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P: - Qual a
posição do espiritismo com relação ao divórcio? Se optamos pela
separação, não estamos transferindo nossa missão para com nosso
companheiro para outra época (vidas), ou seja, estamos deixando
de lado nosso "carma" por utilizarmos nosso livre-arbítrio de
forma equivocada, sem tentar solucionar os problemas mais
caridosamente?
R: - Não deveríamos nos prender ao conceito de carma. Essa é uma
posição da filosofia oriental que tem aproximações com a Lei de
Causa e Efeito apresentada pelo Espiritismo, mas há distinções
em relação ao entendimento isso na prática.
Quando se usa o
termo carma, há uma conotação de fatalidade, enquanto que a
Doutrina enfatiza a possibilidade de minimização ou eliminação
das ocorrências de sofrimento, mediante uma ação positiva
no bem. Vamos esclarecer bem essa questão do divórcio:
A separação e o
divórcio possibilitam a resolução dos conflitos que se
estabelecem na vida das pessoas que estão ligadas por
compromisso formal ou vínculos legais, mas não mais se
entendem, nem se amam. Na nossa cultura, essa opção é
acompanhada de grande sofrimento. Parte desse sofrimento decorre
do próprio processo de ruptura e parte resulta de questões
culturais. Quando as pessoas se casam, geralmente,
acreditam que estão dando um passo definitivo, pretendem
viver juntas por longo tempo e realizam, por isso, grande
investimento energético na relação, construindo elos fortes. Na
separação, esses laços energéticos se rompem, o que repercute
dolorosamente sobre a alma.
Esse sofrimento é
inerente ao processo e, quando o casal se decide pela
separação, não dá para fugir dele, é preciso enfrentá-lo com
serenidade. Mas há ainda o outro sofrimento, que resulta
do ideário cultural sobre a indissolubilidade do
matrimônio. Podemos atenuar esse último, se desenvolvermos
uma visão crítica da cultura em que vivemos.
A Doutrina
Espírita nos ensina a ver o divórcio de uma maneira mais
adequada. Os Espíritos, ao falarem sobre o assunto, criticaram
claramente as amarras culturais que dificultam a vida dos
casais. Destacam eles que a determinação legal de
indissolubilidade do casamento é um erro e perguntam: “Julgas,
porventura, que Deus te constranja a permanecer junto dos que te
desagradam?”(LE – q.940)
Depreende-se dos
ensinos deles que Deus determina a união dos seres pelo amor,
para que se crie no lar uma psicosfera favorável ao
desenvolvimento sadio dos filhos que porventura venham a
ter. “No meio espírita, costuma-se dizer que as pessoas
não devem optar pelo divórcio, porque estarão adiando o
pagamento de uma dívida e terão no futuro, por isso mesmo,
maior dificuldade para efetuar esse pagamento. Talvez isso
se aplique ao indivíduo que é inconseqüente e irresponsável no
direcionamento de suas energias amorosas, mas não se pode
generalizar e achar que em todas as situações esse critério seja
adequado. Na verdade, há casos em que o mal maior seria as
pessoas permanecerem vinculadas a um compromisso que não
desejam mais e, por isso, perderem a alegria de viver e a
possibilidade de realizações espirituais significativas para sua
própria evolução. Somente aquele que está vivendo o problema
poderá decidir, consultando sua própria consciência, qual o
melhor caminho a seguir.
“O conselho dos
Espíritos é sempre no sentido de desenvolver as qualidades da
alma para possibilitar um ajustamento harmonioso entre os
componentes do grupo familiar e, quando se instala o conflito, a
recomendação é de que se procurem todos meios de resolução do
problema antes de optar pela separação. (Esse tema está mais
desenvolvido no livro “Conflitos Conjugais”- edição FEEES/2002)
P: - Como
entendeis o ciúme?
R: - O ciúme é gerado em nós pelo egoísmo, que produz um impulso
de dominar o outro, tomar posse dele, retê-lo apenas para
atender às nossas
necessidades. É preciso esforçar-se para superar essa
manifestação que pode ser muito nociva à relação afetiva. Se
você tem uma convivência harmoniosa com seu marido, lute para
preservar isso. Evite manifestações de ciúme, controle seus
impulsos. Procure entender as raízes da sua insegurança. O
estudo espírita é precioso recurso, para que possamos nos educar
emocionalmente. Não se acomode, acreditando que seu temperamento
é assim mesmo, ou que é difícil mudar. As mudanças psicológicas
só dependem de vontade firme. Ore, pedindo aos Mentores
Espirituais a ajuda necessária, eles nunca se negam a
amparar-nos, quando sentem em nós a sinceridade de propósitos.
Uma terapia bem conduzida também pode ajudar bastante.
P: - Em uma
relação conjugal, se um encontra-se insatisfeito, às vezes até
frustrado em relação ao seu parceiro, pois é comum que prevaleça
as vontades de um sobre as do outro, esta pessoa encontra-se
"presa" a seu parceiro, tendo que resgatar futuramente pelo erro
de se relacionar com alguém que não deu certo, ou a separação
seria o caminho correto? Neste caso, também haveria futuramente
algum tipo de resgate?
