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Nossa
Revista apresenta este mês uma entrevista com Carlos A. Bacceli, tendo
como tema a vida e a obra de Francisco Cândido Xavier. Baccelli
é odontólogo, médium psicógrafo, orador, escritor e
jornalista espírita, residente em Uberaba, MG, onde atua como
diretor do Lar Espírita Pedro e Paulo e na Casa Espírita
Bittencourt Sampaio. Entre os livros publicados anotamos:
“Somos Todos Médiuns”, “Chico Xavier, à Sombra do
Abacateiro”, “Chico Xavier, Mediunidade e Vida”.
P:
– Como você considera Francisco Cândido Xavier, como homem e
como médium?
R:
– Chico é aquele companheiro que nós todos conhecemos e
admiramos, que completou 60 anos de mediunidade no dia 8 de
julho. Não se discute seu valor como médium. Nós admiramos a
pessoa Chico Xavier porque, o médium não seria grande, se o
homem não possuísse a envergadura espiritual que possui. Então,
nós acreditamos que Chico Xavier só chegou aos 60 anos de
mediunidade, trabalhando como médium na Doutrina Espírita,
pelo seu valor pessoal, pela sua grandeza moral e pelo seu valor
como ser humano.
P:
– Como era o Espiritismo no Brasil, antes de Chico Xavier?
R:
– Nós podemos, de fato, dividir o Espiritismo no Brasil em
antes e com Chico Xavier, porque ele aos setenta e sete anos de
idade está firme conosco, trabalhando ainda intensamente em
Uberaba. Antes de Chico Xavier o movimento de divulgação era
muito pequeno, as obras eram poucas, poucos livros. Com Chico a
divulgação começou a se fazer de forma mais intensa, foram
fundados jornais, revistas distribuição de mensagens, de
panfletos. Interessante aqui destacarmos que esses trabalhos
todos foram inspirados no próprio exemplo de Chico Xavier. Nós
costumamos dizer que se o Espiritismo nasceu na França com
Allan Kardec, ele cresceu e se desenvolveu no Brasil com Chico
Xavier.
P:
– Às vezes ficamos a imaginar o impacto que o primeiro
livro de Chico Xavier – “Parnaso de Além-Túmulo” –
deve ter provocado em 1931, época de sua publicação. Quantas
críticas, quantas insinuações maldosas, quanto sarcasmo deve
ter experimentado o bondoso médium. Perguntamos, então: como
ele reage às críticas endereçadas à sua obra?
R:
– Ele reage como reagiria um homem de bom senso, com o silêncio
e com o trabalho. Chico nunca se defendeu. Ele afirma que o médium
não deve se defender, não pode se defender, deve continuar
trabalhando, não se importando com as críticas, porque as críticas
são naturais àqueles que estão procurando fazer alguma coisa
na seara do bem. Então, até hoje, quando criticado, porque ele
está com setenta e sete anos de idade e as críticas não
desapareceram, ainda existem aqueles que tecem críticas tanto a
ele como à sua mediunidade, à sua obra, porque não o
compreendem, a sua reação é sempre a mesma, silenciando,
trabalhando e seguindo adiante.
Certa
vez ele estava muito preocupado com as críticas que eram
feitas, muito triste mesmo e recebeu uma pequena trova de
Casimiro Cunha, o poeta cego da cidade de Vassouras, no Rio de
Janeiro, que era espírita:
“O
homem com pressa no bem,
cujo passo não recua,
não consegue reparar
o cão que ladra na rua.”
Chico
Xavier é um homem com pressa no bem e não repara as críticas
que lhe são atiradas.
P:
– Qual a influência de Chico Xavier no movimento de assistência
social no Espiritismo?
R:
– É muito difícil avaliar a influência de Chico Xavier no
movimento de assistência social no Espiritismo. Precisaríamos
fazer uma pesquisa em todo o Brasil, porque realmente o
Espiritismo em nossa Pátria se divide em antes de Chico Xavier
e com Chico Xavier. As obras assistenciais que foram criadas a
partir de seu trabalho, que nasceram de orientações recebidas
por ele, são inúmeras: hospitais, escolas, albergues, casas
espíritas, lares espíritas, orfanatos, trabalhos dos mais
variados, visitas aos leprosos, aos necessitados nas periferias
das cidades, as chamadas peregrinações, etc.
