O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Wolf Messing

Autor:
Hermínio C. Miranda

Fonte:
Livro: Reencarnação e Imortalidade

  PERSONALIDADES

    

O jovem de 16 anos de idade dirigiu-se ao banheiro de onde voltou com uma pinça na mão. Aproximando-se do Professor Alberto Einstein, pediu-lhe permissão para arrancar três fios de seu espesso bigode. A ordem para assim proceder tinha partido telepaticamente de outro eminente cientista presente, o Dr. Sigmund Freud. O menino, que realizara a tarefa comandada pelo pensamento de Freud, chamava-se Wolf Messing e até hoje (o artigo é de 1971) está vivo em sua memória aquele encontro memorável, em 1915, em Viena, com dois gênios de uma época brilhante.
Longa e fascinante é a história de Messing e estranhas as faculdades da sua mente.

Nasceu na Rússia, já no final do século, em 10 de setembro de 1989, não muito longe de Varsóvia, numa pequena cidade chamada Gora Calvária, na Rússia czarista.

Sua família judia era extremamente pobre e muito religiosa. Já aos 6 anos de idade, Wolf conhecia o Talmude muito bem, graças à sua extraordinária memória. Aos 11, com umas poucas moedas no bolso, partiu para a grande aventura da vida. Em Berlim conseguiu um emprego de mensageiro, mas um dia desmaiou de fome na rua ao se dirigir a um subúrbio para levar um embrulho. Sem dinheiro e sem amigos, foi levado ao hospital, onde foi dado como morto, pois estava frio, sem pulso e sem respiração. Puseram seu corpo no necrotério e dali teria seguido para o túmulo se um jovem estudante de medicina ao examiná-lo não tivesse percebido ligeiras batidas no seu coração. Dentro de três dias estava novamente em forma.

Um médico do hospital, o Dr. Abel, psiquiatra e neuropatologista, interessou-se por Messing e declarou tratar-se de um caso muito raro de letargia. Anos depois, Messing escreveria em sua autobiografia que devia ao Dr. Abel não apenas a vida, mas também a descoberta e desenvolvimento de suas faculdades psíquicas. Juntamente com um colega psiquiatra, o Dr. Schmidt e a esposa deste, o Dr. Abel treinou Wolf Messing para a notável tarefa que teria a desempenhar nos longos anos de sua vida.

Surgiu de início um cavalheiro por nome Tselmeister, que se incumbiu de empresariar o menino numa sala de exibições, em Berlim, o "Panopticon". De sexta-feira até domingo à noite Wolf Messing ficava exposto em estado cataléptico num esquife de cristal, como um cadáver, à disposição da curiosidade pública. Nos demais dias da semana, andava solto pelo marcado, tentando captar o pensamento dos camponeses alemães que negociavam seus produtos na cidade.

Depois da experiência com Einstein e Freud, viajou pelo mundo durante 10 anos, visitando entre outros paises, o Brasil. Exibiu-se também no Japão, na Índia, na Argentina, na Austrália. Esteve em todas as grandes capitais européias: Paris, Londres, Roma, Estocolmo, Genebra, Varsóvia.

Em 1927, já com 28 anos de idade, encontrou-se com Gandhi, que também testou suas faculdades dando-lhe uma ordem mental para que apanhasse uma flauta em cima de mesa e a entregasse a alguém presente. A ordem foi cumprida. O homem que recebeu o instrumento pôs-se a toca-lo e de uma cesta emergiu logo a cabeça de uma serpente dançarina.

Em 1937 Messing caiu em desgraça na Alemanha nazista ao predizer que Hitler morreria se atacasse o Oriente. O Fuhrer não gostou da profecia e pôs um preço de 200 mil marcos na cabeça de Messing, que estava nessa época na Polônia. O recurso era fugir do terrorismo anti-semita. Aliás, toda a família de Messing foi trucidada no gueto de Varsóvia, onde viviam.
Ainda em fuga alcançou Brest Litovsk, onde alguns milhares de refugiados pleiteavam a permanência na Rússia.

