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Pesquisando Materializações
As
experimentações que agora abordaremos tornaram-se um dos capítulos
mais interessantes e ilustrativos da história da Humanidade.
Para entendermos o alcance dos fatos ocorridos, temos que
primeiramente nos referir à médium que foi o “objeto” de minuciosas
investigações.
Trata-se da inglesa Florence Cook (1856-1904). Desde sua infância
ela se relacionava com Espíritos, por conta disto, em algumas
ocasiões ela foi tratada comi uma criança muito imaginativa.
A
descoberta da sua Mediunidade se deu em 1870, quando visitava uma
amiga. Naquela oportunidade Florence participou de uma “mesa
girante”; como resultado a mesa movimentou-se incontrolavelmente;
depois a médium levitou em baixa altura; por fim, quando a luz da
sala foi diminuída por orientação do Espírito comunicante, ela foi
erguida até o teto e “passeou” pela sala, passando por sobre as
cadeiras e a mesa.
A
jovem médium e sua mãe se interessaram por realizar uma reunião em
sua casa. O resultado foi uma violenta sessão, onde a mesa e duas
cadeiras foram quebradas. Decidiram, então, finalizar suas
experiências para evitar prejuízos ou coisa pior. Tal propósito não
durou muito, pois os Espíritos começaram a atormentar o lar,
movimentando livros, objetos e móveis por toda a casa, a todo
instante.
Aceitando retornarem para as reuniões foram orientadas por um
Espírito a procurar um grupo de experimentações mediúnicas; para
tanto, ele forneceu um endereço. Foi neste local que Katie King deu
sua primeira comunicação por meio da mediunidade de Florence.
Mais instruídas sobre como contatar Espíritos, elas formaram o
Circulo Hackney, composto pelos pais de Florence, suas duas irmãs e
a serviçal Mary; a partir daí, suas experiências foram se
aprofundando.
Inicialmente a Mediunidade de escrevente foi a mais evidente; um
fato curioso ocorria nestes casos: a escrita era realizada de trás
para frente, obrigando a utilizar espelhos para a leitura.
A
primeira materialização de Katie King se deu em 22 de abril de 1872.
O Espírito mostrou-se na abertura de uma cortina e falou por alguns
instantes; os presentes puderam acompanhar o movimento de seus
lábios.
Abaixo transcrevemos uma das primeiras materializações de Katie por
meio da mediunidade de Florence, ocorrida em 22 de maio de 1872,
trecho extraído do livro “A Alma É Imortal”, de Gabriel Delanne,
onde a médium relata o ocorrido:
“Ontem à noite, Katie King nos disse que tentaria produzir alguns
fenômenos, mas se concordássemos em armar um gabinete escuro com o
auxílio de cortinas. Acrescentou que precisava lhe déssemos uma
garrafa de óleo fosforescente, visto não lhe ser possível tomar de
mim o fósforo necessário, devido ao fraco desenvolvimento de minha
mediunidade. Ela quer iluminar a sua figura para se tornar visível”.
“Encantada com a idéia fiz os preparativos necessários, ficando tudo
pronto ontem à noite, as 8 e meia. Minha mãe, minha tia, os meninos
e a criada sentaram-se fora, nos degraus da escada. Deixaram-se
sozinha na sala de jantar, o que nada me agradou, porque estava com
muito medo”.
“Katie mostrou-se na abertura das cortinas. Seus lábios se moveram
e, por fim, conseguiu falar. Conversou durante alguns minutos com a
mamãe. Todos puderam ver-lhe o movimento dos lábios. Como eu, do
lugar onde estava, não a visse bem, pedi-lhe que se voltasse para
mim. O Espírito me respondeu: - Mas, decerto; fa-lo-ei. Vi então que
só estava formada a parte superior do seu corpo, o busto, sendo o
resto da aparição uma espécie de nuvem, ligeiramente luminosa”.
“Após breves instantes de espera, o Espírito Katie começou por
trazer algumas folhas frescas de hera, planta que não existe no
nosso jardim. Depois, todos vimos aparecer, fora da cortina, um
braço cuja mão segurava a garrafa luminosa. Mostrou-se uma figura
com a cabeça coberta de uma porção de pano branco. Katie aproximou
do seu rosto o frasco e todos a percebemos distintamente. Esteve
dois minutos e em seguida desapareceu. O rosto era oval, aquilino o
nariz, vivo os olhos e a boca lindíssima”.
