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A faculdade mediúnica,
como nos faz saber a Codificação Kardequiana, é inerente ao homem,
e, de um modo geral, pode-se afirmar que toda a gente, mais ou
menos, é médium. Todavia, esse qualificativo de médium é usualmente
aplicado àquelas pessoas cuja faculdade se manifesta por efeitos
ostensivos, com certa intensidade.
Músicos, poetas e
intérpretes, em número incalculável, sempre existiram no mundo, não
obstante o número de grandes intérpretes, de grandes poetas e de
grandes músicos seja, em verdade, muito restrito! E isto porque só
os Espíritos que voltam à Terra com a missão de implantarem marcos
que sirvam para impulsionar e facilitar a marcha evolutiva da
Humanidade, são os que se destacam no cenário do mundo!
Esses vultos que a
História assinala, com justiça conseguiram celebrizar-se através de
esforços continuados e persistentes em muitas etapas planetárias.
“A arte pura é a mais
profunda exteriorização do ideal, a divina manifestação desse mais
além que polariza as esperanças da alma”.
“O artista verdadeiro
é sempre médium das belezas eternas”.
As almas sensíveis,
que se extasiam com as coisas do espírito, têm forçosamente de amar
a música, porque ela é a voz do infinito. É, como já foi dito, a
mais pura linguagem da alma. É a verdadeira expressão dos
sentimentos.
Frederico Francisco
Chopin, na opinião de Kleczynski, foi antes uma alma que se revelava
do que um músico. Só conseguia improvisar quando se encontrava sob
a ação mediúnica, tanto assim que muitas vezes, ao colocar os dedos
no teclado, a improvisação era deveras surpreendente, ao passo que
vezes outras permanecia extático, sem que desse teclado conseguisse
tirar um só acorde que fosse.
Quando criança ainda
fazia-se ouvir, em suas improvisações, no salão do Grão-Duque
Constantino, ocasião em que ficava com o olhar perdido no espaço. O
Grão-Duque, certo dia, perguntou-lhe:
- Meu menino, por que
olhas sempre para cima? Será que lá vês as notas que compõem as
melodias que executas?
Chopin foi
indiscutivelmente um médium de muita sensibilidade, haja vista o
fato de ele permanecer muitas vezes diante do piano, com o olhar
perdido no infinito, extremamente pálido, e, quando alguma pessoa
amiga o surpreendia nessas ocasiões, ele, só depois de alguns
instantes, conseguira reconhecê-la. Durante e após essas crises de
exaltação nervosa, na opinião da época, pois que tais crises nada
mais eram que simples êxtases, é que ele compunha suas magistrais
páginas. Há que afirme que diversos de seus Prelúdios nasceram
dessas angústias, isto é, desses transes mediúnicos.
Quando Chopin iniciou
seu primeiro concerto em Paris, estavam presentes Liszt e
Mendelssohn e ambos compreenderam, desde logo, conforme escreveram
seus biógrafos Henry Thomas e Dana Lee Thomas, que era Deus que
falava pelos dedos de Chopin!
Na Maiorca, a maior
das ilhas Baleares, esteve ele certa ocasião em vilegiatura,
habitando velho casarão que servira de convento cem anos antes.
Pois bem, nesse velho casarão via ele, com freqüência, fantasmas de
frades que andavam pelos corredores escuros, e ouvia cânticos
religiosos.
As suas valsas, tão
suaves, fazem que o Espírito experimente ânsias de abandonar os
grilhões que o prendem ao corpo carnal, a ponto de Ehlert
denominá-las de “danças da alma e não do corpo”.
Chopin, não obstante
ter sido educado na religião católica, como era natural que assim o
fosse, naquele tempo, sentia, através de seus dotes medianímicos,
que a vida prosseguia exuberante além da campa, porque ele via
Espíritos, ouvia as magnificentes harmonias siderais e também o
cântico extasiante entoado pelas almas resplendentes de luz, e, por
isso, evitava externar-se sobre assuntos de religião.
- Para não magoar
minha mãe – manifestou ele ao Abade Jelowick -, não quero morrer sem
os sacramentos, mas, devo dizer-lhe que não os compreendo naquele
sentido que a Igreja lhes empresta.
Até o último instante
de permanência na Terra, não vacilou na sua crença “nesse outro dia
que viria após a noite”.
São admiráveis estas
suas derradeiras palavras:
- Quando eu me tiver
ido, toquem um pouco de música para mim, pois sei que hei de ouvi-la
no Além.
Soavam 2 horas da
madrugada do dia 17 de outubro de 1849, quando o Espírito Frederico
Francisco Chopin se desprendeu do invólucro carnal, e a “Presse”, de
Paris, em seu número de 05 de novembro de 1849, referindo-se à sua
desencarnação, assim terminou o artigo: - “A imortalidade começou
cedo para ti e, melhor que nós, já sabes onde devem desabrochar
depois desta triste vida, os grandes pensamentos e sublimes
aspirações”.
Foi,
indiscutivelmente, um médium, um missionário que, com sua música,
nos deixou uma fonte de sonoridades para reconforto de nossas almas
neste mundo de tanto egoísmo, brutalidade, ambição!
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