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O
“Journal de la Vienne”, de 21 de janeiro, conta o fato
seguinte, que outros jornais reproduziram:
“Há
cinco ou seis dias na cidade de Poitiers se passa um fato de tal
modo extraordinário, que se tornou tema de conversas e dos mais
estranhos comentários. Todas as noites, a partir das seis
horas, ruídos singulares são ouvidos numa casa da Rue
Neuve-Saint-Paul, habitada pela senhorita de O..., irmã do sr.
Conde de O... Segundo nos informaram, estes ruídos fazem o
efeito de disparos de artilharia; violentos golpes parecem dados
nas portas e nos postigos. A principio pensaram que fossem
causados por brincadeiras de garotos e de vizinhos mal
intencionados. Foi organizada uma vigilância das mais ativas.
Ante a queixa da Senhorita de O..., a policia tomou as mais
minuciosas medidas: agentes foram postos no interior e no
exterior da casa. Nada obstante, produziram-se as explosões e
sabemos de boa fonte que o sr. M..., brigadeiro, durante a penúltima
noite foi tomado de tal comoção, da qual ainda hoje não se dá
conta. Nossa cidade inteira se preocupa com esse inexplicável
mistério. Até o presente os inquéritos feitos pela policia não
conduziram a nenhum resultado; cada um procura a chave do
enigma. Algumas pessoas iniciadas ao estudo do Espiritismo
pretendem que Espíritos batedores são os autores dessas
manifestações, às quais não seria estranho um famoso médium,
que, aliás, não mora no bairro. Outros lembram que outrora
existia um cemitério na Rue Neuve-Saint-Paul e é desnecessário
dizer a que conjecturas se entregam a esse respeito.
“De
todas essa explicações não sabemos qual a boa.
Resta que a opinião está muito abalada com o caso e
ontem a noite considerável multidão se havia reunido sob as
janelas da casa de O..., e que a autoridade teve que requerer um
piquete do 10o. de Caçadores para evacuar a rua. No
momento em que escrevemos, a policia e a guarda ocupam a
casa.”
O
relato desses fatos nos foi enviado por vários correspondentes
particulares. Posto nada tenham de mais estranho que os fatos
constatados de manifestações ocorridas em diversas épocas e
estejam nos limites do possível, convém suspender o julgamento
até mais ampla constatação, não do fato, mas da causa, pois,
é necessário guardar-se de levar à conta do Espíritos tudo
aquilo que se não compreende. Também é preciso desconfiar das
manobras dos inimigos do Espiritismo e das armadilhas que podem
lançar, para tentar levá-lo ao ridículo pela grande
credulidade de seus adeptos. Vemos com satisfação que os Espíritas
de Poitiers, nisto seguindo os conselhos contidos no “Livro
dos Médiuns”, e as advertências que fizemos na Revista, até
a segunda ordem se mantêm numa prudente reserva. Se for uma
manifestação, será provocada pela ausência de toda causa
material; se for uma palhaçada, os autores, sem querer, terão
contribuído, como já o fizeram tantas vezes, para despertar a
atenção dos indiferentes e provocar o estudo do Espiritismo.
Quando fatos análogos se multiplicarem por todos os lados, como
é anunciado, e quando inutilmente procurarem a causa neste
mundo, terão que convir que está no outro. Em todo o caso, os
Espíritas provam sabedoria e moderação. É a melhor resposta
a dar aos adversários.
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