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Nossa
Revista, apresenta a entrevista com Roque Jacintho - Orador,
jornalista e escritor espírita, residente em São Paulo,
capital. Diretor de Estudos no Grupo Espírita “Fabiano de
Cristo”, autor dos seguintes livros, entre outros:
“Desenvolvimento Mediúnico”, “Doutrinação”, “Judas
Iscariotes”, “A Serviço de Jesus”
Pena
de Morte
P:
– O que você pensa sobre a pena de morte? E por que a
sociedade vem produzindo tantos elementos desequilibrados, com
vocação para a criminalidade?
R:
– A pena de morte é um doloroso equívoco, herdado dos princípios
da Idade Média. Examinada sob os prismas da evolução,
revela-se incompatível com os princípios de humanização que
buscamos para nós mesmos. Apliquemos, pois, a pena de vida aos
apenados pela justiça terrena que cometem ou perpetram erros
dolorosos, a fim de que cada um deles possa reajustar-se e
crescer em seu próprio benefício. Diante dos chamados
criminosos, estamos quase sempre defronte a doentes morais,
necessitados de orientação e reerguimento, muito mais carentes
de assistência psicológica e religiosa do que de castigos físicos
que os privem do dom da vida. O corpo físico, para eles, já é
um sanatório. Se desfizermos abruptamente os seus liames com o
freio do corpo físico, iremos devolvê-los menos felizes à
espiritualidade, onde irão juntar-se a grupos dolorosos que
ensombram a própria Terra. Observemos, por outro lado, que
muitos desses enfermos espirituais são criaturas que sucumbiram
ao instinto do assassínio, despertado nesta, ou em encarnações
passadas, quase todos ex-soldados ou guerrilheiros que
aprenderam a matar nas sucessivas guerras ou rebeliões que nós
mesmos engendramos com o nosso louco impulso de supremacia e
escravização de outros povos. As penitenciárias buscam hoje
tornar-se educandários. Os presos, nesta etapa de humanização
que vivenciamos, passam a ser chamados de reeducandos e, se a
simples titulação não basta para reeducá-los, pelo menos já
indicam novos horizontes para tratar dos enfermos morais.
AIDS
P:
– A Aids é um castigo de Deus para os que violam os padrões
morais as sociedade?
R:
– Deus não castiga ninguém. O Pai Celestial, através de
seus colaboradores diretos, ampara-nos em todos os lances de
nosso crescimento, e a dor que nos visita é sempre a reação
natural de nossos desequilíbrios. A Aids, doença de origem
sobretudo venérea, é uma resposta das leis da Natureza para os
desequilíbrios que instalamos dentro de nós mesmos, diante de
nossos desvarios sexuais e afetivos. Ela funciona como um sinal
de alarme, para que sublimemos as nossas qualidades virtuais,
indicando-nos os desníveis que nos rebaixam ao subumano. Toda
doença venérea é um freio à nossa descida espiritual, e,
salvo os casos de contaminação por transfusão de sangue, ou
por outras formas de contágio, estamos diante de uma autodoença,
que visa a frenar-nos nos campos dos desequilíbrios, tal como
ocorre com as demais enfermidades similares, como o cancro venéreo,
a sífilis,etc.
Sejamos
monogâmicos, convida-nos a própria natureza biológica, e
teremos os anticorpos que nos assegurarão as energias para que
sejamos completistas espirituais, ou seja, para que vivamos o
total da quota de nossas energias vitais.
INTELECTUALISMO
P:
– Qual deve ser a meta prioritária de um governo, objetivando
o progresso e o bem do homem?
R:
– Governar é administrar uma coletividade. Longe, portanto,
de querer traçar programas ideais aos que nos governam sob a
inspiração dos Mentores da Vida Coletiva, valeria, antes,
ajustar-se o cidadão comum aos princípios da misericórdia
divina. Quanto menos o governo adentre e normatize as nossas
relações, maiores serão as nossas obrigações de doar-nos,
de alma e coração, à coletividade que nos acolhe. Reflexo
inevitável de nós mesmos, os nossos governantes nos espelham a
consciência coletiva, e, por decorrência, refletem os nossos
desmandos ou desvarios, ou os nossos acertos e reajustes. Valerá,
pois, que nos tornemos cumpridores de nossa obrigação, segundo
o enunciado de Jesus: “a César o que é de César”, já
que, se cada um fizer o muito que lhe toca moralmente, mais
tempo dará para que os nossos governantes transitórios nos
tutelem a marcha ascensional. Antes, pois, que determinar metas
aos que nos governam, determinemos a nós mesmos a seguinte
ordem de prioridade: antes, obrigações fielmente cumpridas, e
só depois, direitos decorrentes das obrigações realizadas. Não
poderemos sobreviver com dignidade e atingir o clima da ordem
enquanto estivermos a garimpar direitos, com o esquecimento de
nossos deveres para com a coletividade.