R:
- Em resposta a uma questão a ele endereçada sobre o
divórcio, Emmanuel afirmou: “Muitos dizem que o divórcio é
válvula de escape para evitar o crime e não ousamos contestar.
Casos surgem nos quais ele funciona, por medida lamentável,
afastando males maiores, qual amputação que evita a morte, mas
será sempre quitação adiada, à maneira de reforma no débito
contraído.(1)
“Percebe-se no
texto a metáfora: casal em conflito é corpo doente. Quando uma
pessoa adoece, deve buscar todas as formas de tratamento para
obter a cura, mas há casos em que o órgão doente chega a
comprometer todo o organismo e, antes que ocorra o óbito,
apela-se para a cirurgia como recurso extremo, para salvar
a vida do indivíduo. Assim também com o casal, é preciso tratar
a relação, utilizando-se todas as formas possíveis: diálogo,
terapia psicológica, terapia espiritual, mas, se a relação está
tão doente, que compromete a saúde e o equilíbrio das pessoas,
podendo levá-las a situações extremas que raiam pela destruição
de si mesmas ou de outrem, o divórcio surge como a cirurgia que
possibilita uma sobrevida para os dois, ainda que limitada
algumas vezes pelos traumas e sofrimentos que produz.”
“Talvez a
inferência existente no meio espírita de que as pessoas não
devem optar pelo divórcio, porque estarão adiando o
pagamento de uma dívida e terão no futuro, por isso mesmo,
maior dificuldade para efetuar esse pagamento, tenha
nascido da leitura inadequada de textos como esse que
transcrevemos, de Emmanuel, mas observemos: no texto dele,
não se encontra a idéia de que, ao reformar o débito, o devedor
venha a ter maior dificuldade de efetuar o pagamento. Não
podemos nos esquecer de que o amigo espiritual está usando uma
linguagem metafórica, não se pode interpretar isso dentro do
contexto das dívidas que assumimos no mundo, em que o cobrador
faz incidir juros sobre juros na cobrança. Em termos afetivos, o
que ficamos devendo ao outro é o carinho, o amor, a atenção que
não lhe pudemos dar na relação conjugal. Contudo, quem diz
que não poderemos fazê-lo em funções afetivas diferentes:
mãe/pai e filho, irmãos, amigos?”
(Trecho de “Conflitos Conjugais” - publicação FEEES/2003)
Pode-se
acrescentar aqui que, na relação conjugal, não deve prevalecer a
vontade de um em detrimento da vontade do outro. Ninguém deve
abrir mão de si mesmo, silenciar sempre e reprimir seus desejos,
anulando-se na relação. Isso inviabiliza a continuidade da vida
a dois. Você faz isso por um tempo, mas não consegue fazer todo
tempo. Uma vida é uma oportunidade ímpar de crescimento e o
casamento é um exercício maravilhoso, para o desenvolvimento de
nossas potencialidades. Anular-se não leva a essa realização,
por isso, quando alguém se anula, mais cedo ou mais tarde, a
relação se torna inviável.
1. EMMANUEL – Leis
de Amor – cap. IV
P: - Gostaria de
saber porque alguns casais se dão tão bem, enquanto outros,
mesmo se amando, vivem um inferno.
R: - Porque as pessoas são diferentes. Deus nos criou assim
absolutamente diferentes, cada um é um e, portanto, cada um
reage de uma maneira própria diante dos desafios da vida. Além
disso, precisamos considerar que o amor não é um elemento mágico
que consegue cobrir nossas imperfeições. Ainda não aprendemos a
amar como Jesus exemplificou. Nossa manifestação de afeto está
condicionada ao nível evolutivo em que estamos, daí essa
diversidade que você observou.
P: - Gostaria de
saber como fazemos para achar forças para não sermos
impacientes, frios, indiferentes e outros mais para com a pessoa
que amamos, mas que convivemos por anos...
R:
- Há muitas coisas boas a se fazer, para que, depois de anos
de casamento, a gente ainda tenha a disposição psicológica para
investir na relação. Um recurso muito bom é começar a fazer
juntos uma coisa prazerosa e diferente, nunca antes
experimentada, como, por exemplo: praticar um esporte, fazer
aula de dança, iniciar um curso, participar de atividades
beneficentes, etc. Qualquer atividade desafiadora, que ambos
aceitem fazer com prazer, será fonte de novas trocas e renovará
a motivação, sobretudo é preciso ter claro que o amor não estará
em nossas vidas, a não ser que queiramos colocá-lo nela e a
felicidade não é algo que vamos encontrar um dia, num futuro
distante, mas uma opção que podemos fazer agora.
P: - Gostaria de
saber por que muitas pessoas mas na sua maioria homens colocam o
seu orgulho acima de seus sentimentos mais belos.
