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Mesas
de vários tipos e tamanhos ( de preferência pequenas ),
levantavam um pé, movimentavam-se subindo, dançando; ditavam
mensagens; compunham música; pairavam no ar, sem qualquer
apoio.
Eram
as chamadas “mesas girantes”, ( tables-moving, tables
mouvantes, tables tournantes ), que invadiram vários países (
Estados Unidos, onde foram precedidas pelo conhecido “episódio
de Hydelsville”, Canadá, França, Alemanha, Itália,
Inglaterra, Brasil ), despertando as consciências adormecidas
no comodismo de religiões paternalistas ou narcotizadas pelos
enleios do materialismo grosseiro, das vidas sem perspectivas
espirituais.
Emma
Hardinge, em sua “History of Modern American Spiritualism”,
relata que “as mesas não se limitavam a levantar-se sobre um
pé para responder às perguntas que se faziam, moviam-se em
todos os sentidos, giravam sob os dedos dos experimentadores, às
vezes se elevavam no ar, sem que se descobrisse as forças que
as tinham suspendido”.
Muitos
anos depois, outro notável pesquisador psíquico assim se
referia aos fenômenos das “mesas girantes”:
“Paris inteira assistia, atônita e estarrecida, a esse
turbilhão feérico de fenômenos imprevistos que, para a
maioria, só alucinadas imaginações poderiam criar, mas que a
realidade impunha aos mais céticos e frívolos”. – Dr.
Antonio J.Freire, “Da Evolução do Espiritismo”.
Nos
anos de 1853 a 1855 as “mesas girantes” constituíram,
aparentemente, um passatempo para animar a frivolidade dos salões
e a curiosidade das massas, mas atendiam, em verdade, a uma
determinação do Alto, despertando consciências para a revelação
concreta da imortalidade da alma e para o recebimento do
Consolador, prometido por Jesus há muitos séculos e
consubstanciando no Espiritismo, que logo seria ditado a Kardec,
pois os tempos eram chegados.
Para
tirar os homens do torpor espiritual em que viviam, para que se
preparassem para receber uma nova Revelação era preciso, em
verdade, que ocorressem fenômenos capazes de lhes provocar o
medo, o assombro, a maior curiosidade. E assim foi. O
fato de objetos inanimados, as mesinhas “pés-de-galo”, o
mocho ( banco de piano ), as cestinhas, dançando, ditando
mensagens, dando respostas inteligentes, compondo músicas,
provocou tremenda celeuma em todas as classes sociais, cada qual
procurando uma solução para ele, de acordo, é natural, com
seus conhecimentos, ideologias religiosas e princípios filosóficos.
A
ciência acadêmica simplesmente negava os fenômenos, de cima
de sua imensa sabedoria, como aliás já fizera, antes, com
outros fatos, também incontestáveis; entretanto, muitos de
seus membros, vindo a estuda-los, honestamente lhes proclamaram
a veracidade.
A
Igreja, convencional, não os podendo negar, simplesmente os
atribuía ao demônio, como ainda hoje continua fazendo, por
comodismo. Isso não
impedia, entretanto, que o Padre Ventura de Raulica, o mais
ilustre representante da teologia e filosofia católicas do século
XIX, da França, chamasse os fenômenos de “o maior
acontecimento do século”.
Os
fenômenos das “mesas girantes”
eram produzidos, como sabemos, por Espíritos e a maior
lição que deles podemos tirar é a da imortalidade da alma e a
da comunicação, que sempre houve, entre os encarnados e os
desencarnados.
Entretanto,
muitas explicações foram criadas para eles, algumas infantis,
ou risíveis, mas Kardec escreveu em “O Livro dos Médiuns”:
“Como quer que seja, as mesas girantes representarão sempre o
ponto de partida da Doutrina Espírita”.
Tem
razão Carlos Luiz Chiesa, espírita da Argentina, quando
estabelece, em três etapas da Terceira Revelação, consistindo
a 1a. exatamente no desenrolar dos fenômenos de
ordem física, capazes de despertar os homens para as coisas do
Espírito e de lhes patentear a sobrevivência da alma que os
anima. Os “raps” produzidos por intermédio de Kate Fox, em
Hydelsville e os fenômenos das “mesas girantes”, ocorridos
em Paris, na França, atingiram, em cheio, sua finalidade.
A 2a. etapa viria, logo depois, com a Codificação
da Doutrina Espírita, graças ao missionário Allan Kardec,
tarefa gigantesca que desempenhou a contento, em virtude do seu
bom senso, sua cultura humanística, sua moral elevada.
A
3a. etapa agora se desenvolve, de estudo e
complementação da obra de Kardec e, sobretudo, de aplicação
dos postulados evangélicos na obra de redenção da Humanidade,
atendendo-se aos postulados supremos da Doutrina de: Trabalho,
Solidariedade e Tolerância, sem nos esquecermos, todavia, de
que “Fora da Caridade Não Há Salvação”.
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