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(O Biógrafo de Kardec)
Praticamente todos os
informes que hoje possuímos da vida pessoal e da missionária de
Allan Kardec devemos ao representante comercial francês, nascido em
Lyon, Henri Sausse (1851-1928).
Henri descobriu-se
médium aos dezesseis anos, quando ouvia ruídos inexplicáveis na casa
de seus pais. Em 1869, quando Allan Kardec desencarnou, ele passou a
se dedicar com afinco aos estudos das obras do codificador. Nesta
época filiou-se ao “Groupe Finet”, que realizava reuniões mediúnicas
com a presença de mais de trinta e cinco pessoas.
O prefeito de Lyon
recebeu, em 1873, determinações da “Ordem Moral” – recurso
mencionado no capítulo 21, da segunda parte, desta unidade – para
proibir reuniões espíritas, sob a acusação de anarquia. O “Groupe
Finet” foi fechado. Contudo, alguns médiuns continuaram as sessões
na residência de Sausse. As mensagens recebidas eram destruídas após
cada encontro, para evitar que fossem deixados vestígios que
pudessem servir de prova contra os componentes. Passado o período da
repressão o grupo voltou a reunir-se até o desencarne do Senhor
Finet.
Em 06 de maio de 1883,
Pierre-Gaetan Leymarie, então diretor da “Revue Spirite” (Revista
Espírita), reuniu-se com os espíritas de Lyon. No encontro o poeta
francês Adolphe Laurent de Faget, propôs a criação de uma Federação
para reunir os espíritas lioneses. Apesar de a idéia ter sido aceita
por todos, o resultado final não foi a criação de uma Federação, mas
sim, da “Société Fraternelle dÉtude Scientifique et Morale du
Spiritisme” (Sociedade Fraternal de Estudos Científicos e Morais do
Espiritismo). Em 30 de setembro de 1883, Adolphe tornava-se o seu
presidente e Sausse o vice-presidente.
As atividades de Henri
no meio espírita não cessavam. Ele ajudou na criação e se tornou
dirigente, em agosto de 1883, do “Groupe Amitié” (Grupo Amizade),
composto por seus amigos da Sociedade Fraternal. O grupo dedicava
suas reuniões à educação da Mediunidade dos participantes;
utilizavam o recurso das “mesas girantes”, mas, apesar dos
constantes encontros, não conseguiram nenhum fenômeno. Em busca de
respostas para o insucesso, Henri provocou a hipnose em uma jovem
médium de nome Louise; o resultado foi a resposta: “Quando se sabe
ler corretamente não se tem mais necessidade de soletrar. Todos
sabem escrever, escrevam por conseguinte, em vez de perder o vosso
tempo e o nosso”.
A partir desta
orientação eles abandonaram as “mesas girantes” e se dedicaram
primeiramente ao estudo do magnetismo (hipnose). Em janeiro de 1884,
por meio da mediunidade de Louise, assistiram ao transporte de
rosas; em maio foram surpreendidos com a escrita direta. O grupo
começava a obter resultados com seus esforços.
As materializações de
Espíritos foram obtidas após insistentes tentativas. Em 11 de
fevereiro de 1889, conseguiram obter moldes em parafina das mãos do
Espírito Esther (um dos que se materializava para o grupo). As
atividades do Grupo Amizade duraram até 28 de outubro de 1890,
quando Louise casou-se.
Por ocasião da visita
de Gabriel Delanne, em julho de 1885, Henri voltou à questão
levantada por Adolphe Laurente de Faget, quando da visita de
Leymarie. Por sua insistência foi criada, oficiosamente, a
“Fédération Spirite Lyonnaise” (Federação Espírita Lionesa). Por
meio desta Federação, Henri fundou, em 1888, uma sociedade de
socorro mútuo composta por espíritas Lioneses para ajudar aos
necessitados durante o rigoroso inverno francês. A Federação
Espírita Lionesa foi a responsável pela visita de Léon Denis, em
1887.
Durante o 2º.
Congresso Espírita e Espiritualista Internacional, Henri Sausse foi
nomeado secretário da Comissão de Propaganda, presidida por Léon
Denis. A amizade que se formou entre os dois espiritistas propiciou
a Henri elementos para escrever uma biografia de Denis.
Entretanto, não foi
aquele o único relato biográfico escrito por ele. Em 1896, Henri
realizou uma de suas principais contribuições aos espíritas: a
biografia de Allan Kardec. Para tanto pesquisou documentos e obteve
informações com pessoas próximas ao codificador, particularmente
Leymarie. A “Biographie d´Allan Kardec” (Biografia de Allan Kardec),
é talvez até hoje a principal fonte de consulta para os que
pretendem conhecer algo da vida do codificador.
Reunindo esforços ele
conseguiu oficializar a Federação Espírita Lionesa, em 02 de agosto
de 1903, nela sendo nomeado secretário-geral.
Em 21 de março de
1910, criou o “Groupe Espérance” (Grupo Esperança). É interessante
ressaltar que o nome foi sugerido pelos Espíritos orientadores. Seus
componentes decidiram tornar o grupo rigorosamente fechado para
curiosos; novos elementos só seriam admitidos com a aprovação dos
Espíritos.
No Grupo Esperança a
médium era a jovem Bernadette (chamada carinhosamente de Bedette por
Henri). Depois, em 03 de fevereiro de 1913, Louise retornou às
atividades para auxiliar o grupo.
Durante as sessões do
novo grupo foram realizadas diversas materializações, o primeiro
objeto materializado foi um anel que o Espírito Esther deu de
presente para a médium Bedette; para se obter o ajuste perfeito no
dedo da jovem foram necessárias vinte sessões. Na medida em que as
materializações ficaram mais sofisticadas os Espíritos revelaram que
a presença de Henri, em virtude de sua mediunidade, era fundamental
para a realização dos fenômenos.
Em 27 de junho de
1914, os Espíritos deram uma licença não solicitada para que seus
membros se afastassem por um período, depois se descobriu que foi em
virtude da Primeira Guerra Mundial que foi declarada no dia
seguinte.
Pouco antes do final
da guerra, em 01 de janeiro de 1918, Henri passou a editar o
periódico mensal “Spiritisme Kárdeciste” (Espiritismo Kardecista) –
é bem verdade que Kardec não admitia vincular desta forma seu nome
ao Espiritismo, pois ele sabia que o Espiritismo é obra dos
Espíritos.
Por fim, em 1923,
depois de estar à frente da Federação por trinta e oito anos, Henri
transferiu o cargo de secretário-geral e mudou-se para a aldeia
francesa Drôme, onde passou a atualizar a quarta edição da biografia
de Kardec. Desencarnou naquele local em 26 de fevereiro de 1928.
“É um fato para mim
incontestável, que se as obras de Allan Kardec fossem lidas
frequentemente e mais seriamente, seriam mais bem compreendidas,
seus ensinos melhor observados, e seria apreciado o seu justo valor
pelos detratores que o desacreditam apenas por conhecê-lo mal, ou
mesmo por não conhecê-lo de forma alguma”.
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