|
Lê-se o seguinte
no 2º. Volume dessa obra, que teve um sucesso popular nos dois
mundos:
Página 10. – Meu
pai era um aristocrata. Creio que nalguma existência anterior,
ele devia ter pertencido às classes da mais elevada ordem
social, e que tinha levado consigo, na atual, todo orgulho de
sua antiga casta; porque esse orgulho lhe era inerente; estava
na medula de seus ossos, posto fosse de uma família pobre e
operária.
Página 128. –
Evidentemente as palavras que ele cantando nessa tarde lhe
atravessavam o espírito, palavras de súplica dirigidas à
infinita misericórdia. Seus lábios moviam-se fracamente e, em
raros intervalos, escapava-se uma palavra. – Seu espírito varia,
disse o médico. – Não, ele volta a si, disse Saint-claire com
energia. Esse esforço o esgotou. A palidez da morte espalhou-se
em seu rosto, mas com ela uma admirável expressão de paz, como
se algum Espírito misericordioso o tivesse abrigado sob suas
asas. Ele parecia uma criança que dormia de fadiga. Ficou assim
alguns instantes; uma mão todo-poderosa repousava sobre ele.
Mas, no momento em que o Espírito ia tomar o seu vôo, abriu os
olhos, iluminado por um clarão de alegria, como se reconhecesse
um ser amado, e murmurou baixinho: “Minha mãe!... sua alma se
tinha evolado!”
Página 200. – Oh!
Como a alma perversa ousa penetrar neste mundo tenebroso do
sono, cujos limites incertos se avizinha tanto das cenas
apavorantes e misteriosas da retribuição!
Observação: É
impossível exprimir mais claramente a idéia da reencarnação, de
origem de nossas inclinações e da expiação sofrida nas
existências posteriores, desde que diz que o que foi rico e
poderoso pode renascer na pobreza. É notável que esta obra tenha
sido publicada nos Estados Unidos, onde o principio da
pluralidade das existências terrenas há muito foi repelido. Ela
apareceu em 1850, na época das primeiras manifestações
espíritas, quando a doutrina da reencarnação ainda não havia
sido proclamada na Europa. A Sra. Beecher Stowe então a havia
colhido em sua própria intuição. Aí via a única razão plausível
das aptidões e das propensões inatas. O segundo fragmento citado
é bem o quadro da alma que entrevê o mundo dos Espíritos no
momento de sua libertação.
|