“Disse Katie à mamãe que a olhasse bem, pois sabia que tinha um ar
lúgubre. Eu, pelo que me diz respeito, fiquei muito impressionada
quando o Espírito se aproximou de mim. Emocionadíssima não pude
falar, nem mesmo esboçar um gesto. Da última vez que se apresentou
na junção das cortinas, demorou-se uns bons cinco minutos e incumbiu
a mamãe de lhe pedir que venha aqui um dia desta semana... Katie
King encerrou a sessão implorando para nós as bênçãos de Deus.
Exprimiu a sua alegria por se ter podido mostrar aos nossos
olhares”.
Nas
primeiras materializações, Florence e Katie eram muito parecidas
fisicamente; neste período Florence permanecia consciente enquanto
os fenômenos ocorriam. Na medida em que as relações de ambas foi se
tornando mais afinadas, Florence passou a entrar em transe profundo,
com isto a fisionomia de Katie tornou-se mais distinguível da da
médium e o Espírito passou a se movimentar livremente.
Não
podemos deixar de relatar o caso envolvendo William Volckman:
“No
dia 9 de dezembro de 1873, o Conde e a Condessa de Caithness e o
Conde de Medina Pomar eram convidados do Senhor Cook, pai de
Florence, como participantes da sessão, entre os quais se encontrava
o Senhor W. Volckman, que, incrédulo, desconfiou da veracidade dos
fenômenos, promovendo um verdadeiro tumulto na sessão. Quando o
Espírito Katie King se encontrava totalmente materializado, ele
partiu rapidamente em sua direção, segurou-lhe fortemente a mão e, a
seguir, o pulso. Ocorreu uma verdadeira luta no ambiente, na qual
dois amigos da médium foram em socorro do Espírito. E, então, um
extraordinário fenômeno aconteceu. Conforme testemunho do Senhor
Henry Dumphy, um advogado, pareceu-lhe que o Espírito Katie King
perdeu, de repente, os pés e as pernas, fazendo, a seguir, um
movimento semelhante ao que a foca realiza na água. Apenas sua
cabeça permaneceu materializada por algum tempo”.
“De
acordo com sua versão, o Espírito Katie King derreteu entre as
garras do agressor, não deixando o mínimo traço da sua existência
corporal ou de suas roupas”.
Após este desagradável episódio, a vida de Florence sofreu algumas
reviravoltas. Naquela época ela exercia um emprego numa escola. A
diretora a demitiu logo que fenômenos começaram a acontecer no
local. Neste momento surgiu um protetor desinteressado que ajudaria
Florence em boa parte do período em que ela foi tratada como objeto
de pesquisa. Tratava-se de Charles Blackburn, rico inglês que passou
a custear suas despesas, desde que a médium se predispusesse às
experimentações públicas.
*
Vamos dar uma pausa para focarmos outro personagem destes
importantes acontecimentos. Trataremos agora do renomado químico e
físico inglês William Crookes (1832-1919).
Crookes conseguiu grandes realizações cientificas que o levaram a
ser eleito membro da Royal Society e de tantas outras respeitáveis
instituições cientificas.
Foi
ele o inventor do tubo de raios catódicos e do elemento químico
Tálio.
Tratava-se, sem dúvida alguma, de um reconhecido personagem de
respeito e bastante confiável; provavelmente seus colegas pensavam
que ele seria o último a se preocupar com, o que eles deveriam
chamar de a superstição popular do Espiritualismo. Mas não foi bem
assim... Mais tarde, William, depois de se candidatar ao cargo de
investigador e provável desmistificador dos fenômenos, afirmou que
entrara na observação dos fenômenos para desmascarar o que
considerava fraude.
A
primeira sessão que ele assistiu foi a de Mary Marshall, em julho de
1869; os fenômenos provocados por intermédio daquela médium eram
simples (se é que podemos usar o adjetivo para ilustrar a
complexidade em torno de tais acontecimentos).
