O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Artigo do Sr. Savage, Pastor da Igreja Unitária de Boston

Autor:
Léon Denis

Fonte:
Livro: Cristianismo e Espiritismo

HISTÓRICO

   

“As Neue Spiritualistische Blatter”, de 16 de março 1893, publicam a tradução de um artigo do Senhor Savage, pastor da Igreja Unitária de Boston, no qual esse pensador, esse emérito escritor, bem conhecido nos Estados Unidos, narra as suas investigações no domínio psíquico e conta de que modo foi levado a acreditar nos fatos espíritas.

Reproduzimos em seguida esse artigo:

A respeito dessas questões, eu me encontrava como outrora os homens sisudos de Jerusalém, de Corinto e de Roma, relativamente ao Cristianismo; parecia-me que era uma pestífera superstição. Uma vez, fundado na minha invencível ignorância, pronunciei contra essas idéias um discurso em quatro lugares, depois do qual muito me admirei de que ainda houvesse, entre as pessoas de meu conhecimento, indivíduos que continuasse a acreditar nisso do mesmo modo.

Há dezessete anos, um membro da minha igreja perdeu o pai. Pouco tempo depois veio ele confiar-me que, tendo ido, com um amigo, procurar um médium, este lhe disse certas coisas convincentes, e pediu-me que lhe desse um conselho. Reconheci então que me não competia dá-lo acerca de uma coisa que eu não conhecia e da qual toda a minha ciência consistia em preconceitos. A rápida propagação do Espiritismo, nas classes ilustradas de Boston, me fez compreender que era necessário submeter a sério exame os fenômenos em questão, porquanto era possível, ou antes provável que ainda outros membros da minha igreja me pedissem explicações sobre isso.

Disse, pois, comigo mesmo: quer sejam falsas, quer verdadeiras, é preciso, em todo caso, que eu estude a fundo essas coisas, para ser bom conselheiro. Reconheci que seria uma vergonha para mim não ter opinião alguma sobre as referências do Antigo e do Novo Testamento às aparições e às influências demoníacas. Por que motivo ser inflexível na minha ignorância a respeito de coisas que tinham uma certa importância para os membros da minha igreja? Convenci-me de que era meu dever estudar conscienciosamente esses fenômenos, até formar uma opinião inteligente quanto ao valor deles. Tais foram os principais motivos que me conduziram a estas longas investigações.

Nelas observei o método científico, único que, a meu ver, conduz ao conhecimento. Mediante uma observação minuciosa, procurei sempre certificar-me de me haver ou não com um fato real e não prestei atenção a nenhuma das manifestações que se produzem às escuras, ou em condições em que eu não podia estar seguro as minha pesquisa.

Sem pretender que as manifestações obtidas em semelhantes condições sejam forçosamente devidas à fraude, não lhes atribuí valor algum; além disso, posto que reconhecesse muito bem que uma coisa reproduzida em outras condições não é uma simples imitação, aprendi a fundo a arte dos escamoteadores, que me se tornou assaz familiar. Na sua maior parte, as manifestações que fui obrigado a reconhecer como reais e que produziram o resultado de me convencer, tiveram lugar em presença de alguns amigos de confiança e sem o concurso de médium de profissão.

Uma vez, certo de que tinha de haver-me com um fato, lancei mão de todas as teorias possíveis para o explicar, sem recorrer à dos Espíritos. Eu não digo “sem recorrer a uma explicação sobrenatural”: digo “sem recorrer à teoria dos Espíritos”, porque não acredito em nada sobrenatural. Se há Espíritos, a nossa incapacidade de os ver não os torna mais sobrenaturais do que o átomo, para a Ciência, o qual do mesmo modo não vemos.

Ora, eu descobri fatos que provam que o eu não morre e que, depois do que chamamos morte, ainda é capaz, em certas condições, de entrar em comunicação conosco.

O reverendo J. Page Hopps, numa reunião de pastores, em Manchester, afirmava “a comunhão dos Espíritos no visível e no invisível” e propunha a fundação de uma igreja, cujas prédicas seriam “as mensagens lá do alto”.

(Aurore, Julho de 1893)