R: - Somos Espíritos criados simples e ignorantes, mas com
potencial para atingir a plenitude de ser. Essa é uma lição
básica do Espiritismo. O caminho evolutivo é longo. Vivendo
muitas vidas, iremos preenchendo nossos vazios internos com as
virtudes que precisamos fazer germinar e crescer. Enquanto isso,
nossas manifestações na vida de relação com os nossos
semelhantes mostram as imperfeições predominantes em nós mesmos.
Segundo os Espíritos, o orgulho e o egoísmo são as duas raízes
de todos os males. Ainda estão muito presentes em nosso mundo,
porque a Terra é um planeta de provas e expiações, e os
Espíritos que aqui encarnam, considerando aquele caminho
evolutivo de que falamos, estão mais próximos do início da
jornada que do seu fim. Precisamos ter paciência com o outro,
porque também estamos no mesmo barco. Temos nossas próprias
fragilidades. Ter paciência, contudo, não é acomodar-se com as
coisas como estão, ao contrário, é trabalhar para que mudem,
mudando primeiro a nós mesmos.
P: - O que se deve
fazer apos tentar de toda maneira não destruir um lar, mas o
parceiro de qualquer forma não quer nem saber, o que ele quer
mais é que o mundo se acabe? Como agir?
R: - Não podemos fazer a parte que cabe ao outro. Será preciso
respeitar a escolha dele, seja ela qual for. Se você tem
consciência de que fez o que estava no seu limite fazer, chame o
companheiro para um diálogo maduro.
Explique sua
posição com calma. Diga-lhe o quanto ele é importante para você
e que seu esforço tem sido no sentido de encontrar um caminho
que ambos possam trilhar juntos. Espere que ele fale e procure
entender a posição dele. Peça a ajuda espiritual pela oração,
ampare-se na amizade de pessoas confiáveis e prossiga vivendo,
minha amiga. Deus que tudo vê, não a deixará sem amparo nos
momentos difíceis.
P: - Quais são as
principais causas dos conflitos conjugais?
R: - Há um trecho no livro “Conflitos Conjugais” que responde a
essa indagação:
“Precisamos nos
conscientizar de que as pessoas, apesar de terem nascido numa
mesma cultura e, às vezes, até do mesmo pai e da mesma mãe,
diferem na maneira de perceber, pensar, sentir e agir, porque
são Espíritos que têm sua trajetória própria, sua
individualidade. As diferenças individuais são inevitáveis, mas
essas diferenças não são, em si mesmas, boas nem más, e
deveríamos considerá-las valiosas, porque propiciam maior
riqueza à interação humana. Das diferenças nascem as discussões,
as tensões e insatisfações e os conflitos interpessoais. A
partir de idéias e percepções diferentes, as pessoas se
antagonizam.”
As causas dos
conflitos conjugais estão também aí. Na pesquisa que
empreendemos e resultou no livro, encontramos as seguintes
fontes de conflito na relação matrimonial: adultério,
alcoolismo, obsessão, divórcio, luxúria, falta de diálogo,
egoísmo, diferença religiosa e ciúme.
P: - Conflitos
conjugais são "Carmas"?
R: - Não. A palavra carma tem uma conotação de castigo e
fatalidade que não cabe aqui. Conflitos são ocorrências
naturais da vida de relação, são inevitáveis na experiência dos
seres encarnados em mundos de provas e expiações, mas não
são patológicos, nem destrutivos. Há muitos aspectos positivos
no conflito. Podemos dizer que um conflito previne a estagnação
e estimula o interesse, pois, quando ele se apresenta, instiga a
nossa curiosidade em olhar para o outro, a fim de entender suas
manifestações.
Queremos saber
porque o outro pensa e sente de forma diferente. O conflito é
positivo também, porque descortina os problemas e, assim,
possibilita encontrar soluções.”
P: - Como superar
traumas que acabam gerando sérios conflitos conjugais?
R: - Primeiro, precisamos querer mesmo superar. Há pessoas que
gostam do papel de vítima. Se quisermos superar, podemos
procurar ajuda na casa espírita, pois todas oferecem o
atendimento fraterno e o tratamento espiritual, que nos darão
idéias novas a respeito de nós mesmos e da vida, para superarmos
o limite pelo qual ainda estamos vendo o problema. Há também a
possibilidade de obter ajuda com os terapeutas do mundo. Alguns
casos atendidos por nós e relatados no livro “Conflitos
Conjugais” nos mostram que os Espíritos recomendam terapia para
as pessoas, cuja problemática se enraíza em processos
inconscientes e que não conseguirão trabalhar esses arquivos
internos sozinhas.
P: - Por que
existem tantos conflitos conjugais? Maridos bêbados, esposas
tiranas, ciúmes doentios, infidelidade, incompreensão, falta de
diálogo, ausência de cumplicidade... Olho ao redor e apesar de
todos terem se casado porque quiseram, os conflitos são
enormes...Ficam enormes...Será que todos erraram ao se casar?
