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Há
oito meses, meu único filho, um rapaz de 14 anos, voltou ao lar
espiritual de onde todos nós saímos um dia, para vir a este
planeta com o fim de cumprir tarefas destinadas ao nosso
crescimento espiritual.
São
muito importantes as conseqüências de seu desencarne nas vidas
de tantos quantos o conheceram e amaram. Sim, porque todo e
qualquer ser humano sempre deixa laços e marcas profundas nas
pessoas que conheceram na Terra, quando de sua volta ao plano
espiritual. Estas marcas, no entanto, serão de amor e ternura
ou revolta e desespero, dependendo da forma como se encara a
morte de seres muito queridos.
Muitos
parentes próximos, bem como amigos queridos, não entenderam e
não aceitam o que aconteceu, achando que ele nos deixou muito
cedo. O quadro que se forma é, pois, de mágoa, sofrimento,
inconformismo, não-aceitação. A depressão atinge estas
pessoas em cheio, deixando-as chorosas, acabrunhadas,
desiludidas, doentes. Seu espírito e seu corpo sofrem por não
entenderem que, na verdade, aquela criatura de Deus voltou ao
lar paterno, onde os sofrimentos terrenos não existem.
Há,
por outro lado, pessoas que encaram tudo isto como um alerta: quão
pequenas são nossas dores neste mundo e quão importante é
estarmos unidos e trabalhando em harmonia! O trabalho conjunto
alivia as dores e traz um ânimo novo aos nossos corações.
Para
mim, a situação serviu como uma prova bem dura. Passado o
primeiro momento de choque e, porque não dizer, de desespero,
entreguei-me nas mãos de Deus. Pedi-lhe que me amparasse
porque, sem Ele, seria quase impossível para mim suportar
aquela dor. Ele, é claro, atendeu-me a súplica e eu passei os
primeiros meses em seus braços paternos. Senti-me como no
poema: ao olhar para trás, só via um par de pegadas na areia;
e eu garanto que não era o meu. O nosso Pai, bom e generoso,
que não entrega a nenhum de seus filhos uma cruz mais pesada do
que ele possa suportar, aliviou-me a carga com tanta ternura,
que foi-me relativamente fácil suportar aquele sofrimento e
continuar com minhas tarefas. Agradeço a este Pai tão bondoso
a dádiva destes 14 anos de convivência com este espírito ao
qual dei, e continuo dedicando, meu amor e minha afeição. Tal
amor, hoje, expressa-se por momentos de oração e
"conversas" carinhosas de mãe saudosa...
Guardo
em meu coração duas certezas: meu filho está bem, sendo
acompanhado e orientado e terá, tenho fé, outra encarnação
para completar os ajustes que se fizerem necessários. Afinal,
como alma boa, gentil, honesta e com grande senso de justiça
que era (embora teimoso, bagunceiro, avesso aos estudos) sei que
terá grandes lições para extrair dos momentos que aqui viveu.
Outra
certeza que trago comigo é de que a lição que todos nós
recebemos vai calar fundo em nossas vidas que, definitivamente,
não serão mais as mesmas depois de tudo. Fortaleceram-se laços
de amizade, novas amizades se formaram, intensificaram-se os vínculos
familiares.
Trago
aqui este depoimento, especialmente destinado às mães que
"perderam" seus filhos, pois sei o que significa a
falta dos carinhos, afagos, beijos e abraços. Sei, também, que
a lacuna que fica é quase impossível de ser preenchida; que
tudo que sonhamos para eles de repente perdeu a razão de ser;
que o dia-a-dia fica vazio e certas coisas já não fazem mais
sentido; que o futuro fica incerto e traz a angústia da solidão;
que às vezes temos inveja das mães que têm seus filhos junto
de si. Compartilho com todas estes sentimentos, mas sei que
devemos lutar contra eles, pois que eles são armadilhas das
quais não sairemos se delas não nos afastarmos! Esqueçam este
caminho de tristeza e dor e entreguem-se de corpo e alma ao amor
de Cristo, pois Ele proverá todas as suas necessidades.
Aquele
amor, dedicado a uma só pessoa, pode agora ser dividido,
repartido e compartilhado com tanta gente... Tantas pessoas se
beneficiarão de nosso amor! Façam de todos aqueles que lhes
estão próximos e lhes são caros os depositários deste
sentimento puro que brota de um coração de mãe... Em troca,
vocês receberão em sua vida paz e harmonia, luz e felicidade!
Acima
de tudo, lembrem-se: não estamos sós. Além das pessoas que
nos cercam e nos querem bem, há inúmeros amigos espirituais
prontos a nos ajudar. Não fechem seus corações a eles!
Sintonizem-se com as ondas de bondade e amor, resignação e
aceitação, humildade e conformação. Mas, o mais importante
de tudo, não se esqueçam jamais de ter sempre FÉ!
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