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Pierre
Devaux, falando acerca de profetas e inventores, declarou que “a
invenção de um espírito genial nada mais é que simples acaso
para as pessoas profanas”.
Todos
sabemos perfeitamente bem que o acaso não existe senão na mente
daqueles que só admitem a matéria; fora dela, portanto, tudo o
mais é pura fantasia.
“Newton,
observando a queda de uma maça, descobre a atração universal;
Galileu contempla um lampadário que oscila na catedral de Pisa e
concebe o isocronismo; Zenóbio Gramme, simples carpinteiro de
corrimões, constrói, inadvertidamente, op primeiro induzido de dínamo”,
e poderíamos citar muitos outros desses presumidos acasos.
“O
fato porém, é que milhares de pessoas viram cair frutos maduros e
não imaginaram a gravitação; Gourdin, em 1667, Wiskroen, no século
XVIII, e Romagnosi, em 1802, observaram efeitos eletromagnéticos e
não descobriram o magnetismo.
Galvani, favorecido uma segunda vez pelo acaso, no famoso
terraço do palácio Zamboni, não inventa a pilha.
O grande Ampére não se apercebe das correntes engendradas
no decurso das suas experiências e deixa ao seu rival inglês
Faraday – antigo operário encadernador – a glória de descobrir
a indução.”
A
força da invenção reside somente no Espírito já devidamente
preparado, Espírito que retorna à Terra para executar determinada
missão para a qual se preparou, de maneira que, chegado o momento
decisivo para que ele ponha em execução a sua tarefa, algo que
para outros é puro e simples acaso, serve-lhe, no entanto, para
despertá-lo, para concitá-lo ao cumprimento de seu dever.
Em
quem não estiver convenientemente preparado para revelar ao mundo
certos e determinados conhecimentos, o acaso não exercerá qualquer
influência. E diz
Pierre Devaux:
-
“Penetrando na intimidade concreta dos grandes inventores,
verificamos a existência de vários tipos de invenções,
correspondentes à diversidade viva dos seres.
E esta história da invenção humana, este belíssimo capítulo
que ornamenta, como um
frontispício o grande livro da Ciência, é, sem dúvida, um dos
mais emocionantes do Humanismo.”
Julio
Verne, por exemplo, não foi um cientista, não foi também um
descobridor, mas foi, realmente, um agitador de idéias, um
prodigioso animador que fecundou um século inteiro, foi, a nosso
ver, o profeta das grandes e extraordinárias descobertas, muitas
das quais estão hoje revolucionando o mundo. Ele iguala-se a todos os demais profetas de que a História
nos fala, com a diferença, porém, que suas profecias giraram,
apenas, em torno de descobertas cientificas.
Que
toque divino, pergunta Waltz Junior, fez Julio Verne adiantar-se ao
século, concebendo coisas que começam, agora,
a ser objeto de experimentações práticas ou de estudos teóricos
como, por exemplo, a desintegração do átomo ou a redução da química
à física interatômica?
Esse
toque divino, o Espiritismo o explica de maneira cabal, através das
vidas sucessivas e do psiquismo.
As
viagens interplanetárias constituem hoje em dia assunto permanente,
e grandes passos já estão sendo dados com o fito de se fazerem
viagens à Lua (Esse trabalho foi concluído em 1961).
Riram-se,
sem dúvida alguma, os cientistas do tempo de Julio Verne, quando
ele escreveu o extraordinário romance “Da Terra à Lua”, sobre
o foguete lunar que seria lançado por meio de um canhão de nove pés
de calibre.
A
América do Norte ainda há bem pouco tempo maravilhou o mundo com a
viagem do “Nautilus”, submarino atômico que viajou sob a calota
do Pólo Norte. E por
que deram a esse primeiro submarino atômico o nome de “Nautilus”?
Pelo simples fato de haver Jules Verne, em 1870, com seu
romance: “Vinte Mil Léguas Submarinas”, arquitetado o “Nautilus”,
o herói dessa cruzada. A
explicação dada pelo romancista-profeta acerca desse seu submarino
era simples e completa.
Deus,
em sua infinita misericórdia, a fim de possibilitar o nosso
progresso, permite o ingresso, no convívio da Humanidade, de Espíritos
que, não obstante se nos apresentarem como simples e modestas
criaturas, possuem, todavia, vasto cabedal de conhecimentos que
escapam inteiramente à capacidade intelectual e cientifica dos
homens de sua época. E,
assim, ao lançarem suas idéias, elas são desde logo consideradas
simples fantasias que jamais se concretizarão no campo das realizações. A verdade é que essas supostas fantasias, com o correr dos
anos, se transformam em palpitantes realidades.
