundos que é feita por meio da
própria encarnação dos Espíritos: o médium, enquanto Espírito, é
um ser N-dimensional, capaz de, por si, captar e entrar em
contato com entidades espirituais; e como homem é um ser
tridimensional, capaz já, pela própria estrutura encarnada,
traduzir suas percepções de Espírito para palavras, letras, etc.
Como sabemos que o contato mediúnico é Espírito a Espírito,
explica-se porque seja, por vezes, tão mais simples e límpido,
já que se aproveita de uma estrutura inerente à própria
encarnação espiritual para fazer a tradução da realidade de
dimensão N para dimensão 3 e possamos compreender suas idéias.
Quando falamos de
Transcomunicação Instrumental estamos falando de uma
influenciação que, embora também se utilize do médium, é menos
natural que a última. Os tipos de ondas na dimensão espiritual
são diferentes das nossas (eles percebem, segundo dizem, as
nossas quase que como ruído de fundo). É necessário que, do
ponto de vista dele, trabalhem com sinais muitíssimo fracos e
ruins, que são os que utilizamos. Por isso a dificuldade ainda
de se compatibilizar o processo de codificação da vontade deles
em ondas perceptíveis por nós.
Trabalhamos com a
hipótese que eles usam uma estrutura de sinais parecida com a
utilizada por um sonar: modulação por ruído de fundo.
Assim, eles
poderiam tentar mexer num sinal para eles mais real e, ao mesmo
tempo, ter mais controle sobre o nosso. Estamos em estudos
ainda.
P: - A
Transcomunicação Instrumental veio para substituir os médiuns?
R:
- Se os médiuns se deixarem substituir porque exercem a
mediunidade simplesmente como passiva comunicação sim. A TCI
virá substituí-los, porque é mais generalizada, possui
pequeníssimo gasto energético e a interferência anímica é
praticamente inexistente, dando maior limpeza à comunicação.
Cabe ressaltar que, tecnicamente, em reuniões como as de
atendimento espiritual, o papel do médium como enfermeiro
psíquico não será substituído.
No entanto,
sabemos que não é só a mediunidade, tecnicamente falando, que
torna o médium um bom médium. Vide, por exemplo, Chico Xavier:
pela
mediunidade consolava, exemplificava, se colocava à disposição,
usando-a como mecanismo de auxílio em conversas e mesmo na vida,
no dia a dia.
Um aparelho seria
incapaz de fazer isso.
Médiuns, encarem a
TCI como mais um chamado a que exerçam a mediunidade de maneira
santa: empregando-a como parte de sua vida para atingir o
coração dos que sofrem, dos que pedem, dos que choram,
tornando-se exemplos vivos de dedicação e caridade.
A Instrumentação
veio para que os médiuns deixem de ser somente instrumentos, ou
"aparelhos", mas disseminadores da Boa Nova.
P: - É
possível na TCI um espírito leviano imitar e responder em nome
de outro espírito chamado?
R:
- Perfeitamente. Eis a importância de se ler O Livro dos
Médiuns: entender e evitar esse tipo de acontecimento. Temos
visto que algumas vezes, pelos teores das mensagens, os
Espíritos se traem em sua própria elevação, quase que gracejando
com os pesquisadores que não se mostram capazes de julgar-lhes
as informações.
P: - Quais
são os temas da mensagens recebidas pelos pesquisadores da TCI,
na Europa e Estados Unidos?
R:
- Mensagens sem cunho filosófico profundo. Informações de ordem
técnica ou simplesmente chamando a atenção para a imortalidade
da alma. Algumas outras, transmitidas por Espíritos notadamente
pseudo-sábios, tentam desastradamente abraçar a filosofia,
entrando em contradição em si mesma e com a própria Doutrina
Espírita. Coisas como: "golfinhos são mais evoluídos que os
homens" ou "nunca reencarnei e nunca vou reencarnar" ou "sou
mais evoluído que Jesus", entre outras bobagens, são ouvidas e,
infelizmente, por ignorância da realidade espiritual, sem
discussão aceitas, causando a diversão dos Espíritos
enganadores.
Não foi o mesmo
que ocorreu com as mesas girantes à época de Kardec?
Os Espíritos
designados para esse trabalho de desbravamento, embora muitas
vezes profundamente dedicados e bons, são ainda simples e de
acanhado conhecimento espiritual. As comunicações de ordem séria
só virão quando, além da técnica desenvolvida, formarem-se cada
vez mais grupos sérios.
