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Divaldo
Pereira Franco - Emérito educador. Fundou em 1952, na cidade de
Salvador-BA, com seu primo Nilson de Souza Pereira, a Mansão do
Caminho, instituição que acolheu e educou mais de 600 filhos
sob o regime de Lares Substitutos. Conferencista e médium
espírita, já proferiu mais de 10 mil palestras no Brasil e no
exterior e psicografou aproximadamente 200 livros espíritas que
já venderam 5 milhões de exemplares, inclusive com tradução
para 13 idiomas. Septuagenário quando fala sobre o espiritismo
demonstra o entusiasmo dos jovens com sabedoria que só a
experiência do bem viver pode proporcionar.
P: -
Os pais
devem encaminhar os filhos às religiões de suas preferências ou
deixar que eles cresçam para depois decidirem qual escola
religiosa querem seguir?
R:
- Seria o mesmo que deixá-los no analfabetismo para que, quando
atingissem a maioridade, escolhessem qual a cultura que
desejariam realizar. Os pais têm deveres para com os filhos, por
isso, o fenômeno da criação só se dá na época da razão, porque o
adulto com discernimento pode conduzir a prole. O homem é o
único animal que tem uma infância muito longa, porque todos os
insetos nascem adultos e todos os animais, com raríssimas
exceções, a partir de um ano já atingiram a maturidade. O homem
tem uma infância longa, uma adolescência demorada para, na idade
da razão, possuir a faculdade do discernimento. Carlos Jung
afirma que a maior conquista do ser animal é a consciência, é a
sua plenitude. É óbvio que os pais escolhem a melhor
alimentação, a melhor educação, os melhores amigos, aquilo que
consideram conforto, prazer e diretriz de segurança, por que
não a religião? Deixará que o filho escolha, se a religião for
um adorno secundário, para que depois de contaminado o filho
eleja aquilo que lhe parece melhor? Seria como deixar-se
contaminar de AIDS para depois falar-lhes de precauções sexuais.
P: -
Qual a
solução que a Doutrina Espírita apresenta para a violência tão
crescente nas cidades?
R:
- A Educação. O Espiritismo, sendo uma Doutrina essencialmente
educativa, conforme a mensagem do Espírito de Verdade,
conc1ama-nos ao amor e à instrução que poderão formar uma nova
mentalidade entre os homens. A violência é o fruto espúrio da
ignorância humana. Remanescente da agressividade animal; ela
explode em a natureza graças às bases do egoísmo, o câncer moral
que carcome o organismo social. O antídoto do egoísmo é o
altruísmo. Por conseqüência, a melhor maneira de tomar uma
sociedade justa e altruísta é a educação das gerações novas.
Sabendo que, através da educação, formaremos caracteres
saudáveis, deveremos investir tudo nesta obra libertadora, que é
uma das mais elevadas expressões da caridade.
P: -
Nunca se
buscou tanto sexo como na atualidade. São os jovens na constante
troca de parceiros e são os casais na infidelidade conjugal.
Perguntamos: O Ser Humano necessita tanto assim de amor? O sexo
é realmente amor?
R:
- Não, o sexo é um fenômeno biológico de atração magnética,
porque os animais o praticam e não se amam. O amor é um
sentimento, o sexo é um veículo de sensações. Quando irrigado
pelas superiores emoções do amor, ele luariza a alma e, sem o
condimento santificante desta emoção, ele atormenta o Ser. Não
creio que os jovens sejam responsáveis por isto, mas, sobretudo,
muitos adultos e muitos idosos que mantiveram o conceito sexual
enganoso e o envolveram na indumentária do pecado, aqueles que
pertencem, ainda hoje, à mentalidade Vitoriana, em que o erro é
o povo tomar conhecimento e não praticar às ocultas. Todo
fenômeno de revolução passa por um cume, por um ápice, para
depois chegar à normalidade. Ocorre que as grandes indústrias do
sexo, a grande mídia, estimulam as sensações mais primitivas
para poder vender prazer em detrimento de conduzir às expressões
superiores da vida. Mas, é natural. Em dias que não estão
distantes, o homem, saturado das sensações, buscará encontrar-se
consigo mesmo, através das emoções superiores, nas quais o sexo
tem um papel importante a desempenhar: a permuta de hormônios e
o equilíbrio da vida.
P: -
Diante das
atuais dificuldades econômicas, com a mulher saindo para o
trabalho fora do lar, perguntamos: É válida a colocação dos
filhos em berçários ou creches, tirando-os do convívio do lar,
mesmo que seja em companhia de babás?
R:
- Parece-me que o problema decantado da economia é de natureza
mais moral que financeira. A minha mãe teve treze filhos, nunca
teve o prazer de uma empregada. Tinha tempo para lavar, buscar
água no poço, cozinhar em fogão a lenha, tomar conta dos treze
filhos, atender à família. É lógico que os tempos eram outros,
mas, também, a confiança em Deus era outra. E, acima de tudo, os
pais tinham uma preocupação de se darem aos filhos e não fuga
psicológica de abandonar o lar para dar conforto e dar-lhes
coisas, mas a renúncia de se dar. É lógico que não sou contrário
a que a mulher se realize, porque a única diferença entre os
dois sexos é anatômica, os direitos são iguais. Mas, a mim
parece que a maternidade é um vínculo de santificação, que os
animais preservam, porque, mesmo eles, na faixa da selvageria,
só abandonam os filhos quando eles estão em condições de manter
a sobrevivência. Dentro de um contexto egoísta, em que cada um
deseja mais realizar-se do que realizar a família, e que cada um
dos cônjuges pretende mais uma vida de gozo do que o compromisso
em prol da felicidade doméstica, é natural que na ausência dos
pais, pessoas remuneradas transmitam apoio e educação, nunca o
amor, porque o amor jamais será remunerado.
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