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Gezsler Carlos West é presidente da Associação
Brasileira de Divulgadores do Espiritismo – Abrade. Nascido em
Santo Amaro da Purificação (BA), mudou-se para Recife, onde
também é diretor do Instituto de Intercâmbio do Pensamento
Espírita de Pernambuco. Nesta entrevista, Gezsler responde a
questões da atualidade econômica brasileira e mundial e diz ser
um otimista quanto à obtenção de “dias melhores, acreditando em
um posicionamento cada vez maior de nossa parte no campo da
cidadania e da fraternidade”. Ressalva que ainda se faz um
Espiritismo mais voltado para dentro das casas espíritas, com
muito pouco diálogo com os vários segmentos da sociedade.
P: -
Desde quando você milita no Espiritismo?
R:
- Desde 1975, quando, após a leitura de O Livro dos Espíritos,
tornei-me espírita.
P: - Que tipo de literatura espírita mais o tem
influenciado? Qual o motivo?
R:
- Todas. No início gostava mais da literatura focada na ciência
espírita. Hoje, não tenho predileções específicas. Sendo um bom
livro, já sou um candidato para a leitura.
P: - De quais instituições espíritas tem participado?
Como?
R:
- Já participei de várias e atualmente, em termos de cargos,
participo de duas:
a) Presidente da ABRADE (www.abrade.com.br) – Associação
Brasileira de Divulgadores do Espiritismo;
b) membro da diretoria do IPEPE (www.ipepe.com.br) – Instituto
de Intercâmbio do Pensamento Espírita de Pernambuco.
P: – Você é pernambucano de nascimento?
R:
- Nasci em Santo Amaro da Purificação-BA. No entanto, fui criado
em Recife-PE, onde eu moro no momento. Nasci na Bahia e fui
adotado por Pernambuco. Sou um “baiambucano”! Tenho grandes
amigos e parentes na Bahia e sou muito grato ao povo
pernambucano pela acolhida que me deram, propiciando-me grandes
experiências e amizades.
P: – Fale sobre sua formação profissional. No momento,
que função exerce, profissionalmente?
R:
- Sou engenheiro e administrador de empresas. Sou empregado da
Petrobrás, sendo que no momento desempenho um trabalho de
modernização na gestão pública em nível estadual e federal.
P: – Como
analisa o presente quadro socioeconômico brasileiro?
R:
- Muito desconfortável para todos aqueles que acreditam na ética
da fraternidade. Este País, com tantos recursos naturais, não
poderia apresentar um quadro com 23 milhões de miseráveis e
aproximadamente 60 milhões vivendo abaixo da linha de pobreza.
Vejo tudo isto como uma grave conseqüência dos insistentes
exemplos de egoísmo, indiferença e omissão de muitos de nós.
No entanto, quero
registrar aqui o meu otimismo por dias melhores, acreditando em
um posicionamento cada vez maior de nossa parte no campo da
cidadania e da fraternidade.
P: - A
existência de algumas dezenas de milhões de brasileiros vivendo
em condições abaixo da linha de pobreza teria como causas um
determinismo histórico ou reflete uma injustiça social?
R:
- Deus é amor e não carrasco! A miséria no Brasil é um reflexo
direto do egoísmo de uma sociedade, pois temos plenas condições
de cuidar bem do nosso povo. Vejo como uma clara injustiça
social. Reflitamos: No último censo do IBGE percebemos que 90%
da população brasileira é constituída de espíritas, católicos e
evangélicos. Pergunto: se todos os citados têm a ética da
fraternidade vivenciada por Jesus como um exemplo, qual a razão
de nos permitirmos ter este deprimente quadro social? E olhe que
nos outros restantes 10% sabemos que existem pessoas de alta
seriedade ética vivenciando outras filosofias. Então, por que
nos permitimos este quadro social?
P: - No
plano internacional há conflitos entre populações que vivem da
extrema pobreza à satisfação ampla de suas necessidades. Como
encarar essas diferenças sob uma visão espírita?
