Grandemente
louvável era essa iniciativa humana e patriótica do Prof. Rivail,
pois, não obstante as leis sucessivas decretadas após a Revolução
Francesa em prol do ensino, a instrução pública vivia descurada
do Governo, tanto que só em 1833, pela lei Guizot, é que oficial e
definitivamente ficaria estabelecido o ensino primário na França.
Em
1835, o casal sofreu doloroso revés.
Aquele estabelecimento de ensino foi obrigado a cerrar suas
portas e a entrar em liquidação.
Possuindo, porém, esposa altamente compreensiva, resignada e
corajosa, fácil lhe foi sobrepor-se a esses infaustos
acontecimentos.
Amparando-se mutuamente, ambos se lançaram a maiores
trabalhos.
Durante o dia, enquanto Rivail se encarregava da
contabilidade de casas comerciais, sua esposa colaborava de alguma
forma na preparação dos cursos gratuitos que haviam organizado na
própria residência, e que funcionaram de 1835 a 1840.
À
noite, novamente juntos, não se davam a descanso justo e merecido,
mas improdutivo.
O problema da instrução às crianças e aos jovens
tornara-se para
Prof. Rivail, como o fora para seu mestre Pestalozzi, sempre
digno da maior atenção.
Por isso, até mesmo as horas da noite ele as dividia para
diferentes misteres relacionados com aquele problema, recebendo em
todos a cooperação talentosa e espontânea de sua esposa.
Além de escrever novas obras de ensino, que, aliás, tiveram
grande aceitação, o Prof. Rivail realizava traduções de obras clássicas,
preparava para os cursos de Lévi-Alvarès, freqüentados por toda a
juventude parisiense do bairro de São Germano, e se dedicava ainda,
em dias certos da semana, juntamente com sua esposa, a professorar
as matérias estatuídas para os já referidos cursos gratuitos.
“Aquele
que encontrar uma mulher boa, encontrará o bem e achará gozo no
Senhor” - disse Salomão.
Amélie Boudet era dessas mulheres boas, nobres e puras, e
que, despojadas das vaidades mundanas, descobrem no matrimônio missões
nobilitantes a serem desempenhadas.
Nos
cursos públicos de Matemáticas e Astronomia que o Prof. Rivail
bi-semanalmente lecionou, de 1843 a 1848, e aos quais assistiram não
só alunos, que também professores, no “Liceu Polimático” que
fundou e dirigiu até 1850, não faltou em tempo algum o auxilio
eficiente e constante de sua dedicada consorte.
Todas
essas realizações e outras mais, a bem do povo, se originaram das
palestras costumeiras entre os dois cônjuges, mas, como salientou a
Condessa de Ségur, deve-se principalmente à mulher, as inspirações
que os homens concretizam.
No que toca à Madame Rivail, acreditamos que em muitas ocasiões,
além de conselheira, foi ela a inspiradora de vários projetos que
o marido pôs em execução.
Aliás, é o que nos confirma o Sr. P. J. Leymarie ( que com
ambos privara ) ao declarar que Kardec tinha em grande consideração
as opiniões de sua esposa.
Graças
principalmente às obras pedagógicas do professor Rivail, adotadas
pela própria Universidade de França, e que tiveram sucessivas edições,
ele e senhora alcançaram uma posição financeira satisfatória.
O
nome Denizard Rivail tornou-se conhecido nos meios cultos e além do
mais bastante respeitado.
Estava aberto para ele o caminho da riqueza e da glória, no
terreno da Pedagogia.
Sobrar-lhe-ia, agora, mais tempo para dedicar-se à esposa,
que na sua humildade e elevação de espírito jamais reclamara
coisa alguma.
A
ambos, porém, estava reservada uma missão, grandiosa pela sua
importância universal, mas plena de exaustivos trabalhos e
dolorosos espinhos.
O
primeiro toque de chamada verificou-se em 1854, quando o Prof.
Rivail foi atraído para os curiosos fenômenos das “mesas
girantes”, então em voga no Mundo todo.