Em todas as
páginas de distribuição interna do GEPEC, colocamos uma citação
do Livro dos Médiuns: "Que supondes sois, aos olhos dos
Espíritos superiores, quando fazeis que uma mesa gire, ou se
levante? Simples colegiais.
Passa o sábio o
tempo a repetir o 'abc' da ciência? Entretanto, ao ver-vos
buscar as comunicações sérias, eles vos consideram como homens
sérios, à procura da verdade." (São Luís)
Assim sempre nos
lembramos de como devemos fazer para adquirirmos o interesse e o
concurso de Espíritos Superiores.
P: - A
imagem do Paracelso numa cidade espiritual não seria uma
montagem? Já foi comprovada que não é uma montagem?
R:
- Onde estão os métodos científicos da obtenção dessa imagem?
Onde estão os laudos, as atas, o procedimento por que foi
obtida?
A incapacidade de
buscarmos determinada comprovação muitas vezes esbarra na
própria imperícia dos grupos, que não possuem documentação que
outros grupos se preocupam em gerar, evitando coisas desse tipo.
Se for uma
montagem - e nunca descartamos nenhuma possibilidade - isso não
significa que o fenômeno seja falso. É por conta de um médico ou
advogado ladrões que toda a classe dos médicos ou advogados deve
ser condenada?
Certamente não.
Esta é uma apenas.
Centenas de fotos foram recebidas por grupos sérios, como o Sr.
Adolf Holmes.
Nossa recomendação
é que não se perca tempo com essa análise. Parta para a análise
de resultados incontestes, já que o conjunto universo é tão
amplo.
P: - Houve
alguma comparação, feita por técnicos, peritos em vozes, dessas
vozes dos desencarnados com as deles mesmo quando encarnados?
R:
- Sim, segundo a Sra. Sonia Rinaldi em seu livro "Espírito: o
Desafio da Comprovação", foram feitas análises por engenheiros
da área de processamento de sinais sobre as vozes e os
resultados estão nele documentados.
Segundo o site da
Associação Nacional dos Transcomunicadores: "é a primeira obra
que retrata o esforço de se autenticar o fenômeno das Vozes
Paranormais, conhecido como Transcomunicação Instrumental, em
condições laboratoriais."
Não conhecemos a
obra pessoalmente, mas sabemos da seriedade da busca da Sra.
Rinaldi, levando à conclusão de que possa ser um bom ponto de
partida nessa área.
P: - Tem
alguma estimativa de tempo para a aceitação dessas evidencias da
TCI como provas da imortalidade da alma, por parte da ciência
oficial?
R:
- A ciência oficial não se ocupa com as questões da TCI. Apenas
pesquisadores dela, mais interessados nos fenômenos, se ocupam.
Portanto, não há
prazos, mas poderíamos, pela análise da velocidade com os
resultados estão chegando, dizer que a popularização e aceitação
geral do fenômeno e, mais, da realidade do Espírito, não
tardará.
Cabe agora a
questão mas importante: uma vez que saibamos que os Espíritos
estão conosco - coisa que a Doutrina Espírita já comprovou - o
que isso vai mudar em nossas vidas? É a melhora moral que
realmente importa. Todo fenômeno é secundário.
P: - O que
a matemática tem haver com essas pesquisas?
R:
- Pode auxiliar no levantamento das funções de transferência
eletrônicas e na formação de modelos teóricos para as
comunicações.
Vejo, entretanto,
a curto prazo, a matemática aplicada à engenharia eletrônica
como mecanismo de entendimento. Posteriormente é possível que
esse "breakthrough", como se diz em pesquisa, possa trazer
elucubrações maiores no campo da matemática pura. Não se sabe.
P: - Eu
gostaria de saber se há algum risco nestas comunicações?
R:
- Sim, há. O risco de fascinação, obsessão, como sempre ocorre
em grupos que desconhecem o fenômeno mediúnico e a própria
realidade espiritual.
Por isso temos
repetido incessantemente que o estudo da Doutrina Espírita vem
dificultar esse processo de fascinação. A participação de
pessoas experientes mediunicamente no grupo, o ambiente e a
orientação da Casa Espírita, são fatores que minimizam esses
riscos que ser enganados ou obsediados por Espíritos ainda pouco
esclarecidos.
