O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Entrevista com Carlos A. Baccelli

Entrevistado:
Carlos A. Baccelli
Orador e jornalista espírita

Fonte:
Perguntando e Aprendendo
Waldemir Aparecido Cuin
Entrevista publicada em jan/88 - A Folha Espírita

ENTREVISTAS

   

Nossa Revista apresenta este mês uma entrevista com Carlos A. Bacceli, tendo como tema a vida e a obra de Francisco Cândido Xavier.  Baccelli é odontólogo, médium psicógrafo, orador, escritor e jornalista espírita, residente em Uberaba, MG, onde atua como diretor do Lar Espírita Pedro e Paulo e na Casa Espírita Bittencourt Sampaio. Entre os livros publicados anotamos: “Somos Todos Médiuns”, “Chico Xavier, à Sombra do Abacateiro”, “Chico Xavier, Mediunidade e Vida”.

P: – Como você considera Francisco Cândido Xavier, como homem e como médium?
R: – Chico é aquele companheiro que nós todos conhecemos e admiramos, que completou 60 anos de mediunidade no dia 8 de julho. Não se discute seu valor como médium. Nós admiramos a pessoa Chico Xavier porque, o médium não seria grande, se o homem não possuísse a envergadura espiritual que possui. Então, nós acreditamos que Chico Xavier só chegou aos 60 anos de mediunidade, trabalhando como médium na Doutrina Espírita, pelo seu valor pessoal, pela sua grandeza moral e pelo seu valor como ser humano.

P: – Como era o Espiritismo no Brasil, antes de Chico Xavier?
R: – Nós podemos, de fato, dividir o Espiritismo no Brasil em antes e com Chico Xavier, porque ele aos setenta e sete anos de idade está firme conosco, trabalhando ainda intensamente em Uberaba. Antes de Chico Xavier o movimento de divulgação era muito pequeno, as obras eram poucas, poucos livros. Com Chico a divulgação começou a se fazer de forma mais intensa, foram fundados jornais, revistas distribuição de mensagens, de panfletos. Interessante aqui destacarmos que esses trabalhos todos foram inspirados no próprio exemplo de Chico Xavier. Nós costumamos dizer que se o Espiritismo nasceu na França com Allan Kardec, ele cresceu e se desenvolveu no Brasil com Chico Xavier.

P: – Às vezes ficamos a imaginar o impacto que o primeiro livro de Chico Xavier – “Parnaso de Além-Túmulo” – deve ter provocado em 1931, época de sua publicação. Quantas críticas, quantas insinuações maldosas, quanto sarcasmo deve ter experimentado o bondoso médium. Perguntamos, então: como ele reage às críticas endereçadas à sua obra?
R: – Ele reage como reagiria um homem de bom senso, com o silêncio e com o trabalho. Chico nunca se defendeu. Ele afirma que o médium não deve se defender, não pode se defender, deve continuar trabalhando, não se importando com as críticas, porque as críticas são naturais àqueles que estão procurando fazer alguma coisa na seara do bem. Então, até hoje, quando criticado, porque ele está com setenta e sete anos de idade e as críticas não desapareceram, ainda existem aqueles que tecem críticas tanto a ele como à sua mediunidade, à sua obra, porque não o compreendem, a sua reação é sempre a mesma, silenciando, trabalhando e seguindo adiante.

Certa vez ele estava muito preocupado com as críticas que eram feitas, muito triste mesmo e recebeu uma pequena trova de Casimiro Cunha, o poeta cego da cidade de Vassouras, no Rio de Janeiro, que era espírita:

“O homem com pressa no bem,
cujo passo não recua,
não consegue reparar
o cão que ladra na rua.”

Chico Xavier é um homem com pressa no bem e não repara as críticas que lhe são atiradas.

P: – Qual a influência de Chico Xavier no movimento de assistência social no Espiritismo?
R: – É muito difícil avaliar a influência de Chico Xavier no movimento de assistência social no Espiritismo. Precisaríamos fazer uma pesquisa em todo o Brasil, porque realmente o Espiritismo em nossa Pátria se divide em antes de Chico Xavier e com Chico Xavier. As obras assistenciais que foram criadas a partir de seu trabalho, que nasceram de orientações recebidas por ele, são inúmeras: hospitais, escolas, albergues, casas espíritas, lares espíritas, orfanatos, trabalhos dos mais variados, visitas aos leprosos, aos necessitados nas periferias das cidades, as chamadas peregrinações, etc.