R:
- Não é que as pessoas erram, ao se casarem. O que ocorre é
uma ausência completa de preparação para o casamento. As pessoas
entram nessa experiência com um ideário romântico que não
sustenta ninguém no embate com a realidade, mas o fator
determinante desse quadro difícil que você descreve está em nós
mesmos. As imperfeições das almas num mundo como o nosso são
muitas e dificultam as nossas relações afetivas. Precisamos
começar a nos preocupar em educar para o amor, única maneira de
minimizar esses problemas.
P: - Há pessoas
espíritas que permanecem casadas em uniões difíceis, tristes por
acharem que é o "seu carma". Isto está certo? Até que ponto
deve-se permanecer casado por causa de um carma ou se separar
independente do carma?
R: - Já comentamos anteriormente os motivos pelos quais não
devemos nos prender ao conceito de carma. O que devemos
considerar é que o casamento é uma coisa séria e a opção pela
separação não deve ser tomada, sem que se tente de todas as
formas resolver as dificuldades.
O conselho dos
Espíritos aos casais é sempre no sentido de que devem
desenvolver as qualidades da alma para possibilitar um
ajustamento harmonioso entre os componentes do grupo familiar e,
quando se instala o conflito, a recomendação é de que se
procurem todos meios de resolução do problema antes de optar
pela separação. Mas eles não dizem que as pessoas estão
impedidas de se separarem. Há situações que se tornam
insustentáveis, contudo só os que estão vivendo o problema podem
decidir o caminho a seguir. Não nos cabe incentivar as
separações, nem aconselhar a pessoa a permanecer casada custe o
que custar.
P: - Existe algum
livro atual que poderia nos esclarecer sobre os conflitos
conjugais?
R:
- Há muitos livros que trabalham com o tema casamento na
bibliografia espírita e na bibliografia não espírita. Todos, de
alguma maneira, acabam tratando dos conflitos conjugais e
propondo alguns caminhos de solução. Nos livros que escrevi: “Os
Caminhos do Amor”, “Os Caminhos da Liberdade” e “Conflitos
Conjugais”, há uma bibliografia no final. Você poderá consultar
essas relações como ponto de partida para suas pesquisas.
P: - O que fazer
quando a crise existencial que atinge o cônjuge resvala pra você
e ele começa a achar que não é feliz por sua causa?
R: - O melhor caminho é o tratamento espiritual. Procure uma
casa espírita da sua confiança e peça ajuda. O passe e a água
fluidificada lhes darão um reforço energético, para superar a
provação. As reflexões doutrinárias ampliarão a perspectiva de
análise do problema e é possível que o cônjuge infeliz acabe
encontrando as verdadeiras raízes da sua infelicidade. Além
disso, se houver a influenciação por espíritos inferiores, eles
serão tratados.
Se vocês ainda não
fazem a reunião semanal de estudo do Evangelho no lar, inicie
imediatamente, para que os bons Espíritos trabalhem a ambiência
do lar, garantindo a presença de fatores energéticos
edificantes. Se o outro não aceitar a sugestão, faça você o
tratamento e coloque o nome dele para irradiação à distância. Os
terapeutas do mundo também podem ajudar bastante.
P: Quando sua
prova é pesada com sua família, devemos correr,ou sentenciar
nossas vontades para fazer a vontade do bem geral da família?
R: - Geralmente essa sensação de carregar um pesado fardo, em
relação à vida familiar se fundamenta nos débitos que
internalizamos de vidas passadas, por não termos resolvido a
contento nossos compromissos afetivos. A vida está dando uma
nova chance. Precisamos aprender a ver dentro de nós mesmos,
sondar os motivos verdadeiros da nossa infelicidade, para que
possamos superá-la. Deus não quer a nossa infelicidade, portanto
o que nos infelicita não é determinação d’Ele, mas algo que
nasceu de nossas próprias escolhas. Você pode escolher agora
quitar-se com sua consciência, pela dedicação ao grupo familiar.
Mas isso só vale, se você conseguir encontrar a alegria de estar
fazendo isso. Fazer as coisas como um animal que carrega pesada
canga e se dirige ao matadouro, não vai adiantar nada. Procure
ajuda espiritual e, se estiver se sentindo muito frágil,
socorra-se com os terapeutas do mundo. Correr não é o melhor
caminho para resolver os desafios da vida.
P: - Quando saber
a hora em que o relacionamento se desgastou ao ponto de um
divórcio?
R: - Emmanuel, com a comparação da relação conjugal a um corpo
doente, deu uma indicação bem clara. Se a relação está tão
doente que está adoecendo também as pessoas envolvidas,
inviabilizando sua encarnação, degenerando em agressões físicas
ou morais, e, se já foram tentados todos os caminhos de
resolução do problema, sem êxito, é hora de optar pelo divórcio,
como recurso extremo, para garantir a continuidade do projeto encarnatório.
P: - Participei de
um Forum não espírita e, sim, com foco na Medicina sobre
Sexualidade masculina e foi divulgado o resultado de uma
pesquisa onde dizia que nos casamentos atuais a maioria dos
homens se recusavam a separação por ter "ele" mais
necessidade hoje de manter uma família e que essa não era a
preocupação maior da mulher que a pesquisa revela que a
separação se dá mais pela falta do afeto. Achei muito
interessante essa revelação e gostaria que você na visão
espírita falasse um pouco.
