Arthur
Conan Doyle é, nos meios profanos, um nome sobejamente conhecido
pelos seus famosos romances policiais, pelas estórias do
“detetive Sherlock Holmes”. Na seara espírita é respeitado e
admirado como valoroso propagador da Terceira Revelação, pela
firmeza de suas convicções, pela lisura de seu procedimento e pela
honestidade e distinção com que discutia os postulados do
Espiritismo e respondia às criticas adversas.
A
maior aspiração de todo cidadão inglês é, sem dúvida alguma,
ascender a Par do Reino Unido da Grã-Bretanha, e no entanto Conan
Doyle não aceitou tão alta distinção, pois que para isso teria,
antes, de abjurar o Espiritismo.
Ele
preferiu ficar com o Espiritismo, porque no seu entender a verdade
pairava muito acima de qualquer privilégio humano, e a verdade
estava toda inteira no Espiritismo!
Conan
Doyle foi educado pelos jesuítas, mas em 1882, ao concluir o curso
de Medicina, tornou-se materialista.
Em
seu materialismo, porém, como muito bem acentuou José Brígido, em
seus magníficos artigos insertos em “Reformador”, “era mais
de superfície”, pois jamais deixara de
ser fervoroso deísta, e explicava este verdadeiro
contra-senso com o seguinte episódio:
Em
uma noite estrelada, Napoleão, dirigindo-se a alguns professores
ateus, quando em marcha para o Egito, perguntou-lhes:
-
Senhores, quem fez estas estrelas?, porque, evidentemente, se
dissermos que o Universo é a resultante da ação de leis imutáveis,
teremos de concordar que este pressuposto nos há de levar a fazer
esta nova inquirição: Quem é o autor dessas leis?
Mas,
em 1886 a atenção de Conan Doyle foi despertada para os fenômenos
espíritas. E “o mundo que o admirava, por suas talentosas produções
novelescas, recebia-o agora como pregoeiro da Nova Revelação,
semeador incansável e destemido das verdades da sobrevivência da
alma e sua comunicação com os chamados vivos”.
Houve
mesmo quem o cognominasse de “São Paulo do Espiritismo”.
Acreditava
ele que o maior valor da Doutrina Espírita estava no seu aspecto
religioso ou moral, e esse seu pensamento foi reafirmado, em 1928,
quando do Congresso Espírita Internacional, realizado em Londres,
ao dizer: “... considero muito importante pôr em evidência, cada
vez mais, o lado religioso do Espiritismo.”
Há
uma passagem curiosa na vida de Conan Doyle: realizava ele suas
experiências medianímicas, através da chamada mesa girante,
quando então teve oportunidade de perguntar às entidades
espirituais quantas moedas trazia nos bolsos, e a mesa lhe
respondeu:
-
Estamos aqui para instruir e elevar as almas, não para
adivinhações – acrescentando – o que queremos implantar é um
estado d'alma religioso e não de crítica.
Conan
Doyle verificou, desde logo, que realmente os ensinos dos Espíritos
lançavam forte luz sobre todas as passagens evangélicas, tanto que
o levou a escrever, em seu livro intitulado “História do
Espiritismo”, estas palavras:
“Perguntar-se-á
por que as antigas religiões não salvam o mundo de sua degradação
espiritual. Responderemos: todas tentaram faze-lo, mas todas têm
fracassado. As Igrejas que as representam degeneraram e se tornaram
mundanas e materiais. Perderam o contacto com a vida do espírito e
se contentaram com o referir-se aos tempos antigos e entregar-se a
umas orações e a um culto externo à base de tão arrevesadas e
incríveis teologias, que a inteligência honrada sente náuseas só
em pensar nelas. Ninguém há se mostrado tão céptico e incrédulo
acerca das manifestações do Espiritismo como o clero, não
obstante ostentar uma crença que só se funda em fatos análogos
aos nossos, ocorridos outrora; sua absoluta negativa em aceitar
agora esses fatos, dá a medida da sinceridade de suas convicções.”
O
Espiritismo exerceu notável influência na vida de Conan Doyle, e
tanto isto é verdade que, em seu precioso livro “A Nova Revelação”,
ele se serviu das palavras do grande pensador e poeta Gerald Massey,
para externá-las como
suas: - “O Espiritismo foi para mim, do mesmo modo que para muitos
outros, como que uma elevação do meu horizonte mental e a entrada
do céu. Foi como que a fé a se formar dos fatos. Tanto assim que a
vida, sem ele, eu só a posso comparar a uma travessia feita, a
bordo de um navio com as escotilhas fechadas, por um prisioneiro que
vivesse todo o tempo alumiado pela luz de uma vela e a quem, de súbito,
numa esplêndida noite estrelada, permitissem subir pela primeira
vez ao tombadilho, para contemplar o prodigioso mecanismo do
firmamento, flamejando a glória de Deus.”
Depois
que terminou seus seis volumes sobre a “História da Primeira
Guerra Mundial”, consagrou Conan Doyle todo o seu tempo à causa
do Espiritismo. Por toda parte, consideráveis multidões assistiam
às suas conferências, durante as quais desenvolvia os artigos de
sua nova fé religiosa: - o Espiritismo!
Conan
Doyle dispunha de inigualável poder de observação e dedução,
sem sombra de dúvida um missionário que fez o Espiritismo
conhecido e respeitado na culta Inglaterra; e ele, tal como o
inconfundível mestre Allan Kardec, chegou à conclusão lógica,
conclusão, aliás, a que chegam todos os homens cultos e sinceros,
que o Espiritismo, sem a feição religiosa, foge completamente à
sua finalidade – encaminhar as criaturas para Deus!