O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Florence Cook

Autor:
Licurgo S. de Lacerda Filho

Fonte:
Livro: A Mediunidade Na História Humana” – Volume III

  PERSONALIDADES

    

Pesquisando Materializações

As experimentações que agora abordaremos tornaram-se um dos capítulos mais interessantes e ilustrativos da história da Humanidade.

Para entendermos o alcance dos fatos ocorridos, temos que primeiramente nos referir à médium que foi o “objeto” de minuciosas investigações.

Trata-se da inglesa Florence Cook (1856-1904). Desde sua infância ela se relacionava com Espíritos, por conta disto, em algumas ocasiões ela foi tratada comi uma criança muito imaginativa.

A descoberta da sua Mediunidade se deu em 1870, quando visitava uma amiga. Naquela oportunidade Florence participou de uma “mesa girante”; como resultado a mesa movimentou-se incontrolavelmente; depois a médium levitou em baixa altura; por fim, quando a luz da sala foi diminuída por orientação do Espírito comunicante, ela foi erguida até o teto e “passeou” pela sala, passando por sobre as cadeiras e a mesa.

A jovem médium e sua mãe se interessaram por realizar uma reunião em sua casa. O resultado foi uma violenta sessão, onde a mesa e duas cadeiras foram quebradas. Decidiram, então, finalizar suas experiências para evitar prejuízos ou coisa pior. Tal propósito não durou muito, pois os Espíritos começaram a atormentar o lar, movimentando livros, objetos e móveis por toda a casa, a todo instante.

Aceitando retornarem para as reuniões foram orientadas por um Espírito a procurar um grupo de experimentações mediúnicas; para tanto, ele forneceu um endereço. Foi neste local que Katie King deu sua primeira comunicação por meio da mediunidade de Florence.

Mais instruídas sobre como contatar Espíritos, elas formaram o Circulo Hackney, composto pelos pais de Florence, suas duas irmãs e a serviçal Mary; a partir daí, suas experiências foram se aprofundando.

Inicialmente a Mediunidade de escrevente foi a mais evidente; um fato curioso ocorria nestes casos: a escrita era realizada de trás para frente, obrigando a utilizar espelhos para a leitura.

A primeira materialização de Katie King se deu em 22 de abril de 1872. O Espírito mostrou-se na abertura de uma cortina e falou por alguns instantes; os presentes puderam acompanhar o movimento de seus lábios.

Abaixo transcrevemos uma das primeiras materializações de Katie por meio da mediunidade de Florence, ocorrida em 22 de maio de 1872, trecho extraído do livro “A Alma É Imortal”, de Gabriel Delanne, onde a médium relata o ocorrido:

“Ontem à noite, Katie King nos disse que tentaria produzir alguns fenômenos, mas se concordássemos em armar um gabinete escuro com o auxílio de cortinas. Acrescentou que precisava lhe déssemos uma garrafa de óleo fosforescente, visto não lhe ser possível tomar de mim o fósforo necessário, devido ao fraco desenvolvimento de minha mediunidade. Ela quer iluminar a sua figura para se tornar visível”.

“Encantada com a idéia fiz os preparativos necessários, ficando tudo pronto ontem à noite, as 8 e meia. Minha mãe, minha tia, os meninos e a criada sentaram-se fora, nos degraus da escada. Deixaram-se sozinha na sala de jantar, o que nada me agradou, porque estava com muito medo”.

“Katie mostrou-se na abertura das cortinas. Seus lábios se moveram e, por fim, conseguiu falar. Conversou durante alguns minutos com a mamãe. Todos puderam ver-lhe o movimento dos lábios. Como eu, do lugar onde estava, não a visse bem, pedi-lhe que se voltasse para mim. O Espírito me respondeu: - Mas, decerto; fa-lo-ei. Vi então que só estava formada a parte superior do seu corpo, o busto, sendo o resto da aparição uma espécie de nuvem, ligeiramente luminosa”.