R: - O ser humano é um animal racional, dotado de pensamento
contínuo que necessita de uma complementação psicofisiológica
que lhe garanta a estabilidade emocional e nada melhor que um
relacionamento sexual saudável para essa manutenção. Contudo o
relacionamento que procurasse apenas uma atividade animal
dissiparia energias, não traria satisfação íntima de plenitude.
Por isso, todos buscam a parceria amorosa que possa garantir
essa troca em níveis de estabilidade e segurança. Constituir uma
família, pela definição de uma parceria amorosa estável é algo
muito bom e acredito que seja a motivação predominante tanto do
homem, quanto da mulher, ao decidirem casar-se. Do ponto de
vista do Espiritismo, homens e mulheres são iguais perante Deus.
Não há Espírito masculino e Espírito feminino. O Espírito não
tem sexo. Mas há diferenças no aspecto psicológico, pois cada um
tem um papel a desempenhar no cenário da vida. A encarnação em
corpos de polaridade masculina permite o desenvolvimento de
valores diferentes daqueles que são desenvolvidos na encarnação
feminina. Há diferenças também culturais. Há uma herança
cultural proveniente do sistema patriarcal que contamina as
relações amorosas em nossa sociedade.
Talvez o que essa
pesquisa esteja revelando em relação à mulher seja resultado do
momento histórico que estamos vivendo.
Estão as mulheres
emergindo de um passado de submissão e subalternidade e começam
a ocupar seu espaço, participando mais decisivamente da
construção de um novo estilo de vida. As pesquisas sociológicas
provam que a supremacia masculina foi obtida pela violência. O
homem, dotado pela natureza de maior força física, utilizou esse
recurso para dominar e oprimir o mais fraco. A mulher,
fisicamente mais frágil, porém portadora de maior sensibilidade,
tem sabido adaptar-se aos diferentes contextos, exercendo sempre
uma influência disfarçada no meio social, adestrando-se nas
sutilezas da sedução e do envolvimento. Embora neste século
tenhamos caminhado a passos largos em diversas direções de
progresso, esse jogo de força e sedução ainda predomina nas
relações entre homem e mulher, gerando distorções e conflitos
sempre crescentes.
O futuro definirá
caminhos de igualdade para o homem e a mulher em todos os planos
da vida social. Esse equilíbrio de forças permitirá que também
na vida a dois haja maior harmonia, mas por enquanto há um
grande desafio a vencer, porquanto o mundo em transição
representa um contexto de turbulência que dificulta a todos nós
o equilíbrio nas relações afetivas. Os estudos espíritas podem
nos ajudar a entender com mais clareza tudo isso. Quando as
demais ciências vencerem o preconceito em relação às pesquisas
espíritas, certamente alcançaremos a possibilidade de construir
a sociedade renovada pela qual tanto ansiamos.
P: - Gostaria de
saber o que leva um homem espirita que aparentemente tem uma
excelente vida conjugal, assim ele diz que tem, a trair a
esposa?
R: - Em síntese, diríamos que a causa são as imperfeições morais
que ele ainda não conseguiu corrigir, mas poderemos detalhar
alguns fatores que favorecem esse comportamento: 1o - a falta de
disciplina das próprias energias sexuais, o desejo surge como
resposta à vivência que valoriza a matéria e o imediatismo da
vida transitória no corpo físico. 2o – a falta de maturidade do
senso moral, que determina uma ligação perispírito/corpo, com um
ascendente do corpo sobre o Espírito. 3o – falta de educação
afetiva. Durante a formação desse homem, prevaleceram valores
machistas: homem que é homem prova isso pela performance sexual.
4o – as facilidades do momento por que passa a sociedade.
Com a liberação
feminina, a mulher tornou-se alguém também com propósitos de
vivência afetivo-sexual desvinculada do comprometimento formal.
As mulheres procuram mais, investem na sensualidade e manifestam
um comportamento liberado, não se importando se o parceiro é
casado ou não. Além disso, a mídia pela propaganda veicula uma
mensagem forte de incentivo à prática sexual desvinculada do
compromisso moral.
O que é preciso
ressaltar, contudo, é que um homem que seja a encarnação de um
Espírito já moralizado não se deixará arrastar pelos impulsos
das paixões, ou pelas influências do contexto social em que
vive. Prevalece, pois, como causa do comportamento mencionado a
inferioridade moral dos Espíritos encarnados na Terra. O
conhecimento da Doutrina Espírita, por si só, não altera o
comportamento do indivíduo. A partir desse conhecimento, cada um
deverá empenhar-se em sua própria reforma moral.
P: - No meio
Espírita é muito difícil quando um casal resolve separar, ainda
mais quando o homem ou a mulher ou ambos tem dentro da casa
espírita funções de relevância como Presidente, Diretores ...O
que você poderia falar sobre esse assunto já que é irremediável
a separação quando todas as possibilidades já foram tentadas?
