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Já
dissemos que a doutrina da reencarnação não é uma revelação
ou descoberta do Espiritismo, pois há muitos séculos era
aceita no Oriente. É de justiça reconhecer que Allan Kardec e
seus seguidores contribuíram de maneira sensível para divulgar
a idéia no Ocidente, vencendo aos poucos uma forte resistência
inicial.
A
reação descabida é determinada principalmente pela
incompreensão do real significado da reencarnação e suas
conseqüências morais. Além do mais, a milenar
"novidade" vinha contrariar conceitos e preconceitos
muito arraigados.
Estamos
agora observando, com alegria e esperança, interesses legítimos
no estudo desapaixonado da reencarnação por parte de
cientistas de renome.
O
professor H.N. Banerjee, da Universidade de Rajstan, na Índia,
já há vários anos pesquisa o assunto. Procurando uma
terminologia nova para o fenômeno, propõe ele as iniciais ECM,
da expressão inglesa "extra cerebral memory", ou
seja, memória extra cerebral. Isto quer dizer que o ilustre
professor está convencido de que a memória funciona também
sem o apoio do cérebro físico e, portanto, tem condições de
sobreviver à morte do corpo. Idéia semelhante, aliás, foi
esposada pelo Dr. Andrija Puharich, que admite experimentalmente
o que chama "mobile center of consciouness" (MCC),
isto é, "centro móvel de consciência".
Outro
cientista eminente, o professor Ian Stevenson, da Universidade
de Virgínia, tem, nos seus arquivos, relatos de mais de 600
exemplos de reencarnação. O Dr. Stevenson especializou-se em
casos de crianças de tenra idade que têm lembranças espontâneas
de vidas anteriores.
Há
algum tempo selecionou ele 20 desses casos e publicou, em 1966,
um livro interessantíssimo intitulado "Vinte Sugestivos
Casos de Reencarnação", no qual são apresentados dois do
Brasil, ocorridos ambos na família do saudoso professor
Francisco Valdomiro Lorenz, do Rio Grande do Sul.
Um
desses casos é narrado pelo próprio professor Lorenz, no seu
livro "A Voz do Antigo Egito", (edição da Federação
Espírita Brasileira). Uma jovem amiga dos Lorenz adoeceu
gravemente e, antes de morrer, anunciou que renasceria em breve
na família do professor. Tanto este como sua esposa guardaram a
informação para si mesmos, nada revelando aos demais membros
da família, nem mesmo depois de nascida mais uma menina. Esta
é que, logo que começou a falar, passou a referir-se
espontaneamente à sua existência anterior, lembrando episódios
então vividos.
Não
é o caso único na literatura espírita, em que a pessoa
anuncia se renascimento e depois se lembra da personalidade
anterior com bastante riqueza de informações. Num dos exemplos
colhidos no arquivo do professor Stevenson, um cidadão chamado
William George, do Alaska, declarou que renasceria na família
do seu próprio filho, com as mesmas marcas que tinha no corpo.
Isso realmente aconteceu e, com poucos anos de idade, a criança
se lembrava perfeitamente da sua vida anterior, apanhando certa
vez, entre diversas outras peças, um relógio que lhe
pertencera no passado. Também reconhecia seus parentes que
agora haviam trocado de posição, a começar pelo seu filho,
que era então seu pai, pois o menino era avô de si mesmo!
Estes
fatos que ainda surpreendem tanta gente, serão mais tarde
aceitos com naturalidade e interesse. A verdade é totalmente
indiferente aos nossos preconceitos e caturrices e, graças a
Deus, há muito cientista empenhado em descobrir a verdade, seja
ela qual for.
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