Educação
P:
– Na sua opinião, o que é educação e o que é instrução?
R:
– Instrução, em boa sinonímia, é o ajuste da mente humana
aos valores reais da vida, dando o primeiro tom de humanização
ao homem. A escola, pois, instrui, em todos os graus. Educação,
também em boa sinonímia, é o ajuste dos sentimentos, o
burilamento da alma para a sua própria sublimação. O lar,
portanto, educa. Necessário é, por isso, que elevemos a escola
a seu patamar de burilamento da razão e entronizemos o lar por
educandário da Vida. Nenhuma virtude real se alcança a não
ser pela via da razão desenvolvida e sacralizada pelo seu
ajuste à lei do amor que nos comanda a vida. “Instruí-vos e
educai-vos” – eis a legenda grandiosa. Sem instrução
poderemos ser grandes imitadores de virtudes que descobrimos nos
outros, mas, por falta de domínio próprio, estaremos sujeitos
também a imitar defeitos alheios. Sem educação legítima,
calcada à luz do Evangelho redentor, poderemos ter o verniz
social, sem contudo desfrutar de valores legítimos de amor a
nosso semelhante.
P:
– Na atualidade, boa parte das crianças que ainda não
atingiram a idade escolar está sendo matriculada em escolas próprias
para idades inferiores, como berçários, maternais, etc. O que
o senhor pensa disso?
R:
– A educação, assim como a instrução, deverá começar nos
mais tenros anos da vida. Se há o que fazer, nesse campo, é
melhorar a qualidade do ensino e, ao mesmo tempo, os pais
compreenderem que a Escola, qualquer que seja ela, somente cuida
da instrução e que a educação é produto dos lares e não um
reflexo dos professores.
Orientação
Religiosa
P:
– Qual é a idade propícia para o início do ensinamento
religioso à criança?
R:
– A idade propícia é, por certo, a exemplo do que já faziam
os atenienses, a partir da gestação. Sabendo-se, pois, que o
filho que está por nascer é um ser ativo, que absorve
nutrientes da mãe, convém alimentá-lo com sabedoria e amor
assim que se faça o projeto de acolhê-lo dentro de um lar.
Começa, portanto, antes e durante a gestação, o momento certo
de entronizar a religião no lar, como uma forma de alimentação
de quem está de retorno ao nosso encontro ou reencontro.
P:
– A criança deve escolher qual a religião quer seguir, ou os
pais devem norteá-la?
R:
– Se os pais sabem que não devem deixar de alimentar seus
filhos, desde os primeiros dias de vida, para que não venham a
perecer fisicamente ou a sofrer diversos males por falta de
alimentação adequada, devem, também, alimentar-lhes a alma
com noções religiosas que sejam expressão de vida ativa,
culminando com o amor ao próximo, para não chorar mais tarde.
P:
– O que pode acontecer a uma criança cujos pais não se
preocupam em dar-lhe formação religiosa?
R:
– Bastará examinar o desregramento da atualidade, com a falência
das religiões literalistas, para sabermos o que ocorre com um
ser que jamais foi chamado, pela razão, a examinar os princípios
da fé cristã em toda a sua plenitude.
P:
– A literatura infantil espírita existente na atualidade é
suficiente para atender às nossas crianças?
R:
– Talvez não seja suficiente para atender nossas crianças.
Convém, por isso, rogar ao Senhor Jesus que nos conceda autores
despreocupados de originalidade e preocupados em transmitir
mensagens que se gravem na consciência infantil.
MEDIUNIDADE
P:
– Dê-nos uma rápida definição sobre o que é médium e o
que é mediunidade.