Este trabalho assistencial, hoje enorme, imenso, admirado, aplaudido mesmo pelos que não são espíritas, começou de forma mais intensa a partir de Chico Xavier.

As mensagens que ele tem recebido ultimamente, na chamada fase consoladora de sua mediunidade, mensagens endereçadas aos familiares que perderam seus filhos, filhos que perderam seus pais, têm suscitado, têm inspirado a criação de dezenas de instituições espíritas em todo Brasil, porque os pais saem reconfortados, acreditando na imortalidade da alma, convictos de que a vida continua e preocupados em fazer o bem ao próximo. Nós nos recordamos da frase de um espírito, escrevendo por ele certa vez, dizendo à mãe que levava flores quase todos os dias ao seu túmulo:

“Mamãe, o preço de uma rosa é quanto custa um pão; ao invés da senhora levar umas rosas aos meus restos mortais, porque eu não estou na sepultura, compre um pão e dê a uma criança faminta em meu nome”.

P: – Muita controvérsia tem sido gerada no tocante à caridade material; prestar assistência social, ser paternalista, ou não dar  esmolas, etc. Como você tem notado o posicionamento do Chico a respeito do assunto?
R: – Certa vez, participando de um programa de televisão em Uberaba, o Chico recebeu de um médico a seguinte indagação: “Por que os espíritas dão o peixe, ao invés de ensinarem a pescar?”  E o médium respondeu-lhe que Jesus, antes do célebre Sermão da Montanha, multiplicou pães e peixes para a multidão faminta, primeiramente aplacando a fome do povo, para só depois ensinar o caminho do Reino. Nós não podemos pregar a religião a quem está com fome, de barriga vazia, pois a fé sem obras é morta. Certa vez, estando no Brasil, Madre Tereza de Calcutá deu a um repórter uma resposta semelhante à do Chico, quando interrogada sobre o mesmo assunto: “Meu filho, como é que vamos fazer, se as pessoas que alimentamos sequer têm forças para sustentar uma vara? Como é que elas iriam pescar?” O Chico tem feito o que lhe é possível em benefício do próximo, sem se preocupar com a opinião pública, porque os pontos de vista são os mais diferentes possíveis. Enquanto os outros apenas opinam, ele trabalha, realiza.

P: – Quanto Chico Xavier recebe de direitos autorais pela publicação de suas mais de 300 obras, ao longo de seus mais de 60 anos de mediunidade?
R: – Chico nunca recebeu nenhuma quantia pelos direitos autorais; muito ao contrário, nós o temos visto comprar seus próprios livros para doar aos amigos. Nós mesmos já fomos intermediários dele em compra de livros seus, para fazer doações aos amigos.

Chico doa direitos autorais de seus livros às obras de assistência social. Ele não recebe um centavo sequer. Certa vez ele nos disse que, quando em Pedro Leopoldo, recebendo as obras mediúnicas “Paulo e Estevão”, “Há Dois Mil Anos”, “Ave Cristo”, seu salário na época não chegava nem para comprar as folhas que lhe serviam na psicografia. Muitas vezes ele psicografava, passava a limpo, depois com uma borracha apagava o que tinha escrito para reaproveitar o papel, ou escrevia do outro lado. Chico sempre lutou com muitas dificuldades.

P: - Chico Xavier ganha muitos presentes? O que faz com eles?
R: – Muitas vezes ele nem chega a levá-los para casa. Os presentes que recebe de amigos, de admiradores, presentes simples, lembranças humildes, ele os repassa ali mesmo na reunião. Nós mesmos já ganhamos alguma lembrança dele, que lhe foi dada na reunião. Delicadamente ele recebe, espera que a pessoa se afaste, e depois dia a um ou outro amigo: “leve para você, fique para você, é uma lembrança nossa para você”. Chico cumpre aquele mandamento evangélico: “Fazer com uma das mãos o bem, de tal forma que a outra não veja”. Ele não retém nada consigo.

