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A irlandesa Geraldine
Cummins (1890-1969) desafiou o senso corriqueiro ao tratar de
assuntos considerados intocáveis por sacerdotes de diversas
religiões.
Por intermédio de sua
Mediunidade foram dadas notícias e detalhes a respeito da vida de
Jesus e de Paulo, o apóstolo dos gentios.
Aqueles que foram
analisar a atuação da médium, com o objetivo de desmascará-la,
encontraram tanta sinceridade e espontaneidade que se propuseram a
ler suas mensagens. Nelas foram encontrados tantos detalhes
envolvendo questões históricas, referências geográficas e termos
utilizados na antiga Palestina, que somente poderiam ter sido
utilizados por quem tivesse vivido ou conhecido profundamente aquela
região e os fatos que lá ocorreram.
Embora o conhecimento
daqueles fatos pudessem ser alcançados por algum estudante dedicado,
este não era o caso de Geraldine, que não se interessava por aqueles
assuntos e nunca estivera no Egito ou na Palestina.
As sessões de
experimentação foram iniciadas em 1923. Foi assim que Geraldine, que
contava com a ajuda de sua amiga E. B. Gibbes descobriu-se médium
psicógrafa.
Durante dois anos elas
trabalharam em busca do desenvolvimento, até que, em 1925, surgiram
mensagens tratando de fatos ligados à história do Cristianismo
primitivo, o autor delas identificou-se pelo nome O Mensageiro.
Ernesto Bozzano esteve acompanhando as reuniões para verificar sua
performance mediúnica e ressaltou que durante um semi-transe que
dominou a médium ela escreveu com incrível rapidez.
“(...) 1,500 palavras
eram ditadas, sem interrupção, numa hora. Uma vez terminado, o
ditado, ele era imediatamente retirado, na ignorância do seu
conteúdo, com o fim de se evitarem interferências possíveis de sua
subconsciência”. Trecho retirado do livro “As Mulheres Médiuns”, de
Carlos Bernardo Loureiro.
No dia seguinte,
Geraldine retomava a mensagem exatamente do ponto que parara, mesmo
não tendo tomado conhecimento sobre o local da interrupção.
No dia 16 de março de
1926, durante uma reunião, ela escreveu mil setecentos e cinqüenta
palavras em uma hora e quinze minutos, com um detalhe: suas
mensagens eram escritas à lápis, o que tornava o processo mais
lento.
O primeiro livro
mediúnico que ela recebeu foi “The Scripts of Cleophas” (Os Escritos
de Cleofás). O orientador espiritual de Geraldine informou que se
tratava de suplementação do livro Atos dos Apóstolos e das epístolas
de São Paulo. Neste trabalho foram tratados assuntos do Cristianismo
primitivo e do trabalho dos apóstolos após a “morte” de Jesus,
chegando até o momento em que Paulo partiu da Beréia para Atenas.
Esta obra foi enaltecida por representantes do Protestantismo e do
Catolicismo, pela clareza e detalhes que eram descritos os fatos e
lugares relativos à época em que a história se passou.
É necessário um
esclarecimento: Cleofás, a quem se referiu o título do primeiro
livro, foi o discípulo para quem Jesus se revelou no caminho para
Emaús, após a crucificação.
Após este livro, ela
deu continuidade ao trabalho por meio do livro “Paul in Athens”
(Paulo em Atenas) e depois com “The Great Days of Ephesus” (Os
Grandes Dias de Éfeso).
O quarto livro que ela
psicografou foi “The Road os Immortality” (A Estrada da
Imortalidade), que foi o resultado de uma série de comunicações do
Espírito Frederich W. H. Myers. Nele o pesquisador desencarnado dava
uma visão do progresso do espírito humano, indo ao encontro da
eternidade. Oliver Lodge prefaciou esta obra.
Em 1936, Geraldine
protagonizou um episódio que dividiu a opinião pública e se tornou
uma fonte de especulações, fornecendo “munição” para a imprensa
sensacionalista. Ela afirmou que estava recebendo mensagens enviadas
pelo topógrafo e coronel inglês Percy Harrison Fawcett.
A história de Percy H.
Fawcett é cercada de mistérios e controvérsias. Em 1925, quando ele
já havia se aposentado e estava interessado na descoberta de
civilizações perdidas, recebeu, de presente, uma estatueta de um
ídolo em pedra negra, que tinha sua provável origem no Brasil.
Ao consultar um
médium, ele foi convencido de que o artefato fora construído por
membros de uma civilização que habitava “um grande continente de
forma irregular que estendia do litoral norte da África à América do
Sul”.O explorador acreditou que se tratava da Atlântida, e que
aquele objeto pertencera a remanescentes daquela cultura, que ainda
habitavam terras brasileiras.
Movido pela
curiosidade, o explorador veio para o Brasil e adquiriu um mapa
antigo que mostrava uma cidade sem nome localizada numa região
inexplorada do Mato Grosso. Fawcett nomeou-a como Cidade X,
organizou uma expedição que incluía seu filho Jack Fawcett e se
embrenhou pela selva à procura da confirmação de suas suspeitas.
Em sua última carta
dirigida à sua esposa, o coronel escreveu a respeito de informações
que obteve sobre uma velha metrópole abandonada, localizada às
margens de um lago. Depois disto nunca mais se teve notícias
confiáveis a respeito dos aventureiros.
Quando Geraldine
divulgou seus contatos com o coronel, ela afirmou que ele enviava
suas mensagens em estado de semiconsciência; estava ainda encarnado,
mas bastante adoentado. Segundo a médium, ele afirmou ter encontrado
relíquias e disse que os objetos tinham pertencido à civilização
atlante. Ao final de quatro meses as mensagens foram interrompidas.
Em 1948, a médium
afirmou que ele voltou a contatá-la, desta vez para informar que
finalmente estava desencarnado.
A sintonia de
Geraldine com Espíritos de pessoas que ficaram bastante conhecidas
quando encarnadas não parou por aí. Em 1957, ela informou que o
Espírito que fora Winnifred Coombe-Tennant e que tinha desencarnado
em 1956, iniciou um contato que durou cerca de dois anos e meio e
resultou numa série de quarenta manuscritos.
A importância da
médium na Inglaterra pode ser medida pelo tratamento que Geraldine
recebeu dos ingleses, que a ela se dirigiam como “a maior psicógrafa
do mundo”.
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