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Olga Maia é presidente da
Federação Espírita do Estado do Ceará (FEEC).
P: -
Como foi sua trajetória na Doutrina Espírita?
R:
- Nós somos trabalhadores de Jesus e o nosso trabalho nessa
seara do espiritismo cristão é simplesmente de você parar. Há um
momento em que todos nós, como Paulo de Tarso, temos o nosso
caminho de Damasco, então é muito simples, diariamente, como nós
recebemos aqui no início deste ano numa reunião mediúnica para a
federação, nós recebemos uma mensagem de um amigo espiritual
dizendo que a todo dia, ou então nos momentos de dificuldades
nós parássemos e perguntássemos: “Senhor, o que queres que eu
faça?” A nossa trajetória é essas, de perguntas diárias. Nós não
trabalhamos para a federação, nós trabalhamos na federação, mas
nosso objetivo é o trabalho do espiritismo cristão, isto é do
cristianismo redivivo. Aonde precisar estar, aonde nos
colocarem, seja na presidência da federação, ou seja, no
trabalho mais humilde, se é ali que a pergunta foi feita:
“Senhor, o que queres que eu faça?” Nós iremos, então eu sempre
digo, muito sério: “quando a gente desencarnar, nós vamos nos
deparar com três portas: a porta do personalismo, o “eu” que
esquece do “nós”; a porta da casa, da casa que simplesmente só
vê aquela instituição, e a porta da causa, que trabalha em prol
do bem. As nossas ações hoje irão nos dar a chave, na
espiritualidade, que abrirá uma dessas três portas”, e eu espero
profundamente, que na minha mão venha a chave da causa. Que eu
saiba esquecer absolutamente o eu, em prol do nós. Que eu apenas
trabalhe numa casa porque ela vai me viabilizar o caminho para a
causa e que mais tarde eu possa desencarnar sendo trabalhadora
de Jesus. Mais um soldado no bom combate, como diz Paulo de
Tarso.
P: - Quais
os desafios que você enfrentou ou enfrenta assumindo a
presidência da FEEC?
R:
- Lutar contra as minhas imperfeições, contra os meus inimigos
interiores que são a intolerância, a falta de compreensão, a
falta de paciência. É o meu maior desafio e a maior oportunidade
também, de aprender a brigar com eles.
P: – Temos
verificado que no Brasil, o movimento espírita tem tido algumas
divisões. A FEEC tem realizado algum trabalho de unificação do
movimento aqui no Ceará?
R:
- Tem. É só o que tem feito. Engraçado que a FEEC não tem um
presidente, tem um grupo de trabalhadores e cada vez nós estamos
buscando mais, porque quem se determina na individualidade, no
personalismo, cai naquela frase de Jesus: “São cegos que levam,
que conduzem cegos”, então quando a gente faz este trabalho em
conjunto, unificados, aí a gente vê melhor. O olhar da gente é
mais amplo porque não passa só por uma cabeça, mas por várias
cabeças. Então a unificação, para unificar precisamos ter base.
Nós estamos ajeitando o estatuto, estamos chamando cada um do
movimento para fazer o que já faz. Aquele que faz a palestra
como o Luciano, expert em palestras, é ele que é o coordenador
das palestras da federação. Aquele que ama os livros, como o
Adalberto Baquit, é aquele que está tomando conta da livraria.
Aquele que vive no movimento espírita para lá e para cá, nos
centros mais distantes, é esse que está nos ajudando como o
Fernando Ananias. Aquele que sabe como ninguém defender o
espiritismo na sua pureza, nos orientar em temas e nos somar, no
sentido de reforçar a federação, como o Dr. Cajazeiras. Então a
cada dia, mais e mais pessoas estão retornando para a federação.
Eu brinco que como eu não sei fazer, eu chamo quem saiba para eu
não ter que fazer nada (risos).
P: –
Atualmente existem quantas casas filiadas à federação?
