|
Presentes no 3.º
Simpósio da Fundação Bial, ocorrido em Abril de 2000 na cidade
do Porto, entrevistamos um dos muitos palestrantes, o psicólogo
clínico, investigador e professor na Universidade de Buenos
Aires, Argentina, Daniel Gomez Montanelli.
P: - O
trabalho apresentado em que consiste?
R:
- Estamos fazendo um estudo que tem duas partes: na primeira
estamos explorando as experiências psi, mais comuns dentro da
população geral argentina. Que tipo de experiências? Com que
frequência se apresentam? Quais as reações emocionais e
corporais que as pessoas têm? Qual o grau de conflitualidade que
essas experiências podem produzir nas pessoas? E que tipo de
consultas ou tratamentos essas pessoas têm efetuado. Se têm
consultado o médico, psicólogo, o terapeuta alternativo, o
ministro religioso? Esta é a primeira parte do estudo, um estudo
epidemiológico - estudo feito à população através de um
questionário que a nós publicamos em revistas e jornais como "O
Clarim", "La Nación" etc., sobre temas ditos paranormais, para
chegar a toda a população.
Na Segunda parte
do projecto foi trabalhar directamente com as pessoas que
tiveram essas experiências.
P: - A que
conclusões chegaram?
R:
- Temos 260 questionários, entre as conclusões que surgem com os
fenômenos mais representativos: a telepatia com 82%; a
precognição com 72,3%; outros menos representados como a
psicocinese com 47,3 %. Neste ponto pesquisamos os casos de
poltergeist: objetos que se movem, que se quebram, sem causa
física conhecida. Ou objetos que se queimam por eles próprios -
combustão espontânea. Temos experiências relacionadas com a psi
por exemplo experiências relacionadas fora do corpo temos,
75,7%; experiências de contactos com seres espirituais, 75,3%.
Experiências relacionadas com a psi menos, ou seja,
perto-da-morte, - foram identificados 15,7%.
Depois estudamos o
grau de conflitualidade - as experiências mais conflituosas para
os pacientes, foram as relacionadas com os fenômenos de
psicocinese, com 16,4% e as experiências de quase-morte com
83,8%.
A percentagem de
pessoas que se diziam possuídas, por entidades espirituais foram
de 34%.
Também estudamos a
frequência que surgem estas experiências, a telepatia tem uma
percentagem alta. Entre 7 e 10 vezes experimentadas pela pessoa
tem uma percentagem de 30%. Dentro das experiências relacionadas
com a psi - cura ação, as pessoas dizem ter tido mais de 10
vezes essas experiências, com uma percentagem de 38,8%. As
experiências de mediunidade a percentagem foi de 40%, dizendo as
pessoas terem tido mais de 10 vezes.
Com respeito às
consultas a população informou que 31% foram feitas com amigos e
familiares. 20,6% consultou médicos, 9% com parapsicólogos, 8%
com ministros religiosos e 7,8% com psicólogos ou psiquiatras.
22,3% consultaram mais que uma pessoa.
Até aqui foi a
primeira parte do trabalho.
A Segunda parte do
projeto foi trabalhar diretamente com as pessoas que tiveram
essas experiências. Formamos um grupo de reflexão, com as
pessoas que tiveram essas experiências. O enfoque está posto nas
experiências psi, não em outros tipos de conflitos. Este
trabalho do grupo tem três momentos. O primeiro momento as
pessoas falam de suas experiências e de suas reações emocionais.
No segundo momento pedimos que a pessoa que teve a experiência,
que diga a sua interpretação bem como a sua analise. O grupo
também opina sobre o que poderia ter acontecido. E finalmente
nós que estamos a coordenar o grupo damos a nossa interpretação.
Nas duas primeiras partes, fazemos testes de personalidade para
avaliar as características psicológicas de personalidade e
características psicopatológicas. No terceiro momento no
trabalho com os grupos fazemos um estudo das pessoas e dos
resultados dos testes, bem como falar do projeto em geral, da
sua localização do trabalho que fazemos com eles.
P: - Qual a
sua conclusão, como investigador?
R:
- Nosso trabalho não esta orientado à verificação das
experiências, mas somente as vivências emocionais que as pessoas
tiveram. Dentro das experiências informadas há vários casos que
sugerem a hipótese de alguma intervenção espiritual, de
experiências espirituais ou transpessoais.
P: - Face a
esses experiências, bem como a tua experiência como clínico e
investigador de fenômenos ditos paranormais, será que a vida
continua?
R:
- A nível pessoal não tenho quaisquer dúvidas.
P: - Tua
resposta tem por base uma crença, ou é alicerçada em
comprovações científicas?
R:
- Este é um tema pelo qual sempre tive muito interesse, ao ponto
de me levar a me formar em psicologia para aprofundar melhor
estes casos. Existem evidencias muito fortes a favor da
sobrevivência do espírito. Pelo qual eu pessoalmente também
partilho. Mas no meu trabalho com as pessoas procuro não
interferir, pois nem todos os pacientes aceitam tal.
Simplesmente acompanho as pessoas e respeito as crenças das
pessoas. Lembro que sou dum pais fortemente católico onde existe
muitas crendices.
P: - Quando
existe claramente um agente espiritual o que fazes?
R:
- Quando são evidentes a intervenção de um componente
espiritual, eu aí digo o que penso como clínico, e a liberdade
da pessoa fará o resto. Tudo depende de cada um. Não me compete
obrigar ninguém.
As pessoas
sentem-se muito bem compreendidas quando elas já têm essa
percepção de um agente espiritual - um espírito, e recebem a
nossa confirmação como clínicos. Obviamente nem toda a gente é
assim, mas existe um determinado grupo que podemos mais
facilmente elucidar.
Texto oferecido
pelo autor, que é membro do CECA, publicado no "Jornal Espírita
da Federação Espírita do Estado de São Paulo".
Texto: Luís de
Almeida
|