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Alcione
Albuquerque de Andrade -
Escritora e palestrante espírita.
P: - A gravidez na adolescência é, na minha opinião, uma
crise que se sobrepõe à crise da adolescência. Gostaria que a
senhora comentasse porque as adolescentes, tendo conhecimento
dos métodos contraceptivos tem a despreocupação com a gravidez
ou tem o desejo, nem sempre consciente, de engravidar. Seria
isto uma auto-afirmação ou uma maneira de se rebelar contra a
autoridade paterna ou ainda a busca de um sentido ou uma razão
para viver? Como a casa espírita deve abordar a gravidez na
adolescência?
R: - Vamos por partes: Sem dúvida a gravidez na adolescência faz
um acréscimo na crise de transição e checagem de valores,
através da qual o indivíduo, primeiro púbere e depois
adolescente, poderá ou não dar entrada satisfatória na vida
adulta. Isto por que ele não está "pronto", seja do ponto de
vista físico , cultural e social. Se exatamente neste momento se
instala um fato chamado gravidez que estabelece maternidade ou
paternidade, este adolescente se verá "forçado" a ser adulto.
Ora, todos sabemos que a evolução é um processo , o que também é
verdade do ponto de vista da maturidade psicológica. O que se vê
então são jovens sobrecarregados, ou seja, com uma carga maior
do que podem suportar. Por outro lado, a opção pelo aborto
também vai gerar uma sobrecarga, certamente de maiores
consequências. Este o desafio com que nos defrontamos.
Muitas vezes o
adolescente está informado pela escola ou pela mídia em geral
sobre os métodos anticonceptivos. Mas desde quando informação é
sinônimo de educação? A transformação ou seja, mudança de
comportamento, que está implícita no processo educação passa
pela capacidade de conceituação (significando estabelecer um
conceito, uma opinião própria sobre o que me é dito, ao contrário
do preconceito). Se não conceituarmos, não compreenderemos e
também não faremos uso disto em nossas vidas. Serão palavras ao
vento. O Evangelho aliás se ocupa do assunto na parábola do
Semeador...
Entretanto, cada
caso é um caso, tendo razão quem nos dirige a pergunta. Pode ser
rebeldia, descaso da família, baixa estima, obsessão, tudo isto
e muito mais. Cabe analisar de perto. A casa espírita já tem
objetivos claros
de cooperação para quem se aproxima de seu ambiente : formar
caracteres de educação integral, envolvendo não só a alma -
espírito encarnado - mas promovendo o bem viver de cada qual
através de um programa eminentemente pedagógico e espiritual,
como nos recomenda o Codificador. Entretanto não cabe a casa
espírita julgamento ou exclusão quando o confrade não logra
êxito em sua caminhada. Cabe o acolhimento, sem pieguismos de
aprovação nem de desaprovação e o apoio para que a própria
pessoa encontre seu caminho. Sendo possível, dependendo do
perfil da casa, será válido um programa assistencial que vise
apoiar a família, de feição preventiva. Surgindo a gravidez na
adolescência, vamos lidar com a promoção dos envolvidos. A prova
então terá alcançado seu objetivo de engrandecimento espiritual. Para finalizar lembramos que tanto o início da vida sexual
quanto a gravidez e eventual aborto ou abandono do bebê em vida, são de responsabilidade de ambos os sexos envolvidos e não só
da garota. Vamos mudar a crença de que só a mulher é responsável
sexual.
E mais, já existem
programas de Valorização da Vida que são levados por voluntários
espíritas, psicólogos, as casas espíritas. Para saber mais
entre em contato com o Departamento de Psicologia da Ass. Médico
Espírita de MG - fone fax: 0XX 31. 3332.5293 e teremos o maior
prazer em apresentar-lhe o nosso programa.
P: - Como
trabalhar a sexualidade na adolescência sem causar danos a saúde
psicológica do adolescente?