P: – Chico Xavier é uma pessoa privilegiada?
R: – Respondendo certa vez à pergunta de um repórter que indagou se ele se considerava um privilegiado por conviver com os Espíritos, afirmou que ficou órfão aos cinco anos de idade; que aos doze trabalhava numa fábrica de tecidos e em conseqüência do pó, adoeceu dos pulmões; que aos dezessete anos contraiu uma moléstia irreversível nos olhos, que sempre teve de trabalhar para sustentar a sua família, sustentar a sua casa; que se submetera à duas cirurgias de alto risco com o sangue jorrando; que quando completou cinqüenta anos de idade teve dois enfartes e em conseqüência passou a sofrer de angina, e agora aos setenta e sete anos, continua trabalhando, mas caminhando com muita dificuldade e enxergando pouco. Então, ele perguntava ao repórter, na oportunidade, se ele via algum privilégio nisso tudo.

O repórter certamente ficou sem responder, mas nós gostaríamos de dizer que Chico Xavier, é sim, privilegiado, num aspecto, pois possui o privilégio de trabalhar com Jesus. Ele possui o privilégio de servir o Evangelho na Doutrina Espírita, e, nesse sentido,  todos nós que podemos fazer alguma coisa pela causa do bem na Terra, podemos nos considerar, de certa forma, privilegiados. Não é o privilégio do dinheiro, não é o privilégio do “status” social, é sim o maior dos privilégios, contudo, pois é o privilégio de poder servir à causa do bem, de servir ao Cristo.

P: – Você poderia nos informar a quantidade aproximada de livros de Chico Xavier já vendidos, e para quantas línguas já foram traduzidos?
R: – Mais de 10 milhões de exemplares já foram vendidos em todo o Brasil. Fica difícil agora dizer para quantas línguas já foram traduzidos. Nós poderíamos citar algumas línguas, como o francês, o inglês, o castelhano, o japonês, o grego, o esperanto. Só o livro “Nosso Lar” foi traduzido para o castelhano, o inglês, o japonês, e recentemente para o francês.

P: – Na sua opinião, como Chico Xavier conseguiu chegar a mais de sessenta anos de mediunidade com a mesma fidelidade e amor dos primeiros dias?
R: – Nós admiramos o médium, mas admiramos muito o homem Chico Xavier. Se Chico Xavier é espírita por convicção, é cristão pelo coração. Ele é um homem extraordinário, o homem de bem que nos fala “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, porque nós sabemos que a mediunidade é uma faculdade neutra que todos possuem em menor ou maior grau. O que nos distingue na mediunidade é aquilo que fazemos com ela, com o nosso discernimento em nosso trabalho. E nós temos tido nesses anos a demonstração do que Chico Xavier  fez com esse talento da mediunidade. Ele não o enterrou, mas trabalhou esse talento, multiplicando-o;  então, Chico Xavier ultrapassou os sessenta anos de mediunidade, porque os completou no dia 8 de julho passado, com a mesma fidelidade dos primeiros dias, porque sempre se manteve fiel à sua própria consciência, sempre fiel a Jesus Cristo e sempre fiel ao Pentateuco Kardequiano, à obra de Allan Kardec e àquela orientação básica que Emmanuel lhe deu em 1931, que se ele desejasse trabalhar e servir na Doutrina Espírita, deveria ter disciplina, disciplina e disciplina.

P: – Parece-nos que, no momento, os Espíritos estão utilizando a mediunidade de Chico Xavier numa tarefa eminentemente consoladora, como se percebe pela grande quantidade de mensagens, sobretudo de jovens desencarnados, endereçadas às suas famílias. Qual a sua impressão?
R: – Nós já tivemos a fase dos grandes poetas. Os grandes poetas começaram a se manifestar cantando a imortalidade da alma, como alguém que estivesse batendo um sino, convidando as pessoas para um grande banquete. Depois nós tivemos a fase dos grandes literatos, dos escritores, dos filósofos como é o caso dos livros “Falando à Terra”, “Vozes do Grande Além”. Tivemos fases com André Luiz, com Emmanuel.

