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Nubor Facure
é neurocirurgião e diretor do Instituto do Cérebro de Campinas -
São Paulo.
P: -
Proposição de um leitor: Tenho dores de cabeça com uma certa
freqüência e enxaqueca clássica raramente. Em uma época de minha
vida sofri com crises de pânico e tinha uma sensação de
deslocamento durante o dia, esta se parece como quando estamos
no início de uma bebedeira (pouco antes de ficar embriagado) ou
com uma tragada de cigarro muito forte.
Participo de
grupos de estudos de projeciologia e expliquei o fato quando
estudávamos a parte de projeção no momento do sono. A explicação
parecia muito próxima do que me acontecia quando acordado! Foi
me dito que isto realmente pode acontecer quando um espírito vai
aplicar um passe ou outra intervenção. O problema é que quando
eu sinto a sensação de deslocamento, vem a dor de cabeça em
seguida. A explicação fo:i "você precisa desenvolver a
mediunidade". Minha pergunta é : Isto é um sintoma neurológico
ou realmente pode ser que necessite desenvolver a mediunidade?
R:
- Não é fácil dar uma certeza no diagnóstico quando os sintomas
são subjetivos. A pessoa relata o que sente mas não há exames
que confirmem suas alterações. Isto é comum na enxaqueca e na
doença do pânico. Em qualquer um destes quadros pode haver
sensações de tonteira e deslocamento corporal, sem que algum
exame específico possa constatar as alterações. Mais complicado
ainda, será o diagnóstico diferencial destes quadros tipicamente
orgânicos com aquelas manifestações que ocorrem no início das
chamada manifestações mediúnicas.É o tempo quem vai nos mostrar
ou a eclosão das potencialidades mediúnicas ou a caracterização
mais típica da enxaqueca ou do pânico. Quero também alertar para
este vício comum dos nossos ambientes espíritas. Na maioria dos
centros ainda se estimula a freqüência dos adeptos com a
sugestão de virem ao centro para "desenvolverem" a sua
mediunidade. Convém relermos o Livro dos Médiuns onde é
afirmativa a orientação de que a mediunidade é uma aptidão que
"não se desenvolve". Podemos no máximo disciplinar, educar e
instruir o médium, para que ele favoreça, sem obstáculo ou
rejeição, a eclosão da sua mediunidade.
P: - O
senhor tem noticia de alguma pesquisa onde tenha sido observada
alterações nas atividades cerebrais de um médium durante o
transe mediúnico? Em caso afirmativo: Que ferramentas foram
usadas: eletroencefalograma? Mapeamento cerebral? Ressonância
magnética? Tomografia computadorizada? Estas pesquisas foram
realizadas com um único médium ou com vários?
R:
- As pesquisas que conheço não se referem a estudos "durante" as
manifestações mediúnicas. Sei de pesquisas que revelam
particularidades especiais no cérebro de médiuns. O Dr Sérgio
Felipe tem esta constatação na avaliação das calcificações da
glândula pineal no cérebro dos médiuns. Pode-se comprovar um
certo padrão nas calcificações da pineal de pessoas tidas como
médiuns.
A meu ver, estes
exames não tem como constatarem por si só a participação das
entidades espirituais nas manifestações dos médiuns. Ainda não
dispomos de uma imagem semiológica (um Raio X, por exemplo) da
dimensão espiritual. O perispírito ainda não se revela em nossos
exames médicos.
Por outro lado,
creio que um estudo sistemático de médiuns poderá mostrar
determinado padrão de resultados nos seus diversos exames. É o
que acontece no caso de epilépticos, com foco no lobo temporal,
que expressam clinicamente uma religiosidade exaltada. Nestes
pacientes, tem-se constatado, no eletrencefalograma, uma maior
freqüência de ondas do tipo beta nos seus eletroencefalogramas.
A literatura médica é riquíssima em dados destas pesquisas. São
relatos disponíveis nas revistas de neurologia que a Internet
permite acesso gratuito.
Portanto, se
estudarmos uma população significativa de médiuns, talvez
possamos revelar um determinado comportamento padrão nos exames
destas pessoas. Embora, isto ainda não venha a comprovar que
estes médiuns estejam sob atuação espiritual. Como diz Kardec, a
lógica e o raciocínio ainda são os melhores métodos de
convencimento da verdade espiritual.
P: -
Sabemos que a comunicação mediúnica se dá de perispírito para
perispírito. Mas observamos que as sensações registradas no
corpo físico diferem de médium para médium (inclusive entre
médiuns com a mesma faculdade). Isto ocorre devido a região do
cérebro físico que é sensibilizada durante a comunicação? Pode
nos dizer algo a respeito da transferência de informações do
cérebro perispiritual para o cérebro físico?
R:
- Assim como não existirá nunca uma pessoa igual a outra, também
nunca teremos dois médiuns absolutamente idênticos.
A mediunidade é um
fenômeno de natureza orgânica, se não fosse assim os Espíritos
não precisariam do organismo dos médiuns para se manifestarem.
Não é de
estranhar, portanto, que as reações físicas, que a presença
espiritual provoca, seja específica para cada médium. Uns tem
suas sensibilidades mais exaltadas que outros, como diz Kardec.
Na neurofisiologia de hoje podemos acreditar que as regiões do
cérebro emocional (Sistema Límbico) de uns e de outros médiuns,
são mais ou menos reagentes, no momento da sintonia com o
Espírito comunicante. Sabemos, também, que deve ocorrer, nesse
encontro de associação de duas mentes, a do médium e a do
Espírito, uma liberação torrencial de neurotransmissores,
principalmente a melatonina da glândula pineal, produzindo uma
constelação de sintomas que o médium mais ou menos sensível deve
revelar.