“Após breves instantes de espera, o Espírito Katie começou por trazer algumas folhas frescas de hera, planta que não existe no nosso jardim. Depois, todos vimos aparecer, fora da cortina, um braço cuja mão segurava a garrafa luminosa. Mostrou-se uma figura com a cabeça coberta de uma porção de pano branco. Katie aproximou do seu rosto o frasco e todos a percebemos distintamente. Esteve dois minutos e em seguida desapareceu. O rosto era oval, aquilino o nariz, vivo os olhos e a boca lindíssima”.

“Disse Katie à mamãe que a olhasse bem, pois sabia que tinha um ar lúgubre. Eu, pelo que me diz respeito, fiquei muito impressionada quando o Espírito se aproximou de mim. Emocionadíssima não pude falar, nem mesmo esboçar um gesto. Da última vez que se apresentou na junção das cortinas, demorou-se uns bons cinco minutos e incumbiu a mamãe de lhe pedir que venha aqui um dia desta semana... Katie King encerrou a sessão implorando para nós as bênçãos de Deus. Exprimiu a sua alegria por se ter podido mostrar aos nossos olhares”.

Nas primeiras materializações, Florence e Katie eram muito parecidas fisicamente; neste período Florence permanecia consciente enquanto os fenômenos ocorriam. Na medida em que as relações de ambas foi se tornando mais afinadas, Florence passou a entrar em transe profundo, com isto a fisionomia de Katie tornou-se mais distinguível da da médium e o Espírito passou a se movimentar livremente.

Não podemos deixar de relatar o caso envolvendo William Volckman:

“No dia 9 de dezembro de 1873, o Conde e a Condessa de Caithness e o Conde de Medina Pomar eram convidados do Senhor Cook, pai de Florence, como participantes da sessão, entre os quais se encontrava o Senhor W. Volckman, que, incrédulo, desconfiou da veracidade dos fenômenos, promovendo um verdadeiro tumulto na sessão. Quando o Espírito Katie King se encontrava totalmente materializado, ele partiu rapidamente em sua direção, segurou-lhe fortemente a mão e, a seguir, o pulso. Ocorreu uma verdadeira luta no ambiente, na qual dois amigos da médium foram em socorro do Espírito. E, então, um extraordinário fenômeno aconteceu. Conforme testemunho do Senhor Henry Dumphy, um advogado, pareceu-lhe que o Espírito Katie King perdeu, de repente, os pés e as pernas, fazendo, a seguir, um movimento semelhante ao que a foca realiza na água. Apenas sua cabeça permaneceu materializada por algum tempo”.

“De acordo com sua versão, o Espírito Katie King derreteu entre as garras do agressor, não deixando o mínimo traço da sua existência corporal ou de suas roupas”.

Após este desagradável episódio, a vida de Florence sofreu algumas reviravoltas. Naquela época ela exercia um emprego numa escola. A diretora a demitiu logo que fenômenos começaram a acontecer no local. Neste momento surgiu um protetor desinteressado que ajudaria Florence em boa parte do período em que ela foi tratada como objeto de pesquisa. Tratava-se de Charles Blackburn, rico inglês que passou a custear suas despesas, desde que a médium se predispusesse às experimentações públicas.

*

Vamos dar uma pausa para focarmos outro personagem destes importantes acontecimentos. Trataremos agora do renomado químico e físico inglês William Crookes (1832-1919).

Crookes conseguiu grandes realizações cientificas que o levaram a ser eleito membro da Royal Society e de tantas outras respeitáveis instituições cientificas.

Foi ele o inventor do tubo de raios catódicos e do elemento químico Tálio.

Tratava-se, sem dúvida alguma, de um reconhecido personagem de respeito e bastante confiável; provavelmente seus colegas pensavam que ele seria o último a se preocupar com, o que eles deveriam chamar de a superstição popular do Espiritualismo. Mas não foi bem assim... Mais tarde, William, depois de se candidatar ao cargo de investigador e provável desmistificador dos fenômenos, afirmou que entrara na observação dos fenômenos para desmascarar o que considerava fraude.

A primeira sessão que ele assistiu foi a de Mary Marshall, em julho de 1869; os fenômenos provocados por intermédio daquela médium eram simples (se é que podemos usar o adjetivo para ilustrar a complexidade em torno de tais acontecimentos).