R: - O trabalho será o mais natural possível, isto é, de
acordo com a natureza do adolescente, sem precipitação nem
repressão. Ora, o que é tão simples inicialmente como conduta,
torna-se complexo em razão das dificuldades do adulto
"orientador". Todos somos medianamente conscientes de nossa
dificuldade na área sexual não só em razão de nossa educação
como também de nossas reincidentes dificuldades na área,
verdadeira bagagem de problemas que vimos carregando encarnação
pós encarnação.
A maioria dos
companheiros deve conhecer a piadinha que passo a contar, como
ilustração . " Paulinho chega da pré-escola todo entusiasmado e
pergunta logo ao pai: - Pai , de onde eu vim? O pai ansiosíssimo
busca um número enorme de livros e mapas do corpo humano pré-escolhidos para o grande dia e começa a contar a história do
espermatozóide e do óvulo, ressaltando sempre que tudo aconteceu
"porque o papai ama muito a mamãe". Decorridos minutos eternos
de muito suor, o pai ouve a exclamação de Paulinho:
- Nossa , que complicado! O meu colega veio de São Paulo!"
A blague ilustra bem nossa ansiedade e despreparo para o tema.
Adequação + bom senso + admissão de que não estamos tão bem no
assunto + informação + naturalidade + uma prece (porque não?)
fazem uma boa sequência para que a conversa atinja seu objetivo.
Afinal, a vida sexual faz parte de nossas vidas.
P: - Como lidar com
o adolescente rebelde, pois na adolescência já não dá para
manter a mesma relação que se mantinha com a criança?
R: - Você conhece aquele jogo Pedra - papel - tesoura? Então está
me entendendo. Se não, busque conhecer. Quando o papel encontra
a tesoura tudo dá
certo, mas se é a pedra que a encontra, complica o jogo.
Busco esta analogia para ilustrar a idéia de que a flexibilidade
é o melhor
remédio para lidar com o adolescente rebelde. Mas não se
assuste; flexibilizar
aqui significa obter o que você quer do adolescente sem que ele
perceba e não
concordar com ele. Significa não "bater de frente", mostrar
autoridade. Como? Recorramos ao Evangelho - Livro da Vida : que
o seu sim
seja sim , seu não seja não. O sim funciona como açúcar. Em
altas doses cria
problemas, mela; o não é o sal, tempera. Muito sal , amarga.
Lidar com limites
é sinal de proteção, tempero para o amor que você quer dar ao
tal adolescente.
Entretanto é uma atitude que já deveria estar sendo cultivada
desde cedo entre vocês. Outra atitude de valor é lidar com as discordâncias.
Você
pode discordar
de mim, ainda assim continuaremos amigos se a amizade é o que
nos interessa. O
adolescente pode discordar de mim e eu dele, qual é o problema
se não houver
real prejuízo a não ser o da discordância? Não é sinal de
desrespeito e sim
de diferença. E diferença não é defeito.Veja com naturalidade o
choque
intergeracional. Nós fizemos algo parecido com nossos pais e
avós. A cada
geração estabelece-se a crítica aos valores vigentes. Os que se
mostraram
válidos para o grupamento humano sobrevivem; os inválidos, como
numa guerra,
deixam de existir. Chama-se Lei de Progresso. E mais,
adolescente não é mais
criança - é adolescente. É bom atualizar suas expectativas.
P: -
Tenho um sobrinho neto, que também é meu afilhado, que é
hiperativo. Ele tem
oito anos e é preciso ter muita paciência para lidar com ele.
Por ser assim é
excluído por alguns colegas, e por conseqüência sofre muito. Ele
freqüenta
sessões com a psicóloga, e toma remédio com prescrição médica. A
nossa
preocupação é como será a adolescência dele, se mesmo muito
amado e muito
querido no seio da família ele é assim. Como devemos lidar com
ele
espiritualmente para ajudá-lo a melhorar e ter uma adolescência
mais feliz?
