O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Vida e Obra

Entrevistado:
Richard Simonetti

Fonte:
Correio Fraterno

ENTREVISTAS

       
   

Nascido em Bauru, em interior de São Paulo, em 10 de outubro de 1935, o profissional aposentado do Banco do Brasil, desde muito novo participa das atividades do movimento doutrinário, integrado ao Centro Espírita Amor e Caridade, instituição que desenvolve expressivo trabalho no campo doutrinário e filantrópico na região.

Richard Simonetti articulou o movimento inicial de instalação dos Clubes do Livro Espírita, que hoje se popularizou e representa parte importante no papel da difusão do Espiritismo.

É colaborador assíduo em jornais e revistas espíritas, notadamente O Reformador, Revista Internacional de Espiritismo e Folha Espírita. Além do trabalho da escrita, tem visitado todos os Estados brasileiros e alguns países, realizando palestras de divulgação da Doutrina.

 

P: - Como se tornou espírita?
R: Tive a felicidade de nascer em lar espírita. Meus pais eram médiuns. Minha mãe foi dedicada colaboradora no Centro Espírita Amor e Caridade, de Bauru, que hoje presido. Uma grande bênção, sem dúvida, mas uma responsabilidade maior. E também algumas agruras. Minhas professoras, no antigo grupo escolar, me assustavam dizendo que eu não poderia ir para o Céu, porque era pagão. Não fora batizado.

P: - Quantos livros já publicou?
R: - Trinta e nove. Estou terminando o quadragésimo, que versará sobre um tema importante: o suicídio. Como se vê, ainda que permaneça nos domínios do exercício, cultivo a virtude da perseverança.

P: - Quais países já visitou?
R: - Portugal e Estados Unidos, em ciclos de palestras. No final do ano estarei outra vez na Europa, visitando França, Alemanha, Suíça e Itália, em viagens que diríamos "turístico-doutrinárias". Um misto de divulgação espírita e um pouco de turismo, pois também sou filho de Deus.

P: - Qual sua idéia sobre o movimento espírita nestes países?
R: - Portugal tem um movimento organizado, que vem florescendo novamente, após os anos de ditadura quando o Espiritismo foi sufocado. Nos Estados Unidos, o movimento espírita é insipiente, sustentado por comunidades brasileiras. Deverá crescer quando houver a possibilidade de uma divulgação maior, no idioma do país, o que, creio, acontecerá com os descendentes desses pioneiros, americanizados e capazes de exprimir-se com fluência em inglês.

P: - O público da casa espírita, que se encontra Brasil adentro e no exterior, possui o mesmo perfil daquele de há 20 anos? Existem diferenças de público dependendo do Estado ou região? Se há diferença, você costuma fazer alterações em suas palestras, quais?
R: - Ontem, como hoje, as pessoas buscam uma orientação de vida, uma cura para seus males. Não houve grandes mudanças. O que mudou foi a forma de lidar com esse público. Havia a preocupação de divulgação da doutrina. Hoje os expositores voltam-se para a aplicação prática dos princípios espíritas em favor de uma existência mais feliz e equilibrada. Essa tendência é universal, o que nos dispensa mudar o enfoque das palestras a cada cidade, estado ou país.

P: - Se não inaugurou, foi um dos primeiros a usar uma linguagem mais leve na escrita do livro espírita, abordando assuntos de forma inusitada, como no livro Não pise na bola. Como foi isso?
R: - É uma característica pessoal, fruto, provavelmente, de minhas experiências pretéritas. A clareza, a objetividade e a simplicidade são fundamentais para que o leitor entenda o que estamos pretendendo transmitir. Quem não está familiarizado com o assunto, não tem idéia de como é difícil escrever fácil.

P: - Você que possui tanta descontração para falar com as pessoas, tem algum fato para narrar que tenha acontecido no seu contato com o público, em palestra?
R: - Certa feita, após uma palestra, um senhor procurou-me. "Quero parabenizá-lo! Você falou tão bem, foi tudo tão bonito, senti-me tão enlevado que… dormi!" Beleza! Embalei o sono do cidadão!

P: - Qual acredita ser o maior desafio dos oradores/escritores?
R: - O grande desafio é vivenciar o discurso. Nesse aspecto lembro uma observação contundente de Chico Xavier: "Em meu contato com espíritas desencarnados, nunca encontrei um que estivesse satisfeito com a experiência humana. Todos lamentam muito não terem feito tudo quanto deviam em favor da própria renovação".

P: - A introspecção, o olhar para dentro parece ser o cerne da questão para se conseguir a paz interior. O público de modo geral tem percebido isso?
R: - Sem dúvida. Isso está muito presente na mensagem espírita. O problema é transferir esse conhecimento do cérebro para o coração. É o sentir a Doutrina, muito mais do que o perceber. É o partir do entendimento para a vivência. Esse é o calcanhar de Aquiles do comportamento humano.

P: - Com qual livro de sua autoria o senhor mais se identifica?
R: - É difícil um pai dizer de que filho gosta mais. Todos os meus livros demandaram esforço, trabalho, pesquisa, dedicação. Amo todos eles. Mas citarei um pelo qual tenho especial apreço. Trata-se de Luzes no Caminho, onde tento trocar em miúdos, à luz do Espiritismo, o pensamento de grandes filósofos do passado. Eles nos oferecem lições muito preciosas, relacionadas com nosso dia-a-dia.

P: - O que costuma lhe inspirar para a produção de seus livros?
R: - Creio que há uma programação a ser cumprida, com a ajuda de mentores espirituais. Ela vai surgindo de mansinho e quando dou pela coisa estou envolvido num projeto. Exemplo: cinco obras sobre O Livro dos Espíritos: A presença de Deus, Quem tem medo dos espíritos, Viver em plenitude, A constituição divina e Um jeito de ser feliz. Outro exemplo: a trajetória de Jesus, em seis volumes: Paz na Terra, Levanta-te!, Tua fé te salvou!, Não peques mais, Setenta vezes sete e Antes que o galo cante. Atualmente trabalho na série Tudo o que você precisa saber. Foram publicados sobre a reencarnação, a mediunidade e o Espiritismo. Sairá em outubro um sobre o suicídio.

P: - Qual sua literatura predileta?
R: - Literatura espírita, sem dúvida, particularmente a obra magistral de André Luiz, um passo adiante na história do Espiritismo.

P: - Quanto de inspiração e quanto de transpiração você emprega na elaboração de um livro?
R: - A inspiração lembra os adoçantes sintéticos. Algumas gotinhas dão sabor à intensa transpiração, envolvendo pesquisa, estudo e reflexão.