O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
A Sabedoria de Confúcio

Autor:
Humberto de Campos

Data:
01/11/2000

Fonte:
O Mensageiro

MENSAGENS

          

Certo dia andava Confúcio pelas margens silenciosas do rio Amarelo, colhendo, aqui e ali, um crisântemo atordoado pelas libélulas, quando se
aproximaram dois camponeses, em cuja humildade a experiência leu, desde
logo, os sinais da perfídia.

- Este homem, - disse o primeiro - tem em dúvida a tua sabedoria. E como eu lhe afirmasse que tu jamais te enganarias, venho pedir-te, Mestre, que nos acompanhes até à aldeia próxima, onde o povo aguarda a tua santa
palavra para a definitiva solução de uma contenda.


Colhendo, aqui e ali, um crisântemo, o sábio tomou, sem pressa o caminho do povoado. A barba, lisa e grossa, tombava-lhe pelo peito largo, orlando-lhe o rosto de bronze.

E foi assim, como a calma nos gestos e a serenidade no coração, que parou, com os dois guias, à sombra de uma cerejeira, em torno à qual os homens se amontoavam. Amarradas ao tronco da árvore, duas ovelhas olhavam a turba que as cercava, indagando, com os olhos inocentes, o motivo daquela curiosidade.


Entre o silêncio de todos, o homem sem fé explicou o motivo da disputa:
- Estas duas ovelhas, Mestre, são mãe e filha. São, porém, tão semelhantes em tudo, que ninguém poderá dizer qual a filha, qual a mãe. Eu assegurei, porém, que a tua sabedoria venceria a dificuldade, esclarecendo essa dúvida de todos nós.


Quieta, olhos pregados no solo, a multidão esperava ansiosa, a opinião do Mestre. Sem uma palavra, Confúcio afastou-se alguns passos, colheu na terra agreste um punhado de relva úmida, e atirou-a ao chão, entre as duas ovelhas. Uma baixou a cabeça, aspirou a erva, e empurrou-a, com o focinho para a outra. Esta baixou a boca, e principiou a comer.


Silencioso e bom, o filósofo acompanhava, com os olhos, o gesto manso dos animais. Ao fim de alguns minutos, estendeu o dedo, e indicou a ovelha que devorava o capim.
- Esta e a filha, - disse.


E alçando o dedo:
- Porque só as mães, chineses, se privam do alimento para matar a fome dos filhos!


E voltou para a campina, espantando as libélulas.

Confúcio e sua Escola

Confúcio (551- 479 a.C.) é a forma latina de Kongfuzi, que quer dizer Mestre Kong. Nasceu no estado de Lu em 551 a.C. Seu pai morreu quando tinha três anos, sendo educado pela mãe. Casou-se com 28 anos e no ano seguinte teve um filho Kong Li (522-482 a.C.). Depois de ocupar pequenos postos no ramo de administração de cereais, dedicou-se ao ensino, sendo o primeiro professor na história da China.

Visitou a antiga capital dos Zhou, Luo Yang, onde se informou sobre os ritos. Ao regressar, tornou-se magistrado em seu estado de Lu. Seu sucesso foi grande, de modo a ser promovido a Ministro da Justiça; tinha então 55 anos.

Em 495 a.C. abandonou seu posto, desgostoso com a politicagem e jogo
de interesses entre os Estados. Desde esta época, perambulou nos 14 últimos anos de sua vida, de Estado a Estado, oferecendo seus serviços aos governantes que quisessem consultá-lo.

Aos 68 anos, deixou de lado suas aspirações políticas e retornou ao Estado de Lu. Nos últimos anos de vida, além do ensino, dedicou-se a editar os clássicos. Esse trabalho editorial resultou na transmissão da tradição chinesa que chega até nossos dias e fautora da unidade cultural chinesa. Neste empreendimento foram coligidos seis livros sagrados, os Seis Jing e juntamente com os quatro livros da própria Escola de Confúcio, constituem os Escritos Confucianos.

      

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