R:
- Vejo como uma amplificação dos problemas nacionais. O mais
forte esquecendo o mais fraco ou muitas vezes explorando-o. É o
nosso velho conhecido “egoísmo”. Já nos dizia o espírito
Emmanuel: “O egoísmo é a grande chaga da humanidade”.
P: - As
práticas do chamado mercado ganharam amplitude com a queda do
regime soviético. Ainda assim, as diferenças de renda dos países
parecem continuar e, em alguns casos, até se ampliaram. Essa
tendência poderá ser revertida com a mesma visão de vida e de
mundo?
R:
Quando o dinheiro passar a ser meio e não fim como é hoje, tudo
irá melhorar.
P: - Como
você avalia o processo de globalização? Tende a reduzir as
diferenças sociais entre os povos e nações, ou a ampliá-las?
R:
- Este assunto é polêmico. A faceta que mais me agrada no
mecanismo da globalização é a inevitável proximidade entre os
povos, que o mesmo propicia através do avanço da tecnologia. No
entanto, temos que admitir, que o mundo possui hoje um enorme
abismo de diferenças tecnológicas e de capacitação humana, que
propiciará, se não tomarmos medidas apropriadas, em um processo
de mutilação nos países mais pobres, em função da desigualdade
na competição. Penso que a estruturação de blocos comerciais, o
fortalecimento da ONU, um repensar todo o processo etc. serão
medidas necessárias.
P: - Os
princípios do Espiritismo são compatíveis com o processo de
globalização?
R:
- Já me referi
sobre a globalização no item anterior. Uma palavra muito
utilizada hoje em dia e que ganhou uma força maior com o advento
da globalização é a “competitividade”. Ufa, hoje só se fala
nisto! O Espiritismo possui como um dos seus pilares básicos a
evolução, que pode ocorrer em um clima de “cooperatividade”, sem
ter de um “engolir” o outro para “vencer no mercado”.
Bom, os princípios
espíritas nos convidam para colocar a “fraternidade” como eixo
central de nossas vidas, em qualquer tipo de relacionamento.
Logo, o atual “modus operantis” da globalização, onde o forte
leva vantagem, não estaria em sintonia com a fraternidade. Temos
que repensar e aprimorar o processo.
P: - De que
forma conciliar a liberdade de criar, inerente ao ser humano,
com o papel do Estado, ante seu compromisso de prover a justiça
e o bem-estar de todos os cidadãos?
R:
- Sou totalmente
favorável a uma vivência democrática. Penso que o Estado,
entenda-se aqui como sociedade, só deve atuar quando ocorra um
desequilíbrio e a injustiça venha a prevalecer.
P: - Ao
responder à questão sobre como o Espiritismo pode contribuir
para o progresso, feita por Allan Kardec, os Espíritos disseram,
entre outras coisas: “Destruindo o materialismo, que é uma das
chagas da sociedade...”. O pensamento espírita tem atendido a
essa condição?
R:
- O pensamento espírita sim, através da lógica e da atualidade
nos seus aspectos sobre a imortalidade da alma. O movimento
espírita penso que ainda não, pois estamos em demasia “fazendo”
Espiritismo para dentro das casas espíritas e “dialogando” muito
pouco com os vários segmentos da sociedade.
P: - O
discurso espírita da imortalidade tem conteúdo suficiente para
transformar a competitividade entre empresas e pessoas em
objetivos de cooperação e solidariedade?
R:
- Conteúdo sim, pois fala de uma lei natural oriunda de Deus. No
entanto, penso que a verdadeira melhoria do mundo será um
trabalho coletivo, sem discriminações, onde o que prevalecerá é
a figura do “Homem de bem”.
P: – De que
modo a tecnologia da informação pode contribuir para a redução
das diferenças sociais vigentes no planeta?
R:
- O “Bem” pode se tornar mais ágil e conseqüentemente mais
perto. Quantas belas iniciativas já não foram criadas com o
advento da Internet? Temos um futuro promissor!
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