R:
– Mediunidade é a janela da alma, que, tendo por instrumento
de sua manifestação a glândula pineal, ou epífise cerebral,
leva-nos ao encontro do mundo espiritual em que estamos imersos
ou mergulhados. Essa faculdade nos integra ao plano da vida
eterna. Rompendo as barreiras de nossas limitações de sentidos
físicos, faz-nos participar também, ativa e conscientemente,
da espiritualidade, extinguindo o dualismo em que
artificialmente nos separávamos: o mundo dos encarnados e o
mundo dos desencarnados. Por essa faculdade, portanto, deixamos
de subdividir o nosso mundo em dois planos distintos,
retificando o erro de conceituação que nos levava a crer tivéssemos
duas realidades: a dos que retornaram ao seu verdadeiro estado,
ou seja, reassumiram a espiritualidade com a desencarnação, e
a nossa vivência absolutamente transitória, isto é,
constrangidos ao educandário da carne. A faculdade mediúnica,
comum a todos os chamados a um estágio mais avançado de evolução,
é o reajuste de nossos espíritos, levando-nos a descobrir que
vivemos num mundo único, embora num estado diferenciado de matéria
e de energia. A mediunidade é o nosso sexto sentido, que, de
estado latente, abre-nos a visão para os dois planos de vida
que interexistem e que se completam. Assim, médium como sinonímia
de quem intermédia os dois planos da vida, todos nós somos.
Por isso, o médium não é uma exceção de regra e sim
alguém que já vive uma realidade mais integral. Através
desse sentido nascente na espécie humana, a Espiritualidade
superior, em nos examinando no estágio evolutivo que estamos
alcançando, bate insistentemente às portas de nossa razão e
de nosso coração, buscando induzir-nos ao despertar de valores
mais altos e permanentes, no campo de nossas conquistas eternas.
Submetemo-nos presentemente a um pólo magnético de grande
poder de atração, induzindo-nos para que nos humanizemos
compulsoriamente e, por decorrência, para que contribuamos com
vastas parcelas de amor, no departamento das qualidades virtuais
que, por origem divina, temos dentro de nós mesmos. É o
chamamento para a evolução, ou seja, para que nos repletemos
dos valores novos e permanentes, já que temos os pés na Terra,
mas erguemos a nossa cabeça, como antena sublime, buscando
sempre o mais alto.
P:
– Qual deve ser a conduta do médium, para que seja sempre
assistido por bons Espíritos?
R:
– Considerando que a conduta é a resultante dos princípios
com que alimentamos a nossa mente, formando o nosso “hálito
espiritual”, por certo, para receber assistência de Espíritos
sábios e profundamente amorosos, caberá ao médium buscar
refletir-lhes as mesmas aspirações e propósitos. A instrução,
via leitura e estudo das obras básicas e complementares das
Doutrina Espírita, é uma etapa que corresponderia ao amanho da
terra, no prenúncio da sementeira. Segue-se, após a instrução,
a educação, ou seja, o burilamento de nossos sentimentos,
através de nossa entrega incondicional ao campo do amor ao próximo,
que corresponde à etapa da semeadura. A partir, pois, do
surgimento dos primeiros brotos espirituais, cabe ao médium o
trato da seara florescente, empenhando-se ardorosamente em levar
luzes e esperanças a nossos companheiros confundidos com as
trevas dos sentimentos, procedendo, em relação aos encarnados,
com o mesmo amor, paciência e diligência com que agem os
Benfeitores Espirituais. A lei da afinidade é que nos traz, a
quantos sejam médiuns, a presença de Espíritos Superiores,
com base no crescimento espiritual do próprio médium. Cada um
terá a assistência espiritual que se empenhe por conquistar,
espelhando a luz do mais alto, ou então envolvendo-se com os
infelizes que perambulam pelas mesmas sombras que trouxermos em
nós mesmos. A conduta cristã é que nos define as companhias.
P:
– Médium produtivo é aquele que produz fenômenos mediúnicos
a qualquer hora e em qualquer lugar?
R:
– Os fenômenos mediúnicos nem sempre representam a ação da
Espiritualidade Superior, visto que Espíritos sem grande estofo
moral também podem produzi-los, até mesmo de modo mais
gritante, capaz de ocasionar a perplexidade a leigos. O fenômeno
pelo fenômeno pode levar o médium e seus observadores a
conclusões levianas e até
perversas, ridicularizando o cristianismo, quando não a
própria mediunidade. O médium produtivo é somente aquele que
dá os frutos do amor, bastas vezes exclusivamente via intuição
recolhida silenciosamente dos mentores da vida mais alta, ou então,
consolando os aflitos, abrindo portas aos decaídos no mal,
socorrendo as viúvas aflitas, alimentando a criança
desnutrida.