R:
- Este é o grande desafio, dois aliás. O primeiro é fazer o
recadastramento, pois quando houve a mudança da sede antiga da
federação para a FEEC nova muitas fichas de filiados se
extraviaram, nós não podemos dizer para você o número exato, nós
só daremos este número em março (2004) quando nós teremos
terminado o nosso recadastramento de filiados, mas a verdade é
que muitas pessoas estão chegando, muitas pessoas estão se
filiando à federação, casas que a gente sabe que culturalmente
não eram filiadas à federação estão chegando. E os pedidos são
tantos, que a gente chega a ficar muito sensibilizado com os
novos adeptos à federação que há muito tempo já não estavam
unidos. E principalmente a criação, porque nós estamos voltados,
vamos dizer assim, para a interiorização do espiritismo. O Raul
Teixeira, a federação que lida com poucos recursos bancou a
viagem dele ao Ceará, então ele foi a quatro cidades. Russas
contribuiu com muito pouco para a passagem dele, a mesma coisa
com viçosa. Viçosa contribuiu? Contribuiu, mas só na passagem,
mas nós mandamos um carro com motorista, com tudo para que Raul
Teixeira fosse falar de espiritismo no interior, e isto provocou
já uma resposta de pessoas nos escrevendo, casas sendo criadas.
O Nonato Albuquerque e o Luciano Klein tem feito um trabalho
muito bonito neste sentido, Dr. Cajazeiras, Mario Kaula, que é
outro que também faz parte da federação. Nós tivemos uma reunião
na sexta-feira com o pessoal da ABRAME, que é a associação dos
magistrados espíritas para fortalecer a ABRAME. O Dr. Eldon,
presidente da Associação de Médicos Espíritas do Ceará, também
faz parte do nosso conselho, já esteve aqui no nosso último
conselho. Nós iremos fazer em novembro um simpósio com a AME à
frente, mostrando a importância da ciência hoje, contribuindo
para comprovar princípios espíritas. É o que Kardec falou: “A fé
encarando a razão face a face”, vai ser o nosso próximo simpósio
que irá substituir o congresso, porque o congresso de 2004 será
antecipado. Nós iremos comemorar o bicentenário de Kardec e
estão aqui Raul Teixeira e Divaldo Franco no mesmo simpósio.
P: –
Falando em congresso, o tema do congresso deste ano é sobre a
paz e está muito sintonizado com o momento que estamos vivendo.
Qual tem sido a importância dos congressos para o movimento
espírita e para a divulgação do Evangelho no estado?
R:
– O congresso é muito importante porque é um momento de
capacitação, de divulgação, de iluminação e de unificação porque
a gente congrega todos os espíritas. O tema nosso deste ano é”O
Espiritismo e a Construção da paz”. Uma das primeiras
providências foi falar sobre a paz e ao mesmo tempo ecumenismo,
porque estes temas estão absolutamente ligados. As religiões
brigam porque sempre querem ter o poder maior, esquecendo que a
religião é um caminho até Deus, então nós vamos ter um pastor
protestante Dr. Nehemias, muito conhecido, já participou de
vários congressos espíritas e ele vai mostrar o lado ecumênico
do nosso evento e como isto é importante para a paz, nós temos
notícias de verdadeiras falanges, no bom sentindo, de espíritos
protestantes que vão participar do nosso congresso atraídos pela
palavra dele, pelo verbo iluminado que ele tem. A quantidade de
espíritos necessitados de paz no plano espiritual porque tiveram
oportunidade de contribuir, de construir, de dar a sua pequena
colaboração pela paz e não deram; e o arrependimento é muito
grande. Então lá é como se estivesse sendo construído um
verdadeiro auditório espiritual para congregar, para abrigar,
para esclarecer esses nossos irmãos. Nós vamos ter o Dr. Zalmino
Zimmermann que é um trabalhador incansável, ele labuta na seara
do espiritismo cristão, na divulgação, no esclarecimento de como
é que a Doutrina é consoladora e esclarecedora desde da década
de 50 junto aos universitários. Hoje ele tem um lindo trabalho
na parte dos magistrados. Ele é professor de psicologia,
professor de direito, ele é o autor do livro perispírito, que é
uma enciclopédia, conhece demais o espiritismo e tem um extenso
trabalho na luta contra o aborto, junto à câmara e o senado
federal. Ele vai falar sobre um tema muito importante que é: “o
direito de reencarnar”, se referindo ao aborto. Ele vai falar
também sobre o “ser espírita” para os jovens, eu quero falar
depois do CONJECE, que é o congresso dos jovens espíritas do
estado do Ceará, com muito carinho. Ele vai falar também sobre
“A condição humana e a visão espírita” no congresso dos adultos.
