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No
vale das trevas, delirava a legião de Espíritos infelizes.
Rixas,
obscenidades, doestos, baldões.
Planejavam-se
assaltos, maquinavam-se crimes.
O
Espírito Benfeitor penetrou a caverna, apaziguando e abençoando
...
Aqui
abraçava um desventurado, apartando-o da malta, de modo a
entrega-lo, mais tarde, a equipes socorristas;
mais adiante, aliviava com suave magnetismo a cabeça
atormentada de entidades em desvario...
O
serviço assistencial seguia difícil, quando enfurecido
mandante da crueldade, ao descobri-lo, se aquietou em súbita
acalmia e, impondo respeitosa serenidade à chusma de loucos,
declinou-lhe a nobre intenção. Que os companheiros rebelados
se acomodassem, deixando livre passagem àquele que reconhecia
por missionário do bem.
-
Conheces-me? – interrogou o recém-chegado, entre
espantado e agradecido.
-
Sim – disse o rude empreiteiro da sombra -, eu era um
doente na Terra e curaste meu corpo que a moléstia desfigurava.
Lembro-me perfeitamente de teu cuidado ao lavar-me as
feridas...
Os
circunstantes entraram na conversação de improviso e um deles,
de dura carranca, apontou o visitador e clamou para o amigo:
-
Que mais te fez este homem no mundo para que sejamos forçados
à deferência?
-
Deu-me teto e agasalho.
Outro
inquiriu:
-
Que mais?
-
Supriu minha casa de pão e roupa, libertando-nos, a mim e a família
da nudez e da fome ...
Outro
ainda perguntou com ironia:
-
Mais nada?
-
Muitas vezes, dividia comigo o que trazia na bolsa,
entregando-me abençoado dinheiro para que a penúria não me
arrasasse ...
Estabelecido
o silêncio, o Espírito Benfeitor, encorajado pelo que ouvia,
indagou com humildade:
-
Meu irmão, nada fiz senão cumprir o dever que a fraternidade
me impunha; entretanto, se te mostras tão generoso para comigo,
em tuas manifestações de reconhecimento e de amor que reconheço
não merecer, porque te entregas, assim, à obsessão e à
delinqüência?! ...
O
interpelado pareceu sensibilizar-se, meneou tristemente a cabeça
e explicou:
-
Em verdade, és bom e amparaste a minha vida, mas não me
ensinaste a viver!...
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xxx ---
Espíritas,
irmãos! Cultivemos a
divulgação da Doutrina Renovadora que nos esclarece e reúne!
Com o pão do corpo, estendamos a luz da alma que nos
habilite a aprender e compreender, raciocinar e servir.
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