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Residia
o dr. Adolfo Bezerra de Menezes no bairro de São Cristóvão, da
cidade do Rio de Janeiro, por volta de 1860.
Agitara-se
a política da capital e a Câmara Municipal tinha como presidente o
dr. Roberto Jorge Haddock Lobo, pertencente ao partido conservador,
combatido fortemente pelos liberais, embora, pela sua influência,
dominasse naquela corporação legislativa.
Todo
esse movimento não prendia a sua atenção, porque estava
“entregue somente aos misteres de sua profissão e aos negócios
de sua família”.
Em
certa reunião, em que tomaram parte políticos filiados a ambos os
partidos, levantaram a sua candidatura, como representante da paróquia
de São Cristóvão, à Câmara Municipal.
Não
quis aceitar a indicação, quando lhe foram dar conhecimento da
resolução daquela assembléia política.
Com a interferência de um amigo, que, em nome de sua amizade
o procurou, para modificar a sua primeira atenção, comprometeu-se
apenas não fazer uma declaração pública de não aceitar os votos
que lhe fossem dados.
Travado
o pleito, foi Bezerra de Menezes eleito pelo partido liberal,
“cujas idéias abraçava, mas sem alarde”, diz um dos seus biógrafos.
Os
seus adversários tentaram arrancar-lhe a cadeira, sob a alegação
de que os militares de segunda classe não podiam ser Vereadores.
Tornou-se
questão de honra para Bezerra de Menezes a atitude assumida pelos
filiados ao partido conservador e assim resolveu a
incompatibilidade, requerendo a sua exoneração do cargo de
assistente do cirurgião mor do exército.
De
meados de 1863 até 1880, com exceção do quatriênio 1869-1873, em
que não teve reunião na Câmara – foi ele a cabeça diretora dos
negócios da municipalidade.
“Uma
coisa se pode, desde já, adiantar, e é que – pela política
abandonou a brilhante e proveitosa carreira que seguira, achando-se
hoje reduzido ao mais precário estado
de fortuna, quando devia ser, pela clínica, abastado
capitalista”, diz o seu biógrafo Levy Santos, no seu trabalho
“o dr. Bezerra de Menezes”.
Veio
assim se confirmar o que lhe previra o seu pai, ao dar-lhe o último
abraço: que nunca se envolvesse em política, “para não lhe
acontecer o que com ele se dera – ser atirado para um
lado depois de haver arriscado a vida e sacrificado a fortuna
em bem de um partido”.
Prosseguiu
Bezerra de Menezes nas lutas políticas pelo seu partido, “a que
se entregara de corpo e alma, quer na imprensa, quer nas lides
disciplinares”.
Em
1866 era Bezerra de Menezes eleito deputado, apesar da oposição do
ministro Zacarias e dos chefes liberais Souza Franco e Francisco
Otaviano.
Mas
no parlamento o triunfo era completo.
Orador consciencioso e de largos recursos de retórica,
“doublé”de analista sutil e honesto das questões públicas,
viu-se em pouco cercado da estima e da admiração dos seus pares.
A
política – de ordinário tão ingrata – dava-lhe prêmio
merecido, mercê dos seus esforços tenazes.
Bezerra vencia na vida pública.
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