Outros convites do Além se seguiram, e vemos, em meados de
1855, na casa da Família Baudin, o Prof. Rivail iniciar os seus
primeiros estudos sérios sobre os citados fenômenos, entrevendo,
ali, a chave do problema que durante milênios viveu na obscuridade.
Acompanhando
o esposo nessas investigações, era de se ver a alegria emotiva com
que ela tomava conhecimento dos fatos que descerravam para a
Humanidade novos horizontes de felicidade.
Após observações e experiências inúmeras, o professor
Rivail pôs mãos à maravilhosa obra da Codificação, e é ainda
de sua cara consorte, então com 60 anos, que ele recebe todo o
apoio moral nesse cometimento.
Tornou-se ela verdadeira secretária do esposo, secundando-o
nos novos e bem mais árduos trabalhos que agora lhe tomavam todo o
tempo, estimulando-o, incentivando-o no cumprimento de sua missão.
Sem
dúvida, os espíritas, muito devemos a Amélie Boudet e estamos de
acordo com o que acertadamente escreveu Samuel Smiles: os supremos
atos da mulher geralmente permanecem ignorados, não saem à luz da
admiração do mundo, porque são feitos na vida privada, longe dos
olhos do público, pelo único amor do bem.
O
nome de Madame Rivail enfileira-se assim, com muita justiça, entre
os de inúmeras mulheres que a História registrou como dedicadas e
fiéis colaboradoras dos seus esposos, sem as quais talvez eles não
levassem a termo as suas missões.
Tais foram, por exemplo, as valorosas esposas de Lavoisier,
de Buckland, de Flaxman, de Huber, de Sir William Hamilton, de
Stuart Mill, de Faraday, de Tom Hood, de Sir Napier, de Pestalozzi,
de Lutero, e de tantos outros homens de gênio.
A todas essas Grandes Mulheres, além daquelas muito
esquecidas pela História, a Humanidade é devedora eterna!
Lançado
O Livro dos Espíritos, da lavra de Allan Kardec, pseudônimo que
tomou o Prof. Rivail, este, meses depois, a 1o. de
Janeiro de 1858, com o apoio tão somente de sua esposa, deu a lume
o primeiro número da “Revue Spirite”, periódico que alcançou
mais de um século de existência grandemente benéfica ao
Espiritismo.
Havia
cerca de seis meses que na residência do casal Rivail, então
situada à Rua dos Mártires n. 8, se efetuavam sessões bastante
concorridas, exigindo da parte de Madame Rivail uma série de
cuidados e atenções, que por vezes a deixavam extenuada.
O local chegou a se tornar apertado para o elevado número de
pessoas que ali compareciam, de sorte que em Abril de 1858 Allan
Kardec fundava, fora do seu lar, a “Sociedade Parisiense de
Estudos Espíritas”.
Mais uma obra de grave responsabilidade!
Tomar
tais iniciativas naquela recuada época, em que o despotismo
clerical ainda constituía uma força, não era tarefa para muitos.
Havia necessidade de larga dose de devotamento, firmeza de
vistas e verdadeiro espírito de sacrifício.
Ao
casal Rivail é que coube, apesar de todos os escolhos e perigos que
se lhe deparariam em a nova estrada, empreender, com a assistência
e proteção do Alto, a maior revolução de idéias de que se teve
notícia nos meados do século XIX.
Allan
Kardec foi alvo do ódio, da injúria, da calúnia, da inveja, do ciúme
e do despeito de inimigos gratuitos, que a todo custo queriam
conservar a luz sob o alqueire.
Intrigas,
traições, insultos, ingratidões, tudo de mal cercou o ilustre
reformador, mas em todos os momentos de provas e dificuldades sempre
encontrou, no terno afeto de sua nobre esposa, amparo e consolação,
confirmando-se essas palavras de Simalen: “A mulher é a estrela
de bonança nos temporais da vida.”
Com
vasta correspondência epistolar, proveniente da França e de vários
outros países, não fosse a ajuda de sua esposa nesse setor, sem dúvida
não sobraria tempo para Allan Kardec se dedicar ao preparo dos
livros da Codificação e de sua revista.
