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Ermance De La Jonchére Dufaux nasceu em 1841, na cidade de
Fontainebleau, França. Próxima a Paris, abrigava a residência
oficial de Napoleão III e de outros nobres. O pai de Ermance, rico
produtor de vinho e trigo, era um deles. Tradicional, a família
Dufaux residia num castelo medieval, herança de seus antepassados.
Em
1853, a filha dos Dufaux começou a apresentar inquietante
desequilíbrio nervoso e a fazer premonições. Por causa desse
problema, seu pai procurou o célebre médico Cléver De Maldigny.
Pelo relato do Sr. Dufaux, o médico disse que Ermance parecia estar
sofrendo de um novo distúrbio nervoso, que havia feito diversas
vítimas na América e que, agora, estava chegando à Europa. As
vítimas da doença entravam numa espécie de transe histérico e
começavam a receber hipotéticas mensagens do Além.
O
posicionamento favorável dos Dufaux ao neo-espiritualismo
(spiritualisme) gerou retaliações. Numa confissão, Ermance
recusou-se a negar sua crença nos Espíritos, atribuindo suas
mensagens a Satanás, e foi proibida de comungar. A Imperatriz também
esfriou seu relacionamento com a família. No entanto, o Imperador
Napoleão III ficou curioso e pediu para conhecer a Srta. Dufaux.
Ela
foi recepcionada no Palácio de Fontainebleau e recebeu uma mensagem
de Napoleão Bonaparte para o sobrinho. A mensagem respondia a uma
pergunta mental de Luís Napoleão e seu estilo correspondia
exatamente ao de Bonaparte.
Com
o tempo, os Espíritos também começaram a falar por Ermance. Em 1855,
com 14 anos, Ermance publica seu segundo livro "spiritualiste" (na
época, não existiam os termos espírita, mediunidade, etc). O
primeiro a ser distribuído e vendido: "A história de Joana D'Arc,
ditada por ela mesma" (Editora Meluu, Paris).
Segundo Canuto Abreu, a família Dufaux conheceu Allan Kardec na
noite do dia 18 de abril de 1857. O Codificador teria dado uma
pequena recepção em seu apartamento e os Dufaux foram levados por
Madame Planemaison, grande amiga do professor lionês.
No
final da reunião, Ermance recebeu uma belíssima mensagem de São
Luís, que, a partir dali, tornaria-se uma espécie de supervisor
espiritual dos trabalhos do Mestre. Segundo o ex-rei, Ermance, assim
como Kardec, era uma druidesa reencarnada. Os laços entre os dois se
estreitaram e ela se tornou a principal médium das reuniões
domésticas do Prof. Rivail.
No
final de 1857, Kardec teve a idéia de publicar um periódico espírita
e quis ouvir a opinião dos guias espirituais. Ermance foi a médium
escolhida e, através dela, um Espírito deu várias e ótimas
orientações ao Mestre de Lion. O órgão ganhou o nome de "Revista
Espírita" e foi lançado em Janeiro do ano seguinte.
Como o apartamento de Allan Kardec ficou pequeno para o grande
número de frequentadores da sua reunião, alguns dos participantes
decidiram alugar um local maior.
Para isso, porém, precisavam de uma autorização legal. O Sr. Dufaux
encarregou-se de obter o aval das autoridades, conseguindo em quinze
dias o que, normalmente, levaria três meses. Conquistada a
liberação, o Codificador e seus discípulos fundaram a Sociedade
Parisiense de Estudos Espíritas, em Abril de 1858. Ermance foi uma
das sócias fundadoras.
Durante o ano de 1858, Ermance recebeu mais duas autobiografias
mediúnicas. Desta vez, os autores foram os reis franceses Luís XI e
Carlos VIII. O Codificador elogiou o trabalho da Srta. Dufaux
e transcreveu trechos das "Confissões de Luís XI" na Revista
Espírita. Nesse
mesmo ano, Kardec divulgou três mensagens psicografadas pela jovem
sensitiva. Não temos notícia sobre a possível publicação das
memórias de Carlos VIII.
Canuto Abreu revelou que Rivail a utilizou como médium na revisão da
2ª edição de O Livro dos Espíritos.
Em
1859, Ermance não é mais citada como membro da SPEE nas páginas do
mensário kardeciano. Isso leva-nos a crer que ela teria saído da
Sociedade. Outro indício dessa suposição é que São Luís passou a se
comunicar através de outros sensitivos (Sr. Rose, Sr. Collin, Sra.
Costel e Srta. Huet). Não há, igualmente, registros da continuidade
do seu trabalho em outros grupos.
O
que teria acontecido com Ermance? Teria casado e deixado a
militância, como Ruth Japhet e as meninas Baudin? Teria se
desentendido com Kardec? Teria mudado da França? Teria desanimado
com o Espiritismo? São perguntas que só ela poderia responder. Seja
como for, o Codificador continuou a divulgar seu trabalho. Em 1860,
ele noticiou a reedição de "A história de Joana D'Arc ditada por ela
mesma", pela Livraria Lendoyen de Paris.
Em
1861, enviou vários exemplares desse livro, junto com suas obras,
para o editor francês Maurice Lachâtre, que se encontrava exilado em
Barcelona, Espanha. O objetivo era a divulgação do Espiritismo em
solo espanhol. Esses volumes acabaram confiscados e queimados em
praça pública pela Igreja Católica no famoso Auto-de-fé de
Barcelona.
"A
história de Luís IX ditada por ele mesmo", foi liberada pela Censura
e finalmente publicada pela revista La Verité de Paris em 1864. No
início de 1997, a editora brasileira Edições LFU traduziu "A
história de Joana D'Arc" para o português.
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