R: - O preconceito ainda é muito forte na sociedade e o
movimento espírita, sendo produzido por seres formados por essa
sociedade, carrega também essas características. É preciso
organizar seminários, simpósios, mesas redondas, enfim,
dinâmicas que permitam uma discussão desses assuntos, a partir
de uma leitura mais adequada da Doutrina Espírita, para que
possamos vencer os preconceitos e criar um movimento mais
compatível com o espírito da Doutrina, que é de conscientização,
responsabilidade e respeito à liberdade que cada um tem de
escolher seu próprio caminho. Jesus disse: “Meus discípulos
serão reconhecidos por muito se amarem.” O comportamento
preconceituoso contra os que se separam, isolando-os dos
trabalhos que poderiam apoiá-los em momentos tão difíceis não é
um comportamento amoroso.
P: - Se um
relacionamento conjugal sobrevive a várias separações, e mesmo
que se sinta uma mudança dos sentimentos (por exemplos, se
o que sentimos pela pessoa hoje difere do amor que
devotávamos antes, passando a ser quase um amor fraterno, menos
carnal, a despeito da libido que essa pessoa ainda nos
desperte), pode significar que esse cônjuge tem comprometimento
direto com nosso plano reencarnatório? Ou seja, se isto pode
ocorrer, mas paralelamente ocorra um sentimento de
comprometimento por outra pessoa, de nossa parte, diante da
possibilidade de retomar o antigo relacionamento, qual caminho
seguir, quando se pretende atender ao plano prévio? Há como
identificar qual compromisso seguir, de acordo com o
planejamento? Podemos ter acesso a ele, no caso específico de
uma escolha de natureza afetiva?
R: - Um planejamento é um roteiro que traçamos, antes de
encarnar, para desenvolvimento de potenciais que trazemos
em estado latente. Como isso aconteceu anteriormente à
tomada do corpo físico, as informações estão em nossa memória
profunda e funcionam como uma voz interior que nos adverte,
quando estamos nos desviando do rumo que pretendíamos seguir.
Quanto mais apegados à matéria, menos teremos condições de
acessar as informações que estão nesses arquivos mais profundos
e maior será a probabilidade de erro. Por isso recomendaram os
Espíritos o auto-conhecimento. Conhecer-se é analisar os
próprios impulsos, os próprios sentimentos, sondar as razões
pelas quais agimos de um modo e não de outro. Quando estamos
envolvidos nesse processo, desenvolvemos nossa identificação com
o ser espiritual que somos, vencemos os limites da matéria e
podemos ouvir com mais clareza a voz interior que nos orienta e
encaminha para o bem. Portanto a única pessoa que pode responder
adequadamente à sua indagação é você mesmo. Lembre-se de que
temos muitos contatos afetivos construídos, ao longo de muitas
vidas. Podemos reencontrar muitos amores numa encarnação, mas
devemos ter seriedade de propósitos e comprometimento com aquela
pessoa a quem prometemos fidelidade e parceria.
P: - Serão as
diferenças de visão e atuação entre duas pessoas que se amam, o
que se poderia entender por conflitos, quando não conseguem
chegar a um só termo, prova de que devem cultivar a relação,
como forma de aprendizado para ambos?
R:
- Exatamente. A relação é um exercício excelente, para
aprimoramento das nossas potencialidades. Precisamos entender
que somos diferentes e, por isso, temos percepções diversas de
um mesmo fato, temos opiniões e sentimentos diferentes.
Respeitar as diferenças e saber dialogar sobre elas é o caminho
para fazer do conflito uma fonte de crescimento. O conflito é
natural e pode ser até muito positivo. O ruim é a radicalização
e o antagonismo, que nos fazem ver o outro como adversário.
P: - O que fazer,
diante de uma certeza de diferença de grau evolutivo entre duas
pessoas que se amam e pretendem se casar: a que entende essa
diferença deve interromper o curso dos acontecimentos ou deve
insistir na relação? Se esta intuitivamente sente que não é o
momento certo para esse encontro, não estará impondo um mal à
outra?
R:
- As diferenças de grau evolutivo serão certamente fonte de
muitos conflitos na vida a dois, mas se existir amor
verdadeiramente, aquela pessoa que se encontra num nível maior
saberá auxiliar a outra, sem humilhá-la, a crescer também. A
solidariedade é lei divina. Os mais fortes devem amparar os mais
fracos, afirmam os Espíritos. Mas gostaria de alertar quanto à
ilusão que nos faz ver as coisas de uma forma distorcida. O que
lhe faz concluir que há diferença de grau evolutivo? Isso é
muito complexo e você pode estar fazendo uma leitura inadequada
de si mesmo e da outra pessoa. Procure ajuda para entender a
situação. Converse com pessoas mais experientes que conhecem
você e a outra pessoa, ouça os conselhos dos mais velhos. Se
necessário, recorra a uma terapia para se conhecer melhor, antes
de tomar uma decisão.
P: - Se diante de
um momento conflituoso, um dos cônjuges sente necessidade de
romper o compromisso, de se afastar por ser um problema de ordem
individual, e com isso cause grande sofrimento ao outro, estará
incorrendo em erro, estará fazendo mal aquela pessoa, mesmo que
entenda essa atitude como necessária?
