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Retornamos para Assis na Itália, onde o casal de nobres formado pelo
Conde Faverone Scifi e sua esposa Hortolona, moradores em um castelo
na Praça da Catedral de São Rufino, recebia a primeira das quatro
crianças de sua família: tratava-se de Chiara d´Offreducci (Clara de
Assis) nascida em 16 de julho de 1194, tendo desencarnado em 11 de
agosto de 1253.
Em
1203, seus pais, fugindo de um conflito entre duas facções, levaram
os filhos para Perúgia, retornando a Assis em 1205.
Clara conheceu Francisco de Assis quando este pregava na Catedral de
sua cidade, em 1210, e logo se irmanou com sua maneira de pensar e
sua filosofia de vida. Tal amizade levou-a a abandonar seu estilo de
vida, em 1212, para seguir os caminhos traçados pelo frade. Juntos,
fundaram a Ordem das Pobres Damas, ramo feminino da Ordem dos Frades
Menores, também dedicadas à obediência, castidade e pobreza, cujas
monjas ficaram conhecidas como Damas Pobres ou Clarissas.
As
reações da família da jovem não demoraram, o que forçou Francisco a
recolhê-la no Convento das Beneditinas de São Paulo de Bastia Umbra;
por fim ele a levou para junto das monjas de Santo Ângelo de Panzo,
no Monte Subasio.
Catarina, de quinze anos, irmã de Clara, seguiu seus passos e
procurou refúgio juntamente com Clara; Francisco passou a chamá-la
de Irmã Inês.
Novamente a família reagiu; mesmo assim as duas passaram a viver na
mais absoluta pobreza, no convento de São Damião.
A
piedade de Clara era notória, a ponto de suas irmãs de crença a
procurarem em busca de suas visões esclarecedoras.
Do
livro Mediunidade dos Santos, de Clóvis Tavares, retiramos trechos
que relatam a mediunidade de Clara:
“Diz o seu biógrafo textualmente: Agradou-se ainda Deus de revelar à
sua diletíssima Serva o estado de muitas almas traspassadas desta
para a outra vida. Entre os exemplos vários citados, conta-se o caso
de um senhor, Mascio de Poggio, que recorreu à Beata Joana para
consultá-la sobre uma dúvida, isto é, se era obrigado a executar o
testamento de sua falecida esposa. Antes de dar-lhe resposta, Joana
pediu à irmã Clara que orasse no sentido de obter uma resposta
espiritual. Enquanto Clara orava, numa visão, lhe apareceu a defunta
envolta em chamas, implorando sufrágios e a satisfação dos seus pios
legados”.
“Certa vez, Clara teve a visão espiritual de uma alma em terrível
situação espiritual. Tratava-se de Cetto, da cidade de Spoleto.
Clara se apresou a pedir às suas irmãs do mosteiro orações em favor
dessa entidade desencarnada. Ninguém, entretanto, sabia da morte de
Cetto, notícia que só chegou ao mosteiro no dia seguinte ao da
visão”.
“Certo dia, Santa Clara anunciou profeticamente às suas irmãs a
vinda ao Monastério de uma devota peregrina chamada Margarida, que
partira de Carcassone, no Languedoc, França. Disse-lhes ainda que a
jovem Margarida teria como destino da viagem a cidade de Roma, onde
iria visitar os lugares santos. Clara marcou dia e hora da chegada
da forasteira a Montefalco. E precisamente no mesmo dia e à mesma
hora, a jovem Margarida dava entrada no Convento da Cruz. Clara
acolheu-a com as maiores demonstrações de carinho e a saudou pelo
nome, embora não a conhecesse pessoalmente. Demorou-se em longo
colóquio com Margarida, conversando com a peregrina no dialeto
desta, o languedoc (provençal), em presença das monjas que as
escutavam, surpresas pela novidade da descoberta daquele dom das
línguas, acrescido aos outros dons de sua Abadessa”.
Depois, quando sua amiga, a Abadessa Joana desencarnou, Clara entrou
em abatimento por três dias.
“No
final do terceiro dia estava a Beata Clara em oração, após as
matinas, quando percebeu alguém caminhando para o oratório. Teve a
impressão de que eram passos da Beata Joana. Chamou-a, então, e ela
respondeu: Clara! Clara perguntou: Não estás morta? Sim, respondeu a
irmã – estou morta, mas, a morte é uma passagem para o paraíso, onde
me alegrarei eternamente em meu Deus. Clara ouviu a voz da irmã, mas
não enxergou senão uma grande chama, que pousou depois sobre sua
cabeça. Então, sentiu que dela se apossou uma repentina calma e seu
pranto se converteu em alegria e agradecimentos a Deus”.
Médium de tamanha capacidade, somente poderia ter seu desencarne
precedido de fenômenos mediúnicos. Destacamos dois casos
interessantes envolvendo a proximidade de sua morte física.
“Outra religiosa, esta abadessa, também de Spoleto, chamada Irmã
Paula, também teve uma visão de um Espírito envolto em grande luz
nos ares, tendo ouvido, ao mesmo tempo, uma voz que lhe disse: Esta
é Clara da Cruz que neste momento se encaminha para a Vida Eterna”.
“Também outra religiosa, abadessa em Perusa, grande admiradora e
amiga de Clara, estando a orar em companhia de suas irmãs,
repentinamente, viu uma grande luz, que a pôs atônita. Também lhe
foi revelado, no momento, que Clara havia ascendido aos céus e que
aquela luz era o símbolo de sua glória. E não teve dúvida em
declarar às religiosas, em face da visão: Irmãs, alegremo-nos, no
Senhor, porque nossa Clara acaba de passar à glória do paraíso”.
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