Sabendo-se,
pois, que Espiritismo é revivescência do Cristianismo
primitivo, tal qual nos ofereceu por herança o nosso mestre
Jesus, tenhamos a produtividade real do médium com ele se
fazendo um espelho de Jesus, em todo o seu cotidiano. E, para
isso, o fenômeno ostensivo não é absolutamente necessário.
P:
– A mediunidade só é praticada no Espiritismo? Ou seja, todo
médium é um espírita?
R:
– A religião dos Espíritos Superiores é o fundamento do espírita,
que nela busca a sua integração com o mais alto, sem
necessidade de ser portador da mediunidade ostensiva. Já os que
se voltam para a mediunidade, nem sempre se ocupam das conseqüências
morais que a presença de Espíritos Superiores nos trazem e,
por isso, podem ser medianeiros em busca de fenômenos, sem se
ocuparem da implicação moral na sua vida. Contudo, esses que
hoje são médiuns, mas que se fazem servidores de pensamentos mágicos,
por certo, em reencarnações futuras, após se libertarem da própria
leviandade a que se jungiram, virão a ser espíritas-cristãos
ou médiuns a serviço do bem. Até lá, porém, cuidemos da
seara a que nos incorporamos. Jesus assegurou-nos que, no tempo
certo, o Ceifeiro Divino recolheria o trigo saudável e bom, e
confiaria o joio à fornalha da vida, para que nos refizéssemos.
P:
– Muitas pessoas procuram os centros espíritas alegando serem
portadoras de mediunidade. Como elas devem ser tratadas?
R:
– Recebamo-las com muito carinho e atenção. Muitas delas
chegam aos núcleos espíritas como portadoras de disfunções
orgânicas ou espirituais e, sem cogitar se serão ou não médiuns,
devem ser levadas ao encontro do Evangelho. Observemos, também,
que disfunções hormonais, notadamente em quem está no climatério
ou em ciclo de menopausa, podem levar-nos a interpretar os fenômenos
orgânicos como se fossem sinais de mediunidade. Além de
ouvi-los, pois, busquemos integrá-los em tarefas assistenciais
e outras em que poderão realizar-se, mesmo quando em estado
depressivo, ou quando dizem sentir alguém ou alguma coisa à
sua volta, ou vozes, ou ruídos insistentes. Um estado de consciência
culposa também poderá remeter-nos a julgar que temos traços
de mediunidade ostensiva, quando, na verdade, estamos
simplesmente sendo chamados ao reajuste de nossos valores.
Sabendo-se, pois, que mediunidade é um encontro com o
cristianismo, patrocinemos esse encontro como sendo um estágio
preliminar ou preparatório para uma função de mediunato
futuro. O desenvolvimento mediúnico não soluciona problemas de
angústia, de depressão, de avitaminose espiritual e, por isso,
não devemos colocá-lo como a principal e primeira necessidade
dos que buscam orientação e consolo, algumas vezes por indicação
de pessoas que desconhecem o que seja a tarefa mediúnica.
P:
– Qual a melhor forma de desenvolver a mediunidade? Isso pode
acontecer fora do Centro Espírita?
R:
– A mediunidade não é faculdade privativa dos espíritas ou
dos agrupamentos espíritas. Essa faculdade é comum na espécie
humana. Convém, no entanto, quando se cogite de seu
desenvolvimento, que o candidato o faça dentro de um
agrupamento espírita-cristão, a fim de que aquele que quer a
mediunidade-cristã não sofre os desencantos de quem não soube
procurar a escola apropriada. O trato, pois, da mediunidade
deverá ser o núcleo ajustado ao cristianismo, para que o fenômeno
seja conduzido por Espíritos sábios. No lar, que o candidato
ao mediunato dê saliência ao culto do Evangelho no lar,
deixando para cuidar dos fenômenos espíritas exclusivamente
nos agrupamentos ou núcleos do Espiritismo-cristão.
P:
– Como conciliar o exercício da mediunidade com os afazeres
profissionais?