Uma
série de viagens ( em 1860, 1861, 1862, 1864, etc, ) realizou
Kardec, percorrendo mais de vinte cidades francesas, além de várias
outras da Suíça e da Bélgica, em todas semeando as idéias espíritas.
Sua veneranda consorte, sempre que suas forças lhe
permitiam, acompanhou-o em muitas dessas viagens, cujas despesas,
cumpre informar, corriam por conta do próprio casal.
Parafraseando o escritor Carlyle, poder-se-ia dizer que
Madame Allan Kardec, pelo espaço de quase quarenta anos, foi a
companheira amante e fiel do seu marido, e com seus atos e suas
palavras sempre o ajudou em tudo quanto ele empreendeu de digno e de
bom.
Aos
31 de Março de 1869, com 65 anos de idade, desencarnava,
subitamente, Allan Kardec, quando ultimava os preparativos para a
mudança de residência.
Foi uma perda irreparável para o mundo espiritista, lançando
em consternação a todos quantos o amaram.
Madame Allan Kardec, quer partilhara com admirável resignação
as desilusões e os infortúnios do esposo, agora, com os cabelos
nevados pelos seus 74 anos de existência e a alma sublimada pelos
ensinos dos Espíritos do Senhor, suportaria qualquer realidade mais
dura.
Ante a partida do querido companheiro para a Espiritualidade,
portou-se como verdadeira espírita, cheia de fé e estoicismo,
conquanto, como é natural, abalada no profundo do ser.
No
cemitério de Montmartre, onde, com simplicidade, aos 2 de Abril se
realizou o sepultamento dos despojos do mestre, comparecia uma
multidão de mais de mil pessoas.
Discursaram diversos oradores, discípulos dedicados de
Kardec, e por último o Sr. E. Muller, que logo no princípio do seu
elogio fúnebre ao querido extinto assim se expressou: “Falo em
nome de sua viúva, da qual lhe foi companheira fiel e ditosa
durante trinta e sete anos de felicidade sem nuvens nem desgostos,
daquela que lhe compartiu as crenças e os trabalhos, as
vicissitudes e as alegrias, e que se orgulhava da pureza dos
costumes, da honestidade absoluta e do desinteresse sublime do
esposo; hoje, sozinha, é ela quem nos dá a todos o exemplo de
coragem, de tolerância, do perdão das injúrias e do dever
escrupulosamente cumprido.”
Madame
Allan Kardec recebeu da França e do estrangeiro, numerosas e
efusivas manifestações de simpatia e encorajamento, o que lhe
trouxe novas forças para o prosseguimento da obra do seu amado
esposo.
Desejando
os espiritistas franceses perpetuar num monumento o seu testemunho
de profundo reconhecimento à memória do inesquecível mestre,
consultaram nesse sentido a viúva, que, sensibilizada com aqueles
desejos humanos mas sinceros, anuiu, encarregando desde logo uma
comissão para tomar as necessárias providências.
Obedecendo a um desenho do Sr. Sebille, foi então levantado
no cemitério do Père-Lachaise um dólmen, constituído de três
pedras de granito puro, em posição vertical, sobre as quais se
colocou uma quarta pedra, tabular, ligeiramente inclinada, e pesando
seis toneladas.
No interior deste dólmen, sobre uma coluna também de pedra,
fixou-se um busto, em bronze, de Kardec.
Esta
nova morada dos despojos mortais do Codificador foi inaugurada em 31
de Março de 1870 , e nessa ocasião o Sr. Levent,
vice-presidente da “Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas”,
discursou, a pedido de Madame Allan Kardec, em nome dela e dos
amigos.
Cerca
de dois meses após o decesso do excelso missionário de Lyon, sua
esposa, no desejo louvável de contribuir para a realização dos
plano futuros que ele tivera em mente, e de cujas obras, revista e
Livraria passou a ser a única proprietária legal, houve por bem,
no interesse da Doutrina, conceder todos os anos certa verba para
uma “Caixa Geral do Espiritismo”, cujos fundos seriam aplicados
na aquisição de propriedades, a fim de que pudessem ser remediadas
quaisquer eventualidades futuras.