P: - A TCI
não significa um retrocesso na relação entre encarnados e
desencarnados, buscando colocar um aparelho qualquer entre
ambos, pois era assim que se procedia no início do Espiritismo,
através das mesas girantes, da cesta, da prancheta, até se
chegar ao meio mais simples e consequentemente mais adequado,
que é o envolvimento direto do espírito comunicante com o
médium?
Principalmente se
levarmos em conta que quanto mais evoluído e desmaterializado o
Espírito encarnado, mais simples, fácil e natural a sua relação
com os desencarnados?
R:
- O erro está em entender a Transcomunicação Instrumental como
uma
finalidade ou um ponto ideal em termos de intercâmbio
espiritual. Ela não é.
Terá seu fim, logo
que o próprio homem, começando pelos médiuns, comece a elevar-se
na direção dos Espíritos Superiores, apurando a própria intuição
na vida. Então, o homem não precisará de quaisquer tipos de
aparelhos e nem mesmo da comunicação mediúnica ostensiva, onde o
Espírito precisa escrever ou falar pelo médium, ele estará em
contato incessante com os desencarnados por meio da mediunidade
natural, da intuição, porque espiritualmente comungará com os
orientadores espirituais seu nível de entendimento. Será um
contato entre amigos e ocorrerá sem qualquer necessidade de
subjugação física.
É por conta disso
que afirmamos anteriormente (38) que o desenvolvimento da
própria mediunidade sofrerá um abalo necessário, impulsionando o
médium a viver aquilo que sente e a utilizar com sabedoria, ao
invés de ser mero instrumento dos Espíritos.
A TCI gasta
muitíssimo pouca energia de fácil obtenção, praticamente elimina
a interferência anímica e está chegando aos pontos materialistas
e agnósticos do planeta, por onde futuramente virão mensagens de
paz e harmonia.
Na comprovação da
realidade espiritual é passo necessário. Por ela e pelos
médiuns.
Com isso teremos o
seguinte cenário: TCI servindo de contato com os desencarnados e
médiuns servindo como verdadeiros ativadores desses contatos,
modificando e fazendo modificar a própria vida em direção a
Deus.
E o cenário ideal:
todos podendo conviver mentalmente com os desencarnados por suas
próprias potencialidades, sem necessidade de mediunidade como a
conhecemos hoje, nem TCI, nem nada.
P: -
Gostaria de saber se qualquer pessoa consegue fazer a
transcomunicação e como proceder?
R:
- A probabilidade de, num grupo, se encontrar um médium de
efeitos físicos capaz de doar fluidos para a TCI é muito alta.
É, portanto, de grande possibilidade que alguém seja capaz de
auxiliar no fenômeno da TCI.
Os métodos de
obtenção são descritos em diversos livros sobre o assunto.
Nós, entretanto,
reafirmamos que somos francamente contrários a que essas
experiências se desenvolvam sob o aspecto da curiosidade ou de
cunho pessoal ou residencial. Se desejar realmente pesquisar,
procure sua Casa Espírita, reúna um grupo de algumas pessoas
igualmente interessadas, de preferência com técnicos e/ou
engenheiros e médiuns experimentados e inicie os experimentos.
P: - Estas
mensagens não podem ser uma linha cruzada?
R:
- Podem, tanto assim que os próprios Espíritos a maior parte das
vezes fazem questão de transmitir mensagens em várias línguas
(uma mesma frase com 3, 4 línguas diferentes no meio) e
mostrarem fatos que comprovem a sua individualidade. Todo
pesquisador sério primeiramente considera essa hipótese, mas que
linha cruzada diria que é a neta desencarnada, dando detalhes da
própria vida e conseguindo enganar um coração de um avô e de uma
mãe?
Que tipo de rádio
transmissora de ondas curtas envia mensagens com o nome do
destinatário e em várias línguas diferentes numa mesma frase?
P: - Por
que não há mensagens grandes como um discurso, uma palestra?
Quais os obstáculos para uma comunicação deste tipo, material e
espiritualmente falando?
R:
- Os Espíritos são unânimes em dizer que o reservatório de
energia é pequeno para isso. Com aparelhos mais especificamente
desenvolvidos e médiuns mais aguçadamente treinados nessa
prática, essa dificuldade diminuirá.
Não foi assim
também quando se utilizava a tiptologia e a sematologia para as
comunicações, ainda na época das mesas girantes? Até que se
chegasse a aperfeiçoar a comunicação por meio da psicografia e
do treinamento dos próprios médiuns, as mensagens eram
praticamente SIM ou NÃO ou então muito lacônicas.
