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A fotografia dos
Espíritos é um fenômeno onde na presença de um médium, depois de
feita a foto, a imagem de um Espírito é observada após a revelação
do negativo. Tal fato já tinha sido notado em 1861 com outros
médiuns, no entanto, como fotografo francês Edouard Isidore Buguet
(1840-1901) ele tomaria uma nova dimensão.
Sua carreira como
fotografo de Espíritos iniciou-se em 1873; um ano depois ele
instalou um estúdio em Londres. Suas fotografias eram realizadas em
transe mediúnico e foram atestadas como legítimas por várias pessoas
sérias.
Buguet conhecia
Leymarie, tendo inclusive fotografado-o, juntamente com o coronel
Carré (? -?) e um Espírito, que foi identificado por Leymarie, como
sendo seu amigo desencarnado Edouard Poiret (? -1862).
A “Revue Spirite”,
então dirigida por Leymarie, publicou, em 1874, diversos artigos e
fotos sobre o trabalho de Edouard Buguet e do médium e fotógrafo
norte-americano Alfred Henry Firman (? -?). No entanto, Buguet
vendia suas fotos e algumas teriam sido realizadas fraudulentamente,
fatos que eram desconhecidos por Leymarie, mas, que resultaram em um
processo judicial conhecido como “Procès des Spirites” (Processo dos
Espíritas) iniciado em 16 de junho de 1875 e movido pelo Ministério
Público francês contra Leymarie, que publicou as fotografias na
Revue Spirite e contra Buguet e Firman, os médiuns fotógrafos.
Buguet e Firman foram
presos acusados de fotografias fraudulentas e Leymarie preso como
conivente. Os depoimentos falsos prestados pelo fotógrafo francês
condenaram os réus, fato que os obrigou a apelar para as instâncias
superiores.
Amélie-Gabrielle,
então com 80 anos, foi ouvida em juízo, pois procurou Buguet em 12
de maio de 1874 e conseguiu duas fotos onde Allan Kardec apareceu
com Amélie.
Em seu depoimento ela
informou que procurou o fotografo de surpresa, sem qualquer aviso
prévio, e que este a fotografou, apesar de estar doente. Na mesma
chapa foram obtidas duas provas; na primeira Kardec sustentava, ao
lado dela, um quadro branco onde estavam escritos agradecimentos a
Amélie e Leymarie e um voto de coragem a Buguet.
A secretária do médium
francês, senhorita Ménessier (? -?) testemunhou que falsificara a
letra de Kardec no referido quadro. Amélie sustentou que a letra era
de seu falecido esposo e que a funcionária estava mentindo. Como
prova adicional a viúva informou que existiam duzentas cartas vindas
do interior do país que comprovavam a mediunidade de Buguet.
Amélie teve que
tolerar as ofensas do juiz Milet, que em seu interrogatório tentou
atingir o Espiritismo - o verdadeiro, mas não declarado réu no
processo.
O magistrado afirmou
que o nome Allan Kardec fora extraído de um livro de magia e que
toda a sua obra foi baseada em livros de igual origem. Amélie
refutou afirmando que tal nome era um pseudônimo, e que todos os
escritores utilizavam tal recurso. A determinação da testemunha
irritou o juiz que declarou:
“Ele é um compilador,
não é um literato. É um homem que praticava a magia negra ou branca.
Vá sentar-se”.
Tal procedimento
levou-a a se defender contra as ofensas pessoais que em verdade eram
estranhas ao julgamento; sua defesa foi anexada aos autos do
processo.
Ao final, Buguet foi
liberado à custa da negação de sua mediunidade e evadiu-se para a
Bélgica. Firman foi liberado graças a influentes amigos. Leymarie
permaneceu firme em suas convicções e por isto foi mantido em prisão
celular.
Quando estava em
Bruxelas, na Bélgica, o fotógrafo escreveu ao Ministro da Justiça
francês informando-o da inocência do prisioneiro. Extraímos do livro
“Allan Kardec” de Zêus Wantuil e Francisco Thiesen, trecho da
referida correspondência:
“Lastimo, pois, haver
dito, na minha franqueza, o contrário da pura verdade, renunciando
eu à minha mediunidade, e peço perdão a Deus por este ato que
deploro, pois que ele serviu para incriminar um homem estimável,
cuja boa-fé se tornou suspeita com as minhas afirmações”.
Apesar de tudo, a Suprema Corte francesa o manteve preso por um ano
na Prisão de la Santé.
O relato de tais
acontecimentos foi documentado por Marina Leymarie e depois
publicado em um livro que recebeu o nome de “Procés des Spirites”.
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