Outras
sábias decisões foram por ela tomadas no sentido de salvaguardar a
propaganda do Espiritismo, sendo, por isso, bastante apreciado pelos
espíritas de todo o Mundo o seu nobre desinteresse e devotamento.
Apesar
de sua avançada idade, Madame Allan Kardec demonstrava um espírito
de trabalho fora do comum, fazendo questão de tudo gerir
pessoalmente, cuidando de assuntos diversos, que demandariam várias
cabeças.
Além de comparecer à reuniões, para as quais era
convidada, todos os anos presidia à belíssima sessão em que se
comemorava o Dia dos Mortos, e na qual, após vários oradores
mostrarem o que em verdade significa a morte à luz do Espiritismo,
expressivas comunicações de Espíritos Superiores eram recebidas
por diversos médiuns.
Se
Madame Allan Kardec – conforme se lê em
Revue Spirite de 1869 – se entregasse ao seu interesse
pessoal, deixando que as coisas andassem por si mesmas e sem
preocupação de sua parte, ela facilmente poderia assegurar tranqüilidade
e repouso à sua velhice.
Mas, colocando-se num ponto de vista superior, e guiada, além
disso, pela certeza de que Allan Kardec com ela contava para
prosseguir, no rumo já traçado, a obra moralizadora que lhe foi
objeto de toda a solicitude durante os últimos anos de vida, Madame
Allan Kardec não hesitou um só instante.
Profundamente convencida da verdade dos ensinos espíritas,
ela buscou garantir a vitalidade do Espiritismo no futuro, e,
conforme ela mesma o disse, melhor não saberia aplicar o tempo que
ainda lhe restava na Terra, antes de reunir-se ao esposo.
Esforçando-se
por concretizar os planos expostos por Allan Kardec em “Revue
Spirite” de 1868, ela conseguiu, depois de cuidadosos estudos
feitos conjuntamente com alguns dos velhos discípulos de Kardec,
fundar a “Sociedade Anônima do Espiritismo”.
Destinada
à vulgarização do Espiritismo por todos os meios permitidos pelas
leis, a referida sociedade tinha, contudo, como fito principal, a
continuação da “Revue Spirite”, a publicação das obras de
Kardec e bem assim de todos os livros que tratassem do Espiritismo.
Graças,
pois, à visão, ao empenho, ao devotamento sem limites de Madame
Allan Kardec, o Espiritismo cresceu a passos de gigante, não só na
França, que também no Mundo todo.
Estafantes
eram os afazeres dessa admirável mulher, cuja idade já lhe exigia
repouso físico e sossego de espírito.
Bem cedo, entretanto, os Céus a socorreram.
O Sr. P. G. Leymarie, um dos mais fervorosos discípulos de
Kardec desde 1858, médium, homem honesto e trabalhador incansável,
assumiu em 1871 a gerência da Revue Spirite e da Livraria, e logo
depois, com a renúncia dos companheiros de administração da
sociedade anônima, sozinho tomou sob os ombros os pesados encargos
da direção.
Daí por diante, foi ele o braço direito de Madame Allan
Kardec, sempre acatando com respeito as instruções emanadas da
venerável anciã, permitindo que ela terminasse seus dias em paz e
confiante no progresso contínuo do Espiritismo.
Parecendo
muito comercial, aos olhos de alguns espíritas puritanos, o título
dado à Sociedade, Madame Allan Kardec, que também nunca
simpatizara com esse título, mas que o aceitara por causa de certas
conveniências, resolveu, na assembléia geral de 18 de Outubro de
1873, dar-lhe novo nome: “Sociedade para a Continuação das Obras
Espíritas de Allan Kardec”, satisfazendo com isso a gregos e
troianos.