Em dezembro daquele ano ele assistiu a sessões do médium psicofônico J.J. Morse (1848-1919). Por toda celeuma que havia em torno do tema, e, certamente intrigado com o que via à sua volta, ele se convenceu e anunciou no jornal “Quartely Journal of Science”, sua intenção de investigar a fundo os fenômenos e divulgar suas conclusões. À época William anunciou:

“O uso crescente de métodos científicos resultará numa geração de observadores que lançarão o resíduo inútil do Espiritualismo, em definitivo, ao limbo desconhecido da magia e da necromância”.

Obviamente a imprensa e o meio cientifico rejubilaram-se com a perspectiva de que os fenômenos fossem enfim desmascarados.

Crookes anunciou suas observações por intermédio de Daniel Dunglas Home. Com o médium, o cientista realizou efetivo controle para evitar fraudes ou enganos, inclusive utilizando aparelhos criados por ele mesmo.
Nas experimentações, relatadas ao jornal cientifico acima citado, ele observou por meio de Daniel D, Home: materializações de mãos, movimento de objetos e móveis à luz do dia, percussão de sons, elevação de corpos no ar e escrita direta.

Todas as experimentações foram realizadas com a presença de testemunhas, entre as quais o futuro investigador de fenômenos, o, legista e juiz em Londres, Serjeant E. W. Cox (1809-1879), que também foi o fundador da “Psychological Society of Great Britain” (Sociedade Psicológica da Grã Bretanha).

Seguiram-se, como era de se esperar, reações dos decepcionados com as conclusões de Crookes, que não atendiam aos seus anseios de desmascaramento; o físico e químico tratou de refutar todos os ataques que recebeu.

O investigador continuou operando suas pesquisas; depois de Daniel D. Home, pesquisou a mediunidade de Kate Fox, obtendo conclusões análogas.

Mas seu trabalho definitivo estava ainda por acontecer; tal se deu quando se encontraram Florence Cook e William Crookes.

*

Retornemos à nossa cronologia relembrando primeiramente que Florence tinha acabado de passar por uma tumultuada reunião envolvendo o ataque do senhor Volckman.

A moça ansiava por um estudo mais sério em torno de seus dons; o Senhor Crookes parecia a pessoa indicada, não somente por sua seriedade, mas porque o pesquisador afirmara, no final de 1873, que somente acreditaria em materializações se visse ao mesmo tempo a médium e a forma materializada.

Florence informou posteriormente:

“Fui à casa de Mr. Crookes sem dizer nada para meus pais ou amigos. Ofereci-me como sacrifício voluntário perante sua incredulidade. Pouco antes ocorrera o desagradável incidente com Mr. Volckman. Quem não conhecia o fenômeno dirigia palavras duras contra mim. Mr. Crookes fizera um comentário que me atormentara, por isto que me decidi a procurá-lo. Ele me recebeu e eu lhe disse: - Já que crês que sou uma impostora, caso queira submeter-me-ei a experimentações em sua casa. Sua esposa pode me vestir como quiser, deixarei com vocês o que tiver trazido. Poderão vigiar-me com bem entender; realizar as experiências que desejar, de tal modo que os satisfaça em todos os sentidos. Coloco apenas uma imposição: caso conclua que sou uma mistificadora, denunciar-me-á publicamente; mas se concluirdes pela realidade dos fenômenos e de que eu realmente sou apenas o instrumento de forças invisíveis, dirás ao público de tal forma que todos conheçam a verdade”.

O Senhor Charles Blackburn reiterou a decisão dela, concordando que ficasse sobre os cuidados de William Crookes; enquanto permanecesse solteira custearia suas despesas.

O ano de 1874 ficou marcado pelas experimentações realizadas pelo famoso sábio inglês com a jovem médium.

A premissa principal do físico era evitar as fraudes e ter a certeza que Florence Cook e Katie King eram duas pessoas diferentes.

Alguns trechos a respeito de suas experimentações são tão interessantes que merecem a transcrição. Trata-se de relatos extraídos do livro “Fatos Espíritas”, de William Crookes e são réplicas das correspondências que Crookes enviava ao periódico científico “Quartely Journal of Science”:

“Passo agora à sessão que se realizou ontem à noite em Hackney. Katie nunca apareceu com tão grande perfeição. Durante perto de duas horas passeou na sala, conversando familiarmente com os que estavam presentes. Várias vezes tomou-me o braço, andando, e a impressão sentida por mim era a de uma mulher viva que se achava a meu lado, e não a de um visitante do outro mundo; essa impressão foi tão forte que a tentação de repetir uma -nova e curiosa experiência tornou-se-me quase irresistível”.

