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Discípulos
sinceros do Evangelho acreditam, na atualidade, que a simbologia
do instrumento no qual o Mestre padeceu no Orbe, oferecendo-nos
o máximo testemunho de amor, não mais tem razão de ser evocado,
não merecendo maiores considerações.
Não obstante, a
cruz permanece como o ômega de qualquer compromisso para com a
Verdade, enquanto se transita na Terra.
Antes dEle, era a
expressão máxima do desprezo a que se relegavam as vidas que ali
finavam.
Ladrões e
assassinos, delinqüentes em geral sofreram-lhe a imposição sob o
escárnio das massas açodadas pelo ódio e comandadas por
interesses inferiores dos quais não se podiam liberar...
Ele também sofreu
a zombaria e o desprezo do poviléu açulado pelos agentes da
loucura, todavia, o seu era o crime de amar a criatura, que
assim mesmo o hostilizou.
Depois dEle, as
duas traves emolduraram-se de fulgurante luz que atrai quantos
sentem a necessidade de crescer, imolando-se em gesto de amor.
Certamente, que já
não se levantam cruzes nos montes das cidades modernas,
alucinadas pelas paixões desgovernadas; apesar disso, não são
poucos aqueles que se entregam em holocausto pelo Cristo, em
cruzes invisíveis, incontáveis.
Ei-los, atados à
renúncia, abraçando a abnegação em clima de doação total;
São inumeráveis
aqueles que se deixaram cravejar nos madeiros da humildade, não
revidando mal por mal, incompreendidos, mas ajudando,
perseguidos, entretanto, desculpando;
Estão milhares
carregando cruzes não identificadas de sacrifício pessoal pela
Causa do Cristo, sem darem importância aos transitórios valores
terrenos;
Sorriem
incontáveis, espalhando esperança e otimismo, sob cruzes de
dores sem nome, não conduzindo queixas nem desanimando nunca;
Cruzes que surgem
como enfermidades soezes, que dilaceram as carnes da alma,
enquanto consomem o corpo;
Cruzes de calúnias
bem urdidas, que vão suportadas com esforços hercúleos;
Cruzes outras em
forma de prazeres não fruídos, que se transformam em labores em
favor dos outros;
Cruzes pesadas, na
representação de expiações redentoras como de provações
lenificadoras, favorecendo o futuro da própria criatura...
Essas são as
cruzes que o amor transforma em estrada luminosa, concedendo as
asas para a angelitude.
Há, também, as
cruzes a que muitos homens espontaneamente se prendem e
experimentam o flagício que elegem, sem qualquer conquista de
bênçãos.
Com os cravos do
egoísmo fixam-se às traves fortes dos vícios e das paixões
infelizes de que somente a penates de dor e desespero, em largo
prazo se desprendem, para, então, tomarem a cruz do triunfo.
“Se alguém quer
vir após mim, negue-se a si mesmo – acentuou o Cristo – tome a
sua cruz e siga-me”.
O Cristo e a Cruz
do amor são os termos sempre atuais da equação da vida
verdadeira, sem os quais o homem não logrará a Liberdade.
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