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Em
08 de fevereiro de 1676, no vilarejo de Soengas às margens do rio
Minho - PORTUGAL, nasce o pequeno João Barbosa, filho de Gervásio
Barbosa.
O
pequeno João foi criado junto ao campo, tendo como obrigação cuidar
do rebanho de ovelhas de seu pai e provavelmente foi nesse ambiente
que ele pôde trabalhar sua meiguice, paciência e humildade.
Mais tarde, muda-se para a cidade do Porto onde logo se estabelece
comercialmente.
Nesta época, com a febre do ouro no Brasil, nosso jovem decide
arriscar a vida na colônia com a esperança de em pouco tempo
tornar-se rico.
Meses depois, João Barbosa desembarca na cidade do Rio de Janeiro,
partindo em seguida para Minas Gerais.
Já
na região do ouro, João Barbosa resolve abraçar novamente a vida de
comerciante, adquirindo fortuna respeitável e mudando-se para
Parati-RJ, onde se estabelece.
Como próspero comerciante sempre colocou boa soma daquilo que
conseguia para auxiliar os mais necessitados.
Certa vez, já maduro, João Barbosa se depara com uma pessoa caída na
rua vítima de assaltantes. Socorre-o e o encaminha a uma estalagem e
lá presta-lhe os socorros necessários.
Durante a madrugada, através da boca do doente, Barbosa escuta pela
primeira vez a voz daquele que ele buscava em tudo que fazia: Jesus
Cristo, que lhe diz - "É chegada a hora de novamente trabalharmos
juntos em favor dos que sofrem".
João Barbosa não hesita. Dá todos os seus bens e em 08 de novembro
de 1704 ele se apresenta à portaria do Convento de São Bernardino de
Sena, em Angra dos Reis, e no dia 11 de novembro de 1704 veste o
hábito dos franciscanos trocando seu nome para Fabiano de Cristo.
Em
1705 é transferido para o Convento de Santo Antônio no Rio de
Janeiro, onde recebe o cargo de porteiro.
Por
volta de 1708, Fabiano recebe o encargo de enfermeiro e mesmo sem
nenhum conhecimento neste ramo, exemplificou o esforço pessoal e a
caridade auxiliando a muitos.
Seu
devotamento era tanto que durante anos optou por dormir na própria
enfermaria para que estivesse sempre pronto em caso de qualquer
necessidade.
Realizou este trabalho no Convento durante aproximadamente 30
(trinta) anos.
Mesmo com todo esse trabalho é preciso lembrar que Fabiano trazia em
si chagas nas duas pernas, aparecendo-lhe mais tarde um quisto no
joelho que foi aberto a ferros em 4(quatro) lugares, sendo que na
época não havia medicação que combatesse a dor ou a inflamação e
mesmo assim nunca se ouviu dele o mínimo de queixa ou atitude de
revolta.
Prevendo o seu desencarne, Fabiano avisa seus companheiros com três
dias de antecedência, ou seja, em 14/10/1747.
No
dia 15/10/1747 Fabiano de Cristo trabalha acalentando a todos que se
encontravam na enfermaria.
Em
16/10/1747, todos os irmãos do convento se dirigem a Fabiano para se
despedirem, até que ele pede para ficar só e no dia previsto,
17/10/1747, ele desencarna mobilizando toda a cidade do Rio de
Janeiro.
Jogral preparado por
integrante do G.E.F
JOGRAL DE
ANIVERSÁRIO DO G.E.F.
Da mesma forma que na
Terra temos duas famílias
A natural e a
por nós escolhida
Também temos uma escolha para a Pátria querida
A em que
nascemos e aquela que escolhemos
Para o nobre irmão
João Barbosa
Que por terra
natal teve a bela Portugal
A escolha própria recaiu
Na terra nova
chamada Brasil
Como a muitos,
atraídos pelas riquezas
O jovem de
Soengas ao Brasil navegou
Mas a sorte no ouro não encontrou
Comerciante,
porém, rapidamente prosperou
Ainda jovem, rico e
cobiçado,
Viu fortunas
surgirem e desfazerem-se
Viu vidas em
instantes perderem-se
E, por ter o coração magoado,
Deu ouvidos a
seu Guia Iluminado
E por não ser
encontrada
Na riqueza a felicidade desejada
Tudo para trás –
a quem menos tinha
– deixou
E para o Rio de Janeiro viajou
E para celebrar a
nova vida que nele nasceu
Nosso bom amigo
resolveu
E disso já se vão mais de 200 anos
Assumir o
novo nome:
Fabiano
De porteiro
a enfermeiro do
Convento de Santo Antônio
Por sua bondade no
trato dos necessitados
Tornou-se conhecido e por todos procurado
Transmitia amor, carinho, compreensão...
E no dia em que
Fabiano partiu
A população de
todo o Rio, em prantos se despediu
Era o
reconhecimento a quem, por amor, sua vida dedicou
E graças a quem
esta casa onde hoje estamos
Num belo dia se
fundou
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