R:
- Resposta: A sua
questão é sobre a hiperatividade, não? Pelo exposto sinto que
vocês já tomaram as providências devidas e vale a pena
perseverar nelas a longo
prazo. Os exercícios físicos, em especial a natação, assim como
caminhadas, se
ele ainda não os está fazendo poderão ajudá-lo. Vale a pena ir
introduzindo
pequenas tarefas de responsabilidade para ele em casa - forrar a
própria cama,
colocar o lixo para fora, aguar plantas, tudo isto bem
rotinizado para que o
condicionamento possa acontecer. Outra possibilidade é começar a
levá-lo para
acompanhar o parente adulto nas tarefas da casa espírita , como
a campanha do
quilo. O amor nunca será sinônimo de mimos. Amar é educar. E
para educar
teremos que fazer uso de duas ferramentas: o sim e o não.
Espiritualmente ele
já deve estar frequentando a Evangelização, creio. Os passes
dispersivos,
semanais, também devem ser buscados, além do culto do Evangelho
no lar
realizado com a presença dele e dos familiares. Uma música suave
colocada no
ambiente a hora de dormir, beneficiará a família toda para um
descanso tranqüilo. Quanto ao futuro vamos aguardá-lo com confiança.
P: -
Como devemos lidar com a hiper-energia do jovem?
R:
- A
chamada hiper energia é sinônimo de vitalidade, saúde e
resultante
responsabilidade pois consoante a lição evangélica , muito será
pedido a
quem muito foi dado, e não será justificado enterrar os
talentos recebidos.
Entretanto, peço licença para sugerir trabalho para o jovem que
esbanja
energia. Entendemos por trabalho a responsabilidade por qualquer
tarefa que, sendo-lhe entregue, será cumprida. Pode ser dentro de casa
auxiliando nas
tarefas domésticas, porque não? O perfil familiar hoje está
atualizado para que
ambos os cônjuges façam de tudo , imagine como será quando ele
formar o próprio
lar? Pode ser um trabalho remunerado de meio dia para que não
ocorra prejuízo
em sua vida escolar, pode ser ainda o trabalho voluntário
oferecido a
comunidade em geral e em particular, a comunidade espírita. É
bom também fazer
exercícios físicos, caminhadas, ciclismo, natação, vôlei,
futebol, a sua
escolha e possibilidade. Agora, vamos convir: o jovem que passa
o dia assentado
na TV ou no PC vai viver ou cochilando ou "aprontando"... Vamos
conduzi-lo dando
- lhe a entender que a nossa preocupação é a sua qualidade de
vida.
P: -
É recomendado forçar um jovem de 16 anos a freqüentar a Escola
de
Evangelização?
R:
- Ir as
aulas de Evangelização segue a mesma linha de ir a escola, ir
ao médico , ao dentista. É necessário e deve ser feito. Mas devo
insistir no
conceito de educação ligado ao de processo. Processo é, simplificadamente,
tudo aquilo que começa de um jeito, depende do tempo, e termina
de outra
forma. É portanto, dinâmico e seqüente. Por isso, a espiritualidade amiga nos
tem dito que estamos em "processo de evolução". Juntamos a estas
idéias a de
que a natureza não dá saltos...Portanto, sinto informar, aos 16
anos o jovem
será convencido por argumentos válidos para ele. E só. Confiemos
entretanto na
sua inteligência e auto estima. Ele há de querer o melhor para
si, se é
saudável. Caso contrário, talvez valha a pena buscar a
orientação de um
profissional pois a baixa estima é doença que se apresenta em
graus variados.
Mas é bom também ouvir este jovem. Pode ser que ele tenha
afinidade com outra
religião. Neste caso, vamos respeitar sua decisão.
P: -
Sou professor; a maioria de meus alunos são adolescentes. Queria
saber por que
eles adoram chamar tanto a atenção (através de risos, conversas
altas durante
as aulas)? E também como se explica essa apaixonite aguda dos
alunos pelos
professores?