Este
trabalho assistencial, hoje enorme, imenso, admirado, aplaudido
mesmo pelos que não são espíritas, começou de forma mais
intensa a partir de Chico Xavier.
As
mensagens que ele tem recebido ultimamente, na chamada fase
consoladora de sua mediunidade, mensagens endereçadas aos
familiares que perderam seus filhos, filhos que perderam seus
pais, têm suscitado, têm inspirado a criação de dezenas de
instituições espíritas em todo Brasil, porque os pais saem
reconfortados, acreditando na imortalidade da alma, convictos de
que a vida continua e preocupados em fazer o bem ao próximo. Nós
nos recordamos da frase de um espírito, escrevendo por ele
certa vez, dizendo à mãe que levava flores quase todos os dias
ao seu túmulo:
“Mamãe,
o preço de uma rosa é quanto custa um pão; ao invés da
senhora levar umas rosas aos meus restos mortais, porque eu não
estou na sepultura, compre um pão e dê a uma criança faminta
em meu nome”.
P:
– Muita controvérsia tem sido gerada no tocante à caridade
material; prestar assistência social, ser paternalista, ou não
dar esmolas, etc.
Como você tem notado o posicionamento do Chico a respeito do
assunto?
R:
– Certa vez, participando de um programa de televisão em
Uberaba, o Chico recebeu de um médico a seguinte indagação:
“Por que os espíritas dão o peixe, ao invés de ensinarem a
pescar?” E o médium
respondeu-lhe que Jesus, antes do célebre Sermão da Montanha,
multiplicou pães e peixes para a multidão faminta,
primeiramente aplacando a fome do povo, para só depois ensinar
o caminho do Reino. Nós não podemos pregar a religião a quem
está com fome, de barriga vazia, pois a fé sem obras é morta.
Certa vez, estando no Brasil, Madre Tereza de Calcutá deu a um
repórter uma resposta semelhante à do Chico, quando
interrogada sobre o mesmo assunto: “Meu filho, como é que
vamos fazer, se as pessoas que alimentamos sequer têm forças
para sustentar uma vara? Como é que elas iriam pescar?” O
Chico tem feito o que lhe é possível em benefício do próximo,
sem se preocupar com a opinião pública, porque os pontos de
vista são os mais diferentes possíveis. Enquanto os outros
apenas opinam, ele trabalha, realiza.
P:
– Quanto Chico Xavier recebe de direitos autorais pela publicação
de suas mais de 300 obras, ao longo de seus mais de 60 anos de
mediunidade?
R: –
Chico nunca recebeu nenhuma quantia pelos direitos autorais;
muito ao contrário, nós o temos visto comprar seus próprios
livros para doar aos amigos. Nós mesmos já fomos intermediários
dele em compra de livros seus, para fazer doações aos amigos.
Chico
doa direitos autorais de seus livros às obras de assistência
social. Ele não recebe um centavo sequer. Certa vez ele nos
disse que, quando em Pedro Leopoldo, recebendo as obras mediúnicas
“Paulo e Estevão”, “Há Dois Mil Anos”, “Ave
Cristo”, seu salário na época não chegava nem para comprar
as folhas que lhe serviam na psicografia. Muitas vezes ele
psicografava, passava a limpo, depois com uma borracha apagava o
que tinha escrito para reaproveitar o papel, ou escrevia do
outro lado. Chico sempre lutou com muitas dificuldades.
P:
- Chico Xavier ganha muitos presentes? O que faz com eles?
R:
– Muitas vezes ele nem chega a levá-los para casa. Os
presentes que recebe de amigos, de admiradores, presentes
simples, lembranças humildes, ele os repassa ali mesmo na reunião.
Nós mesmos já ganhamos alguma lembrança dele, que lhe foi
dada na reunião. Delicadamente ele recebe, espera que a pessoa
se afaste, e depois dia a um ou outro amigo: “leve para você,
fique para você, é uma lembrança nossa para você”. Chico
cumpre aquele mandamento evangélico: “Fazer com uma das mãos
o bem, de tal forma que a outra não veja”. Ele não retém
nada consigo.
P:
– Chico Xavier é uma pessoa privilegiada?