Emmanuel desenvolvendo a Doutrina Espírita no caráter filosófico-religioso e André Luiz desenvolvendo a Doutrina no caráter filosófico-científico, porque o Espiritismo é sustentado por um triângulo: ciência, filosofia e religião. Esse triângulo é inseparável, é uma tríplice aliança, é a nossa fé raciocinada. No Espiritismo não basta crer, no Espiritismo procura-se saber, porque o homem hoje interroga, faz muitas indagações.

Atualmente Chico Xavier está nessa fase dita de consolação. O Espiritismo é o Consolador Prometido e nós estamos vendo a Doutrina Espírita, através de Chico Xavier, consolar as almas aflitas e saudosas do mundo. Chico Xavier, só de mensagens ditas familiares, já publicou mais de cinqüenta livros, dentre os trezentos que já psicografou. Essa fase é muito importante, porque a partir dessas mensagens é que a Doutrina Espírita começou a penetrar no meio não espírita, porque a noticia corria e as mães, os pais, os filhos, iam a Uberaba independentemente de crença. Nós, por exemplo, em Uberaba, temos semanalmente um público de aproximadamente mil pessoas.

Existem pessoas que entram no Grupo Espírita da Prece se benzendo, fazendo o “Nome do Pai”. São criaturas que não são espíritas, mas acreditam em Chico Xavier. Às vezes não sabem o que é o Espiritismo, mas acreditam em Chico Xavier. Acreditam nele, no trabalho dele e isso tem feito com que a Doutrina Espírita penetre onde antes ela não tinha penetrado e a divulgação do Espiritismo a partir dessas mensagens caminhou, digamos, muitos anos.

P: – Por que os Espíritos Benfeitores, pelas portas da mediunidade, têm nos mandado tantos livros?
R: - Acreditamos que a grande quantidade de livros seja um indicador da nossa grande necessidade de estudar para conhecer melhor a Doutrina Espírita. Por outro lado, existem tantas publicações profanas... Quando visitamos uma banca de jornais e revistas, encontramos centenas de publicações tratando de assuntos menos felizes. Por isso, apesar de Chico Xavier já ter publicado cerca de 36O  livros, acreditamos que ainda é pouco, pois precisamos de muito mais, tão grande é a nossa necessidade de estudar e aprender.

P: – O que tem dito Chico Xavier, na intimidade, sobre a situação política, econômica e social em que vivemos no Brasil?
R: – Por ser apolítico, Chico Xavier não faz comentários a respeito da política. Como homem comum, entretanto, ele às vezes se refere à inflação muito alta, preocupado com os mais carentes. Mas ele tem sempre, com relação aos assuntos de que trata, uma palavra de otimismo. Ele não faz comentários negativos em torno de nenhum assunto, colocando sempre uma mensagem de esperança no futuro, afirmando que tudo vai dar certo, que precisamos trabalhar, confiar em Deus, que não devemos nos deixar abater por problema algum, pois as dificuldades são naturais e serão todas superadas pelo nosso trabalho e perseverança no Bem.

P: – Dentre as muitas lições que você aprendeu com Chico Xavier, qual a que mais o marcou?
R: – Todas as lições que temos aprendido dom o nosso irmão Chico Xavier têm nos marcado profundamente. Mas a lição mais marcante, no dia-a-dia do nosso contato com ele, é a lição de sinceridade, do homem e do médium, pois ele é um homem sincero,  na fé, sincero naquilo que faz, é um homem que ama a verdade, que trabalha e se dedica à Doutrina com desprendimento e abnegação. A sinceridade de Chico Xavier tem nos marcado profundamente. E acreditamos que isso ocorra também com pessoas que não são espíritas, inclusive porque existem algumas que, embora façam ressalvas quanto à Doutrina Espírita, não as fazem com relação ao Chico. Até mesmo muitos padres e freiras nutrem grande admiração pelo homem Chico Xavier, pela sua bondade impar. A sinceridade que ele transmite, que irradia naturalmente, é uma mensagem muito profunda, conferindo credibilidade ao trabalho que ele tem desenvolvido.

