O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
As "Mesas Girantes"

Autor:
Pedro Franco Barbosa

Fonte:
Espiritismo Básico

HISTÓRICO

 

Mesas de vários tipos e tamanhos ( de preferência pequenas ), levantavam um pé, movimentavam-se subindo, dançando; ditavam mensagens; compunham música; pairavam no ar, sem qualquer apoio.

Eram as chamadas “mesas girantes”, ( tables-moving, tables mouvantes, tables tournantes ), que invadiram vários países ( Estados Unidos, onde foram precedidas pelo conhecido “episódio de Hydelsville”, Canadá, França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Brasil ), despertando as consciências adormecidas no comodismo de religiões paternalistas ou narcotizadas pelos enleios do materialismo grosseiro, das vidas sem perspectivas espirituais.

Emma Hardinge, em sua “History of Modern American Spiritualism”, relata que “as mesas não se limitavam a levantar-se sobre um pé para responder às perguntas que se faziam, moviam-se em todos os sentidos, giravam sob os dedos dos experimentadores, às vezes se elevavam no ar, sem que se descobrisse as forças que as tinham suspendido”.

Muitos anos depois, outro notável pesquisador psíquico assim se referia aos fenômenos das “mesas girantes”:  “Paris inteira assistia, atônita e estarrecida, a esse turbilhão feérico de fenômenos imprevistos que, para a maioria, só alucinadas imaginações poderiam criar, mas que a realidade impunha aos mais céticos e frívolos”. – Dr. Antonio J.Freire, “Da Evolução do Espiritismo”.

Nos anos de 1853 a 1855 as “mesas girantes” constituíram, aparentemente, um passatempo para animar a frivolidade dos salões e a curiosidade das massas, mas atendiam, em verdade, a uma determinação do Alto, despertando consciências para a revelação concreta da imortalidade da alma e para o recebimento do Consolador, prometido por Jesus há muitos séculos e consubstanciando no Espiritismo, que logo seria ditado a Kardec, pois os tempos eram chegados.

Para tirar os homens do torpor espiritual em que viviam, para que se preparassem para receber uma nova Revelação era preciso, em verdade, que ocorressem fenômenos capazes de lhes provocar o medo, o assombro, a maior curiosidade.  E assim foi.  O fato de objetos inanimados, as mesinhas “pés-de-galo”, o mocho ( banco de piano ), as cestinhas, dançando, ditando mensagens, dando respostas inteligentes, compondo músicas, provocou tremenda celeuma em todas as classes sociais, cada qual procurando uma solução para ele, de acordo, é natural, com seus conhecimentos, ideologias religiosas e princípios filosóficos.

A ciência acadêmica simplesmente negava os fenômenos, de cima de sua imensa sabedoria, como aliás já fizera, antes, com outros fatos, também incontestáveis; entretanto, muitos de seus membros, vindo a estuda-los, honestamente lhes proclamaram a veracidade.

A Igreja, convencional, não os podendo negar, simplesmente os atribuía ao demônio, como ainda hoje continua fazendo, por comodismo.  Isso não impedia, entretanto, que o Padre Ventura de Raulica, o mais ilustre representante da teologia e filosofia católicas do século XIX, da França, chamasse os fenômenos de “o maior acontecimento do século”.

Os fenômenos das “mesas girantes”  eram produzidos, como sabemos, por Espíritos e a maior lição que deles podemos tirar é a da imortalidade da alma e a da comunicação, que sempre houve, entre os encarnados e os desencarnados.

Entretanto, muitas explicações foram criadas para eles, algumas infantis, ou risíveis, mas Kardec escreveu em “O Livro dos Médiuns”: “Como quer que seja, as mesas girantes representarão sempre o ponto de partida da Doutrina Espírita”.

Tem razão Carlos Luiz Chiesa, espírita da Argentina, quando estabelece, em três etapas da Terceira Revelação, consistindo a 1a. exatamente no desenrolar dos fenômenos de ordem física, capazes de despertar os homens para as coisas do Espírito e de lhes patentear a sobrevivência da alma que os anima.  Os “raps” produzidos por intermédio de Kate Fox, em Hydelsville e os fenômenos das “mesas girantes”, ocorridos em Paris, na França, atingiram, em cheio, sua finalidade.  A 2a. etapa viria, logo depois, com a Codificação da Doutrina Espírita, graças ao missionário Allan Kardec, tarefa gigantesca que desempenhou a contento, em virtude do seu bom senso, sua cultura humanística, sua moral elevada.

A 3a. etapa agora se desenvolve, de estudo e complementação da obra de Kardec e, sobretudo, de aplicação dos postulados evangélicos na obra de redenção da Humanidade, atendendo-se aos postulados supremos da Doutrina de: Trabalho, Solidariedade e Tolerância, sem nos esquecermos, todavia, de que “Fora da Caridade Não Há Salvação”.