R:
– Respondendo certa vez à pergunta de um repórter que
indagou se ele se considerava um privilegiado por conviver com
os Espíritos, afirmou que ficou órfão aos cinco anos de
idade; que aos doze trabalhava numa fábrica de tecidos e em
conseqüência do pó, adoeceu dos pulmões; que aos dezessete
anos contraiu uma moléstia irreversível nos olhos, que sempre
teve de trabalhar para sustentar a sua família, sustentar a sua
casa; que se submetera à duas cirurgias de alto risco com o
sangue jorrando; que quando completou cinqüenta anos de idade
teve dois enfartes e em conseqüência passou a sofrer de
angina, e agora aos setenta e sete anos, continua trabalhando,
mas caminhando com muita dificuldade e enxergando pouco. Então,
ele perguntava ao repórter, na oportunidade, se ele via algum
privilégio nisso tudo.
O
repórter certamente ficou sem responder, mas nós gostaríamos
de dizer que Chico Xavier, é sim, privilegiado, num aspecto,
pois possui o privilégio de trabalhar com Jesus. Ele possui o
privilégio de servir o Evangelho na Doutrina Espírita, e,
nesse sentido, todos
nós que podemos fazer alguma coisa pela causa do bem na Terra,
podemos nos considerar, de certa forma, privilegiados. Não é o
privilégio do dinheiro, não é o privilégio do “status”
social, é sim o maior dos privilégios, contudo, pois é o
privilégio de poder servir à causa do bem, de servir ao
Cristo.
P:
– Você poderia nos informar a quantidade aproximada de livros
de Chico Xavier já vendidos, e para quantas línguas já foram
traduzidos?
R:
– Mais de 10 milhões de exemplares já foram vendidos em todo
o Brasil. Fica difícil agora dizer para quantas línguas já
foram traduzidos. Nós poderíamos citar algumas línguas, como
o francês, o inglês, o castelhano, o japonês, o grego, o
esperanto. Só o livro “Nosso Lar” foi traduzido para o
castelhano, o inglês, o japonês, e recentemente para o francês.
P:
– Na sua opinião, como Chico Xavier conseguiu chegar a mais
de sessenta anos de mediunidade com a mesma fidelidade e amor
dos primeiros dias?
R:
– Nós admiramos o médium, mas admiramos muito o homem Chico
Xavier. Se Chico Xavier é espírita por convicção, é cristão
pelo coração. Ele é um homem extraordinário, o homem de bem
que nos fala “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, porque nós
sabemos que a mediunidade é uma faculdade neutra que todos
possuem em menor ou maior grau. O que nos distingue na
mediunidade é aquilo que fazemos com ela, com o nosso
discernimento em nosso trabalho. E nós temos tido nesses anos a
demonstração do que Chico Xavier
fez com esse talento da mediunidade. Ele não o enterrou,
mas trabalhou esse talento, multiplicando-o;
então, Chico Xavier ultrapassou os sessenta anos de
mediunidade, porque os completou no dia 8 de julho passado, com
a mesma fidelidade dos primeiros dias, porque sempre se manteve
fiel à sua própria consciência, sempre fiel a Jesus Cristo e
sempre fiel ao Pentateuco Kardequiano, à obra de Allan Kardec e
àquela orientação básica que Emmanuel lhe deu em 1931, que
se ele desejasse trabalhar e servir na Doutrina Espírita,
deveria ter disciplina, disciplina e disciplina.
P:
– Parece-nos que, no momento, os Espíritos estão utilizando
a mediunidade de Chico Xavier numa tarefa eminentemente
consoladora, como se percebe pela grande quantidade de
mensagens, sobretudo de jovens desencarnados, endereçadas às
suas famílias. Qual a sua impressão?
R:
– Nós já tivemos a fase dos grandes poetas. Os grandes
poetas começaram a se manifestar cantando a imortalidade da
alma, como alguém que estivesse batendo um sino, convidando as
pessoas para um grande banquete. Depois nós tivemos a fase dos
grandes literatos, dos escritores, dos filósofos como é o caso
dos livros “Falando à Terra”, “Vozes do Grande Além”.
Tivemos fases com André Luiz, com Emmanuel.
