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Mais um grande trabalhador anônimo da Seara de Jesus voltou ao Plano
Espiritual – Djandiro Rodrigues da Silva -, às 12 horas do dia 15 de
abril de 1994, no Hospital São Salvador, em Além-Paraíba (MG).
Renascera em 26 de agosto de 1909, no distrito de Floresta,
Município de Cantagalo (RJ), passando quase toda essa existência na
Vila de Porto Velho do Cunha, 3º. Distrito da Cidade do Carmo (RJ).
Casando-se em 11 de abril de 1931, com D. Ambrósia Sydio – outra
incansável colaboradora das lides espíritas (já desencarnada),
deixou 8 filhos, 25 netos e 4 bisnetos.
Lavrador nos primeiros anos, padeiro por longo período, ingressou na
Light, na Ilha dos Pombos, em 2 de setembro de 1943, onde permaneceu
até aposentar-se em 31 de março de 1976, dando sempre testemunho de
pessoa cumpridora de suas obrigações, como autêntico espírita
cristão.
Está o nosso focalizado intimamente ligado ao Centro Espírita
Celina, localizado em Porto Velho do Cunha, instituição que enormes
serviços tem prestado à coletividade, independente das dificuldades
de ordem material e à incompreensão de muitos.
Antes da criação do “Celina”, que ocorreu em 5 de agosto de 1944, um
grupo de poucas pessoas resolveu estudar, em Porto Velho do Cunha, o
Evangelho do Senhor Jesus, com base na codificação de Allan Kardec,
seguindo o exemplo da família Veiga Barbuda, sitiantes vizinhos.
Desse pequeno grupo inicial fazia parte o farmacêutico Augusto Belo,
de lugarejo próximo e que, além de ser um estudioso da Doutrina
Espírita, era médium receitista, tendo sido instrumento de inúmeras
curas. Reunia-se nas residências em sistema de rodízio.
A
repercussão dos estudos e das curas ataria novos participantes, o
que passou a dificultar a realização das reuniões no sistema
mencionado, exigindo um local específico. Vencendo enormes
sacrifícios iniciaram a construção de um barraco no quintal da
residência de um dos componentes do grupo. Quase pronto, foram as
obras embargadas por iniciativa de católicos da Igreja local, sendo
o confrade Djandiro intimado a comparecer à presença do Juiz, por
diversas vezes. As novas dificuldades e o impasse criado foram
contornadas quando um companheiro de ideal cedeu para uso das
atividades do grupo um pequeno anexo (2mx4m) de sua residência,
culminando com a criação do Centro Espírita Celina.
Passado algum tempo desencarnou Lino da Silveira (então Presidente),
assumindo o confrade Djandiro, na época morador na Ilha dos Pombos.
Fácil é calcular-se as dificuldades, tais como, a distância de
quatro quilômetros sem meios de transporte entre o “Celina” e a Ilha
dos Pombos; as enchentes periódicas do Rio Paraíba impedindo, por
vezes, a ligação entre as duas localidades. Mas as atividades
continuaram; duas reuniões doutrinárias semanais, aulas de
Evangelização para as crianças, graças ao auxílio prestado por
colaboradores, sendo de destacar-se o de D. Ambrósia e do Senhor
Sebastião Lopes de Oliveira.
Novas dificuldades surgiram e provocaram a interrupção das
atividades por alguns meses. Com a ajuda do Senhor Ronaldo J. da
Silveira, de passagem pela localidade, foram os empecilhos vencidos
e as atividades reiniciadas.
Daí
para a frente o “Celina” não mais parou... Com Djandiro sempre
cauteloso, fraterno, ponderado, submisso aos preceitos evangélicos,
e com ajuda de outros trabalhadores prosseguiu a sua tarefa.
Para encerrar focalizamos, entre outras, duas ocorrências
extra-estatutos do “Celina” e com atuação pessoal de Djandiro:
a) Criado o “Posto de Saúde” sem ter sede, o “Celina” abriu suas
dependências para o atendimento a todos independentemente de
filiação religiosa;
b) Por ocasião da epidemia de tifo que causou a desencarnação de
muitas pessoas e diante das dificuldades financeiras da população,
os cadáveres eram colocados, à noite, na porta da Igreja e esta os
enterrava envoltos em lençóis. Foi então criada no “Celina” e
colocada na entrada da sede (e lá permanece) uma “Caixa de Socorro”,
o que permitiu, daí em diante, adquirir a madeira necessária à
confecção das urnas funerárias. Posteriormente, os recursos têm sido
utilizados para socorro urgente a necessitados carentes, em momentos
difíceis;
c) Com inauditos esforços o irmão Djandiro, coadjuvado nesse mister
pela Professora Terezinha Ângela Ghetti Senra e pelo confrade
Otacílio Rodrigues e outros colaboradores do Centro Espírita Celina,
foi construída uma outra dependência que, inaugurada, se destinaria
não só a Biblioteca, como também para o funcionamento da Escola
Espírita de Evangelho “Maria de Nazaré”, que contou com
representantes não só da USEERJ, mas também da Casa de Ismael.
Djandiro foi um grande admirador da Federação Espírita Brasileira,
tornando-se em Porto Velho do Cunha e em outras regiões um
verdadeiro agente de divulgação de suas obras, até mesmo carreando
assinantes para a revista Reformador, seu órgão de orientação
doutrinária.
Compareceu ao sepultamento de seu corpo no Cemitério local grande
número de pessoas espíritas e não espíritas que admiravam o seu
trabalho, não só de Porto Velho do Cunha, de Além-Paraíba e da
Cidade do Carmo, mas também de outras cidades circunvizinhas.
Ao
Espírito Djandiro Rodrigues da Silva as nossas preces e à sua
Família a nossa solidariedade cristã.
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