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Guglielmo Marconi
celebrizou-se pelo grande invento que tantos e tantos benefícios tem
prodigalizado à Humanidade: o telégrafo sem fio. Seu Espírito nessa
peregrinação terrena veio evidentemente preparado para ofertar, ao
mundo, nova modalidade de entendimento entre os povos.
Sua genitora, quando
Guglielmo se aproximava da juventude, notava nele uma tendência para
viver num mundo de sua própria criação, com exclusão de tudo mais.
Para Edison, Marconi
era uma criatura a cujo lado gostaríamos de caminhar na vida. E isso
se explica porque, como médium, consciente da missão de que fora
incumbido, a aura de Marconi transmitia, a quem dele se aproximava,
a vibração peculiar ao seu Espírito, qual a de perlustrar, sem
esmorecimentos, a estrada do progresso e da sabedoria, não por
ambição ou vaidade e nem para fins de destruição, mas tendo em vista
o bem geral.
Em seu Espírito estava
de tal modo arraigada a idéia que trouxe do Além, para
corporificá-la neste mundo, que a despeito das oposições feitas, até
mesmo por homens eminentes, não esmorecia em sua tese de que as
ondas elétricas jamais seriam detidas pela curvatura da Terra e que,
portanto, podiam elas vencer qualquer distância que medeie dois
lugares neste planeta.
“Desde os primórdios
de minha experiência, afirmou Marconi, estava sinceramente
convencido dessa verdade”.
E as ondas do
pensamento, diremos nós, quais ondas elétricas, jamais poderão ser
detidas pela curvatura da ignorância ou má-vontade das criaturas em
geral. Não existem obstáculos que as impossibilitem de se fazerem
sentir onde bem lhes aprouver, desde que não haja qualquer
interdição divina, porque tudo, no mundo terreno e no espiritual,
está subordinado à vontade e permissão de Deus!
Qualquer espírito que
não possuísse, como o de Marconi, a verdadeira capacidade de crer,
teria desistido de levar avante a sua missão naquelas horas cheias
de ansiedades, passadas em Signal Hill.
Há uma característica
bem marcante em Guglielmo Marconi e que define a elevação de seu
Espírito: o sentimento de caridade. Quando desejava praticar uma boa
ação, ele a fazia de modo a que tudo ficasse no anonimato.
Àqueles que o
interpelavam sobre a possibilidade de se estabelecer ligações
radiotelegráficas com os outros planetas, costumava dizer:
- Jamais afirmarei
seja isto para sempre impossível.
Só mesmo um Espírito
superior, perfeitamente identificado com a ciência ultraterrena,
poderia então pronunciar-se desse modo.
Os espiritistas
sabemos que a clarividência é a faculdade que possui a alma de
perceber, no estado de vigília, os acontecimentos passados e
futuros, tanto no mundo intelectual como no domínio físico.
Marconi possuía também
essa faculdade mediúnica e foi por ela que, com fé e absoluta
confiança no êxito de sua missão, trabalhou até que se tornasse
esplendorosa realidade a telegrafia sem fio.
Previu, igualmente, a
hora de deixar a Terra, e este estranho conhecimento tem sido
confirmado pela História de todos os tempos, bastando citar, por
exemplo, o de Joana d´Arc, predizendo seu encarceramento e morte.
Na madrugada de 20 de
julho de 1937, sozinho em sua casa, em Roma, Marconi, chamando o
criado, disse:
- Sinto muito, mas
creiom que lhe vou causar e aos meus amigos grande aborrecimento.
Receio esteja próximo o meu fim. Peço informar à minha esposa, que
se encontra em Viareggio, e ao meu filho, que está em Nova Iorque.
Quanto à minha querida filha Electra, também em Viareggio, hoje, dia
do seu sétimo aniversário, transmita-lhe um telegrama de parabéns...
Que horas são? – Três da madrugada... – Daqui a 45 minutos deixarei
de viver. Não terei ensejo de ver, pela última vez, meus filhos e
minha esposa. Morro tranqüilo. Cumpri minha missão na Terra. Irei
prestar contas de meus atos ao Supremo Criador do Universo.
Realmente, passados 45
minutos exatos, como previra, desencarnava o grande Guglielmo
Marconi.
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