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Altamiro,
experiente obsessor, especialista em perturbar instituições
espíritas, ouvia nas queixas de Perciliano, velho companheiro de
estripulias entre os encarnados:
- Meu caro amigo,
estamos em dificuldades. Não encontramos brechas para envolver
espíritas impertinentes que invadiram nossa área de atuação.
Edificaram um Centro, onde orientam muitas pessoas na
reformulação de suas existências, com o que as subtraem à nossa
influência.
- Tentaram
desestabilizar o grupo com a discórdia?
- Sim, sem
resultado. Eles estudam com muito empenho, em reuniões semanais,
o detestável “Evangelho Segundo o Espiritismo”. Observam com
seriedade sua lengalenga sobre a compreensão e o perdão.
- Experimentaram
conturbar o ambiente com a presença de entidades galhofeiras e
desequilibradas?
- Não há a mínima
condição! Não temos acesso!... Os trabalhos são regidos pela
oração e por vibrações em favor da concórdia e da paz.
- Semearam o
tédio?
- Inutilmente! É
impossível desmotivar pessoas que se imbuíram da convicção de
que estão revivendo o Cristianismo primitivo com infindáveis
iniciativas em favor do semelhante.
- E o formalismo
religioso? Alimentem neles a velha tendência humana para as
exterioridades, inspirem rituais e rezas que induzam ao
acomodamento, distraindo-os da própria renovação. Foi assim que
nossos maiores conseguiram desvitalizar o movimento cristão no
passado.
- Fizemos isso,
também. Alguns servidores mostraram-se receptivos, mas sem
grandes resultados. Ocorre que lutamos contra um vigoroso
movimento de abomináveis idéias nobres, imune a influências
negativas, onde elas são diligentemente apreciadas e observadas.
- Se é assim –
comenta Altamiro, sorrindo sinistramente – então ataquem o grupo
onde ele parece mais forte: nas suas convicções! Sugiram que o
Espiritismo não é religião! Que devem preservar o Centro contra
o igrejismo! Nada de Cristianismo redivivo! Que oração pública é
herança ritualística de outras crenças! Que passe magnético e
água fluidificada revivem práticas de comunhão formal! Que “O
Evangelho Segundo o Espiritismo” deve ser substituído, nas
reuniões de estudos, por livros mais substanciosos, de cunho
científico e filosófico! Faça-os sentir a necessidade de
preservar a pureza doutrinária, expurgando a Doutrina de tudo o
que rescende a ranço de religiosismo!...
O interlocutor
exultou. Não havia pensado nisso! Entusiasmado, providenciou
para que a orientação fosse imediatamente implementada.
Em breve o
promissor núcleo espírita, que congregava dezenas de
colaboradores e oferecia a milhares de pessoas os fundamentos de
uma prática religiosa alicerçada no esforço do Bem, portal
sublime de comunhão com a Espiritualidade Maior, estava reduzido
a pequeno grupo de estudiosos empenhados em negar o caráter
religioso do Espiritismo.
Perciliano
conseguira, finalmente, o seu intento...
Os gênios das
sombras não desprezam nenhuma possibilidade no propósito de
conturbar o movimento espírita, a mais séria ameaça ao seu
domínio milenar.
Atuando
inteligentemente, imiscuem-se atualmente entre os espíritas,
veiculando surpreendente “revelação”: O Espiritismo não é
religião! E sempre encontram companheiros invigilantes,
dispostos a defender acirradamente essa esdrúxula idéia,
apoiando-se em extravagante exegese dos textos da Codificação.
Todavia, nenhum sofisma poderá sobrepor-se ao fato irrecusável
de que Allan Kardec escreveu “O Evangelho Segundo o Espiritismo”
pata destacar o aspecto religioso do Espiritismo, tanto quanto
em “O Livro dos Médiuns” fala do aspecto cientifico e em “O
Livro dos Espíritos” desenvolve o aspecto filosófico, compondo a
tríade redentora: Filosofia, Ciência e Religião!
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