P: - Há
alguma imagem com som também? Uma entidade aparecendo e falando?
R:
- Sim. A primeira imagem desse tipo foi conseguida pelo casal
Jules e Maggy Harsch-Fischbach, de Luxemburgo, em 1 de Julho de
1988 com aparelho de TV “quebrado” e sem antena externa. O
Espírito comunicante foi Konstantine Raudive.
De lá para cá
outras tantas captações desse tipo foram conseguidas, porém
muito mais raramente que outras.
P: - Dois
transcomunicadores podem receber a mesma mensagem?
R:
- Sim, desde que o Espírito seja capaz de fazer-se irradiar em
ambas as direções, se for simultânea, como verificamos dentro
das Casas Espíritas que dois médiuns recebem, simultaneamente, a
mesma mensagem.
P: - No
Brasil ou no exterior, existe alguma pesquisa sobre a crenças
das pessoas nos fenômenos da TCI?
R:
- Desconhecemos.
Acreditamos que a
TCI ainda não atingiu o interesse comum para que se pudesse
formar opinião sobre ela. Essa pesquisa, hoje, seria mais do
"não vi e não gostei", refletindo muito mais o preconceito do
que propriamente a reflexão.
P: -
Gostaria de saber se num futuro bem próximo, poderemos receber
em nossos aparelhos de tv ou mesmo computadores, a imagem dos
nossos entes queridos.
R:
- Perfeitamente. Os Espíritos não cansam de dizer isso.
P: -
Gostaria de saber o nome de um senhor que é filosofo e que
escreveu um livro sobre TCI.
R:
- Konstantine Raudive, filósofo e psicólogo, um dos pioneiros da
TCI, que reuniu consigo mais de 72 mil vozes gravadas e que
hoje, desencarnado, continua ativamente trabalhando pela
divulgação da TCI.
P: - Como
um espírito consegue fazer com que sua voz seja gravada? Como
eles tem voz?
R:
- Eles não têm voz. Mas são capazes, principalmente se
vinculados à Terra, imprimirem em seu corpo perispiritual a
vontade de falar, que resulta na formação de um campo mental que
é captado por um médium com "fala" ou, se utilizado um aparelho,
como modificação das ondas para refletir a fala.
A voz é, na
realidade, sintetizada, a partir dessa vontade do Espírito de
falar. No plano espiritual existem aparelhos que fazem essa
transdução: do
perispírito para o sintetizador de vozes físicas, modificando
nossas ondas de "ruído branco", imprimindo nelas a forma mais
próxima possível de sua voz.
Afinal, não é isso
que o nosso aparelho fonador faz, sob o comando do cérebro?
P: -
Existem casos de "correspondência cruzada" com gravadores? Um
espírito fala uma coisa num gravador e depois continua o que
dizia em outro a quilômetros de distância?
R:
- Conhecemos esse fato com a mediunidade, não com a TCI.
É um ramo de
pesquisa que deverá se desenvolver muito a partir do momento em
que a própria técnica de captação esteja melhor desenvolvida.
P: - Em
qual país há mais pesquisadores da TCI?
R:
- Hoje em dia nos EUA, praticamente toda a América Latina,
Europa, Ásia e Oceania. Não temos notícias de pesquisadores na
África, mas cremos que eles existam. Os Espíritos não elegem um
país em especial para se comunicarem.
P: - No
Livro dos Médiuns - Segunda Parte - cap. II - Das Manifestações
Físicas, item 61 diz," para que o fenômeno se produza se faz
necessário a intervenção de uma ou mais pessoas
dotadas...presentes ou não..." A minha dúvida é a seguinte:
Podemos considerar a TCI como efeito físico?
R:
- Perfeitamente. É um fenômeno de efeitos físicos.
P: Esta
experiência pode atrair outros espíritos que não foram chamados?
E se caso for eles podem se comunicar interferindo na mensagem?
R:
- Só o nível moral e a seriedade do grupo podem criar uma
barreira às interferências espirituais. Daí a indicação de que a
pesquisa seja feita dentro da Casa Espírita e dela participem
médiuns experimentados no contato com os desencarnados, de
maneira a evitar esse tipo de interferência que, segundo a
história da TCI conta, eram muito comuns nos desenvolvimentos
dos aparelhos.