Emmanuel
desenvolvendo a Doutrina Espírita no caráter filosófico-religioso
e André Luiz desenvolvendo a Doutrina no caráter filosófico-científico,
porque o Espiritismo é sustentado por um triângulo: ciência,
filosofia e religião. Esse triângulo é inseparável, é uma
tríplice aliança, é a nossa fé raciocinada. No Espiritismo não
basta crer, no Espiritismo procura-se saber, porque o homem hoje
interroga, faz muitas indagações.
Atualmente
Chico Xavier está nessa fase dita de consolação. O
Espiritismo é o Consolador Prometido e nós estamos vendo a
Doutrina Espírita, através de Chico Xavier, consolar as almas
aflitas e saudosas do mundo. Chico Xavier, só de mensagens
ditas familiares, já publicou mais de cinqüenta livros, dentre
os trezentos que já psicografou. Essa fase é muito importante,
porque a partir dessas mensagens é que a Doutrina Espírita
começou a penetrar no meio não espírita, porque a noticia
corria e as mães, os pais, os filhos, iam a Uberaba
independentemente de crença. Nós, por exemplo, em Uberaba,
temos semanalmente um público de aproximadamente mil pessoas.
Existem
pessoas que entram no Grupo Espírita da Prece se benzendo,
fazendo o “Nome do Pai”. São criaturas que não são espíritas,
mas acreditam em Chico Xavier. Às vezes não sabem o que é o
Espiritismo, mas acreditam em Chico Xavier. Acreditam nele, no
trabalho dele e isso tem feito com que a Doutrina Espírita
penetre onde antes ela não tinha penetrado e a divulgação do
Espiritismo a partir dessas mensagens caminhou, digamos, muitos
anos.
P:
– Por que os Espíritos Benfeitores, pelas portas da
mediunidade, têm nos mandado tantos livros?
R:
- Acreditamos que a grande quantidade de livros seja um
indicador da nossa grande necessidade de estudar para conhecer
melhor a Doutrina Espírita. Por outro lado, existem tantas
publicações profanas... Quando visitamos uma banca de jornais
e revistas, encontramos centenas de publicações tratando de
assuntos menos felizes. Por isso, apesar de Chico Xavier já ter
publicado cerca de 36O
livros, acreditamos que ainda é pouco, pois
precisamos de muito mais, tão grande é a nossa necessidade de
estudar e aprender.
P:
– O que tem dito Chico Xavier, na intimidade, sobre a situação
política, econômica e social em que vivemos no Brasil?
R:
– Por ser apolítico, Chico Xavier não faz comentários a
respeito da política. Como homem comum, entretanto, ele às
vezes se refere à inflação muito alta, preocupado com os mais
carentes. Mas ele tem sempre, com relação aos assuntos de que
trata, uma palavra de otimismo. Ele não faz comentários
negativos em torno de nenhum assunto, colocando sempre uma
mensagem de esperança no futuro, afirmando que tudo vai dar
certo, que precisamos trabalhar, confiar em Deus, que não
devemos nos deixar abater por problema algum, pois as
dificuldades são naturais e serão todas superadas pelo nosso
trabalho e perseverança no Bem.
P:
– Dentre as muitas lições que você aprendeu com Chico
Xavier, qual a que mais o marcou?
R:
– Todas as lições que temos aprendido dom o nosso irmão
Chico Xavier têm nos marcado profundamente. Mas a lição mais
marcante, no dia-a-dia do nosso contato com ele, é a lição de
sinceridade, do homem e do médium, pois ele é um homem
sincero, na fé,
sincero naquilo que faz, é um homem que ama a verdade, que
trabalha e se dedica à Doutrina com desprendimento e abnegação.
A sinceridade de Chico Xavier tem nos marcado profundamente. E
acreditamos que isso ocorra também com pessoas que não são
espíritas, inclusive porque existem algumas que, embora façam
ressalvas quanto à Doutrina Espírita, não as fazem com relação
ao Chico. Até mesmo muitos padres e freiras nutrem grande
admiração pelo homem Chico Xavier, pela sua bondade impar. A
sinceridade que ele transmite, que irradia naturalmente, é uma
mensagem muito profunda, conferindo credibilidade ao trabalho
que ele tem desenvolvido.
