O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Assuntos Diversos

Entrevistado:
Divaldo Franco

Fonte:
Jorge Jossi Wagner
Ribeirão Preto
06/03/2006

ENTREVISTAS

       
   

Divaldo Pereira Franco - Emérito educador. Fundou em 1952, na cidade de Salvador-BA, com seu primo Nilson de Souza Pereira, a Mansão do Caminho, instituição que acolheu e educou mais de 600 filhos sob o regime de Lares Substitutos. Conferencista e médium espírita, já proferiu mais de 10 mil palestras no Brasil e no exterior e psicografou aproximadamente 200 livros espíritas que já venderam 5 milhões de exemplares, inclusive com tradução para 13 idiomas. Septuagenário quando fala sobre o espiritismo demonstra o entusiasmo dos jovens com sabedoria que só a experiência do bem viver pode proporcionar.

P: - Como é viver cercado por todo esse carinho e amor? E até uma possível idolatria?
R: – Em realidade eu não percebo nenhuma idolatria. É uma resposta da afetividade ao trabalho que vem sendo desenvolvido há 58 anos. Mas, merece considerar que também nós temos muitas dificuldades, muitos desafios, muitos desacatos, muitos testemunhos, como qualquer servidor de um ideal.

P: – O desenvolvimento da ciência já permite escolher o sexo do bebê. Como ficam as necessidades do espírito se escolhemos o sexo?
R: - Naturalmente o programa divino cumpre-se. Quando a nossa vaidade e nosso egoísmo elegem determinados comportamentos, nós interferimos nos projetos da lei e as conseqüências que advém são de nossa inteira responsabilidade.

P: – E as células-tronco? Como ficam os programas de provas neste caso?
R: – Ainda nos encontramos na área de experiências não confirmadas. Uma que outra, tem dado resultado positivo. As células-tronco têm o poder de adaptar-se ao organismo, porque o perispírito vai desenvolver nela as células compatíveis aos órgãos que se devem renovar. Nada obstante, nós os espíritas não concordamos quando se retiram do feto as células tronco interrompendo a vida.

P: – Por que temos a sensação que o mundo está pior hoje do que há 20 anos atrás, por exemplo?
R: – Porque os veículos da comunicação conseguiram a globalização das noticias. Enquanto uma tragédia está ocorrendo, nós já temos noticias dessa ocorrência porque se transforma numa carga muito grande e pesada para nossa assimilação. Por outro lado, há uma certa preferência masoquista em torno do sofrimento e aquelas noticias perturbadoras encontram mais guarida nos veículos de comunicação do que as idéias dignificantes e libertadoras. Mas, o mundo está muito melhor se nós olharmos o numero de pessoas abnegadas, dedicadas ao bem em grandiosa realização dignificante, veremos que há muito mais questões positivas a afirmar do que negativas a registrar.

P: – Muitas pessoas sonham com a aposentadoria para deixar de trabalhar. O senhor vai se aposentar?
R: – Eu já me aposentei em 1980, quando então passei a dedicar-me com muito mais fervor à causa pela disponibilidade de tempo. Já na época em que eu mantinha as atividades convencionais eu vivia todos os feriados e dias não laborais dedicados à causa espírita.

P: – O senhor conhece muitas cidades. Cada uma delas tem uma atmosfera espiritual diferente? Se tiver, como é a de Ribeirão Preto?
R: – Naturalmente, as cidades expressam o conteúdo vibratório daqueles que nelas residem. No caso típico de Ribeirão Preto, uma cidade de cultura, uma cidade universitária, a psicosfera que se respira é muito saudável. Nada obstante, possamos encontrar bolsões que revelam as manifestações dos problemas existenciais, particularmente naquilo que diz respeito ao desconforto moral e desequilíbrio geral.

P: – Por que Jesus está muito mais nos nossos corações do que nos livros de história?
R: – Porque Jesus é transpessoal. A sua vida é tão dignificante que por mais que se tente desperta-la e estabelecer através de palavras nunca se alcança o sentido profundo desse homem incomparável, que deu a sua pela nossa vida.

P: – Por que apesar da crença na reencarnação os espíritas ainda choram tanto a morte de um ente querido?
R: – Por desequilíbrio psicológico, por imaturidade o que não é de se estranhar. Perguntaram ao Dalai Lama, oportunamente: “quando a humanidade aceitar a reencarnação, o mundo estará melhor”? E, ele demonstrou que mais de 800 milhões de pessoas aceitam a reencarnação no mundo, através do budismo, hinduismo, esoterismo e das diversas doutrinas de natureza esotérica e, no entanto, o fato de crer na reencarnação não muda o individuo interiormente, nada muda na sociedade”. Também a dor da saudade, ausência física, a certeza da imortalidade dualiza, mas, só quando o individuo se conscientiza disso.

P: – Como que os espíritos conseguiram evitar uma “enxurrada” de mensagens creditadas a Chico Xavier?
R: – Em realidade os espíritos não evitaram. Eu penso que a tarefa do missionário e apostolo Chico Xavier ficou muito bem concluída e acredito que ele não teria muito mais a acrescentar. Se não criarem em torno de sua memória uma mística que é muito prejudicial do ponto de vista espírita.


P: – Aqui em Ribeirão Preto, o programa de rádio já tem 25 anos e o jornal Verdade e Luz, 20 anos. Que mensagem o senhor tem para os responsáveis por estes veículos de divulgação espírita?
R: – Bem aventurados aqueles que semeiam esperança e paz. O semeador saiu a semear. Esses dois excelentes órgãos seguem toda a trajetória da proposta do Cristo, porquanto iluminam consciências, libertam corações, alargam horizontes. As minhas palavras seriam de estimulo aos trabalhadores da era nova, que tomaram da charrua e não olharam para trás.

P: – Para encerrar que mensagem o senhor nos deixaria?
R: – Uma mensagem de amor. Vale apenas amar e confiar no bem. Invariavelmente, quando amamos, nós esperamos receber uma retribuição. Em realidade a maior retribuição de quando se ama é o prazer de amar. Se por acaso o nosso amor não é aceito isso não constitui um problema. Se alguém nos ama, a questão não é fundamental. Só é fundamental quando nós amamos. Então, a nossa mensagem é “seja você aquele que ama”.