R:
- O
universo afetivo do adolescente é complexo e sofre influências
do
contexto geral - mundial, familiar, local. Junte-se a isto a
eclosão hormonal
e você terá um pouco das explicações que busca. Além do que ele é
um espírito com
sua bagagem pessoal . Você se lembra da sua adolescência?
Lembra-se então
daqueles dias em que havia uma quase certeza de que se abrisse
os braços,
voaria? Pois esta onipotência é particular do adolescente, uma
espécie de
transe hormonal , como citam alguns autores. Há uma paixão pela
vida, pelo
amor. É muito linda esta fase .Mas como nada é perfeito,
torna-se também
perigosa quando sem referências saudáveis, sem limites, sem as
balizas do sim e
do não. O impulso sexual toma então as características da
promiscuidade para
justificar o comportamento do jovem, antes saudável, agora
problemático. Nós,
seus pais e professores, ficamos tímidos diante de tanta
energia vital e nos
recolhemos, indevidamente, deixando o jovem entregue a estas
forças novas que
segundo André Luiz podem ser comparadas a erupção de um vulcão e
nelas o
indivíduo pode se queimar indefinidamente. Os adultos muitas
vezes chamam de
respeito a sua própria impotência e medo . No Evangelho segundo
o Espiritismo
há uma página que se chama - A ingratidão dos filhos e os laços
de família -
pag. 249. FEB - que é um tratado de conduta. E permita-me
sugerir também o
capítulo - O Universo Afetivo da Adolescência, de minha
autoria, que se
encontra publicado no livro Saúde e Espiritismo da AME-Brasil
. Tomara lhe
seja útil Por último, quanto as apaixonites, se voce for objeto
delas, continue
adulto que apaixonite passa...
P: -
Como estimular os jovens a leitura, visto que tenho constatado
que muito poucos
se interessam, principalmente quando resolvemos fazer um
programa de estudos
sobre algum livro?
R:
- Qualquer
hábito se define pela repetição de um determinado
comportamento, seja útil ou nocivo. Junte-se a isto as
tendências do indivíduo
e seu interesse e teremos um panorama explicativo das condutas
do jovem, e dos
demais indivíduos. Digo isto pois o jovem não é uma raça em
separado. Somos nós
mesmos, ontem, ou nossos filhos daqui a pouco. Aproveito para
lembrar que
também a adolescência não é a fase mais importante ou
problemática da vida . É
somente mais uma fase entre tantas pois a vida tem valor em si
mesma.
Junte-se a nossa inabilidade ao contexto social e a eclosão
hormonal com
o start para a vida sexual e entenderemos o que nos faz debruçar
sobre esta
fase na tentativa de compreendê-la. E porque muitas vezes não
tenhamos ficado
satisfeitos com a nossa própria experiência como adolescentes, é
que estamos
potencialmente interessados em cooperar com jovem ao nosso lado. Dito isto
passemos a questão do hábito de estudo e leitura. A Comunicação
atual é
especialmente áudio visual. É uma realidade que precisamos
admitir. Desde que a
TV entrou em nossa casa naturalmente lemos menos, salvo
exceções. Com os
computadores aliados a imagem televisiva qualquer propaganda
vira um show, um
hiper realismo e portanto capaz de prender a atenção de todos. A
leitura deve
então preencher a algo mais, não disponível apenas visualmente.
O conteúdo da
mensagem será a grande atração do livro, o mergulho no nosso
imaginário e não
apenas usufruir do imaginário do outro (filmes, TV, programas
de
computadores). Mas trata-se de um valor. Ler ou não ler, eis a
questão. A
família tem o hábito da leitura? Os pais estão sempre lendo?
Desde a infância
compram livros específicos para as crianças? Presenteiam aos
amigos com livros? Freqüentam feiras de livros? Possuem biblioteca em casa, mesmo
que pequena?
