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Divaldo
Pereira Franco - Emérito educador. Fundou em 1952, na cidade de
Salvador-BA, com seu primo Nilson de Souza Pereira, a Mansão do
Caminho, instituição que acolheu e educou mais de 600 filhos
sob o regime de Lares Substitutos. Conferencista e médium
espírita, já proferiu mais de 10 mil palestras no Brasil e no
exterior e psicografou aproximadamente 200 livros espíritas que
já venderam 5 milhões de exemplares, inclusive com tradução
para 13 idiomas. Septuagenário quando fala sobre o espiritismo
demonstra o entusiasmo dos jovens com sabedoria que só a
experiência do bem viver pode proporcionar.
P: -
Como é viver cercado por todo esse carinho e amor? E até uma
possível idolatria?
R: – Em realidade eu não percebo nenhuma idolatria. É uma
resposta da afetividade ao trabalho que vem sendo desenvolvido
há 58 anos. Mas, merece considerar que também nós temos muitas
dificuldades, muitos desafios, muitos desacatos, muitos
testemunhos, como qualquer servidor de um ideal.
P: – O
desenvolvimento da ciência já permite escolher o sexo do bebê.
Como ficam as necessidades do espírito se escolhemos o sexo?
R: - Naturalmente o programa divino cumpre-se. Quando a nossa
vaidade e nosso egoísmo elegem determinados comportamentos, nós
interferimos nos projetos da lei e as conseqüências que advém
são de nossa inteira responsabilidade.
P: – E as
células-tronco? Como ficam os programas de provas neste caso?
R: – Ainda nos encontramos na área de experiências não
confirmadas. Uma que outra, tem dado resultado positivo. As
células-tronco têm o poder de adaptar-se ao organismo, porque o
perispírito vai desenvolver nela as células compatíveis aos
órgãos que se devem renovar. Nada obstante, nós os espíritas não
concordamos quando se retiram do feto as células tronco
interrompendo a vida.
P: – Por
que temos a sensação que o mundo está pior hoje do que há 20
anos atrás, por exemplo?
R: – Porque os veículos da comunicação conseguiram a
globalização das noticias. Enquanto uma tragédia está ocorrendo,
nós já temos noticias dessa ocorrência porque se transforma numa
carga muito grande e pesada para nossa assimilação. Por outro
lado, há uma certa preferência masoquista em torno do sofrimento
e aquelas noticias perturbadoras encontram mais guarida nos
veículos de comunicação do que as idéias dignificantes e
libertadoras. Mas, o mundo está muito melhor se nós olharmos o
numero de pessoas abnegadas, dedicadas ao bem em grandiosa
realização dignificante, veremos que há muito mais questões
positivas a afirmar do que negativas a registrar.
P: – Muitas
pessoas sonham com a aposentadoria para deixar de trabalhar. O
senhor vai se aposentar?
R: – Eu já me aposentei em 1980, quando então passei a
dedicar-me com muito mais fervor à causa pela disponibilidade de
tempo. Já na época em que eu mantinha as atividades
convencionais eu vivia todos os feriados e dias não laborais
dedicados à causa espírita.
P: – O
senhor conhece muitas cidades. Cada uma delas tem uma atmosfera
espiritual diferente? Se tiver, como é a de Ribeirão Preto?
R: – Naturalmente, as cidades expressam o conteúdo vibratório
daqueles que nelas residem. No caso típico de Ribeirão Preto,
uma cidade de cultura, uma cidade universitária, a psicosfera
que se respira é muito saudável. Nada obstante, possamos
encontrar bolsões que revelam as manifestações dos problemas
existenciais, particularmente naquilo que diz respeito ao
desconforto moral e desequilíbrio geral.
P: – Por
que Jesus está muito mais nos nossos corações do que nos livros
de história?
R: – Porque Jesus é transpessoal. A sua vida é tão dignificante
que por mais que se tente desperta-la e estabelecer através de
palavras nunca se alcança o sentido profundo desse homem
incomparável, que deu a sua pela nossa vida.
P: – Por
que apesar da crença na reencarnação os espíritas ainda choram
tanto a morte de um ente querido?
R: – Por desequilíbrio psicológico, por imaturidade o que não é
de se estranhar. Perguntaram ao Dalai Lama, oportunamente:
“quando a humanidade aceitar a reencarnação, o mundo estará
melhor”? E, ele demonstrou que mais de 800 milhões de pessoas
aceitam a reencarnação no mundo, através do budismo, hinduismo,
esoterismo e das diversas doutrinas de natureza esotérica e, no
entanto, o fato de crer na reencarnação não muda o individuo
interiormente, nada muda na sociedade”. Também a dor da saudade,
ausência física, a certeza da imortalidade dualiza, mas, só
quando o individuo se conscientiza disso.
P: – Como
que os espíritos conseguiram evitar uma “enxurrada” de mensagens
creditadas a Chico Xavier?
R: – Em realidade os espíritos não evitaram. Eu penso que a
tarefa do missionário e apostolo Chico Xavier ficou muito bem
concluída e acredito que ele não teria muito mais a acrescentar.
Se não criarem em torno de sua memória uma mística que é muito
prejudicial do ponto de vista espírita.
P: –
Aqui em Ribeirão Preto, o programa de rádio já tem 25 anos e o
jornal Verdade e Luz, 20 anos. Que mensagem o senhor tem para os
responsáveis por estes veículos de divulgação espírita?
R: – Bem aventurados aqueles que semeiam esperança e paz. O
semeador saiu a semear. Esses dois excelentes órgãos seguem toda
a trajetória da proposta do Cristo, porquanto iluminam
consciências, libertam corações, alargam horizontes. As minhas
palavras seriam de estimulo aos trabalhadores da era nova, que
tomaram da charrua e não olharam para trás.
P: – Para
encerrar que mensagem o senhor nos deixaria?
R: – Uma mensagem de amor. Vale apenas amar e confiar no bem.
Invariavelmente, quando amamos, nós esperamos receber uma
retribuição. Em realidade a maior retribuição de quando se ama é
o prazer de amar. Se por acaso o nosso amor não é aceito isso
não constitui um problema. Se alguém nos ama, a questão não é
fundamental. Só é fundamental quando nós amamos. Então, a nossa
mensagem é “seja você aquele que ama”.
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