O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
A Cabana do Pai Tomás (Pela Sra. Beecher Stowe)

Autor:
Allan Kardec

Fonte:
Revista Espírita
Novembro de 1868

HISTÓRICO

     

Lê-se o seguinte no 2º. Volume dessa obra, que teve um sucesso popular nos dois mundos:

Página 10. – Meu pai era um aristocrata. Creio que nalguma existência anterior, ele devia ter pertencido às classes da mais elevada ordem social, e que tinha levado consigo, na atual, todo orgulho de sua antiga casta; porque esse orgulho lhe era inerente; estava na medula de seus ossos, posto fosse de uma família pobre e operária.

Página 128. – Evidentemente as palavras que ele cantando nessa tarde lhe atravessavam o espírito, palavras de súplica dirigidas à infinita misericórdia. Seus lábios moviam-se fracamente e, em raros intervalos, escapava-se uma palavra. – Seu espírito varia, disse o médico. – Não, ele volta a si, disse Saint-claire com energia. Esse esforço o esgotou. A palidez da morte espalhou-se em seu rosto, mas com ela uma admirável expressão de paz, como se algum Espírito misericordioso o tivesse abrigado sob suas asas. Ele parecia uma criança que dormia de fadiga. Ficou assim alguns instantes; uma mão todo-poderosa repousava sobre ele. Mas, no momento em que o Espírito ia tomar o seu vôo, abriu os olhos, iluminado por um clarão de alegria, como se reconhecesse um ser amado, e murmurou baixinho: “Minha mãe!... sua alma se tinha evolado!”

Página 200. – Oh! Como a alma perversa ousa penetrar neste mundo tenebroso do sono, cujos limites incertos se avizinha tanto das cenas apavorantes e misteriosas da retribuição!

Observação: É impossível exprimir mais claramente a idéia da reencarnação, de origem de nossas inclinações e da expiação sofrida nas existências posteriores, desde que diz que o que foi rico e poderoso pode renascer na pobreza. É notável que esta obra tenha sido publicada nos Estados Unidos, onde o principio da pluralidade das existências terrenas há muito foi repelido. Ela apareceu em 1850, na época das primeiras manifestações espíritas, quando a doutrina da reencarnação ainda não havia sido proclamada na Europa. A Sra. Beecher Stowe então a havia colhido em sua própria intuição. Aí via a única razão plausível das aptidões e das propensões inatas. O segundo fragmento citado é bem o quadro da alma que entrevê o mundo dos Espíritos no momento de sua libertação.