Como vê, na ausência destes estímulos, não haverá hábito de
leitura. E os
estudos sobre livros? Segue a mesma linha de argumentação mas
com uma
agravante: há estudos que são mesmo muito chatos.
P: -
Por que na adolescência, a maioria dos jovens se afastam da casa
Espírita? Os
meus filhos participaram de todos os ciclos do DIJ, e hoje
(adultos) não
participam das atividades da Instituição que freqüento há 20
anos. Será que
houve falha minha, será que eu deveria tê-los obrigado quando
eles tinham entre
15/18 anos?
R:
-
Genericamente, o jovem se afasta porque está descobrindo outros
interesses relativos ao seu momento de vida e talvez se sintam
ou limitados
pelos valores doutrinários ou até mesmo podem achar que o que já
receberam é
suficiente para si. De toda forma não é obrigando-os a estarem
de 'corpopresente' que vamos obter êxito. Este hábito deveria estar
formado junto com
outros mais cedo e se tal não ocorreu vamos aguardar o tempo,
que age a favor
de todos nós. A boa semente já está plantada no solo de seus
corações e a seu
tempo germinará. Quanto as falhas paternas ou maternas que lhe
preocupam, são
naturais. Pertencem a nossa condição de aprendizes da vida e de
nós mesmos.
Admitido isto podemos lançar algumas hipóteses: quem sabe houve
uma overdose de freqüência a casa espírita na vida das crianças? Ou quem sabe se, observando o
seu exemplo, eles não o aprovem? E se são espíritos com outras
escolhas? Pode
ser tudo isto ou nada disto. De toda maneira, fiquemos
tranquilos. Continue
agindo de acordo com a sua consciência, onde se encontra a lei
de Deus, segundo
a questão 621 d´O Livro dos Espíritos.
P: -
Qual a relação entre o período de adolescência e o processo
reencarnatório ?
R:
- Não sei
se consegui alcançar a sua pergunta .... O processo
reencarnatório refere-se ao todo de nossa vida e não
especificamente a um
momento desta encarnação. Evidentemente reencarnado aos 7 anos
de idade, o
espírito assume sua bagagem transcendente, isto é , relativa as
suas vidas
sucessivas, Desta forma, gradativamente, a individualidade
espiritual vai
deixando suas pegadas na personalidade presente. A criança antes
dócil,
pode ir demonstrando mais 'opinião', a quietinha não pára mais
em casa, e
assim por diante. Como na adolescência há uma crise de autonomia
mais
marcante devida inclusive a eclosão hormonal, pode ser que
estas
características, as mais das vezes difíceis, venham a tona .As
lições pelas
quais o espírito deve passar já como aluno repetente, visando
crescimento e
aprendizado surgem e nem sempre, nós, adolescentes ou não,
somos bem
sucedidos. Confiemos pois todas as circunstâncias estão a favor
da criatura,
conforme nos lembra Emmanuel.
P: -
O jovem tem espaço como trabalhador da casa espírita? Se
afirmativo, o que o
jovem deve fazer para conquistar este espaço?
R:
- A casa
espírita com mais razão reconhece em seus frequentadores,
espíritos "embalados" em corpos de várias idades. Desta maneira
, o quanto
antes o trabalhador mirim começa a sua formação. Os mais
novinhos vão ajudar a
professora de Evangelização arrumando a sala, carregando o
material, montando
o material... Um pouco mais tarde, acompanhando os pais, já
estarão na
campanha do quilo, carregando a sacola menor, depois já podem
participar da
visita fraterna quando o perfil da problemática do visitado o
permita. Neste
processo será natural que o jovem seja capaz de responder por
uma campanha
interna, e vá crescendo em responsabilidades e aptidão para
coordenar um estudo
ou uma reunião de jovens., chamada de Mocidade. Segundo o
Codificador Allan
Kardec é preciso que nos amemos e nos instruamos. O candidato a
tarefa terá
como piso a boa vontade mas entenderá que esta característica
nobre em si
mesma, é piso para a instrução doutrinária. Formada esta base,
através de
manuais de 'Como fazer' largamente distribuídos pelas
federativas ou mesmo pela
própria casa frequentada, facultará ao jovem o desempenho útil a
si e aos
demais. Feito assim, oferecer-se sem ansiedade. Aguardar.