R:
– Que ninguém se faça profissional da mediunidade! Assim,
concilie o seu tempo, administrando as suas horas, a fim de
servir mediunicamente nos momentos que criou para a educação
de seus sentidos nobres. Lembremo-nos de que a profissão
disciplina a criatura. Nada, pois, justificaria alguém deixar
de exercer a profissão, que lhe assegurará o pão de cada dia,
nas oficinas, nos escritórios, nas industrias, que nos abrem
oportunidades sagradas. Não podemos envolver-nos na falsa e
mentirosa alegação de que deveremos dedicar-nos exclusivamente
à mediunidade. Alguém que faça da mediunidade uma espécie de
profissão é, seguramente, alguém em que não se deve confiar.
Tomemos, a exemplo, Chico Xavier, que, apesar da extensão do
seu mediunato, em tempo algum deixou de exercer a sua atividade
profissional, ajustando-se à sua missão espiritual sem tomar o
desvio da profissionalização de sua faculdade mediúnica.
P:
– Diante de tanto sofrimento que a humanidade experimenta no
momento, nota-se uma grande corrida das pessoas em busca de
abnegados servidores, portadores de mediunidade. A faculdade
mediúnica, então, atualmente, fundamenta-se na consolação?
R:
– Estamos em plena fase de evolução compulsória e, por tal
motivo, há um quê de insatisfação em cada homem que ainda não
despertou para os valores permanentes da própria alma. O
progresso, na sua expressão de bens materiais, trouxe-nos o
conforto e a nossa liberação para outros valores que se
encontram acima das coisas que nos servem. A evolução,
contudo, que deverá ser a decorrência natural do procedimento
de maturação da alma humana, cria um conflito nas criaturas,
demarcado pela escravização aos bens perecíveis, e uma sensação
de ausência de vida. Observemos, portanto, que os que registram
esses conflitos naturais deste estágio evolutivo, devem, antes
de buscar médiuns, buscar as bases da religião dos Espíritos,
a fim de que se aclimatem mais rapidamente ao tempo do espírito.
A verdadeira consolação, de que necessitam, não deve ser
aquela que animalha o espírito, sem despertá-lo para a sua
realidade de vida eterna. Portanto, ao buscarem os médiuns espíritas,
deverão esses médiuns abrir-lhes um horizonte mais amplo,
ajustando-os às atividades redentoras que principiam no exercício
da caridade moral, sol ao longo do nosso caminho. A faculdade
mediúnica é um traço de união entre as sombras de nossas
inquietações e as luzes do mais alto, levando-nos a despertar
para a nossa realidade pessoal. Não devemos, portanto, buscar tão-só
consolação, sob o risco de assumirmos a posição de vítimas
indefesas. Deveremos, isto sim, buscar respostas às nossas
necessidades de espíritos eternos.
P:
– O papel fundamental do Espiritismo é formar médiuns para
entrar em contato com o mundo espiritual?
R:
– O papel fundamental da Doutrina Espírita é levar-nos ao
encontro do cristianismo redivivo e, por isso, temos de
convencer-nos, através de acurada observação, que, hoje, o
mundo espiritual é o universo em que já estamos vivendo. O médium,
nesse contexto, é simplesmente uma ponte que se estende do
plano espiritual para o plano dos encarnados, criando-nos condições
de nos analisarmos e, por decorrência, revelar-nos os esforços
que temos de empreender para reajustar a nossa tábua de valores
espirituais. – “Sois deuses”, afirmou Jesus. Se temos,
portanto, o poder de criação em nós mesmos, cada um deverá
assumir-se a si próprio, fazendo-se um vanguardeiro da luz
espiritual em favor daqueles que ainda não despertaram para si
próprios. Neste estágio, portanto, a intuição é a grande
faculdade. Por ela, em todos os segundos de nossa vida, estamos
a recolher informações de ordem espiritual e, ao mesmo tempo,
estamos sendo convocados para contribuir abertamente para a
realização do cristianismo em nossas vidas, mesmo sem
necessidade de determos ou não a mediunidade ostensiva. Cada um
de nós tem a sua antena de intercomunicação silenciosa
abrindo-se para o mundo espiritual, fundindo-se com esse mesmo
universo natural durante todas as horas de sua vida. Avançamos,
assim, para a cristianização de nossa humanidade.
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