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Andrew Jackson Davis (1826-1910), nasceu em Blooming Grove, no
estado de Nova York, Estados Unidos. Filho de família pobre era uma
criança doente e com poucos recursos intelectuais.
Seus dons mediúnicos sobressaíram cedo. Quando estava no campo ouvia
vozes que o aconselhavam a suportar os desequilíbrios que assistia
dentro de sua casa.
Em
1838, a família mudou-se para Poughkeepsie, onde Andrew mal teve
tempo de aprende a ler e escrever. Saiu da escola para auxiliar nas
despesas da família, trabalhando primeiro como balconista e depois
como aprendiz de sapateiro (uma das profissões do pai).
Em
1843, passou por Poughkeepsie o mesmerista J. Stanley Grimes
(1807-1903), então presidente da Sociedade Ocidental de Frenologia -
que estuda o crânio para determinar o caráter e a inteligência das
pessoas. Era comum naquela época seguidores de Mesmer viajar pelos
Estados Unidos prometendo curas. Durante sua apresentação, Grimes
pediu um voluntário e Andrew se ofereceu, mas Grimes não conseguiu
colocá-lo em transe. No entanto, Andrew ficara interessado no
assunto e passou a treinar com o alfaiate William Levingston. Após
algumas tentativas Levingston conseguiu colocá-lo em transe.
No
começo, os dois se dedicaram a adivinhações, ora Andrew via as horas
de um relógio fora do alcance de suas vistas e, em outras
oportunidades, lia jornais que eram apertados contra sua testa. Mais
à frente, após perceberem a seriedade dos recursos ao alcance, ele
se dedicou ao diagnóstico de doenças. Apenas observando o doente,
Andrew via todos os órgãos e em volta daqueles que estavam doentes
aparecia uma radiação obscura, segundo ele: Olhando através do
espaço diretamente para o laboratório da natureza, ou então para
estabelecimentos médicos, aprendi com facilidade os nomes comuns (e
até mesmo os gregos e latinos) de diversos remédios e também de
várias partes da estrutura humana, de sua anatomia, sua fisiologia,
sua neurologia.
A
partir daí ele passou a ser chamado de “O Vidente de Poughkeepsie”.
Certa feita o médium atendeu ao ministro universalista Gibson Smith,
que ficou bastante impressionado com os diagnósticos por ele
realizados. Smith registrou os diagnósticos que testemunhou em um
folhetim intitulado “Clairmativeness”.
Na
tarde de 06 de março de 1844, Andrew realizou uma viagem em
semi-transe. Quando retornou à plena consciência, estava distante de
onde morava. Retornou para sua residência e descreveu o local onde
estivera. Ficou sabendo tratar-se das montanhas Catskill, distantes
sessenta quilômetros de sua casa. Naquela oportunidade, relatou ter
estado com o médico e filósofo grego Galeno e com o médium Emanuel
Swedenborg, ambos já desencarnados. Eles lhe revelaram que o
principal propósito de sua mediunidade eram as “revelações da
natureza” - mensagens de cunho elevado que ele receberia e deveria
registrá-las e dar conhecimento a todos.
A
partir daí Andrew desvinculou-se de Levingstone, mudou-se para Nova
York e procurou o herborista e magnetizador S. Silas Lyon, que
concordou em trabalhar com ele. Ambos procuraram o ministro
universalista Reverendo William Fishbough, que aceitou
secretariá-los. Interessante registrar que o Senhor Fishbough
abandonou todas as tarefas de sua responsabilidade para
acompanhá-los, como intuira Andrew. Mais à frente o médium
dispensá-los-ia, pois descobrira ser capaz de entrar em transe sem
ajuda externa.
