O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Paim Pamplona

Autor:
Zeus Wantuil

Fonte:
Livro: Grandes Espíritas do Brasil

  PERSONALIDADES

    

Paim Pamplona, homem de tenacidade inquebrantável, não media esforços para prestar serviços; considerava sagrados todos os deveres, desde os mínimos até os máximos, e os cumpria com tanta singeleza e simplicidade que passava quase despercebido num mundo onde muito se alardeia e em que a exemplificação se torna escassa.

Tinha, no ano de seu decesso, a matricula número 1 no quadro dos sócios vivos da FEB. Era o mais antigo de todos e dos mais dedicados a ela. Entrou para a FEB quando jovem Guarda-Marinha. Depois foi ascendendo em sua carreira até atingir o posto máximo, o de Almirante, sempre com a mesma humildade modelar e espontânea que caracteriza o espírito realmente superior. Jamais se impacientava, nunca se aborrecia nem punha em evidência sua autoridade, sua energia muito acima do vulgar.

Além de suas funções na Marinha, foi professor no Colégio Militar, como lente de Geografia; fundou e dirigiu, no Engenho Novo, o "Colégio Nacional".

Nos trabalhos doutrinários exerceu com abnegação as mais diversas funções.

Na FEB foi chamado a muitos postos, inclusive ao de Presidente nos exercícios de 1927 e 1928. Posteriormente, membro nessa mesma Casa, do Conselho Fiscal e do Conselho Superior, funções que exerceu até à desencarnação.

Foi presidente, por vários anos, do Asilo de Órfãos "Anália Franco" e continuou sempre como membro do seu Conselho Administrativo.

Era, também, membro do Conselho da Maternidade "Casa da Mãe Pobre".

Em sua longa carreira doutrinária, ensinava através do exemplo. Não era visto à frente dos espíritas, mas sempre em meio dos espíritas. Seu nome não aparecia nos jornais. Sua voz não se ouvia nas tribunas

Emérito educador, criou em 1923, com o Dr. Eurico da Cunha Rabelo, diretor do Instituto Rabelo, o Colégio Maria de Nazaré, no qual se usaram de métodos racionais e naturais, consoante os mais modernos processos pedagógicos, e sob orientação espírita, observando-se, porém, a mais completa tolerância religiosa. Esse estabelecimento de ensino, destinado apenas a meninas, funcionou por algum tempo à Rua Ibituruna, na Guanabara.

Em 4 de março de 1955, em sua residência à Avenida Maracanã, no. 411, desencarnou, com 83 anos de idade, o Almirante reformado Francisco Vieira Paim Pamplona, deixando viúva a Exma. Sra. D. Eleuzina Paim Pamplona, mais conhecida carinhosamente pelo nome de Biosa, com quem foi casado durante 57 anos, bem como três filhos e três filhas: Cel. Silvio Paim Pamplona, Srs. Arnaldo Paim Pamplona, alto funcionário federal, Darcy Paim Pamplona, engenheiro mecânico e Sras. Elza, Milza e Marina, todas casadas, e numerosos netos.

Francisco Vieira Paim Pamplona nasceu no dia 8 de fevereiro de 1872, no Morro do Paim, de propriedade de seu pai, que deu o nome ao lugar, em Sampaio (Guanabara), e, depois, a uma rua no mesmo bairro. Na terra carioca passou sua longa existência física, e o velho instrumento de suas atividades materiais foi sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier, em 5 de março de 1955.

Ao sepultamento compareceram numerosos oficiais da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, representações oficiais e de instituições.

Pela Federação Espírita Brasileira achavam-se presentes os Diretores Pereira Marques, Getulio Soares de Araújo e João de Oliveira e Silva, e foi orador e professor Newton de Barros. Em discurso vibrante e comovedor, apresentou ele as despedidas dos servidores do Espiritismo ao seu modelar companheiro.

Diante de um publico das mais diversas formas de crença e descrença, aquela despedida se tornou edificante propaganda do ideal espírita que orientou a vida de Paim Pamplona.

Assim desapareceu da superfície da Terra um homem que em oitenta e três anos de existência, ocupando posições de comando, exercendo autoridade, nunca teve um desafeto: soube conquistar os corações dos bons e dos maus, pela bondade, pela paciência, pelo amor, pela humildade, sobretudo.