“Pensando, pois, que eu não tinha um espírito perto de mim, mas sim uma senhora, pedi-lhe permissão de tomá-la nos meus braços, a fim de poder verificar as interessantes observações que um experimentador ousado fizera recentemente, de maneira tão sumaria. Essa permissão foi-me graciosamente dada e, por conseqüência, utilizei-me dela, convenientemente, como qualquer homem bem educado o teria feito nessas circunstâncias. O Senhor Volckman ficará satisfeito ao saber que posso corroborar a sua asserção, de que o fantasma (que, afinal não fez nenhuma resistência) era um ser tão material quanto a própria Senhorita Cook. Mas o que vai seguir mostrará quão pouco fundamento tem um experimentador, por maior cuidado que tenha nas suas observações, em aventurar-se a formular uma importante conclusão quando as provas não existem em quantidade suficiente”.

“Katie disse então que, dessa vez, se julgava capaz de mostrar-se ao mesmo tempo que a Senhorita Cook. Abaixei o gás, e, em seguida, com a minha lâmpada fosforescente penetrei o aposento que servia de gabinete”.

“Mas eu tinha pedido previamente a um dos meus amigos, que é hábil estenógrafo, para anotar toda observação que eu fizesse, enquanto estivesse no gabinete, porque bem conhecia eu a importância que se liga às primeiras impressões, e que não queria confiar à minha memória mais do que fosse necessário: as suas notas acham-se neste momento diante de mim”.

“Entrei no aposento com precaução: estava escuro, e foi pelo tato que procurei a Senhorita Cook; encontrei-a de cócoras, no soalho”.

“Ajoelhando-me, deixei o ar entrar na lâmpada e, à sua claridade, vi essa moça vestida de veludo preto, como se achava no começo da sessão, e com toda aparência de estar completamente insensível. Não se moveu quando lhe tomei a mão; conservei a lâmpada muito perto do seu rosto, mas continuou a respirar tranqüilamente”.

“Elevando a lâmpada, olhei em torno de mim e vi Katie, que se achava em pé, muito perto da Senhorita Cook e por trás dela. Katie estava vestida com uma roupa branca, flutuante, como já a tínhamos visto durante a sessão. Segurando uma das mãos da Srta. Cook na minha e ajoelhando-me ainda, elevei e abaixei a lâmpada, tanto para alumiar a figura inteira de Katie, como para plenamente convencer-me de que eu via, sem a menor dúvida, a verdadeira Katie, que tinha apertado nos meus braços alguns minutos antes, e não o fantasma de um cérebro doentio. Ela não falou, mas moveu a cabeça, em sinal de reconhecimento. Três vezes examinei cuidadosamente a Srta. Cook, de cócoras, diante de mim, para ter a certeza de que a mão que eu segurava era de fato a de uma mulher viva, e três vezes voltei a lâmpada para Katie, a fim de a examinar com segurança e atenção, até não ter a menor dúvida de que ela estava diante de mim. Por fim a Srta. Cook fez um ligeiro movimento e imediatamente Katie deu um sinal para que me fosse embora. Retirei-me para outra parte do gabinete e deixei então de ver Katie, mas só abandonei o aposento depois que a Srta. Cook acordou e que dois dos assistentes entrassem com a luz”.

As inclinações cientificas do pesquisador continuaram em outro episodio:

“Uma noite, contei as pulsações de Katie; o pulso batia regularmente 75, enquanto o da Srta. Cook, poucos instantes depois atingia a 90, seu número habitual. Auscultando o peito de Katie, eu ouvia um coração bater no interior, e as suas pulsações eram ainda mais regulares que as do coração da Srta. Cook, quando, depois da sessão, ela me permitia igual verificação”.

Na semana anterior à despedida de Katie King – pois que esta prometera se manifestar por meio da mediunidade de Florence Cook por três anos – foram realizadas várias fotos.

