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Nascido em Recife
(Pernambuco), a 19 de Maio de 1898, filho de Domingos da Silva
Ferreira e Amália de Carvalho Ferreira, contraiu matrimônio aos 19
anos de idade com D. Maria da Glória Acióli Ferreira, tendo deixado
dez filhos.
Exerceu, durante 44
anos, as funções de caixa da antiga “Machine Cotton Ltda.”, mais
tarde Companhia Brasileira de Linhas Correntes S.A. Só isto bastaria
para dignificar o nome de um homem, cercando-o do respeito e da mais
alta consideração de todos.
Foi em 1918 que Lírio
transpôs pela primeira vez as portas da Federação Espírita
Pernambucana, ali levando uma sua empregada obsidiada para receber
tratamento espiritual. Por cerca de um ano compareceu ele às
reuniões públicas da FEP, anotando quanto lhe era dado ver e ouvir.
A doente, após ficar curada, esqueceu-se do meio espírita. Lírio, ao
contrário, mergulhou cérebro e coração na Doutrina, ampliando seus
conhecimentos na leitura de inúmeros livros espíritas.
Tornando-se sócio da
FEP, foi logo chamado para auxiliar no Departamento de Assistência
aos Necessitados. Aí deu o melhor dos seus esforços, até ser
convidado para participar da Comissão de Contas. Nestas funções
permaneceu durante vários anos, ocupando afinal a vice-presidência
da FEP quando ascendia ao posto máximo outro saudoso confrade
pernambucano, o professor Djalma Farias. Com a desencarnação deste,
em 6 de Maio de 1950, subiu à presidência da FEP Lírio Ferreira,
apoiado por todos aqueles que já lhe conheciam o caráter adamantino,
o denodo no trabalho, o coração evangélico e a cultura doutrinária.
Sempre reeleito para
aquele espinhoso cargo, e o fora ainda no dia 9 de Julho de 1964,
Lírio Ferreira conduziu a FEP com pulso firme, em perfeita sintonia
com as diretrizes febianas, dando inteiro e irrestrito apoio ao
Pacto Áureo de 5 de Outubro de 1949, tal como o fizera com
entusiasmo o seu antecessor.
Lírio Ferreira foi
sempre um sincero amigo da Federação Espírita Brasileira, que teve
nele um admirador profundo e leal. Dedicava uma consideração sem
limites ao presidente da Casa de Ismael, Senhor Wantuil de Freitas,
a quem dava ciência de tudo quanto se passava no seu Estado, com ele
permutando idéias sobre a solução dos assuntos mais inquietantes e
delicados do campo espírita.
Como presidente da FEP,
Lírio muito lutou e sofreu, enfrentando incompreensões de toda a
sorte. A sua constância no trabalho, a sua integridade moral e a sua
fidelidade aos princípios doutrinários foram o escudo contra o qual
em vão se arremessaram as setas da malevolência e do despeito.
Durante os catorze
anos que ocupou a presidência da FEP, ele dirigiu a revista “A
Verdade”, órgão oficial daquela Casa, fundado em 1908, traçando-lhe
uma orientação rigorosamente espírita, com trabalhos doutrinários
bem escritos, quer pelo fundo, quer pela forma.
Onze dias após a sua
última reeleição, foi Lírio acometido de enfarte, que o conservou
afastado por algum tempo das atividades junto à FEP. Mas, logo que
lhe permitiram as forças físicas, ele continuou a freqüentar a sua
querida Casa e até mesmo a presidir-lhe as reuniões.
Foi sempre assim Lírio
Ferreira, um incansável trabalhador na seara espírita, um abnegado
servo na Vinha do Mestre Jesus.
Sua maior alegria, nos
últimos tempos, era dar à Federação Espírita Pernambucana, a chamada
“Casa de Itagiba”, uma nova sede, com novos Departamentos
assistenciais. Apesar das dificuldades financeiras, ele conseguiu,
graças à perseverança de seus esforços, levantar as novas
construções, deixando-as em fase de acabamento e já com algumas
instalações em plena atividade.
Várias vezes acalentou
o propósito de inaugurar oficialmente, em 8 de Dezembro de 1965,
essa notável obra em cimento armado, pois que nessa data, em 1904,
fora fundada a Casa Máter de Pernambuco. Desvaneceram-se bem cedo as
suas esperanças, conforme este trecho de sua carta escrita na manhã
do dia de sua desencarnação e dirigida ao presidente da FEB:
“Quanto à minha saúde,
está bastante abalada; sofri novo enfarte. Os médicos recomendaram o
máximo repouso. Enfim, estou com uma pequena moratória... concedida
pela bondade do Pai. Não sei até quando”...
Aos 14 de Janeiro de
1965, Lírio da Silva Ferreira, o grande Presidente da Federação
Espírita Pernambucana, desencarnava na cidade do Recife. Fora um
modelo de virtudes e de trabalho construtivo na Seara Espírita
Brasileira e, se mais não se projetou, foi por causa de sua extrema
modéstia e humildade cristã.
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