Quando o trabalhador
está pronto, o trabalho aparece.
P: -
Que posturas a casa espírita deve adotar na questão do sexo pré
nupcial?
R:
- Postura
de respeito ao livre arbítrio de cada consciência. Nunca
julgar; informar e aguardar a determinação do foro íntimo dos
envolvidos. Fugir
entretanto ao pieguismo de tudo aceitar sob o pretexto da
compreensão cristã. A
casa espírita, entre outras características, é também escola e
portanto não foge a disciplina em seus domínios. Ao adentrá-la
devemos
respeitar suas determinações. Namoros esfogueados como muitas
vezes temos
presenciados as portas do templo espírita, são indicativos de
que há algo a
ser reorientado. Quantas vezes no exercício da tarefa de
expositora, observamos
na platéia casais que pretextando assistir ao estudo, ali se
encontram com o
interesse claro de apenas namorar como se o auditório espírita
se assemelhasse
a uma sala de cinema.... A disciplina antecede a espontaneidade,
recomenda-nos
o benfeitor Emmanuel. Nada temos contra o carinho natural aos
casais que se
namoram, nem mesmo a atividade sexual, natural e desejável em
nossas vidas. O
que nos recomenda a conduta é o bom senso, a adequação a nós e
a quem nos
assiste. E a responsabilidade pelos próprios atos e suas
consequência.
P: -
Gostaríamos se possível de saber, o que ocorre com o
adolescente, que nesta
fase da vida apresenta um grau elevado de irritabilidade?
R:
- As
crises de autonomia registradas pela Psicologia do
Desenvolvimento
são quatro: aos 4 anos; aos 12; aos 14; aos 21 anos. Sua
finalidade é, através
da agressividade (lembre-se para a Psicologia agressividade é um
impulso
saudável, uma garra de viver e não violência como o leigo
imagina e se tornou
popular) transformar o ser em indivíduo, pessoa singular para si
mesma,
portadora de direitos constituídos pela sua conduta. Isto se
faz , na prática, com um tanto de raiva. A raiva é uma das emoções naturais,
isto é, faz
parte de nosso repertório humano. As demais são alegria,
tristeza, medo. São
nossas professoras, melhor , orientadoras, pois se não a
negarmos aprenderemos
com elas sobre nós mesmos.
Assim é que a raiva, gera autonomia, a alegria gera otimismo e
convivência
externa; o medo gera a prudência - que é diferente da coragem
vaidosa e a
tristeza vai gerar introspecção e capacidade para ouvir as
nossas próprias
respostas.
Mas atenção! As emoções são dirigidas ao nosso próprio
aprendizado e não para o
outro a nossa volta. A raiva que sinto pelo que você me fez
serve para que eu aprenda sobre mim mesma; para que eu aprenda a me
defender de você, se for o caso, e NÃO para lhe agredir, lhe desrespeitar,
brigar, xingar,
bater... Esta é a indispensável referência de conduta. Já a
irritabilidade é, por assim dizer, um sub produto da raiva. Algo inconsistente,
uma falta de
educação, uma fraqueza de argumentos convincentes. Parece-me que
combina bem com
o ser que adolesce e procura por sua própria definição. Pode ser
também
reativa, devido a muita exigência e repressão. Vamos ajudá-lo .
P: - Sabemos que na adolescência o
espírito se mostra como o é! E na
infância temos
de o dever de reparar as mas pendências dos filhos amados! Assim
pergunto até
onde devemos usar da autoridade de pai e mãe, sem tolher os
filhos para que
não sejam inseguros e revoltados no futuro?