Nós vamos ter o Dr. Cajazeiras que vai falar sobre um tema
extremamente útil, porque nós espíritas quando nos deparamos com
a necessidade da reforma íntima, muitas vezes a gente não
consegue e a gente se culpa demais, então ele vai abordar isso
aí, o autoperdão, a culpa, o perdão, a gente tem que saber se
perdoar também. O Luciano Klein vai sobre a reencarnação e de
como esse conhecimento de que você volta é libertador, de como
isso pacifica os ânimos interiores, principalmente aquelas
pessoas sofrem tanto, que a vida não começa no berço, não
termina no túmulo. Então é um congresso que a gente pode levar
aquelas pessoas que não tem muito conhecimento da Doutrina que
elas vão amar, elas vão levar um verdadeiro banho. O Chico
Xavier dizia que a gente perdia tanto tempo nos gabinetes de
beleza, nos bancos das escolas, aprendendo coisas que muitas
vezes não seriam úteis de forma nenhuma. Então, agora é o
momento de nós investirmos um final de semana na nossa beleza
interior. E é um compromisso, porque se eu não estou precisando
do TE (Tratamento Espiritual), porque ali vai ser um verdadeiro
tratamento espiritual, se eu sou monitor de ESDE (Estudo
Sistematizado da Doutrina Espírita), eu trabalho no GEM (Grupo
de Estudos Mediúnicos), então eu preciso de capacitação e ali
vai ser o ponto máximo da capacitação. Nos vamos ter Richard
Simonetti falando da presença de Deus, vamos ter a Ana Guimarães
que vai abrir e fechar o evento, ela vai falar sobre o tema
“Jesus o provedor da Paz”, também vamos abordar o tema “Se você
quiser ser o maior, seja o servidor de todos” e principalmente o
CONJECE, que o dos jovens. A Yvonne do Amaral Pereira quando
ainda estava entre nós, ela nos falou, ela nos trouxe uma
mensagem do Euripedes Barsanulfo falando sobre a
responsabilidade que cada espírita tem. Porque estão
reencarnando espíritos, grandes trabalhadores do Cristo, mas que
estes espíritos ao reencarnar vão estar absolutamente indefesos,
precisados de evangelização, precisados de trabalhadores
comprometidos com a causa. E aí compete a cada um de nós, é foro
íntimo isso aí, o que é que nós estamos fazendo para ajudar
Jesus nessa paz, nessa transformação do mundo. Então o nosso
CONJECE vai abrigar mais de mil jovens, nunca mais eles
esquecem. No ano passado eles ouviram Raul Teixeira e a Anete
Guimarães falando de temas impressionantes. A grande maioria ali
não era espírita, cerca de 70% porque eram quase mil e duzentos.
Eu vejo jovens, que eu sei, que eu conheço de perto, filhos de
amigas minhas, eu já vi depois de um ano a meninazinha de 14
anos dizer: “mãe, no congresso nos ouvimos isso assim, assim,
assim.” Sobre o ficar, sobre a responsabilidade de ser cidadão
do mundo e não apenas do ceará ou do Brasil, nós não podemos
mais, não tem mais tempo, nós não reencarnamos para olhar só o
nosso interesse, só para a família consangüínea, só a nossa casa
espírita, só o nosso eu, esse tempo passou, a terra agora é de
regeneração. Será que nós vamos nos incapacitar para uma outra
reencarnação aqui com o que nós estaremos fazendo? Então é
importante que a gente mostre isso, principalmente os
trabalhadores.
