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Um
Espírita de Leipzig mandou imprimir em alemão o seguinte cartão,
cuja tradução temos o prazer de dar:
MEUS
AUGÚRIOS A TODOS OS ESPIRITAS E ESPIRITUALISTAS DE LEIPZIG,
PARA O ANO NOVO
Também
a vós que vos chamais materialistas, porque só quereis
conhecer a matéria, eu seria tentado a vos mandar os meus augúrios
de felicidade, mas temeria que considerásseis isto como uma
ousadia de um estranho que não tem o direito de se contar entre
vós.
É
diferente com os Espiritualistas, que estão no mesmo terreno
que os Espíritas, no tocante à convicção na imortalidade da
alma, em sua individualidade e em seu estado feliz ou infeliz
depois da morte. Os
Espiritualistas e os Espíritas reconhecem em cada homem uma
alma irmã da sua e, por isto, me dão o direito de lhes enviar
meus augúrios. Uns
e outros que, sustentados por sua graça, terão coragem para
suportar as provações dos dias infelizes, a força de
trabalhar em seu aperfeiçoamento, dominando suas paixões.
A
vós, caros Espíritas, irmãos e irmãs conhecidos e
desconhecidos, eu vos desejo particularmente um ano feliz,
porque recebestes de Deus, para a vossa peregrinação terrena,
um grande apoio no Espiritismo.
A religião a todos veio trazer a fé e bem-aventurados
os que a conservaram. Infelizmente
ela está extinta num grande número; eis porque Deus envia uma
nova arma para combater a incredulidade, o orgulho e o egoísmo,
que tomam proporções cada vez maiores.
Essa arma nova é a comunicação com os Espíritos; por
ela temos a fé, porque nos dá a certeza da vida da alma, e nos
permite lançar um olhar na outra vida; assim reconhecemos a
vaidade da felicidade terrena, e temos a solução das
dificuldades que nos faziam duvidar de tudo, mesmo da existência
de Deus.
Disse
Jesus a seus discípulos: “Teria ainda muitas coisas a vos
dizer, mas não poderíeis ainda suportá-las”. Hoje, tendo a humanidade progredido, pode compreendê-las.
Eis porque Deus nos deu a ciência do Espiritismo, e a
prova que a humanidade está madura para esta ciência, é que
esta ciência existe. É
inútil negar e troçar. Como outrora era inútil negar e troçar
os fatos adiantados por Copérnico e Galileu.
Então esses fatos eram tão pouco conhecidos quanto o são
agora os do mundo dos Espíritos.
Como outrora, os primeiros opositores são os sábios, até
o dia em que, vendo-se isolados, reconhecerão humildemente que
as novas descobertas, como o vapor, a eletricidade e o
magnetismo, outrora
desconhecidos, não são a última palavra das leis da
Natureza. Serão
responsáveis perante as gerações futuras por não terem
acolhido a ciência nova como irmã das outras e por terem-na
repelido como uma loucura.
É
verdade que ela não ensina nada de novo proclamando a vida da
alma, pois o Cristo dela falou; mas o Espiritismo derruba todas
as dúvidas e lança uma nova luz sobre esta questão.
Entretanto, guardemo-nos de considerar como inúteis os
ensinamentos do cristianismo, e de os crer substituídos pelo
Espiritismo; ao contrário, fortifiquemo-nos na fonte das
verdades cristãs, para as quais o Espiritismo não é senão um
novo facho, o fim, que nossa inteligência e nosso orgulho não
nos desgarrem. O
Espiritismo nos ensina, antes de mais nada, que “Sem o amor e
a caridade, não há felicidade”, isto é, que é preciso amar
ao próximo como a si mesmo; apoiando-se nesta verdade cristã,
ele abre o caminho para a realização desta palavra do Cristo:
“Um só rebanho e um só pastor.”
Assim,
pois, caros irmãos e irmãs Espíritas, permiti que meus votos
pelo ano novo junte ainda esta prece: Que jamais useis mal o
poder de comunicação com o mundo espiritual.
Não esqueçamos que, conforme a lei, sobre a qual
repousam nossas relações com os Espíritos, os maus não estão
excluídos das comunicações.
Si é difícil constatar a identidade de um Espírito que
não conhecemos, é fácil distinguir os bons dos maus.
Estes podem ocultar-se
sob a máscara da hipocrisia, mas um bom Espírito os
reconhece sempre; eis porque não nos devemos ocupar dessas
coisas levianamente, porque podemos ser joguete de Espíritos
mais, posto que inteligentes, como por vezes são encontrados no
mundo dos encarnados. Si
compararmos nossas comunicações com as que são obtidas nas
reuniões dos Espíritos fervorosos e sinceros, logo saberemos
reconhecer se estamos no bom caminho.
Os Espíritos elevados se fazem reconhecer por sua
linguagem, que é a mesma por toda
parte, sempre de acordo com o Evangelho e a razão
humana.
O
meio de se preservar dos maus Espíritos é, para começar,
fazer uma prece sincera a Deus; depois, jamais empregar o
Espiritismo para coisas materiais.
Os maus Espíritos estão sempre prontos a satisfazer
todos os pedidos e, por vezes, se dizem coisas justas, o mais
das vezes enganam com intenção ou por ignorância, porque os
Espíritos inferiores não sabem mais do que durante sua existência
terrestre. Os bons
Espíritos, ao contrário, nos ajudam em nossos esforços a nos
melhorarmos e nos dão a conhecer a vida espiritual, a fim de
que possamos assimilá-la a nossa.
Tal é o objetivo para onde devem tender todos os Espíritas
sinceros.
Adolf,
Conde de Poninski
Leipzig,
1o de Janeiro de 1868
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