R:
- Resposta: O ideal
comum que está presente em todos os seres é o da liberdade.
Na doutrina Espírita está expresso no conceito do livre arbítrio, a nós
outorgado após o pensamento contínuo e a noção de
responsabilidade,
inicialmente grupal e a na sequência, individual , conforme
podemos ler em
Evolução em Dois Mundos. O dever dos quais os pais são
portadores em relação a
educação dos filhos, termina onde começa a exigência. A educação
, assim como o
alimento comum , não deve se posta "goela abaixo" daqueles a
quem amamos. Nos
casos de inapetência é preciso buscar suas causas, sanando-as;
nos casos de
rebeldia também. Ademais o próprio Criador tem para conosco um
infinito e
paciente Amor. A reencarnação, dando-nos tempo para aprender, é
prova
disto. Porque nós, que também somos estudantes da evolução
teríamos conduta
diferente com nossos filhos? Já a autoridade precisa ser
exercida. A palavra
deriva de autor, isto é, aquele que fez, o que assinou, o que é
responsável
pelo feito. Está em relação direta com a nossa capacidade de
fazer, tanto é que
autores existem aos montes, bons e maus. A autoridade boa está
em razão direta
com a humildade; com a capacidade de entendermos que o melhor
possível a nós
não é o melhor que existe. As falhas são decorrentes
naturais da nossa condição humana. Entendendo isto, vamos
relaxar um pouco.
Vamos fazer dentro de nossas possibilidades. Deus fará o resto
por nós, e por
nossos filhos.
Cabe aos pais o bom exemplo, a referência do sim e do não, o
interesse amoroso
pela conduta do filho, a contribuição para a sua qualidade de
vida,
a apresentação da religião e a vivência de valores consoantes a
esta escolha.
Vale também a reprimenda, castigo que é limite por determinada
atitude indesejável do filho, a suspensão de certos privilégios,
tudo em favor
da pedagogia, isto é da educação. Cuidar para que o
personalismo , o
autoritarismo não se mesclem em sua conduta. Se ainda assim o
filho se revoltar
no futuro, é porque a revolta é o seu desafio evolutivo mas não
porque nós,
pais, a cultivamos em seu coração. Para finalizar lhe digo que
educar é mesmo
muito difícil. Não desanime. Você não está sozinho com
suas dúvidas.
Mensagem da Entrevistada
Envio
esta mensagem na esperança que possa ser anexada às minhas
respostas sobre adolescência, como meu agradecimento pela
oportunidade de
participar.
CAUSA E EFEITO
Quantas vezes
bloqueamos a
espontaneidade das crianças,
esquecendo-nos
do quanto isso nos doeu na
nossa infância...
Quantas vezes
exigimos mais
maturidade dos adolescentes
sem lembrarmos o
que passamos quando nos
exigiram isso...
Quantas vezes nos
queixamos
dos colegas de trabalho e não
nos perguntamos se eles também
têm queixas sobre nós...
Quantas vezes nos
irritamos
nas ruas sem percebermos que
nossa irritação
também causa mal aos outros...
Quantas vezes
queremos
implantar paz na família
expressando-nos aos
berros...
Quantas vezes
esperamos dos
nossos parceiros o que não
estamos dispostos
a dar-lhes...
Quantas vezes
esperamos dos
nossos filhos o que não demos
aos nossos
pais...
Quantas vezes
esperamos dos
nossos pais o que não damos
aos nossos
filhos...
Quantas vezes
perdemos a
paciência com idosos
esquecendo que a velhice
chega para todos...
Quantas vezes
repelimos
animais e nos comportamos
como seres
irracionais...
Quantas vezes
pedimos aos
amigos coisas que não
gostaríamos que eles nos
pedissem...
A maior parte da
vida deixamos
a Vida passar sem senti-la no
coração...
Creia que você,
somente você
pode mudar tudo isto!
"Existe vida
inteligente na
Terra?
Sim, mas estou só de
passagem..."
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