P: - O
espírito que se manifesta na TCI vem até o local da experiência
ou envia pelo fluido universal a mensagem?
R:
- Segundo os Espíritos, pode ocorrer de ambas as formas.
O Sr. Friedrich
Juergenson (1903-1987), pioneiro na pesquisa do EVP (Fenômeno
das Vozes Eletrônicas), chegou às seguintes conclusões:
1) As entidades que operam as transcomunicações devem
encontrar-se instalados em postos de comunicação situados fora
do nosso espaço tridimensional e nem sempre podem nos ver ou
saber onde estamos.
2) Há algum tipo de radar que serve para nos localizar, através
de cujo feixe eles estabelecem contato. O radar é dirigido
diretamente sobre o gravador por que querem se comunicar.
E que muitas vezes
os Espíritos que estão se comunicando conosco nem sequer são
capazes de nos ver, indicando que estariam em alguma "estação
transmissora".
Outros casos,
entretanto, temos da presença do Espírito no próprio local, já
que neste mesmo local foi montado, no Plano Espiritual,
laboratório específico para tanto.
Deverá ser
analisado o caso a caso.
P: - Quais
são os fatores mentais dos participantes que influenciam na TCI?
R:
- O Sr. André Luiz, pela psicografia de Chico Xavier, em sua
obra: "Mecanismos da Mediunidade", analisa de maneira fantástica
a influência mental, inclusive fazendo as analogias com
circuitos e componentes elétricos, o que facilitará
profundamente o entendimento do fenômeno pelo pesquisador que
assim o desejar.
A chamada
"Corrente Mental" e o chamado "Circuito Mediúnico" é formado
também por ondas que correspondem às vibrações mentais, pelos
pensamentos, dos próprios participantes. Um grupo que, por
exemplo, não tenha conhecimento para oferecer, pela união
mental, aos Espíritos, poderá só receber comunicações muito
rápidas - correspondendo a uma baixa capacitância mediúnica; o
grupo que não tiver a mente ajustada numa mesma direção terá uma
alta indutância mediúnica, impedindo o sinal de chegar
corretamente. Enfim, o grupo que não estiver ajustado ao
trabalho e seus objetivos terá uma alta resistência mediúnica,
fazendo com que a energia gasta seja desperdiçada, evitando o
êxito da tarefa.
Recomendamos
fortemente a leitura desse livro.
No início do ano
de 2002 recebemos num grupo espírita, pela psicografia, a
mensagem que transcrevo abaixo, e que versa exatamente sobre
isso:
"Deus nos ajuda.
Jesus nos ampara.
Meus caros amigos,
Desejo vos alertar
para que não desvieis de vossa meta.
Vossas reuniões
devem primar por ambiente fraterno e de preces, com leitura
harmonizante para antepreparação. Alguns companheiros bem
intencionados vos dirão da suposta desnecessidade da vinculação
da pesquisa com o que chamarão atavismos religiosos. Permiti-me,
como orientação primeira, vos dizer da importância da
unissonissidade psíquica.
De nosso ponto de
vista, para que entendais de maneira aproximada, as disfunções e
diversidade de pensamentos funcionam como geradores de grande
sensibilidade de ruído térmico impossível de ser cancelado por
método eletrônico algum.
Bem sabeis, vos
temos dito, que a substância ectoplasmática serve sempre de
intermediária aos processos físicos. Isso equivale dizer que sem
uma conexão psíquica adequada, de todo o grupo, será impossível
ultrapassar um determinado e inaceitável grau de ruído.
Desejo também vos
lembrar que qualquer resultado satisfatório será conseguido
utilizando com rigor o método científico, ou seja, isolando de
maneira mais perfeita possível um fator para otimizar outro,
podendo considerá-lo aproximadamente constante.
Sendo assim, vos
convençais que tanto para o nosso objetivo - da melhora do homem
-, como para o vosso, o ambiente de cumplicidade de harmonia,
disciplina e dedicação, regido pela prece é o único meio de
conseguir resultados realmente chamados bons, em todos os
sentidos.
Estaremos
posteriormente vos enviando detalhamentos. Por hora, eis o que é
urgente para que não percamos todos nós nosso tempo.
Jesus nos ampara.
Vosso irmão, W."
P: - A TCI
já passou da fase de experimentações para a de trabalhos
práticos, como acontece com as outras formas de comunicações com
o mundo espiritual?
R:
- Ainda não. Uma
coisa de cada vez.
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