Continuaram os diagnósticos e tratamentos de doentes. Ao mesmo tempo
Andrew passou, à partir de 28 de novembro de 1845, a se dedicar ao
que seria sua verdadeira missão, registrar as tais “revelações da
natureza”, que obtinha quando em transe mediúnico, o que resultou em
um volume de 782 páginas, publicado em 1847, sob o título “Os
Princípios da Natureza, suas Divinas Revelações e Uma Voz para a
Humanidade”, onde Andrew escreveu sobre o poder de Deus, a criação
da Terra, a reforma e reorganização da sociedade e predisse o
surgimento do Espiritismo, sendo a partir daí reconhecido no meio
espírita como o Profeta do Espiritismo. Segue a parte do livro que
trata da referida predição:
É
verdade que os espíritos se comunicam entre si, quando um está no
corpo e outro em esferas mais altas - e,também, quando uma pessoa em
seu corpo é inconsciente do influxo e, assim, não se pode convencer
do fato. Não levará muito tempo para que essa verdade se apresente
como viva demonstração. E o mundo saudará com alegria o surgimento
dessa era, ao mesmo tempo em que o íntimo dos homens será aberto e
estabelecida a comunicação espírita, tal qual a desfrutam os
habitantes de Marte, Júpiter e Saturno.
Naquela época, conforme Arthur Conan Doyle, em seu livro “História
do Espiritismo”, o Dr. Georges Bush, professor de hebraico da
Universidade de Nova York, descreveu assim o médium:
“A
circunferência de sua cabeça é demasiadamente pequena; se o tamanho
fosse a medida da força, então a capacidade mental desse jovem seria
limitadíssima. Os pulmões são fracos e atrofiados; não viveu num
ambiente refinado; suas maneiras eram grosseiras e rústicas. Não
tinha lido senão um livro; nada conhece de gramática ou das regras
de linguagem, nem esteve em contacto com pessoas dos meios
literários ou científicos”.
Impressionante que uma pessoa com tão poucos recursos conseguisse
escrever as obras que escreveu.
Entre as figuras conhecidas que se interessou por sua mediunidade e
o defendeu publicamente, encontrava-se o escritor Edgard Allan Poe.
Antes de 1856, em seu livro “Penetralia”, ele profetizou
detalhadamente o aparecimento do automóvel e da máquina de escrever.
Publicou, em 186l, o livro “O Arauto da Saúde Contendo Receita
Médica Para o Corpo e a Mente do Homem”; nele Andrew explica as
causas das doenças.
A
verdade é que, com exceção dos acidentes, a grande maioria das
doenças do corpo humano tem origem mental.
Em
suas visões espirituais, Andrew relatou sobre o modo de vida dos
Espíritos, suas graduações para alcançar o sublime e o celestial;
discorreu que o progresso humano está ligado à libertação do pecado,
dentre vários outros temas.
O
médium professava o viver equilibrado, segundo os “requisitos das
leis da natureza”. Nos últimos anos de sua vida, viveu em Boston,
vendendo livros e remédios de ervas. Desencarnou aos oitenta e
quatro anos, em 13 de janeiro de 1910.
Entre suas notas, uma que foi registrada no dia 31 de março de 1848,
anotou a seguinte passagem:
Esta madrugada um sopro quente passou pela minha face e ouvi uma
voz, suave e forte, dizer: “Irmão, um bom trabalho foi começado -
olha! Surgiu uma demonstração viva”. Fiquei pensando o que queria
dizer semelhante mensagem.
Posteriormente foi esclarecido o teor desta mensagem; referia-se aos
fenômenos que iriam ocorrer em Hydesville, com as irmãs Fox.
É
difícil conseguir visualizar ou entender o papel cumprido por tão
expressivo médium. Sua vida foi relatada como disciplinada e sua
dedicação em traduzir as mensagens que recebia de seus companheiros
de mandato mediúnico era inquestionável. Mas o que mais sobressaiu
foi sua capacidade de revelar a mensagem dos Espíritos que
antecipavam o que surgiria logo mais à frente: o Espiritismo.
Chama-lo de profeta pode parecer um pouco místico para alguns, mas
sem dúvida Andrew foi a ponte entre o que era antes para a grandeza
do que viriam a ser o depois.
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