P: – Sendo Chico Xavier o homem e o médium que é, não poderia ter sido mais bem tratado pelos Espíritos Superiores, sabendo-se que ele tem sérios problemas de visão, sofre de angina, passou por cirurgias delicadas, teve dois enfartes, etc.?
R: – Chico, na verdade, é bem tratado pelos Espíritos Benfeitores. Mas ele é um homem comum, sujeito aos problemas comuns a todos nós. Os Benfeitores Espirituais o têm socorrido em momentos difíceis na mesma medida em que socorrem a todos nós. Ele nos contou um caso que já é muito conhecido pelos espíritas. Estava ele, um dia, sentindo muitas dores, por causa de uma crise no seu olho esquerdo, que padece até hoje de um problema crônico (um tipo de hemorragia muito grave).  Manifestou-se então Emmanuel, dizendo: “Como é, Chico, vamos trabalhar? Está na hora de retomarmos o trabalho de psicografia.” O Chico ponderou: “Mas o senhor não está vendo que estou sofrendo muito, com o olho doendo, com hemorragia?” Porém, Emmanuel respondeu: “Deixa de bobagem, Chico! Ter dois olhos é luxo... Você tem o outro. Não está bom?...” A resposta de Emmanuel pode parecer demasiado incisiva, enérgica, talvez cruel. Mas nós sabemos que é absolutamente verdadeira. Porque às vezes nos queixamos  de que não temos facilidades com um braço, esquecendo que temos o outro para executar o trabalho; ou de que temos dificuldades de locomoção com uma das pernas, mas temos a outra; ou de que às vezes não enxergamos bem com um olho, mas temos o outro... Os Espíritos sempre têm socorrido o Chico. Mas cada um deve enfrentar a sua cruz, como Jesus, pois também ali as pessoas gritavam: “Desce dessa cruz... Por que você não desce dessa cruz?...” Gestas, o mau ladrão, chegou a ironizar o Cristo: “Por que você não se salva e não nos salva também?” Porém  Jesus devia beber aquele cálice até a derradeira gota... Isso ocorre com todos nós. Os Espíritos nos ajudam a carregar a cruz, mas não a tiram dos nossos ombros e a carregam por nós.

P: – Como será o Espiritismo sem Chico Xavier? Quem será o seu substituto?
R: – No que pese a nossa profunda admiração por Chico Xavier, e o desejo de que ele perpetuasse na Terra entre nós, sabemos que a desencarnação é uma lei natural, todos nós passaremos pelo fenômeno da morte, não será diferente com nenhum de nós.

Quando Allan Kardec desencarnou, os seus discípulos também se fizeram essa mesma pergunta, isto é, como seria a Doutrina sem o Codificador. E a Doutrina avançou, porque a Doutrina Espírita antes de ser dos espíritas é dos espíritos e o espírito sopra onde quer.

Sem Chico Xavier, materialmente entre nós, o Espiritismo caminhará, porque aqueles que permanecerem, certamente se inspirarão em seu exemplo.

Ele viverá em cada página de seus livros psicografados, no coração de cada mãe que foi consolada com uma mensagem recebida pela sua mediunidade, em cada Centro Espírita que se erigiu sob sua inspiração, em cada instituição que nasceu de suas mãos, de suas palavras sábias e orientadoras.

Quanto à sucessão de Chico Xavier, ninguém sucede ninguém, cada qual vem à Terra cumprir sua própria tarefa, cumprir o seu próprio dever. Aquele que tiver a pretensão de substituir alguém se anulará, anulará sua própria capacidade de trabalho. Nós não podemos deixar de ser nós mesmos para sermos os outros. Nós temos que ser nós mesmos e prestar à vida a nossa colaboração por menor que seja. Todos nós somos chamados a dar nosso ponto na magnífica tapeçaria da vida, aprendendo a fazer com grandeza a menor das coisas. Por isso, não se fala em sucessão de Chico Xavier no Espiritismo, mesmo porque a Doutrina não tem nenhuma hierarquia, cada qual cumpre a sua tarefa. O Espiritismo não tem chefes encarnados, o nosso Mestre é Jesus, a Doutrina é dos Espíritos, ela caminhará sempre, com os homens, sem os homens e apesar dos homens.