Muito
ainda fez essa extraordinária mulher a prol do Espiritismo e de
todos quantos lhe pediam um conselho ou uma palavra de consolo, até
que em 21 de Janeiro de 1883, às 5 horas da madrugada, docemente,
com rara lucidez der espírito, com aquele mesmo gracioso e meigo
sorriso que sempre lhe brincava nos lábios, desatou-se dos últimos
laços que a prendiam à matéria.
A
querida velhinha tinha então 87 anos, e nessa idade, contam os que
a conheceram, ainda lia sem precisar de óculos e escrevia ao mesmo
tempo corretamente e com letra firme.
Aplicando-lhe
as expressões de célebre escritor, pode-se dizer, sem nenhum
excesso, que “sua existência inteira foi um poema cheio de
coragem, perseverança, caridade e sabedoria”.
Compreensível,
pois, era a consternação que atingiu a família espírita em
todos os quadrantes do globo.
De acordo com o seus próprios desejos, o enterro de Madame
Allan Kardec foi simples e espiriticamente realizado, saindo o féretro
de sua residência, na Avenida e Vila Ségur n. 39, para o Père-Lachaise,
a 12 quilômetros de distância.
Grande
multidão, composta de pessoas humildes e de destaque, compareceu em
23 de Janeiro às exéquias junto ao dólmen de Kardec, onde os
despojos da velhinha foram inumados e onde todos os anos, até à
sua desencarnação, ela compareceu às solenidades de 31 de março.
Na
coluna que suporta o busto do Codificador foram depois gravados, à
esquerda, esses dizeres em letras maiúsculas: AMÈLIE GABRIELLE
BOUDET – VEUVE ALLAN KARDEC – 21 NOVEMBRE 1795 – 21 JANVIER
1883.
No
ato do sepultamento falaram os Srs. P.G. Leymarie, em nome de todos
os espíritas e da “Sociedade para a Continuação das Obras Espíritas
de Allan Kardec”, Charles Fauvety, ilustre escritor e presidente
da “Sociedade Científica de Estudos Psicológicos”, e bem assim
representantes de outras Instituições e amigos, como Gabriel
Delanne, Cot, Carrier, J. Camille Chaigneau, poeta e escritor,
Lecoq, Georges Cochet, Louis Vignon, que dedicou delicados versos à
querida extinta, o Dr. Josset e a distinta escritora, a Sra. Sofia
Rosen-Dufaure, todos fazendo sobressair os reais méritos daquela
digna sucessora de Kardec.
Por fim, com uma prece feita pelo Sr. Warroquier, os
presentes se dispersaram em silêncio.
A
nota mais tocante daquelas homenagens póstumas foi dada pelo Sr.
Lecoq.
Leu ele, para alegria de todos, bela comunicação mediúnica
de Antonio de Pádua, recebida em 22 de Janeiro, na qual esse
iluminado Espírito descrevia a brilhante recepção com que
elevados Amigos do Espaço, juntamente com Allan Kardec, acolheram
aquele ser bem aventurado.
No
improviso do Sr. P.G. Leymarie, este relembrou, em traços rápidos,
algo da vida operosa da veneranda extinta, da sua nobreza d'alma,
afirmando, entre outras coisas, que a publicação tanto de O Livro
dos Espíritos, quanto da Revue Spirite, se deveu em grande parte à
firmeza de ânimo, à insistência, à perseverança de Madame Allan
Kardec.
Não
deixando herdeiros diretos, pois que não teve filhos, por
testamento fez ela sua legatária universal a “Sociedade para
Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec”.
Embora uma parenta sua, já bem idosa, e os filhos desta
intentassem anular essas disposições testamentárias, alegando que
ela não estava em perfeito juízo, nada, entretanto, conseguiram,
pois as provas em contrário foram esmagadoras.
Em
26 de Janeiro de 1883, o conceituado médium parisiense Sr. E.
Cordurié recebia espontaneamente uma mensagem assinada pelo Espírito
de Madame Allan Kardec, logo seguida de outra, da autoria de seu
esposo.
Singelas na forma, belas nos conceitos, tinham ainda um sopro
de imortalidade e comprovavam que a vida continua...