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Vivendo,
como vivemos, numa época em que a técnica cirúrgica se
engrandeceu de maneira assombrosa, em que a terapêutica se
enriqueceu com os antibióticos e as mais diversas vitaminas sintéticas,
não podemos formar a mais leve idéia da situação extravagante
das escolas médicas no século XVIII; basta dizer que as sangrias
eram o ponto alto da arte de curar e os barbeiros os únicos que se
incumbiam da cirurgia.
Nos
albores do século XIX, a cirurgia, embora houvesse avançado
bastante, era, contudo, um fracasso em seus resultados práticos.
Os operados dificilmente conseguiam sobreviver.
Predominava o empirismo, e os princípios de higiene e de
assepsia eram inteiramente desconhecidos, de maneira que o índice
de mortalidade, nesses casos, era muito elevado.
Foi
numa época de tão parcos conhecimentos científicos para a defesa
da vida humana, que em 1822 nasceu, na França, Louis Pasteur.
Quando
adolescente, escreveu: “Querer – Trabalhar – Esperar são as
três pedras angulares em que construirei a pirâmide do meu êxito”.
Isto é o suficiente para formarmos juízo acerca da têmpera
desse Espírito.
Trouxe
à Terra a missão de ajudar a Humanidade, remodelando completamente
a mentalidade dos médicos e cirurgiões. E dessa missão tinha plena e absoluta certeza, mas, para
levar avante tarefa de tal magnitude, num meio tão ingrato,
indispensável se fazia que seu Espírito viesse revestido, como
veio, de uma paciência extraordinária.
Era
desejo ardente de Pasteur, desde a infância, estudar Química.
Seu pai, por isso, alimentava a grande esperança de vê-lo
futuramente um químico notável. E bem poderemos imaginar qual não foi o desapontamento desse
pai, quando Pasteur recebeu grau de Bacharel em Ciências, com a
nota “medíocre” em Química.
Isto,
todavia, para Louis Pasteur, não tinha a menor importância, porque
em seu subconsciente estava escrito que ele seria grande nesse ramo
da Ciência, e tão certo estava disso que não vacilou em escrever
a seu genitor, dizendo-lhe: “Tenha paciência e confie em mim; hei
de conseguir melhor êxito mais adiante”.
O
mundo científico da época só começou a prestar atenção a
Pasteur, quando ele se declarou contrário à superstição
tradicional de que a vida se originava espontaneamente da matéria
inerte.
Os
cientistas mais velhos moveram-lhe, por esse motivo, uma guerra
tremenda, mas Pasteur não perdia a calma e a confiança no êxito
da missão que lhe fora confiada no Espaço.
Nessa
ocasião escrevia a seu pai, informando-o de que seus inimigos não
estavam suficientemente preparados para combatê-lo, porque ele
possuía qualidades inatas. E
essas qualidades inatas, nós, espíritas, bem as compreendemos,
significam os conhecimentos hauridos em vidas pregressas, as orientações
recebidas de seus superiores hierárquicos, antes de retornar à
Terra, para beneficiar a Humanidade com suas caridosas revelações
científicas.
Pasteur
fugiu inteiramente ao classicismo retrógrado da sua época, seu
pensamento se fixou num ponto jamais imaginado pelos cientistas de
então, isto é, a existência de doenças cuja sintomatologia tem
perfeita analogia com as fermentações, e daí o concluir a
interferência da vida microbiana na patologia animal.
Esta
descoberta de Pasteur, que bem podemos denominar de doutrina
pasteuriana, foi o marco inicial para os novos rumos da ciência médica.
Sua
doutrina básica, ou ciência do invisível, somente revelada pelo
microscópio, continua como pedestal indestrutível para a elaboração
sempre crescente dos preparados terapêuticos.
O
nome de Pasteur já era, há algum tempo, respeitado, em virtude dos
louros colhidos através de seus primeiros trabalhos, na Química,
ao descobrir a dissimetria molecular, ponto de inserção na Química
orgânica, resultando daí um novo ramo, a estereoquimica; mais
ainda se engrandeceu e se agigantou ele com a revelação do mundo
invisível dos micróbios, das toxinas e antitoxinas, das vacinas e
soros, dos fermentos e anticorpos.
Em
face de seu grande prestígio, convidaram-no a investigar e, se possível,
debelar a misteriosa enfermidade sofrida pelos bichos-da-seda, na
Província de Alais, e que ameaçava arruinar toda a sericultura
francesa.
Trabalhou
ativamente a fim de solucionar o caso, mas decorriam os dias sem
conseguir qualquer resultado, pelo que desencadearam uma tempestade
de insultos à sua pessoa e à sua competência.
Com
o pensamento um tanto preocupado, em virtude das mais variadas e
incessantes pesquisas que fazia dia e noite, não se mostrava dócil
às inspirações de seus mentores espirituais.
Para que Pasteur pudesse vencer, era necessário que
repousasse, quando então fácil lhe seria receber do Além uma
palavra esclarecedora.
Ele,
todavia, permanecia irredutível, trabalhava continuamente.
Nesta altura, os Espíritos lançaram mão de um recurso
extremo: proporcionaram-lhe um ataque de paralisia.
E, durante essas horas de repouso forçado, puderam seus
mentores espirituais transmitir-lhe a solução do problema.
Aproximava-se
o momento de Pasteur abandonar a Terra, mas, antes desse seu
regresso à Espiritualidade, cabia-lhe deixar aos homens os meios de
combaterem a hidrofobia. Essa
descoberta fazia parte, como dissemos, de sua missão, pelo que a
levou de vencida, sem que até hoje se saiba da razão por que ele
estudou a hidrofobia, de vez que não havia epidemia de semelhante
doença.
Nós,
porém, compreendemos que esse motivo, então desconhecido, estava
predeterminado. E todos
sabemos como ele se dedicou de coração a esse trabalho caridoso!
Ruy
Barbosa, em discurso sobre a personalidade de Oswaldo Cruz, assim se
expressou ao referir-se a Louis Pasteur:
“Não
era médico, e criou a nova Medicina.
Também cirurgião não era, e revolucionou a Cirurgia.
Tampouco se ocupou jamais com a obstetrícia, e milhares de
famílias lhe devem a salvação de milhares de mães.
Veterinário não foi, igualmente; e dele recebeu a Veterinária
as suas melhores conquistas. Nunca
exerceu nem estudou a lavoura; e as idéias, que semeou, abriram os
mais fecundos sulcos na Agricultura moderna”.
Pasteur
foi um exemplo vivo de trabalho, de amor e de confiança em seus
amigos espirituais!
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