P:
– Sendo Chico Xavier o homem e o médium que é, não poderia
ter sido mais bem tratado pelos Espíritos Superiores,
sabendo-se que ele tem sérios problemas de visão, sofre de
angina, passou por cirurgias delicadas, teve dois enfartes,
etc.?
R:
– Chico, na verdade, é bem tratado pelos Espíritos
Benfeitores. Mas ele é um homem comum, sujeito aos problemas
comuns a todos nós. Os Benfeitores Espirituais o têm socorrido
em momentos difíceis na mesma medida em que socorrem a todos nós.
Ele nos contou um caso que já é muito conhecido pelos espíritas.
Estava ele, um dia, sentindo muitas dores, por causa de uma
crise no seu olho esquerdo, que padece até hoje de um problema
crônico (um tipo de hemorragia muito grave).
Manifestou-se então Emmanuel, dizendo: “Como é,
Chico, vamos trabalhar? Está na hora de retomarmos o trabalho
de psicografia.” O Chico ponderou: “Mas o senhor não está
vendo que estou sofrendo muito, com o olho doendo, com
hemorragia?” Porém, Emmanuel respondeu: “Deixa de bobagem,
Chico! Ter dois olhos é luxo... Você tem o outro. Não está
bom?...” A resposta de Emmanuel pode parecer demasiado
incisiva, enérgica, talvez cruel. Mas nós sabemos que é
absolutamente verdadeira. Porque às vezes nos queixamos
de que não temos facilidades com um braço, esquecendo
que temos o outro para executar o trabalho; ou de que temos
dificuldades de locomoção com uma das pernas, mas temos a
outra; ou de que às vezes não enxergamos bem com um olho, mas
temos o outro... Os Espíritos sempre têm socorrido o Chico.
Mas cada um deve enfrentar a sua cruz, como Jesus, pois também
ali as pessoas gritavam: “Desce dessa cruz... Por que você não
desce dessa cruz?...” Gestas, o mau ladrão, chegou a ironizar
o Cristo: “Por que você não se salva e não nos salva também?”
Porém Jesus devia
beber aquele cálice até a derradeira gota... Isso ocorre com
todos nós. Os Espíritos nos ajudam a carregar a cruz, mas não
a tiram dos nossos ombros e a carregam por nós.
P:
– Como será o Espiritismo sem Chico Xavier? Quem será o seu
substituto?
R: –
No que pese a nossa profunda admiração por Chico Xavier, e o
desejo de que ele perpetuasse na Terra entre nós, sabemos que a
desencarnação é uma lei natural, todos nós passaremos pelo
fenômeno da morte, não será diferente com nenhum de nós.
Quando
Allan Kardec desencarnou, os seus discípulos também se fizeram
essa mesma pergunta, isto é, como seria a Doutrina sem o
Codificador. E a Doutrina avançou, porque a Doutrina Espírita
antes de ser dos espíritas é dos espíritos e o espírito
sopra onde quer.
Sem
Chico Xavier, materialmente entre nós, o Espiritismo caminhará,
porque aqueles que permanecerem, certamente se inspirarão em
seu exemplo.
Ele
viverá em cada página de seus livros psicografados, no coração
de cada mãe que foi consolada com uma mensagem recebida pela
sua mediunidade, em cada Centro Espírita que se erigiu sob sua
inspiração, em cada instituição que nasceu de suas mãos, de
suas palavras sábias e orientadoras.
Quanto
à sucessão de Chico Xavier, ninguém sucede ninguém, cada
qual vem à Terra cumprir sua própria tarefa, cumprir o seu próprio
dever. Aquele que tiver a pretensão de substituir alguém se
anulará, anulará sua própria capacidade de trabalho. Nós não
podemos deixar de ser nós mesmos para sermos os outros. Nós
temos que ser nós mesmos e prestar à vida a nossa colaboração
por menor que seja. Todos nós somos chamados a dar nosso ponto
na magnífica tapeçaria da vida, aprendendo a fazer com
grandeza a menor das coisas. Por isso, não se fala em sucessão
de Chico Xavier no Espiritismo, mesmo porque a Doutrina não tem
nenhuma hierarquia, cada qual cumpre a sua tarefa. O Espiritismo
não tem chefes encarnados, o nosso Mestre é Jesus, a Doutrina
é dos Espíritos, ela caminhará sempre, com os homens, sem os
homens e apesar dos homens.
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