P: – Como
está sendo a relação dos jovens com a Doutrina Espírita? Eles
estão tomando consciência dos ensinamentos espíritas?
R:
- eles estão.
Muito mais do que a gente imagina. E uma das grandes
responsabilidades nossas é o Evangelho no Lar. Eu tenho três
jovens dentro de casa, tem uma, a mais nova, que quando abre a
boca para falar de Jesus, quando ela mostra que a vida, que o
espírito é eterno e que ávida se inicia muito antes do
nascimento neste berço e que jamais, segundo a justiça divina e
amplidão da criação não podia terminar no túmulo. Muitas vezes
crianças que morrem na mais tenra infância, ou criança que na
mais tenra infância já vieram doentes, com câncer. Então os
jovens assimilam isso, e isso que é importante, porque eles
podem estar na religião que estiverem, porque a reencarnação é
uma lei natural, então não importa que eu seja protestante. Por
isso que o espiritismo não é religião propriamente dita, ele é
sim, uma visão do futuro, porque amanhã o protestante, o
católico, eles serão reencarnacionistas. Eles entenderão que os
mortos não são mortos, e que a morte nada mais é do a verdadeira
forma de viver. Então o jovem assimila isso com muito mais
naturalidade do que os antigos que foram massacrados com
verdadeiros boicotes as essas idéias, eles aceitam de uma forma
maravilhosa, e até mostram para os pais o quanto eles estão
errados. E a nossa responsabilidade é ainda maior por isso,
porque lá no congresso esses jovens estarão lá e nunca mais eles
esquecerão. Depois eles vão seguir a vida deles, seja no
protestantismo, seja no budismo, onde for, seja no catolicismo
ou se eles não quiserem seguir nenhum caminho religioso, eles
vão ter a noção de que são responsáveis pelo que estão plantando
e colherão, se não nessa, numa vida posterior, o que eles
semearam hoje. Esse é o grande raciocínio e a grande libertação
do homem.
P:– A
presença do pastor Nehemias Marien no congresso representa um
movimento de aproximação da FEEC com outras religiões?
R:
– É. Eu diria que é a materialização disso. O pastor Nehemias já
esteve com o Chico Xavier e juntos fizeram uma oração pela paz.
O pastor é um homem com a mente muito aberta, eu não sei das
concepções dele, mas ele vai mostrar que o caminho é a união. E
Jesus quando estava na Terra, ele passou pelos saduceus, ele
sentou com os doutores da lei, eles teve aquela conversa linda
com a samaritana junto ao poço de Jacó, ele falava com os
fariseus, esclarecia aqueles fariseus a respeito do caminho, da
verdade e da vida. Ele de maneira nenhuma se restringiu a um
canto só. Todos nós somos irmãos e enquanto tiver uma ovelha
fora do aprisco Ele está lá, esperando por nós para irmos
buscá-la para trazê-la de volta para o que é o amor. A grande
religião é a do amor.
P: – Quais
os planos da FEEC para o futuro?
R:
- É o amor, é aprender a mar, é divulgar o espiritismo com a sua
pureza, com a sua beleza é unir as casas espíritas, é levar a
mensagem do Cristo, o Evangelho de Jesus para os corações mais
distantes, é promover o bem, é construir o bem pela via da paz.
A FEEC, nos foi dito, também por um amigo espiritual este ano, é
a casa mãe do consolador prometido no estado do Ceará. Então a
missão dela é esclarecer, é libertar é unir. E se Deus quiser,
enquanto tivermos força, vamos brigar por esta união, sem abrir
mão nem um minuto dos nossos princípios.
P: – Para
finalizar, gostaríamos que você deixasse uma mensagem para os
leitores.
R:
– A mensagem que eu poderia, humildemente, falar é aquela que
tenho dito para mim todo dia. É trabalhar em prol do bem, sem
personalismo. Sendo soldado de Jesus, lutando no bom combate que
é a construção da paz.
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