R: - A separação é sempre uma fonte de sofrimento, por mais que
a gente tente minimizar isso. Não há como evitar a dor da
ruptura dos laços energéticos construídos pelo
investimento afetivo que as pessoas fazem motivadas pelas
promessas do tempo de namoro. Naturalmente que aquele que rompe
assume a responsabilidade pelas conseqüências do rompimento, por
isso é preciso ter muito claro para si mesmo que esse é o melhor
caminho, antes de tomar a decisão. Daí a recomendação de
Emmanuel de que se faça todo o esforço possível para manter os
laços afetivos e apenas se apele para a separação, quando a
relação estiver tão comprometida, que determine a destruição do
projeto de crescimento afetivo das pessoas envolvidas.
Não se perturbe
tanto pela questão do erro. Errar faz parte da vida dos seres
encarnados em mundos de provas e expiações e todos aprendemos
também com os nossos erros. O que não podemos é permanecer no
caminho errado, mesmo depois de esclarecidos quanto aos nossos
equívocos.
P: - Qual o papel
do matrimônio nos planos de Deus para nós?
R: - Deus nos criou simples e ignorantes, mas aptos a atingirmos
a plenitude de ser. Nesse processo de crescimento, as relações
afetivas desempenham um papel preponderante. O homem que se
isola não cresce. Nós nos aprimoramos é no contato com os nossos
semelhantes. Na vida de relação, aprendemos a lidar com os
sentimentos, os impulsos, os desejos, e, assim, vamos nos
aperfeiçoando. A princípio, vivendo em bandos, os homens se
relacionavam sexualmente de modo promíscuo. O casamento foi uma
instituição que normatizou a vida sexual das criaturas,
definindo responsabilidades. As leis sociais servem para dar
diretrizes às ações das criaturas, permitindo a elas a
disciplina necessária ao trabalho que precisam realizar em prol
de sua própria evolução.
Uma sociedade em
que se abolisse o casamento e a vida familiar, como dizem os
Espíritos, geraria um recrudescimento do egoísmo. Viver em
família, com responsabilidade e comprometimento, desenvolve os
valores da alma. O casamento é, pois, um exercício maravilhoso
para o desenvolvimento da nossa capacidade de amar.
P: - Qual o papel
da mulher em relação à solução dos conflitos conjugais, segundo
a visão espírita?
R: - Afirmam os Espíritos que, perante Deus, são iguais o homem
e a mulher, pois a ambos outorgou o Pai o discernimento do
bem e do mal e a capacidade de progredir. Mas ensinam também que
as diferenças observadas na organização física servem para
designar a homens e mulheres funções específicas no
agrupamento humano. Esclarecem que as funções atribuídas à
mulher são mesmo mais importantes do que aquelas legadas
ao homem, uma vez que cabe à mulher influir mais decisivamente
sobre os seres que renascem, transmitindo-lhes as primeiras
noções da vida. Para desempenhar a função que lhe cabe no seio
da família, a mulher foi dotada de mais intuição e
sensibilidade, por isso, se ela quiser, poderá utilizar essa
potencialidade, para entender como o marido se sente e favorecer
a harmonização na relação conjugal.
P: - Existe de
verdade sob a ótica espírita os casamentos acidentais?
R: Não existem casamentos acidentais, porque não há acaso. Tudo
o que nos acontece é resultado da lei de ação e reação. O
que podemos dizer é que nem sempre cumprimos o que definimos em
nosso planejamento de vida, aquele que fizemos antes de
encarnar. O casamento resulta de uma escolha que as pessoas
estão fazendo e essa escolha pode ser equivocada, pois não há
uma orientação em nossa cultura, para que os jovens saibam
com mais clareza os motivos verdadeiros de suas escolhas.
Geralmente, o apego aos valores transitórios da vida, acabam nos
situando na superfície da experiência e nos deixamos levar pelas
aparências, ou por outros motivos ligados às questões
transitórias. Não nos conhecemos verdadeiramente e, por isso,
tomamos decisões muito inadequadas.
O que se precisa
saber, contudo, é que depois de feita a escolha e estabelecido o
vínculo, mesmo que ele não seja a realização do plano
anteriormente traçado, ele não é um acidente, pois resultou da
escolha feita com uso do livre-arbítrio e, por isso mesmo,
passou a haver um compromisso que deverá ser encarado com
seriedade.
P: - Como perdoar,
de verdade, uma traição? Apesar de continuar casada e feliz
depois de ter sido traída, as vezes, choro, sofro e fico magoada
por ter
passado por isso.
R:
-
Modifique seu pensamento, não permitindo que voltem à tona as
lembranças infelizes. Se os fatos já ficaram no passado, por que
ficar
revivendo-os pela imaginação?
