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Johannes Brahms,
amante do estudo, mostrava-se sempre acessível a tudo que fosse
nobre e belo e participava tanto das tristezas como das alegrias
alheias. A característica fundamental da sua música é a de uma
resignação elegíaca.
Devemos ressaltar que
Brahms compreendeu que a música, não obstante as ornamentações
exteriores, é, em sua mais alta expressão, uma questão do Espírito!
Estamos de pleno
acordo, porque o corpo físico é simples aparelho executor das ordens
e das vibrações do Espírito, e muito especialmente em se tratando de
música, porque música é linguagem quintessenciada.
Brahms foi um
sentimental, profundamente sensível às doces harmonias, embora seu
físico não correspondesse à delicadeza de seu Espírito.
A musica e o seu
temperamento, na opinião de um de seus biógrafos, ocultam uma alma
terna dentro de um corpo de granito. E contam mesmo que, no meio do
ensaio de uma de suas peças, saltou ele da cadeira e cruzou a sala
com as mãos apertadas, gritando:- “Parem com essa música terrível.”
Tinha as costas voltadas para os músicos e as lágrimas lhe corriam
pelo rosto. Avassalara-o a comoção e essa era o meio de que se valia
para disfarçá-la.
Na opinião de Schumann,
o então jovem Brahms apresenta todos os indícios que autorizam a
proclamá-lo um predestinado; e mais adiante sentenciou :-“ quando
esse moço se resolver a lidar com o coro e a orquestra, quando
essas potentes massas lhe emprestarem a sua força, então ele há de
proporcionar-nos visões ainda mais deslumbrantes dos mistérios do
mundo dos Espíritos.”
A mediunidade de
Brahms propiciou-lhe ofertar-nos músicas de tal sentimentalidade que
nosso espírito, ao ouvi-las, parece desprender-se do corpo somático,
nessa ânsia insopitável de alcandorar-se a etéreas regiões de luz,
sabedoria e amor!
Quando contava cerca
64 anos de idade, seu corpo enfermo, atacado de câncer no fígado,
começou a ceder lentamente. No dia 2 de abril de 1897 perdeu os
sentidos e, na manhã seguinte, às oito horas e meia, fecharam-se os
seus lindos olhos azuis.
Sua ultima palavra,
quando o médico o fazia beber um estimulante, foi: -“Obrigado”.
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