Em 21 de maio de 1874 ocorreu a despedida de Katie King. Nesta reunião esteve presente a escritora inglesa Florence Marryat (1837-1899) como testemunha. Depois Marryat escreveu dois livros tratando sobre Mediunidade e vida espiritual: “There is No Death” (1891) e “The Spirit World” (1894).

Os relatos dão conta que a despedida foi carregada de emoções. Katie materializada escreveu cartas de despedidas, inclusive uma para Florence; nelas assinou Anne Owen Morgan, nome com o qual se identificou na casa do Senhor Koons.

O Espírito cortou mechas de seus cabelos e ofereceu porções para cada participante da reunião, passeou de braços dados com o Senhor Crookes pele sala e depois “desceu a Corina e tornou-se invisível”. Ouviram-na despertar a médium, que lhe pediu, banhada em lágrimas, que se demorasse mais um pouco. Katie, porém, lhe respondeu: “Minha querida, não posso. Está cumprida a minha missão. Deus te abençoe!”. E todos ouviram o som do seu beijo de despedida na médium. Logo depois, a Srta Cook vinha ter com os presentes, inteiramente esgotada e profundamente consternada.

Após estes eventos, Florence Cook ainda permaneceu certo tempo demonstrando a sua mediunidade; ela passou a propiciar materializações do Espírito que se identificou pelo nome de Mary. Florence Marryat continuou participando dos encontros. No entanto, após a médium se casar com Elgie Corner, ela se afastou das sessoes de experimentação.

Florence Cook ainda reunir-se-ia algumas vezes, a partir de 1899, em Berlin, para propiciar materializações de Mary. Depois, em 1900, apresentou-se na casa de Pierre-Gaetan Leymarie e Marina Leymarie. Na oportunidade ocorrem:

“(...) Materializações diversas. Vozes de três a quatro pessoas falando ao mesmo tempo em inglês. Feito absoluto silêncio, distinguiram, os presentes, uma voz extremamente simpática e juvenil, expressando-se em puríssimo francês. Era a voz de Mary, uma menina, nascida de pais ingleses na Algéria, à época da possessão francesa. Pouco depois, a pequena e atenta platéia foi tomada de súbita emoção, com a saída, dos reposteiros, de uma mulher vestida de branco, que pouco se demorou. Em seguida, as cortinas entreabriram-se e surgiu a figura esbelta e delicada de Mary. Trajava vestido de noiva, de longa cauda, decotado em cima de ombro a ombro. E os braços inteiramente nus. A sua pele, de brancura cetinosa, tinha todo o frescor da juventude, e uma abundante cabeleira loura caía-lhe sobre os ombros e braços. A aparição ficou certo tempo entre os assistentes, depois pediu caneta e papel para escrever. Indicou-se-lhe uma pequena mesa que ficava encostada à parede, junto aos reposteiros. Escreveu apressada e febrilmente algumas palavras de despedida, que assinou, e se retirou para a cabine de onde não tornou a sair. Clareou-se a sala e todos verificaram que a médium estava sentada e ligada à cadeira”. (Trecho retirado do livro “As Mulheres Médiuns”, de Carlos Bernardo Loureiro).

William Crookes, por manter seu compromisso com a verdade dos fatos que presenciou, sofreu o escárnio de seus colegas, da imprensa e dos cidadãos em geral, mas, apesar das hostilidades ele declarou, em setembro de 18989, no Congresso da Associação Britânica:

“Trinta anos se passaram desde que publiquei as atas das experiências tendentes a mostrar que fora dos nossos conhecimentos científicos existe uma força posta em atividade por uma inteligência diferente da inteligência comum a todos os mortais. Nada tenho que retratar dessas experiências e mantenho as minhas verificações já publicadas, podendo mesmo a elas acrescentar muita coisa”.

Seu livro “Fatos Espíritas”, relata suas experiências com Daniel Dunglas Home, Kate Fox, Florence Cook e narrações de outros experimentadores. Trata-se de uma obra para ser lida com atenção, por aqueles que se disponham a acompanhar o trabalho criterioso que o pesquisador realizou com esses dedicados médiuns, em especial com a corajosa Florence Cook.