Os
grandes profetas, como registra a História, são sempre olhados
como loucos, visionários, lunáticos!
Suas idéias, porém, ficam, apesar de tudo, e mais hoje,
mais amanhã, frutificam.
Julio
Verne foi um profeta da ciência moderna; suas obras literárias são
uma eloqüente confirmação desta nossa afirmativa.
Ele
não podia compreender, de forma alguma, por que os homens se
guerreavam e friamente cortavam o fio da vida de seus próprios
semelhantes. Matar era um vocábulo que lhe causava calafrios.
Seu amor e respeito a todo ser vivo ia a ponto de se insurgir
contra a caça, o que, para muitos, consiste em simples passatempo,
esporte, enfim!
Para
avaliarmos o gênio de Julio Verne, que vivia modesta e
humildemente, basta dizer que supunham tratar-se de um pseudônimo
escolhido por uma associação de escritores franceses.
E assim supunham simplesmente porque todos estavam
convencidos de que ninguém seria capaz de assumir a paternidade de
tantas idéias maravilhosas.
Nos
seus romances existem alusões a automóveis, balões, submarinos,
aeroplanos, referências a pavimentos móveis, à utilização do
oxigênio como excitante, levantamentos geológicos, ar comprimido,
motores elétricos, alimentos condensados, etc., etc., coisas que,
na época, eram verdadeiras utopias. Na obra “Robur, o Conquistador”, Julio Verne faz previsão
e apologia do helicóptero.
Conta-nos
George Waltz Junior várias passagens interessantes a respeito do
nosso profeta, e dentre elas a seguinte:
“Um dia, dez anos depois da desencarnação de Julio Verne,
o General Luis Hubert Lyautey, então Marechal da França, acabara
de esboçar um plano militar destinado a um oficial administrativo.
– Mas General – disse o oficial -, está parecendo coisa
saída de Julio Verne.” Por
um instante o General Lyautey balançou apenas a cabeça,
concordando. Mas,
depois, replicou:
“-
Sim, parece saído de Julio Verne, mas nesses vinte anos as nações
que têm progredido, nada mais têm feito do que segui-lo.”
Essa
frase, segundo a “Enciclopédia Britânica”, está assim
redigida: - “Durante os últimos vinte anos o progresso dos povos
tem consistido em realizar os romances de Julio Verne.”
Santos
Dumont confessou que seu autor favorito fora Julio Verne. “Em suas audaciosas concepções, eu via, disse Santos
Dumont, a mecânica e a ciência das idéias futuras, quando o homem
se ergueria, graças ao seu gênio, às alturas de um semideus.
Em, “A Casa a Vapor”, minha fé ingênua arrojava-se para
dar as boas vindas ao triunfo dum automobilismo que, naqueles dias,
ainda não possuía sequer um nome.”
No
livro “Da Terra a Lua”, Verne nos oferece a descrição de um
supertelescópio, construído com o intuito de acompanhar a marcha
do projétil lunar através dos céus.
Hoje,
nos Estados Unidos, no Estado de Califórnia, encontra-se montado o
gigante Palomar, o maior telescópio do mundo!
Quem já não ouviu falar dos teleguiados, dos satélites
artificiais? Os homens já se preparam atualmente em promover viagens à
Lua!
Necessariamente,
estamos vivendo as época verniana, não de sonhos, mas da mais
emocionante realidade!
Disse
Julio Verne, num de seus últimos livros, intitulado “Eterno Adão”:
- “A
Química será levada a tal grau de aperfeiçoamento que tende a
desaparecer para se confundir com a Física, não formando as duas
ciências mais do que uma, tendo por objeto o estudo da energia
imanente.”
É
o que hoje se verifica.
Para
finalizarmos, reproduziremos da antiga revista “Vamos Ler”, em
artigo de Olavo Bilac, o seguinte trecho:
“Daqui a anos, quando eu e os homens da minha idade já
tivermos também entrado no escuro caminho por onde Julio Verne
penetrou na paz – outros homens dirão o mesmo, e abençoarão o
nome desse criador dos mundos maravilhosos!”
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