Adolfo Bezerra de
Menezes nasceu no dia 29 de agosto de 1831, na Província do
Ceará, na localidade chamada Riacho do Sangue, cidade do
Crato.
Era filho de Antônio
Bezerra de Menezes e de dona Fabiana de Jesus Maria Bezerra.
Aos 7 anos de idade matriculou-se na escola pública de
“Vila do Frade”.
Em outubro de 1846
matriculou-se no Liceu de Humanidades, na capital da província,
para onde haviam se mudado seus pais.
Em 1850 obteve o título de bacharel. No dia 5 de
fevereiro de 1851, seguiu para a Corte, onde se matriculou na
Escola de Medicina. Estudante pobre, passou a ensinar para se manter. Em 10 de
dezembro de 1856 recebeu o grau de doutor.
Com 25 anos estava
Bezerra de Menezes formado em medicina.
Associando-se a um colega, instalou-se com consultório
em uma pequena sala no centro comercial do Rio de Janeiro.
Em pouco tempo seu
nome começava a projetar-se, denunciando “notável intuição
de médico na arte de curar”.
Porém, a imensa clientela não rendia.
Ninguém pagava porque toda ela era de gente
absolutamente pobre e, por isso, Bezerra de Menezes nunca lhe
falou em dinheiro.
Por convite de um
professor que o conheceu quando cursava o 2o. Ano médico,
foi admitido como cirurgião tenente do Exército.
Conceituado como
cirurgião, pelo dedicado estudo e aprofundados conhecimentos
da especialidade, valeram-lhe o seu ingresso, como sócio
efetivo, na Academia Nacional de Medicina.
Sem se envaidecer
com os triunfos nos meios científicos, continuava a atender a
sua clientela, sempre pobre e que cada vez mais aumentava.
Foi daí que nasceu a sua popularidade para conquistar
o nobre título de “médico dos pobres”.
Em 6 de novembro
casou-se com d. Maria Cândida de Lacerda Prego, cuja união não
durou muito. No dia 24 de março de 1863, após rápida
enfermidade, morria sua esposa deixando-lhe dois filhos
pequenos.
Em plena viuvez,
com dois filhinhos, Adolfo e Antonio, de três e um ano de
idade, o seu lar se tornou triste e o desalento por muito
tempo o dominou.
Vencida a grande
crise, temperado nesse cadinho sinistro das grandes provações,
retornou, fortalecido, às atividades habituais.
Em 21 de janeiro de 1865, casa-se pela segunda vez com
dona Cândida Augusta de Lacerda Machado, irmã materna de sua
primeira mulher e de quem teve nove filhos.
A segunda esposa
foi quem o acompanhou até cerrar os olhos, seguindo-o e
amparando-o com carinho.
Esquecido da vida
publica e das criaturas que o cercavam, desiludido, voltou
mais ativamente ao exercício da sua profissão, para
entregar-se exclusivamente, sem outra preocupação senão a
de ser o “Médico dos Pobres”.
Assim, vamos
encontra-lo à frente do seu consultório, na Farmácia
Cordeiro, na estação de Riachuelo, à rua 24 de Maio,
atendendo às centenas de consulentes pobres.
Foi ali que a sua
bondade atingiu à culminância, com o caráter de uma autêntica
missão apostólica. Ele
receitava, aconselhando o que a bondade lhe ditava.
Dava medicação para o corpo e bálsamo para o espírito. Os desprotegidos entravam na Farmácia Cordeiro com o amargor
a lhes sufocar o coração; voltavam com uma sensação
inaudita de alívio compensador.
Todo o Rio de
Janeiro conhecia-lhe o nome, desde as plagas suburbanas mais
distantes até os bairros elegantes de Botafogo e Laranjeiras.
Os carros, vitórias e tílburis, rolavam pelo calçamento
das ruas, assinalando com o estridor das ferraduras dos
cavalos a pressa dos seus passageiros.
Eram consulentes que deixavam os palacetes ricos do
Flamengo e do Catete e corriam atraídos pela fama extraordinária
do médico suburbano. Dos
ricos clientes recebia a justa remuneração pelos seus
trabalhos, que lhe permitia socorrer os seus clientes pobres,
abrindo-lhes as mãos, para nelas deixar cair os óbolos
solicitados.
Durante os últimos
quatro anos de sua vida, a situação de sua família era a
mais precária possível.
Nada mais lhes restava, além de um nome ilibado e de
uma disposição sempre crescente para lutar.
Foi na entrada do Século
XX, logo nos primeiros dias de janeiro de 1900, que o “Médico
dos Pobres”, acometido por violento ataque de congestão
cerebral, prostrou-se no seu leito pobre, donde jamais se
levantaria. Imobilizado,
sem a palavra, com os seus verdes olhos a distinguir em cada
visitante um seu consulente, viu também com os olhos do espírito
a aproximação, tão desejada por ele, do término da sua
missão na Terra.