Em busca de um emprego no Ministério da Cultura, foi recusado sumariamente: não queriam adivinhos nem feiticeiros no país; além do mais, essa história de telepatia era tolice, porque nada disso existia.

Ninguém sabe o que fez Messing, mas o certo é que sua demonstração foi tão convincente que lhe deram o emprego desejado no Ministério da Cultura, dando inicio às suas aventuras na União Soviética.

Achava-se ele um dia em pleno espetáculo teatral, onde exibia suas notáveis faculdades, quando dois policiais soviéticos uniformizados interromperam a apresentação e o levaram. O ano era 1940 e, a cidade, Gomel. Dali partiu Messing para destino ignorado. Preocupado com a sua conta no hotel e com a sua bagagem, recebeu a informação de que a despesa estava paga; quanto à bagagem, não precisaria dela.

Por fim chegaram ao destino. Messing não conhecia o local, mas parecia um hotel. Levaram-no para um aposento, onde aguardou algum tempo. Em seguida, passaram-no para outra sala. Daí a pouco entrou um sujeito de olhar penetrante e de grandes bigodes. Era Stalin. Queria saber como iam as coisas na Polônia e o que estavam fazendo e pensando os líderes poloneses. Messing viu que o ditador soviético não estava interessado nas suas faculdades psíquicas e sim em informações de natureza política. No entanto, a coisa mudou, e mais tarde Stalin fez também algumas experiências com o sensitivo.

Primeiro determinou a Messing que assaltasse um banco em Moscou, donde deveria roubar 100 mil rublos. O teste era simples... para Messing, naturalmente. Messing dirigiu-se ao Caixa e entregou-lhe um pedaço de papel em branco que destacara de um caderno escolar. Em seguida, abriu a sua maleta de mão e expressou mentalmente o desejo imperioso de que o Caixa lhe entregasse o dinheiro, e assim foi feito. O velho olhou o papel, abriu o cofre e lhe deu o dinheiro. Messing acomodou as notas na sua valise e saiu tranqüilamente, indo juntar-se às duas testemunhas que Stalin enviara para autenticar o fenômeno. Depois disso, Messing voltou ao Caixa e devolveu-lhe o dinheiro. O pobre homem olhou bem para Messing, olhou o pedaço de papel ainda sobre a sua mesa de trabalho e desabou com um ataque cardíaco. - Felizmente não foi fatal - comentou Messing, depois. Não satisfeito com isso, Stalin determinou um teste ainda mais difícil. Messing deveria chegar até onde se encontrasse Stalin, na sua residência particular, sem nenhum documento de identificação ou salvo-conduto, vencendo as verdadeiras barreiras de guardas e agentes secretos que cercavam o ditador dia e noite. Dias depois, achava-se Stalin trabalhando na sua casa de campo, diante de uma mesa cheia de documentos oficiais, quando Messing entrou tranqüilamente sem ser molestado por ninguém. Pelo contrário, ao guardas afastavam-se respeitosos e saudavam o estranho que ia varando salas e abrindo portas.
Como foi possível aquilo? Simples, explicou Messing. Ele entrou dizendo mentalmente:

- Eu sou Béria... Eu sou Béria...

Laurenti Béria ocupava naquele tempo a chefia da poderosa policia secreta do regime.

Essas e muitas outras histórias e relatos de pesquisas cientificas estão contidas num livro sensacional que acaba de ser publicado nos Estados Unidos sob o título "Psychic Discoveries Behind the Iron Curtain" - "Descobertas Psíquicas Atrás da Cortina de Ferro". Foi escrito por Sheila Ostrander e Lynn Schroeder, que em 1968 visitaram não apenas a Rússia, mas também a Bulgária e a Tchecoslováquia, com a finalidade de realizar uma investigação sobre o que está sendo feito no campo da pesquisa psíquica nesses países. As coisas que viram e narraram no livro estão surpreendendo muita gente que nem suspeitava possível tão vivo interesse desses países em problemas de natureza espiritual.