Kardec ensina o seguinte:"Quando o Espírito encarnado se lembra,
sua memória
lhe apresenta, de certo modo, a fotografia do fato que ele
procura. Em geral,
os encarnados que o cercam nada vêem; o álbum se acha em lugar
inacessível ao
olhar deles; mas, os Espíritos o vêem e folheiam conosco. Em
dadas
circunstâncias, podem mesmo, deliberadamente, ajudar a nossa
pesquisa ou
perturbá-la" (1).
A tendência de ficar lembrando as coisas ruins pode indicar uma
influência
espiritual negativa. Procure pensar nas coisas boas que existem
em sua vida e
deixe de vez o passado para trás. Lembre-se de que ser feliz é
uma escolha que
fazemos a cada dia.
(1) ALLAN KARDEC -
Obras Póstumas. Primeira Parte: Fotografia e Telegrafia do
Pensamento.
P: - É possível em um casamento quando há traição, mentiras por parte
do marido,
haver uma chance de reconciliação?
R:
- Acredito
que sim, desde que ambos se comprometam e reconstruir a
relação com honestidade. Do lado do marido, precisará haver um
esforço grande
no sentido de alcançar a disciplina das próprias energias
sexuais e, do lado da
esposa, uma disposição para esquecer os maus acontecimentos,
para que a
esperança seja o sentimento predominante na intimidade,
orientando a
reconstrução. O tratamento espiritual poderá ajudar muito. O
casal deve
procurar uma casa espírita de sua confiança para ir semanalmente
tomar os
passes e obter a ajuda espiritual. A terapia com psicanalista e
psicólogo
também seria um bom recurso.
P: -
Os conflitos conjugais começam muitas vezes por cada um dos
cônjuges exigir do
outro, isto é não "dar-se" ao outro sem esperar nada em troca. A
minha questão
é, como evitar estes conflitos sendo uma das partes
irresponsável nas suas
tarefas? Será do agrado de Deus uma parte sobrecarregada e ainda
por cima não
reclamar?
R:
- Não.
Deus não quer a infelicidade de suas criaturas, mas a relação a
dois é uma construção que ele delega a nós. Precisamos assumir
nossa
responsabilidade e definir posições. Quando as pessoas se casam,
estão movidas
por um ideal romântico irrealizável, não se prepararam antes
para o casamento,
não conversaram sobre os encargos na construção de um lar.
Depois do casamento,
é preciso sair do nevoeiro da ilusão, para encarar a realidade.
Algumas pessoas
não conseguem fazer isso. Preferem assumir um comportamento
irresponsável e
inconseqüente. Nesse caso, é preciso dialogar, fazer acordos,
dispor-se sempre
a analisar o problema, sem agredir o outro, sem fazer cobranças.
Chame o
companheiro para uma conversa séria. Fale de como a relação é
importante para
você, porque o amor que os uniu ainda existe. Depois tente
firmar um acordo,
definindo a parte de um e de outro. A partir daí, faça a sua
parte e, se ele
não fizer a dele, deixe sem fazer, porque, se você começar a
fazer tudo, ele
vai acomodar-se novamente. Volte ao diálogo sempre que
necessário, mas fale com
amor e não com irritação e agressividade. Acusações, lamúrias,
queixas,
xingamentos não ajudam em nada na resolução de conflitos.
P: -
Devemos nos calar diante dos erros do parceiro? Exemplo, quando
humilha,
dizendo que somos incapazes, inclusive na frente dos filhos, é
melhor nos
calarmos, e deixar que os mesmos tirem suas conclusões?
R:
- Quando
essa atitude acontece, é sinal que a relação já vem com
problemas há mais tempo, sem que os dois tenham se decidido a
encarar de frente
a dificuldade que se instalou. Está faltando diálogo na vida
conjugal, o que é
fundamental para ajustar duas personalidades que estão desejando
permanecer
unidas. O melhor caminho é começar a dialogar. Você deve dizer
claramente como
essa atitude dele está afetando você. Fale de seu sentimento com
sinceridade,
mas faça isso em conversa particular. A atitude de desrespeito
dele não pode
ser desconsiderada, pois ele poderá extrapolar os limites da
agressão verbal,
partir para outros tipos de agressão e criar dificuldades
maiores. Faça-se
respeitar. Seja amorosa, porém firme em suas posições.
P: -
Como abordar o defeito do cônjuge?
R:
- Para
fazermos isso, necessitamos analisar a nós mesmos, nossos
padrões de vida, nossos hábitos, nossas atitudes cotidianas,
para constatar que
também temos muitos defeitos. A partir daí, devemos nos
perguntar como
gostaríamos que os outros agissem conosco, em relação às nossas
próprias
deficiências. Jesus ensinou: Fazei aos outros o que gostaríeis
que eles vos
fizessem. Devemos usar esse critério, para saber como atuar
junto ao cônjuge,
para conscientizá-lo dos aspectos que precisa aprimorar em si
mesmo. Se agir
assim, vai naturalmente encontrar o melhor caminho a seguir,
porque, sendo
honesto consigo mesmo, qualquer um vai reconhecer que não
gostaria de ser
criticado, de receber recriminações na frente de terceiros, de
ser punido com a
indiferença, ou coisas do mesmo gênero.
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