P: -
Durante o fenômeno mediúnico, principalmente os mais ostensivos
(por exemplo, a psicofonia sonambúlica ou "incorporação")
existem variações orgânicas no médium que podem ser mensuradas?
Existindo estas variações aumentam com a profundidade do transe?
R:
- São constantes e facilmente detectadas as diversas alterações
que ocorrem no organismo dos médiuns durante as manifestações
espirituais.
Como já disse,
nenhuma delas com a propriedade de afirmar categoricamente a
presença de entidades espirituais, já que, todas estas
alterações são não específicas e, podem ocorrer em diversas
outras situações tipicamente orgânicas. Podem ocorrer, por
exemplo, em crises de pânico, em situações de stress, em crises
emocionais ou comportamentos histéricos diversos. Podem também
ser induzidas por atuação de um hipnotizador experiente. Vale a
pena ler os trabalhos sobre o sonambulismo e sua relação com a
mediunidade. Sonambulismo não é a mesma coisa que mediunidade
embora esteja nas suas bases fundamentais por se
relacionar também com os chamados processos de "emancipação" da
Alma. Kardec diz na introdução do Livro dos Espíritos, que
estudou o sonambulismo por 35 anos. Escrevi um histórico sobre o
assunto no livro "Ciência da Alma - de Mesmer à Kardec" editado
pela Folha Espírita.
Podemos rever ali
as manifestações orgânicas do sonambulismo, da catalepsia e da
letargia. A FEB tem excelentes livros sobre Espiritismo e
Hipnotismo que sugiro sejam revistos ( Hipnotismo e Mediunidade
- César Lombroso e, Hipnotismo e Espiritismo - José Laponi)
P: -
Gostaria de saber como acontece a conexão perispírito - corpo
físico, tendo em vista se tratar de contato entre diferentes
estados de matéria.
R:
- Não tenho conhecimento suficiente para esclarecer esta
pergunta.
Aprendemos,porém,
com André Luiz que da mesma maneira que a física que estuda os
átomos já revelou que é muito sutil a fronteira que separa a
matéria, ao nível sub-atômico, da energia que a consolida. Em se
tratando da transição entre o corpo físico e o corpo espiritual,
a fronteira que separa ambos é também imperceptível em seus
limites, por se tratar de uma transição a nível puramente
energético. É preciso lembrar que ambos os corpos, o físico e o
espiritual, são procedentes da mesma fonte material, qual seja,
o Fluido Cósmico Universal.
P: -
Gostaria de saber como se pode distinguir as alucinações (sejam
de natureza visual como auditivas, olfativas e táteis) presentes
nas psicoses e a mediunidade. Também gostaria de saber se há
algum estudo mais aprofundado sobre o tema, já que estou
fazendo um estudo sobre fatores morais e sua importância na
medicina psicossomática e psiquiatria. Já fizeram algum estudo
com Spect, Scanners, Tomografia e contraste para saber quais as
áreas que os médiuns utilizam na hora do transe mediúnico ?
R:
- Os quadros de alucinação das diversas manifestações psicóticas
são quase sempre de conteúdo repetitivo. Aqui ou em qualquer
parte do mundo o psicótico revela predominantemente uma
alucinação auditiva em que as vozes que escutam são quase sempre
condenatórias e de conteúdo persecutório entre muitas outras
características. Além do que, o psicótico mostra todo um
contexto sintomático relativamente fácil de ser reconhecido pelo
seu caráter delirante e pela desagregação do pensamento que o
dissocia por completo da realidade.
O médium, com suas
percepções visuais ou auditivas, em nenhum momento vai referir
idéias persecutórias ou dissociações com a realidade. O bom
senso vai revelar a lucidez do médium e o maior ou menor
significado da mensagem que ouve ou observa pela vidência.
O Prof Denizard,
de Santa Maria (RG do Sul) tem um livro histórico sobre
alucinações.
No Livro dos
médiuns, Kardec propõe que as alucinações por danos cerebrais
podem ocorrer por leitura que o espírito da pessoa faz do seu
próprio cérebro.
É um hipótese
interessante a ser melhor estudada.
Recomendo também a
leitura do livro Psiquiatria e Mediunismo - Leopoldo Balduino,
Ed. FEB.
P: -
Gostaria de saber mais sobre a glândula pineal. O que diz o
neurologista sobre o assunto?
R:
- Para o neurologista a Pineal está ligada a nosso ritmo
circadiano (dia-noite) ocasião em que interfere na produção de
hormônio de crescimento.
Ela, no período
noturno, produz seu hormônio, a melatonina que tem efeito
relaxante, anticonvulsivante e bloqueador dos estímulos sexuais.
Os animais que hibernam, procuram as cavernas escuras, onde a
pineal produzirá um taxa maior de melatonina. Nestas ocasiões
eles se mantém alheios ao acasalamento que volta a ocorrer com a
saída do sol na primavera.
A pineal parece
atuar, também, no sistema de orientação magnética das aves
migratórias, que percorrem grandes distâncias em volta da Terra,
em busca de seus abrigos nas transições do inverno e da
primavera.
No homem, a
principal função que a medicina atual reconhece para a pineal,
está ligada à sexualidade. Por ocasião da puberdade a pineal
reduz suas taxas de melatonina, permitindo o desabrochar, no
menino e na menina, as característica externas das sua
sexualidade, tanto no aspeto anatômico (pelos pubianos, seios,
órgãos genitais) como fisiológicos (libido)
Entre nós, o Dr.
Sérgio Felipe, tem em São Paulo, o Pineal-mind (ver homepage na
internet) um Instituto de orientação médico-espírita, dedicado
ao estudo da glândula pineal.
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