Em
dezembro daquele ano ele assistiu a sessões do médium psicofônico
J.J. Morse (1848-1919). Por toda celeuma que havia em torno do tema,
e, certamente intrigado com o que via à sua volta, ele se convenceu
e anunciou no jornal “Quartely Journal of Science”, sua intenção de
investigar a fundo os fenômenos e divulgar suas conclusões. À época
William anunciou:
“O
uso crescente de métodos científicos resultará numa geração de
observadores que lançarão o resíduo inútil do Espiritualismo, em
definitivo, ao limbo desconhecido da magia e da necromância”.
Obviamente a imprensa e o meio cientifico rejubilaram-se com a
perspectiva de que os fenômenos fossem enfim desmascarados.
Crookes anunciou suas observações por intermédio de Daniel Dunglas
Home. Com o médium, o cientista realizou efetivo controle para
evitar fraudes ou enganos, inclusive utilizando aparelhos criados
por ele mesmo.
Nas experimentações, relatadas ao jornal cientifico acima citado,
ele observou por meio de Daniel D, Home: materializações de mãos,
movimento de objetos e móveis à luz do dia, percussão de sons,
elevação de corpos no ar e escrita direta.
Todas as experimentações foram realizadas com a presença de
testemunhas, entre as quais o futuro investigador de fenômenos, o,
legista e juiz em Londres, Serjeant E. W. Cox (1809-1879), que
também foi o fundador da “Psychological Society of Great Britain”
(Sociedade Psicológica da Grã Bretanha).
Seguiram-se, como era de se esperar, reações dos decepcionados com
as conclusões de Crookes, que não atendiam aos seus anseios de
desmascaramento; o físico e químico tratou de refutar todos os
ataques que recebeu.
O
investigador continuou operando suas pesquisas; depois de Daniel D.
Home, pesquisou a mediunidade de Kate Fox, obtendo conclusões
análogas.
Mas
seu trabalho definitivo estava ainda por acontecer; tal se deu
quando se encontraram Florence Cook e William Crookes.
*
Retornemos à nossa cronologia relembrando primeiramente que Florence
tinha acabado de passar por uma tumultuada reunião envolvendo o
ataque do senhor Volckman.
A
moça ansiava por um estudo mais sério em torno de seus dons; o
Senhor Crookes parecia a pessoa indicada, não somente por sua
seriedade, mas porque o pesquisador afirmara, no final de 1873, que
somente acreditaria em materializações se visse ao mesmo tempo a
médium e a forma materializada.
Florence informou posteriormente:
“Fui à casa de Mr. Crookes sem dizer nada para meus pais ou amigos.
Ofereci-me como sacrifício voluntário perante sua incredulidade.
Pouco antes ocorrera o desagradável incidente com Mr. Volckman. Quem
não conhecia o fenômeno dirigia palavras duras contra mim. Mr.
Crookes fizera um comentário que me atormentara, por isto que me
decidi a procurá-lo. Ele me recebeu e eu lhe disse: - Já que crês
que sou uma impostora, caso queira submeter-me-ei a experimentações
em sua casa. Sua esposa pode me vestir como quiser, deixarei com
vocês o que tiver trazido. Poderão vigiar-me com bem entender;
realizar as experiências que desejar, de tal modo que os satisfaça
em todos os sentidos. Coloco apenas uma imposição: caso conclua que
sou uma mistificadora, denunciar-me-á publicamente; mas se
concluirdes pela realidade dos fenômenos e de que eu realmente sou
apenas o instrumento de forças invisíveis, dirás ao público de tal
forma que todos conheçam a verdade”.
O
Senhor Charles Blackburn reiterou a decisão dela, concordando que
ficasse sobre os cuidados de William Crookes; enquanto permanecesse
solteira custearia suas despesas.
O
ano de 1874 ficou marcado pelas experimentações realizadas pelo
famoso sábio inglês com a jovem médium.
A
premissa principal do físico era evitar as fraudes e ter a certeza
que Florence Cook e Katie King eram duas pessoas diferentes.
Alguns trechos a respeito de suas experimentações são tão
interessantes que merecem a transcrição. Trata-se de relatos
extraídos do livro “Fatos Espíritas”, de William Crookes e são
réplicas das correspondências que Crookes enviava ao periódico
científico “Quartely Journal of Science”:
“Passo agora à sessão que se realizou ontem à noite em Hackney.
