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Licenciado em
Física pela Universidade Federal Fluminense, Doutor em Educação
pela UNESP - Universidade Estadual Paulista - e Professor na
citada Universidade Federal Fluminense, nosso entrevistado é
sobejamente conhecido do movimento espírita nacional e
internacional. Já esteve em 37 países em atividades de
divulgação da Doutrina Espírita; tem 23 livros publicados,
ditados por diversos espíritos, sendo 3 deles já traduzidos para
o espanhol e é um dos mais requisitados oradores espíritas no
Brasil e exterior, pois seu verbo fácil e lúcido é garantia de
impecável transmissão dos postulados doutrinários do
Espiritismo. Lidera igualmente um trabalho assistencial a
crianças socialmente carentes e seus familiares, através da
Sociedade Espírita Fraternidade - conhecida como SEF (em
Niterói-RJ) -, que mantém o Remanso Fraterno, departamento que
desenvolve aquela atividade, e a Editora Frater que edita seus
livros.
P: - Prof Raul, o que dizer da situação de violência no
país?
R:
- A situação de violência em nosso país, como ocorre em outras
partes do mundo, tem raízes profundas no íntimo da alma humana.
A violência costuma ser a reação de quem não conseguiu
trabalhar-se intimamente, transformando instintos em reflexão,
em sentimento, na trajetória determinada para o encontro com o
"amar ao próximo como a si mesmo".
Vê-se que as dificuldades humanas que denominamos de violência
são características do mundo expiatório em que nos achamos, uma
vez que encontramos violências de diversos tipos e de
intensidades, exigindo o nosso esforço pela auto-educação, pela
autoconquista e pela disciplina interior.
P: - Que
avaliação o plano espiritual apresenta do ideal do progresso
moral proposto pela doutrina espírita, diante das dificuldades
humanas para a sua concretização?
R:
- O Mundo Superior costuma usar de muita paciência para conosco,
considerando que o ideal do progresso moral não é criação do
Espiritismo, pois que, desde Jesus e antes Dele, já existiam as
propostas morais de alto nível, veiculadas pelos Mensageiros do
Cristo tornados líderes espirituais de diversos povos, bem como
pelo próprio Cristo, sem que tais propostas ecoassem no íntimo
da alma humana devidamente, em virtude do baixo estado evolutivo
em que se achava, e que, de certo modo, ainda se encontra.
P: - Como
poderemos aprimorar a qualidade do ensino espírita, para que o
conhecimento produza os frutos que se espera?
R:
- Melhorando o nível de conhecimento dos instrutores, dos
pregadores, dos professores, daqueles que, enfim, se apresentam
ou são convidados para o labor de ensinar. Enquanto tivermos uma
massa de companheiros pouco interessada nos fundamentos da
Codificação Kardequiana, desconhecedora das reflexões dos livros
clássicos do Espiritismo e com pouca disposição para os estudos,
claro é que a qualidade do ensino espírita tenderá a decair
sempre mais.
Ninguém poderá
desejar viver uma proposta doutrinária que, por seu turno,
ignora. Não se concebe alguém que se disponha a 'vestir a
camisa' de uma doutrina sobre a qual jamais reflexionou.
P: - Além
dos textos psicografados, das mensagens psicofônicas e da
inspiração na oratória, os espíritos trazem, particularmente,
orientações para a tarefa da educação, especialmente em suas
tarefas doutrinárias?
R:
- Sem sombra de dúvidas. Informam-nos os Benfeitores Espirituais
que fora do esforço educativo, permanente e de boa qualidade,
será muito difícil a transformação do gênero humano, uma vez
que, consoante informa Allan Kardec, a educação é a arte de
forjar o caráter.
P: - Sendo
professor universitário, você tem notado amadurecimento da
classe acadêmica, com referência à realidade do espírito
imortal? Há hoje mais aceitação dos ensinos espíritas?
R:
- Muito embora isso não seja tão importante para o Espiritismo,
como muita gente pode pensar, tenho, sim, percebido que há mais
abertura para falar-se ou tratar-se das questões e reflexões
espíritas no seio da academia. Afinal, quando falamos em
universidade, fica sem sentido uma universidade sectária ou
preconceituosa, o que contraditaria seu próprio nome.
P: - Na
universidade, é possível usar o conhecimento espírita nas
matérias que leciona?
R:
- Um professor com formação espírita tem ensejo de utilizar o
conhecimento espírita para a realização do seu trabalho. A forma
de ensinar, a dedicação aos alunos, o espírito de serviço, a boa
vontade em atender, o gosto por estudar a fim de aprimorar-se
sempre mais, etc. No entanto, não nos cabe converter as aulas
para as quais somos pagos em aulas de 'endoutrinação' espírita
dos alunos. Há que se usar de bom senso para não enveredarmos
pelo ridículo que levaria a lúcida Doutrina Espírita à vala do
escárnio e da desconsideração.
P: - A
contribuição da educação em si, além das fronteiras do movimento
espírita, tem atingido seus objetivos junto a alunos e
professores?
R:
- Lamentavelmente, ainda não. Quando Allan Kardec enunciou em "O
Livro dos Espíritos" que' educar é a arte de formar caracteres',
afirmou que não se tratava de educação intelectual, tampouco de
acúmulo de textos e teses bonitas sobre o assunto. Asseverou que
era da educação que estava tratando, dessa que transforma os
indivíduos. Enquanto chamarmos educação a esse verniz social,
que se utiliza enquanto e quando convém, sem raízes, sem
durabilidade, logo, sem realidade essencial, a educação em
nossas sociedades não sairá das páginas valiosas dos livros
inertes, nem ultrapassará a barreira do mero discurso.
P: - Em
termos de educação espírita, propriamente dita, nas atividades
cotidianas de nossas instituições espíritas, como podemos
avaliar a proposta do Espiritismo e a realidade vivida
atualmente?
R:
- Sendo as pessoas espíritas os homens e mulheres comuns do
mundo, vivenciando os mesmos embates e as mesmas necessidades
dos demais; estando grande massa de freqüentadores das
Instituições Espíritas em busca de melhorias da saúde, da
família ou mesmo da vida material, pouco interesse estará
voltado para a vivência prática de uma educação calcada nos
generosos ensinamentos espíritas. Costuma-se utilizar jargões,
tais como: "a natureza não dá saltos", "sou espírita mas não sou
de ferro", "sou espírita sem fanatismo", para encobrir fraquezas
do caráter, má vontade e espírito teimoso ou impertinente. Daí
encontrarmos tantos embates em nossas Instituições, tantas
competições, completamente fora de propósito, criando zonas de
indisposições de nenhuma forma acordes com o espírito do
Espiritismo, o que nos demonstra que a educação espírita ainda
não é uma realidade generalizada.
P: - São
suas as palavras finais.
R:
- Nessas reflexões em torno da educação, cabe-nos valorizar esse
tempo abençoado que o Senhor nos permite vivenciar no seio do
pensamento espírita, de modo a galgarmos significativos lances
da estrada evolutiva, progredindo, mesmo que tenhamos que
enfrentar as mais árduas batalhas por dentro e por fora de nós,
para obtermos maior aproximação de Jesus Cristo.
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