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O agrupamento
doutrinário, naquela noite, apresentou aspecto festivo. Duas
semanas antes, Abel, um dos orientadores espirituais da casa,
anunciou a visita de um mensageiro de Jesus, marcada para àquela
hora. Viria de muito alto, não só trazendo a bênção do Senhor,
mas também no propósito de inspecionar a humilde instituição.
Deviam preparar-se
os companheiros para a venerável presença e, em razão disso, a
pequena comunidade se desdobrou em serviço e carinho.
Nas paredes muito
limpas viam-se tufos de flores odorantes. A luz derramava-se,
profusa, de lâmpadas bem cuidadas. Extenso tapete amortecia o
rumor dos passos de quantos, cautelosamente, penetravam o
recinto e a atmosfera recordava o sagrado silêncio de um templo
antigo.
Quando os dez
cooperadores encarnados se agregaram em torno da mesa simples e
acolhedora, a rogativa do diretor se elevou, comovente e
cristalina.
Nós mesmos,
ouvindo-a, registrávamos inefável emoção.
O grupo realmente,
constituía-se de servidores da crença, sinceros e
bem-intencionados. Talvez, por isso mesmo, merecia a elevada
deferência da noite.
Terminada que foi
a oração de abertura, fomos notificados de que o embaixador de
cima não tardaria.
Com efeito, em
dois minutos, inundou-se o ambiente de suave luz.
O emissário, como
que cercado por vasta auréola de estrelas evanescentes,
ingressou no santuário, revelando expressão de sublime
benevolência.
Cumprimentou-nos,
afavelmente, incorporou-se ao médium mais apto e, demonstrando
avançada sabedoria e inexcedíveis virtudes, saudou a turma em
serviço, comentando a magnanimidade de Jesus que nos permitia o
júbilo daqueles momentos reconfortantes. Exaltou a expectativa
da esfera superior, relativamente à colaboração humana, e, em
seguida, pediu que os amigos encarnados algo informassem,
individualmente, com referência ao Espiritismo cristão na
existência de cada um deles.
Tínhamos a idéia
de contemplar iluminado instrutor em delicada maratona, junto a
reduzida e estudiosa classe escolar.
Constrangidos pela
generosidade e pelo carinho da solicitação, os companheiros
passaram a responder, começando pelo condutor da assembléia.
- Graças a Deus! –
informou o presidente do grupo – tenho aqui minha luz
confortadora. O Espiritismo renovou-me os caminhos... Sou outro
homem. Meu desagradável passado desapareceu... Em tempo algum
recebi tamanha claridade no coração! Sou feliz, meu grande
benfeitor, e agradeço ao Supremo Pai a dádiva do conhecimento
que tanta ventura me trouxe!...
Logo após, falou
D. Castorina, devotada cooperadora da organização:
- Encontrei nesta
fé consoladora o meu refúgio de paz. Bendito seja Jesus, o nosso
Divino Mestre!...
Depois dela, o
Senhor Câmara, médium em desenvolvimento, esclareceu,
emocionado:
- A Nova Revelação
é maravilhosa fonte de alegria para minha alma. Não posso
expressar a gratidão que me vibra no ser.
Calando-se o
companheiro, o Senhor João Costa, admirável interprete das
idéias cristãs, explicou:
- Beneficiado que
fui pelo Espiritismo, nunca mais sofri dúvidas. O Evangelho
dá-me agora definitiva segurança, pois reconheço que a Justiça
Divina é perfeita e que o Espírito é imortal.
A senhora dele,
logo que o marido silenciou, tomou a palavra, assegurando:
- A doutrina é
minha vida!...
Finda aquela
assertiva breve, o Senhor Freitas, atencioso leitor de teses
científicas e mais loquaz que ou outros, comentou em fraseologia
brilhante as ponderações “richeístas”, referiu-se ao
metapsiquismo europeu e terminou, afiançando:
- O Espiritismo é
o único sistema que pacifica a inteligência. Nele, temos a
crença, a razão e a lógica perfeitamente atendidas.
Depois disso, D.
Emerenciana enunciou:
- Nos princípios
do Espiritismo cristão, achei a minha felicidade.
E D. Nair, ao lado
dela, ajuntou:
- Eu também.
Por último, o
Senhor Soares, fundamente concentrado na prece, exclamou:
- O Espiritismo é
o meu farol definitivamente aceso... Sem ele, há muito tempo eu
estaria nas trevas do crime...
Retornando à
quietude anterior, o emissário agradeceu a reverência e o
carinho que transpareciam das respostas ao pedido que formulara
e acrescentou:
- Meus amigos, que
a Nova Revelação é indiscutível mensagem do céu para os caminhos
humanos, estabelecendo o império do bem, provando a
sobrevivência da alma além da morte e oferecendo conforto
positivo, não padece qualquer dúvida! Todos vos sentis
edificados, esclarecidos e felizes!... Mas o que Jesus deseja
saber é justamente o que vindes realizando com essa bênção. Em
verdade, o Espiritismo é vossa lâmpada... que tendes feito dela?
É um ideal superior... que proveito organizais com ele? É uma
dádiva celestial... que benefícios produzis em vós outros ou em
derredor de vossos passos, usando semelhante graça?
Interrompeu-se o
inspetor divino e, em vista de se calarem os circunstantes,
respeitosamente, a se entreolharem agora espantadiços, o
venerando amigo despediu-se, bem-humorado, e prometeu voltar
breve.
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