Katie nunca apareceu com tão grande perfeição. Durante perto de duas
horas passeou na sala, conversando familiarmente com os que estavam
presentes. Várias vezes tomou-me o braço, andando, e a impressão
sentida por mim era a de uma mulher viva que se achava a meu lado, e
não a de um visitante do outro mundo; essa impressão foi tão forte
que a tentação de repetir uma -nova e curiosa experiência
tornou-se-me quase irresistível”.
“Pensando, pois, que eu não tinha um espírito perto de mim, mas sim
uma senhora, pedi-lhe permissão de tomá-la nos meus braços, a fim de
poder verificar as interessantes observações que um experimentador
ousado fizera recentemente, de maneira tão sumaria. Essa permissão
foi-me graciosamente dada e, por conseqüência, utilizei-me dela,
convenientemente, como qualquer homem bem educado o teria feito
nessas circunstâncias. O Senhor Volckman ficará satisfeito ao saber
que posso corroborar a sua asserção, de que o fantasma (que, afinal
não fez nenhuma resistência) era um ser tão material quanto a
própria Senhorita Cook. Mas o que vai seguir mostrará quão pouco
fundamento tem um experimentador, por maior cuidado que tenha nas
suas observações, em aventurar-se a formular uma importante
conclusão quando as provas não existem em quantidade suficiente”.
“Katie disse então que, dessa vez, se julgava capaz de mostrar-se ao
mesmo tempo que a Senhorita Cook. Abaixei o gás, e, em seguida, com
a minha lâmpada fosforescente penetrei o aposento que servia de
gabinete”.
“Mas eu tinha pedido previamente a um dos meus amigos, que é hábil
estenógrafo, para anotar toda observação que eu fizesse, enquanto
estivesse no gabinete, porque bem conhecia eu a importância que se
liga às primeiras impressões, e que não queria confiar à minha
memória mais do que fosse necessário: as suas notas acham-se neste
momento diante de mim”.
“Entrei no aposento com precaução: estava escuro, e foi pelo tato
que procurei a Senhorita Cook; encontrei-a de cócoras, no soalho”.
“Ajoelhando-me, deixei o ar entrar na lâmpada e, à sua claridade, vi
essa moça vestida de veludo preto, como se achava no começo da
sessão, e com toda aparência de estar completamente insensível. Não
se moveu quando lhe tomei a mão; conservei a lâmpada muito perto do
seu rosto, mas continuou a respirar tranqüilamente”.
“Elevando a lâmpada, olhei em torno de mim e vi Katie, que se achava
em pé, muito perto da Senhorita Cook e por trás dela. Katie estava
vestida com uma roupa branca, flutuante, como já a tínhamos visto
durante a sessão. Segurando uma das mãos da Srta. Cook na minha e
ajoelhando-me ainda, elevei e abaixei a lâmpada, tanto para alumiar
a figura inteira de Katie, como para plenamente convencer-me de que
eu via, sem a menor dúvida, a verdadeira Katie, que tinha apertado
nos meus braços alguns minutos antes, e não o fantasma de um cérebro
doentio. Ela não falou, mas moveu a cabeça, em sinal de
reconhecimento. Três vezes examinei cuidadosamente a Srta. Cook, de
cócoras, diante de mim, para ter a certeza de que a mão que eu
segurava era de fato a de uma mulher viva, e três vezes voltei a
lâmpada para Katie, a fim de a examinar com segurança e atenção, até
não ter a menor dúvida de que ela estava diante de mim. Por fim a
Srta. Cook fez um ligeiro movimento e imediatamente Katie deu um
sinal para que me fosse embora. Retirei-me para outra parte do
gabinete e deixei então de ver Katie, mas só abandonei o aposento
depois que a Srta. Cook acordou e que dois dos assistentes entrassem
com a luz”.
As
inclinações cientificas do pesquisador continuaram em outro
episodio:
“Uma noite, contei as pulsações de Katie; o pulso batia regularmente
75, enquanto o da Srta. Cook, poucos instantes depois atingia a 90,
seu número habitual. Auscultando o peito de Katie, eu ouvia um
coração bater no interior, e as suas pulsações eram ainda mais
regulares que as do coração da Srta. Cook, quando, depois da sessão,
ela me permitia igual verificação”.
Na
semana anterior à despedida de Katie King – pois que esta prometera
se manifestar por meio da mediunidade de Florence Cook por três anos
– foram realizadas várias fotos.
