O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
A Vitória das Sombras

Autor:
Richard Simonetti

Data:
01/04/2004

Fonte:
Livro: Endereço Certo

MENSAGENS

  

Altamiro, experiente obsessor, especialista em perturbar instituições espíritas, ouvia nas queixas de Perciliano, velho companheiro de estripulias entre os encarnados:

- Meu caro amigo, estamos em dificuldades. Não encontramos brechas para envolver espíritas impertinentes que invadiram nossa área de atuação. Edificaram um Centro, onde orientam muitas pessoas na reformulação de suas existências, com o que as subtraem à nossa influência.

- Tentaram desestabilizar o grupo com a discórdia?

- Sim, sem resultado. Eles estudam com muito empenho, em reuniões semanais, o detestável “Evangelho Segundo o Espiritismo”. Observam com seriedade sua lengalenga sobre a compreensão e o perdão.

- Experimentaram conturbar o ambiente com a presença de entidades galhofeiras e desequilibradas?

- Não há a mínima condição! Não temos acesso!... Os trabalhos são regidos pela oração e por vibrações em favor da concórdia e da paz.

- Semearam o tédio?

- Inutilmente! É impossível desmotivar pessoas que se imbuíram da convicção de que estão revivendo o Cristianismo primitivo com infindáveis iniciativas em favor do semelhante.

- E o formalismo religioso? Alimentem neles a velha tendência humana para as exterioridades, inspirem rituais e rezas que induzam ao acomodamento, distraindo-os da própria renovação. Foi assim que nossos maiores conseguiram desvitalizar o movimento cristão no passado.

- Fizemos isso, também. Alguns servidores mostraram-se receptivos, mas sem grandes resultados. Ocorre que lutamos contra um vigoroso movimento de abomináveis idéias nobres, imune a influências negativas, onde elas são diligentemente apreciadas e observadas.

- Se é assim – comenta Altamiro, sorrindo sinistramente – então ataquem o grupo onde ele parece mais forte: nas suas convicções! Sugiram que o Espiritismo não é religião! Que devem preservar o Centro contra o igrejismo! Nada de Cristianismo redivivo! Que oração pública é herança ritualística de outras crenças! Que passe magnético e água fluidificada revivem práticas de comunhão formal! Que “O Evangelho Segundo o Espiritismo” deve ser substituído, nas reuniões de estudos, por livros mais substanciosos, de cunho científico e filosófico! Faça-os sentir a necessidade de preservar a pureza doutrinária, expurgando a Doutrina de tudo o que rescende a ranço de religiosismo!...

O interlocutor exultou. Não havia pensado nisso! Entusiasmado, providenciou para que a orientação fosse imediatamente implementada.

Em breve o promissor núcleo espírita, que congregava dezenas de colaboradores e oferecia a milhares de pessoas os fundamentos de uma prática religiosa alicerçada no esforço do Bem, portal sublime de comunhão com a Espiritualidade Maior, estava reduzido a pequeno grupo de estudiosos empenhados em negar o caráter religioso do Espiritismo.

Perciliano conseguira, finalmente, o seu intento...

Os gênios das sombras não desprezam nenhuma possibilidade no propósito de conturbar o movimento espírita, a mais séria ameaça ao seu domínio milenar.

Atuando inteligentemente, imiscuem-se atualmente entre os espíritas, veiculando surpreendente “revelação”: O Espiritismo não é religião! E sempre encontram companheiros invigilantes, dispostos a defender acirradamente essa esdrúxula idéia, apoiando-se em extravagante exegese dos textos da Codificação. Todavia, nenhum sofisma poderá sobrepor-se ao fato irrecusável de que Allan Kardec escreveu “O Evangelho Segundo o Espiritismo” pata destacar o aspecto religioso do Espiritismo, tanto quanto em “O Livro dos Médiuns” fala do aspecto cientifico e em “O Livro dos Espíritos” desenvolve o aspecto filosófico, compondo a tríade redentora: Filosofia, Ciência e Religião!

 

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