Em
21 de maio de 1874 ocorreu a despedida de Katie King. Nesta reunião
esteve presente a escritora inglesa Florence Marryat (1837-1899)
como testemunha. Depois Marryat escreveu dois livros tratando sobre
Mediunidade e vida espiritual: “There is No Death” (1891) e “The
Spirit World” (1894).
Os
relatos dão conta que a despedida foi carregada de emoções. Katie
materializada escreveu cartas de despedidas, inclusive uma para
Florence; nelas assinou Anne Owen Morgan, nome com o qual se
identificou na casa do Senhor Koons.
O
Espírito cortou mechas de seus cabelos e ofereceu porções para cada
participante da reunião, passeou de braços dados com o Senhor
Crookes pele sala e depois “desceu a Corina e tornou-se invisível”.
Ouviram-na despertar a médium, que lhe pediu, banhada em lágrimas,
que se demorasse mais um pouco. Katie, porém, lhe respondeu: “Minha
querida, não posso. Está cumprida a minha missão. Deus te abençoe!”.
E todos ouviram o som do seu beijo de despedida na médium. Logo
depois, a Srta Cook vinha ter com os presentes, inteiramente
esgotada e profundamente consternada.
Após estes eventos, Florence Cook ainda permaneceu certo tempo
demonstrando a sua mediunidade; ela passou a propiciar
materializações do Espírito que se identificou pelo nome de Mary.
Florence Marryat continuou participando dos encontros. No entanto,
após a médium se casar com Elgie Corner, ela se afastou das sessoes
de experimentação.
Florence Cook ainda reunir-se-ia algumas vezes, a partir de 1899, em
Berlin, para propiciar materializações de Mary. Depois, em 1900,
apresentou-se na casa de Pierre-Gaetan Leymarie e Marina Leymarie.
Na oportunidade ocorrem:
“(...) Materializações diversas. Vozes de três a quatro pessoas
falando ao mesmo tempo em inglês. Feito absoluto silêncio,
distinguiram, os presentes, uma voz extremamente simpática e
juvenil, expressando-se em puríssimo francês. Era a voz de Mary, uma
menina, nascida de pais ingleses na Algéria, à época da possessão
francesa. Pouco depois, a pequena e atenta platéia foi tomada de
súbita emoção, com a saída, dos reposteiros, de uma mulher vestida
de branco, que pouco se demorou. Em seguida, as cortinas
entreabriram-se e surgiu a figura esbelta e delicada de Mary.
Trajava vestido de noiva, de longa cauda, decotado em cima de ombro
a ombro. E os braços inteiramente nus. A sua pele, de brancura
cetinosa, tinha todo o frescor da juventude, e uma abundante
cabeleira loura caía-lhe sobre os ombros e braços. A aparição ficou
certo tempo entre os assistentes, depois pediu caneta e papel para
escrever. Indicou-se-lhe uma pequena mesa que ficava encostada à
parede, junto aos reposteiros. Escreveu apressada e febrilmente
algumas palavras de despedida, que assinou, e se retirou para a
cabine de onde não tornou a sair. Clareou-se a sala e todos
verificaram que a médium estava sentada e ligada à cadeira”. (Trecho
retirado do livro “As Mulheres Médiuns”, de Carlos Bernardo
Loureiro).
William Crookes, por manter seu compromisso com a verdade dos fatos
que presenciou, sofreu o escárnio de seus colegas, da imprensa e dos
cidadãos em geral, mas, apesar das hostilidades ele declarou, em
setembro de 18989, no Congresso da Associação Britânica:
“Trinta anos se passaram desde que publiquei as atas das
experiências tendentes a mostrar que fora dos nossos conhecimentos
científicos existe uma força posta em atividade por uma inteligência
diferente da inteligência comum a todos os mortais. Nada tenho que
retratar dessas experiências e mantenho as minhas verificações já
publicadas, podendo mesmo a elas acrescentar muita coisa”.
Seu
livro “Fatos Espíritas”, relata suas experiências com Daniel Dunglas
Home, Kate Fox, Florence Cook e narrações de outros
experimentadores. Trata-se de uma obra para ser lida com atenção,
por aqueles que se disponham a acompanhar o trabalho criterioso que
o pesquisador realizou com esses dedicados médiuns, em especial com
a corajosa Florence Cook.
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